segunda-feira, 20 de setembro de 2010

A hora dos líderes


São reflexos emocionais e nada lógicos de um adepto que se vê forçado a apoiar equívocos, a defender irracionalidades, a construir muralhas de fé sobre nuvens.
A cada ano que passa a esperança renova-se, mas a desilusão é sempre a mesma. Já não há nada que me iluda neste futebol atabalhoado, sem rumo, exposto a contradições que qualquer adepto de bancada distingue.

Tantos anos enchi a barriga de riso com o desnorte de equipas benfiquistas, desde Autuori, Artur Jorge, Fernando Santos, Manuel José, Mário Wilson. Agora sofro do mesmo mal que muitos adeptos benfiquistas padeceram. Humilhação, desmotivação, um prazer mórbido em criticar os jogadores, os treinadores, o presidente…É o que acontece quando num adepto o ideal do seu clube se perde em manobras de paciência quando devia ter pressa e pressa desmedida quando devia estar tranquilo.

Não há chefia, desaparece nas horas más, como se não fosse útil sequer comunicar com os adeptos. Como se não fosse razoável dar a cara perante o fracasso. Os adeptos viram-se para si mesmos tentando justificar entre eles o que se pode fazer, como se chegou até este ponto. Não há a manifestação de força e liderança, deixando passar o tempo pelas derrotas à espera de uma erosão diluente do seu sabor amargo e corrosivo.

Era agora, senhores Bettencourt e Costinha, que se devia dar a cara, as tais conferências de imprensa, as tais entrevistas em prime-time, era agora. Não quando se atinge uma vitória moralizadora, a seguir a essas dispensamos aparições de circunstância.  E todos sabemos porque ninguém aparece, na verdade não há nada a dizer à excepção de assumir erros. De assumir que Paulo Sérgio foi uma má aposta, que faltou dar reforços em lugares chave, de assumir que se dá demasiados tiros no pé em planeamento e comunicação.

Até breve.

Uma noite para esquecer ou lembrar?

Já referi que consequências deve acarretar esta nova derrota, não vos vou maçar com campanhas anti-treinador, mas olhando para o jogo de hoje à noite fica uma sensação de missão não cumprida, falhanço e não acho que devemos "saltar" em cima dos jogadores. Já leio por aí autênticas crucificações a Patrício, a Pereira, a Coelho, Maniche, Fernandez, Valdez, Liedson, Postiga, Djaló. Pelos vistos só Evaldo, Carriço e André Santos se salvam da "fogueira".

É impressionante não entender que o falhanço da equipa foi completamente colectivo e não assente em nenhuma prestação individual. Quando um jogador se exibe abaixo do colectivo, é automática a noção que falhou, mas faço a pergunta: foi um jogador que falhou ou foram 10? Excluo sinceramente Carriço que fez uma partida de leão. Mas foi uma ilha perdida num mar de dúvidas. Quando assim é, julgo ser o mais correcto possível dizer que falhou a equipa. Quando isto acontece, de quem é a culpa? Quem vamos substituir? Quem salvará este Sporting?

Em dois meses, Paulo Sérgio não consolidou a equipa, continua a fazer testes, continua a hesitar entre esquemas tácticos e parece ter alguma dificuldade em resolver problemas. Vejamos:

Problema 1 - Finalização

Nordsielland - Sporting 0-1 (Vukcevic)
Sporting - Nordsielland 2-1 (Postiga, Maniche)
P.Ferreira - Sporting 1-0
Sporting - Brondby 0-2
Sporting - Maritimo 1-0 (Fernandez g.p.)
Brondby - Sporting 0-3 (Coelho, Evaldo, Djaló)
Naval - Sporting 1-3 (Liedson, Fernandez g.p., Djaló)
Sporting - Olhanense 0-0
Lille - Sporting 1-2 (Vukcevic, Postiga)
Benfica - Sporting 2-0

Quando Liedson tem 1 golo marcado, Postiga 2 golos, Djaló 2 golos, Saleiro 0, em 10 jogos realizados, isso quer dizer muita coisa. O diferencial entre golos marcados e sofridos é 12-8. Não enfrentámos grandes adversários e à excepção do Benfica, que de facto é "do nosso campeonato" os outros jogos eram acessíveis. Em 4 dos 10 jogos não marcámos golos, o que quer dizer quem em 40% das partidas, os nossos jogadores não conseguem encontrar o caminho da baliza. Mesmo com Bento ou Carvalhal, duvido que tivéssemos estes rácios. 

Aqui reside o maior dos dilemas. Mandar Liedson para o banco não resolve nada. De facto nada nos diz que temos mais probabilidades de marcar com Postiga, Djaló ou Saleiro. O levezinho está em baixo de forma? Não. Não me parece. Liedson está naturalmente a perder fulgor e a entrar no ocaso da sua carreira, é pois normal que não tenha o rendimento de outras épocas. Depositar nos outros atacantes do plantel a responsabilidade de marcar é estar cego às prestações dos mesmos nas anteriores épocas.

Solução? Esperar por Dezembro. Esperar por um bom avançado. Parece-me que a equipa pode fazer muito mais com um goleador no onze, mas ele não existe neste momento nem vai cair do céu.

Problema 2 - Criar ocasiões de golo

Não marcar é um problema, mas tal como vimos hoje, não criar oportunidades é ainda mais aflitivo. Os mais ingénuos vão cair na conversa do "criámos várias oportunidade..." e não verão que neste último jogo a primeira oportunidade chegou aos 70 e tal minutos de jogo e em boa verdade foi a única. Não confundo remates com ocasiões reais para marcar. Esta incapacidade, que é mais gritante quando temos pela frente equipas que não se importam de defender o resultado, é por demais evidente.

A culpa? Existem muitas, mas a principal quanto a mim é a incapacidade de criar superioridade numérica no ataque. Os médios e os avançados deslocam-se, mas parecem sempre muito distantes da área, como que se "protegessem" da missão difícil que é jogar nos últimos 30 metros de campo em ataque continuado. Temos bons médios que transportam bola, Vukcevic, Valdez, Fernandez, mas incrivelmente não conseguem chegar à área em condições de realizar o último passe, obrigando os avançados a jogar sempre de costas para a baliza à espera de uma bola metida pelos trincos, centrais ou laterais.

Solução? Treinar a equipa para realizar movimentos de subida colectiva, jogadas de envolvimento, dar aos jogadores a exacta ideia do que estão a fazer mal. Começando com o básico. Fernandez é um excelente jogador, mas não pode andar um jogo à procura da bola, assim que tem a bola nos pés os seus colegas devem abrir linhas de passe em progressão, mas basta ver 2 ou 3 jogadas para entender que é o contrário que acontece, os jogadores afastam-se do portador da bola...problemas que já vêm da época passada que quanto a mim deve-se a uma deficiente preparação técnica.

Problema 3 - Bolas paradas

Somos completamente permeáveis a defender livres e cantos e somos completamente ineficazes nas mesmas situações quando atacamos. A altura não justifica tudo.
Solução? Treino e confiança. A primeira parte não está a ser conseguida, apesar das repetidas admissões de culpa e a segunda parece ainda mais problemática.

Só uma última mensagem de tristeza para os Sportinguistas que se dão como satisfeitos por estarmos 1 ponto à frente do Benfica e acharem que isso vale de alguma coisa. A missão do Sporting não é ficar à frente do Benfica, é ficar à frente de todos. Para os que ainda não estiverem convencidos, chamo à atenção que fora paixões clubísticas  o Benfica foi melhor do que o Sporting no derby, o que nos deverá por a pensar por quanto tempo estaremos acima do clube da Luz. E depois? Quando formos relegados para 4º ou 5º lugar (ou se conseguirmos lá chegar) talvez aí os últimos defensores de Paulo Sérgio abram os olhos.

Até breve.

domingo, 19 de setembro de 2010

Para mim chega de Paulo Sérgio

Com toda a paciência do mundo aturei, como muito adeptos sportinguistas fizeram, a escolha do treinador Paulo Sérgio como técnico do Sporting. Chega de paciência. Está na altura de todos nos consciencializarmos de que este treinador não serve o Sporting. Esta derrota na Luz é simplesmente uma tareia táctica dada por Jesus a Paulo Sérgio. O Benfica jogou nos pontos fracos do Sporting, o Sporting jogou como é costume.

Com 5 jornadas, o Sporting tem 7 pontos. Em 15 pontos, temos 7!!! Pior só o Benfica e mesmo esses derrotaram-nos nas calmas. Chega. Espero que na próxima partida já não seja o ar pensante e reflectivo a orientar o treino da equipa. O que se passou na Luz é um retrato do Sporting de Paulo Sérgio. Cheio de coragem, cheio de força e muito despiciente, desorganizado, tolo, sem calma.

Durante a transmissão foram várias as imagens do desânimo dos adeptos leoninos a ver o jogo, o espelho exacto do que eu senti. Imagino que o espelho exacto de todos os Sportinguistas. Convinhamos o Benfica desta época não está a jogar nada  e nem assim conseguimos um resultado positivo. É demais. Foi aflitivo ver Cardoso marcar dois golos e mostrar a Liedson como é que se ganha um jogo. Foi ilustrativo ver a incapacidade de Fernandez e Valdez, dois grandes jogadores sem ordem, sem saber como liderar a equipa em campo.

Já estou farto de apontar sempre os mesmos defeitos, a ausência de um ponta de lança capaz de fazer golos, uma incapacidade para construir oportunidades frente a equipas que defendem com as linhas juntas. Desde o primeiro jogo em casa contra o Marítimo que se vê a olhos claros que falta qualquer coisa e Paulo Sérgio não é capaz de solucionar este e outros problemas. É vergonhoso ouvir Jesus no flash interview a defender a qualidade do Sporting e a orientação técnica de Paulo Sérgio. Isto depois de lhe ter dado uma lição de como preparar uma equipa só nos deve convencer que o treinador do Sporting não é treinador para o Sporting. Pode ser um bom treinador para o Guimarães, para o Paços de Ferreira, mas para nós não.

Ao ouvir no flash interview as mesmas justificações de sempre, a falta de eficácia, as bolas paradas, a felicidade do adversário. Faltou ao técnico admitir que a sua equipa foi mal preparada e que fez o jogo que o adversário quis. Que o clube sai de rastos, com todas as limitações à vista, com todas as carências a cansar de ver para quem lê o futebol. Fica demasiado fácil vencer ou empatar com o Sporting.

Com Paulo Sérgio iremos ganhar o mesmo que com o Carvalhal e Paulo Bento, ou seja nada. Daqui para a frente apoiarei a equipa, ficarei feliz com as vitórias do clube, mas não defenderei a permanência do treinador actual. Para mim quanto mais cedo ceder o lugar ao próximo, melhor será para a equipa e para os adeptos. Dou assim a mão à palmatória a quem sempre vaticinou este fim. Ainda acreditei ver algo, especialmente na digressão pelos EUA, mas não chegou nunca a ser.

Senhor JEB e Costinha, façam um favor ao clube, a vocês e ao próprio Paulo Sérgio e cheguem a um acordo para o fim deste técnico. Eu não quero ficar em 4º lugar, mas assim é para lá que caminhamos a passos largos, isto se o Guimarães não acabar por ficar à nossa frente. Sinto toda a frustração de um adepto que vê 25 ou 26 bons jogadores mal preparados para vencer sempre, e não é só às vezes quando calha.

Até breve.

Dignidade, Coragem e Sorte

É o que todos o adeptos leoninos devem estar a pedir para a equipa de Paulo Sérgio no derby que se joga daqui a poucas horas. É certo que muita da responsabilidade de ganhar está do lado encarnado, mas é a segunda oportunidade que o Sporting tem em poucas semanas para se transcender e assumir-se como grande competidor nesta Liga.

Veremos o que fazem os jogadores verde-e-brancos e de que forma vão aproveitar o "desespero" de Jesus e companhia para ganhar a partida. Uma equipa calma, segura e atrevida é o pior que o Benfica pode desejar neste derby, não somos cipriotas e para alguma irá servir a vitória moralizadora em França. Aguardemos.

Até breve.

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

Como é difícil ganhar uma vitória


Sempre
Complicamos a coisa mais simples
E simplificamos a complicada
Sai em rajada
O tiro pela culatra
Às vezes mata
Às vezes ressurreição
Foi de raspão


Este poema, parte da música Só neste país de Sérgio Godinho ilustra bem a atitude esquizofrénica e bipolar de um país que não se satisfaz com vitórias e saboreia derrotas, que não elogia o mérito, mas foca-se nos defeitos até à exaustão, que passa da absoluta depressão para a euforia descontrolada.

Só assim é possível julgar a vitória do Sporting como sofrível, afortunada, atabalhoada ou casual. O que é que alguns adeptos leoninos e a imprensa pensa que é uma vitória? Para todos os clubes ganhar por mais um golo chega, para nós não…tem de ser por 3 ou quatro golos de diferença. O Torsiglieiri devia ter fintado 20 e rematado 30, envergonhando Maldini, Cole ou Evra. Postiga devia ter feito uma exibição capaz de mostrar a Romário, Van Basten e Dzeko o que é um ponta-de-lança e André Santos devia ter ganho 10 anos de experiência com 5 ou 6 jogos a titular.

Ganhamos e pronto. Elogio à equipa que veio de França com 3 pontos, que mal ou bem foi superior a uma outra equipa que é das melhores nas terras gaulesas. O que é que custa dar os parabéns a um ou outro jogador que só tem como culpa não ter o talento que achamos que devia ter.
Por estas e outras jogadores como Gimenez, Moutinho, Tello, Varela ou Heinze que de discutíveis em Alvalade passaram a ser estrelas noutros campos. Valorizemos o que é nosso, pelo menos até que chegue algo melhor. Se chegar.

Até breve.

Suplentes ? Quem? Nós?

A coisa correu bem. O Sporting venceu o Lille e ninguém pode dizer que não foi melhor que o adversário. Ok, não esmagou o clube francês com futebol ofensivo, de alto índices técnicos, de não deixar respirar os jogadores oponentes. Mas convínhamos o Sporting não é o Barcelona. Para uma equipa que ainda procura uma identidade dentro de campo, não confundir com atitude, isso a equipa revela ter, o jogo foi bem conseguido.

Passes falhados, alguma dessincronização nas saídas de bola e aqui e ali algum esquecimento defensivo são próprios de um onze nada rodado e sem as empatias que advêm de muitos jogos em conjunto. Apesar disso, a equipa mostrou a garra e a coragem de querer mais do que apenas o cuidadoso empate. Paulo Sérgio teve alguns cuidados extra com a posse de bola dos franceses, Saleiro e Postiga tiveram ordens para “morder” os médios a todo o custo e os médios Zapater e Santos nunca se aventuraram demasiado em lances ofensivos.

Não se foi uma vitória da coragem de Paulo Sérgio ou um atrevimento dos suplentes, o que é certo é que começamos a Liga Europa da melhor forma vencendo no terreno mais difícil. O sabor deste arranque pode e deve inspirar os jogadores para o derby e alimentar ainda mais a concorrência por um lugar no onze. Agora a análise um a um:

Tiago
Bem no geral. Falhou no golo do Lille, mas justificou a aposta, pareceu sempre seguro e focado.

Abel
Segundo aviso do lateral a Pereira, se continuar a exibir-se tranquilo na defesa e afoito no ataque pode ser que lhe garanta a titularidade um dia destes. Fez um bom jogo.

Torsiglieri
Grande surpresa. Para quem ainda quase não tinha jogado o argentino mostrou valor e personalidade. Não é um lateral, mas pode ser um boa alternativa a defesa-esquerdo. Uma entrada muito dura no inicio podia ter estragado a sua prestação, mas foi-se aguentando a defender. Como uma muralha, nunca deu hipóteses aos atacantes e salvou muitas bolas. Atacou pouco, mas bem.

Carriço

Grande jogo do capitão. Está a assumir-se como um dos valores inquestionáveis da equipa. Tirou tudo, varreu tudo, cortou tudo. Nota-se que quer “mandar” na equipa o que é excelente.

Polga
Outra surpresa. Se jogasse sempre como jogou contra o Lille nunca Coelho e Torsigleiri teriam hipótese de lhe ganhar o lugar. Ter um central assim como alternativa, ou seja o Polga bom, é uma garantia no lugar.

André Santos

Ás vezes faz lembrar o Paulo Sousa e para o ser completamente só lhe falta um pouco mais de sentido posicional, para não ter de andar a recuperar terreno que nem um louco. No lance do 1º golo, surge adiantado o que ajudou, mas também é uma prova de que talvez não devesse estar ali. Bom jogo e está a ser um dos mais estáveis na equipa exibicionalmente.

Zapater

Apesar de falhar alguns passes, não ter a melhor noção do espaço entre os colegas e faltar-lhe algum fulgor físico, revelou ser de uma utilidade extrema no meio campo. Não engana é um médio que sabe defender e atacar, é o tal box-to-box. Precisa de mais entrosamento e jogos nas pernas para crescer e ganhar confiança.

Salomão
Muito talento e rapidez. Podia ter marcado, mas essa falha não manchou uma exibição atrevida do garoto. Tal como Zapater e Torsiglieri faltam jogos e conhecimento dos colegas.

Vukcevic
O sérvio abriu com um golo e apesar de óptimos detalhes técnicos, não foi muito participante na partida. Contribuiu para a vitória, mas precisa de estar mais em campo e não esperar tanto que a bola lhe chegue redonda. Lutou defensivamente o que o desgastou mais cedo do que é habitual.

Postiga
É dos avançados que conheço com mais jeito para tratar a bola, se o jeito para criar espaço para rematar fosse tão bom seria dos melhores avançados do mundo. Mas Postiga muitas das vezes faz um sprint a mais, uma finta a mais e perde o tempo e a energia que devia guardar para ser mais incisivo na área. Um golo e muita correria para recuperar bolas dão-lhe mesmo assim uma nota bem positiva.

Saleiro
A disponibilidade que mostrou em conjunto com Postiga para tapar a zona central da saída de ataque do Lille foi uma surpresa. Tem de ser assim Saleiro. Um avançado tem de fazer muito mais do que apenas esperar que a bola lhe caia no pé para rematar à baliza. Não foi uma dor de cabeça para os centrais, mas esteve bem na maior parte dos lances. Falta-lhe um golo ou outro para ganhar mais atrevimento.

Pereira
Entrou para substituir Vukcevic e ainda teve tempo para criar uma boa oportunidade. Serviu para o que foi chamado ou seja ajudar Abel a aguentar o flanco.

Evaldo
O mesmo que se aplica a Pereira.

Coelho
Substituiu Saleiro para impedir o chuveirinho nos últimos minutos. Afinal não houve.

Até breve.

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

Arriscar

Ao ver o onze inicial do Sporting para defrontar o Lille, entendemos agora o porquê da não preocupação com o tempo de repouso para o derby. Ao alinhar apenas com André Santos, Carriço e Vukcevic como habituais titulares, Paulo Sérgio faz descansar quase toda a equipa. Não sei que resultado terá esta opção, mas uma coisa é certa, revela enorme confiança nas segundas escolhas.

O jogo em Lille é o jogo mais difícil, em teoria, deste grupo da Liga Europa. Seria de todo expectável que fizesse alinhar o melhor onze, deixando para outro encontros o “descanso” dos titulares. Mas não. Arrisca Paulo Sérgio numa manobra “à Mourinho” quando ainda tem o lugar quentinho depois da péssima prestação frente ao Olhanense e antes de defrontar o Benfica na Luz.

Seja qual for o resultado, teve coragem e destes atrevimentos que queremos ver à frente da equipa. Espero que tenha sorte. Será bom para ele e muito bom para todos os Sportinguistas que bem precisam de um bom resultado para moralizar o derby.

Até breve

A ideotice inesgotável

A ida de Madail a Mourinho "pedir" ao mesmo que oriente a Selecção Nacional durante os próximos dois jogos, só pode ser piada e de muito mau gosto. Poderia arranjar 234 motivos para explicar porquê, mas coloco só 5.

1- O técnico que vier a seguir a Mourinho só poderá sentir-se como o "outro que vem porque o Mourinho não pode", o que só por si já é desprestigiante

2- Mourinho deve pedir por esta acção de freelancer, uma "pequena" enormidade, provavelmente o mesmo que um ano inteiro de salário do "outro" técnico

3- Para o técnico do Real Madrid, a carreira da Selecção não é um objectivo pessoal, e sendo responsável por apenas 2 jogos, continuaria a não ser.

4- A uma direcção tão contestada estes "golpes de algibeira" só vão enriquecer as críticas e a desmotivação dos adeptos.

5- Está se a perder tempo quanto à aquisição de um treinador que pegue nos inúmeros problemas que a equipa nacional revela, e os tente resolver, dava jeito que quando se realizar o próximo jogo já exista algum caminho feito neste sentido.

Todas estas razões somam-se a uma mais importante: Mourinho não iria aceitar nunca esta proposta, que não tem nada de tentadora. Aliás seria difícil ao Real Madrid entender que o seu treinador, pago a peso de ouro, se disperse por outras preocupações.

Até breve

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

O Lille é uma equipa que vale pelo colectivo

Foi a constatação de Carriço sobre a valia do próximo adversário na Liga Europa. Mas a questão que se põe é: O Sporting vale pelo quê? O colectivo leonino vive neste momento de três condições:

1- Os golos de Liedson
2- A força dos seus trincos Santos e Maniche
3- O que Pereira e Evaldo conseguem dar em profundidade nas alas
4- As linhas que Valdez e Vukcevic abrem para Fernandes poder pensar o jogo

No último jogo, o Olhanense, entendo tudo isto impediu que estes pontos fortes entrassem em campo, portanto o resto das características da equipa foram insuficientes para marcar um golo à equipa algarvia. Frente ao Lille, jogando em contra-ataque, pode ser que exista mais espaço para jogar, mas o Sporting não tem matrizes de jogo de tracção a trás e será um erro enorme "esperar pelo golo francês".

Ainda para mais Valdez, Liedson e Maniche não vão poder jogar, obrigando PS a recorrer a Djaló para uma das alas em parceria com Vukcevic. Na frente talvez Saleiro faça as vezes de Liedson e no meio campo será Zapater a tomar o lugar de Maniche. Os franceses gostam de um jogo apoiado, assente em dois interiores a dar apoio a um ponta-de-lança e um 2º avançado. Quebrar o predomínio no centro do terreno do adversário será a primeira batalha a ser ganha pelo Sporting e para isso Vuk e Djaló nunca serão boas hipóteses, não recuam bem e não têm a potencialidade de lutar pela bola.

Penso que a melhor alternativa seria jogar com Djaló pelo centro, solto a combinar com Fernandes e Zapater atrás de si, com André Santos no centro e Vuk e Pereira nas alas. Na defesa, Abel e Evaldo nas laterais, Carriço e Coelho no centro. Patrício "merece" a titularidade. É uma espécie de 4-1-4-1 que daria muito jogo pelas alas, impedindo o avanço dos interiores do Lille e a sua supremacia no meio-campo. Nesta táctica de "bancada" tiramos o melhor partido dos jogadores disponíveis e salvaguardamos um jogo apoiado nas linhas. Pelo centro falta-nos um avançado e um 10 em grande forma.

Mas o técnico, por agora é PS e veremos o que preparou para este encontro, sendo que é pacifico que vai ser preciso encontrar uma forma de por o 4-2-3-1 habitual a manobrar de forma diferente, o Lille não é o Olhanense e a equipa não mostra "saúde" para obrigar o adversário a correr atrás do seu jogo. Oxalá me engane.

Até breve.

terça-feira, 14 de setembro de 2010

Lágrimas vermelhas

Não são lágrimas de crocodilo, mas andam lá perto. O escândalo que o Benfica diz ter chegado à sua porta, já assolou muitas vezes as portas de Alvalade e as Antas e nunca com este "motim". O desespero nas mais altas instâncias do clube é feroz e ameaça tudo e todos. De lado ficam derrotas e más exibições que estão completamente sobrepostas por camadas de "lixo informativo".

É óbvio que o que o jogo com clube israelita para a Liga dos Campeões será aproveitado para "mostrar" o quão é forte a equipa benfiquista e não tenho dúvidas que a imprensa "cavalgará" sobre a glória de tão importante e moralizadora vitória. O filme do costume. Está tudo a postos para um derby daqueles com um cheiro intenso a "pagamento de juros". Era bom que os leões avisassem as "comadres" que vão estar de olhos e ouvidos bem abertos para o jogo da Luz.

Confesso que sempre duvidei da calma e sobriedade com que Vieira e Rui Costa esnobavam os protestos da equipas adversárias quanto às arbitragens. Vê-se agora a classe e o pedigree destes senhores que à mínima dificuldade montam um verdadeiro circo. Esperemos que não sejamos os "palhaços" convidados.

Até breve.

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

Os três de JEB

Um.
Paulo Bento quis sair. JEB inebriado por uma esmagadora vitória nas urnas leoninas, encheu-se de uma vontade de agradecer a tudo e a todos. Apanhou o treinador demissionário na saída da porta e anunciando-lhe um novo tempo, convidou-o para ser o seu braço direito. Paulo Bento aceitou, talvez por ser um homem de lutas e árduas batalhas, talvez por uma promessa de talento que chegaria. Não chegou. JEB nunca conseguiria colocar o clube numa rota de mudança, algo que manifestasse uma diferença de politica. Trocou Pedro Barbosa por Sá Pinto e a tríade parecia imparável. Bettencourt, Bento e Sá Pinto. Saíram os dois e talvez a maior dose de culpa fosse de quem ficou.

Dois.
Esgotados, fartos, desmotivados, os sócios recebiam a promessa de um novo técnico como uma luz ao fundo de um enorme túnel. A luz piscou e com o anúncio do nome, desapareceu. Carlos Carvalhal dificilmente vestiria o manto de "herói" do Sporting quando tinha sido despedido sem honra à 5ª ou 6ª jornada pelo Marítimo. Não se lhe conhecia melhor proeza do que 2 boas temporadas no Leixões e Vitória de Setúbal, o que para um Sporting é muito pouco. Esperou-se pouco de CC e pouco foi o que se viu. A equipa entrou em piloto automático até às últimas jornadas e teve um vislumbre de glória na Liga Europa. Depois de um repetido expressar de "recados" para a direcção, Carvalhal saiu sem uma palavra de JEB, que se esforçou tanto por defende-lo como se deve esforçar para beber uma bica.

Três.
Dir-se-ia que depois de dois treinadores jovens "destemidos" e "aventureiros", JEB iria optar por um currículo mais seguro, um treinador com mais batalhas no buço, mais medalhas no cachaço. E....hã...Paulo Sérgio. A luz ao fundo do túnel já não piscava e a maior parte dos adeptos fez por esquecer que precisa de luz. Todos nós adeptos nos programámos para uma época "às escuras".
Mas a alma sportinguista é feita de uma esperança eterna e ilógica. Depois de uma boa digressão pelos EUA e alguns reforços com qualidade, os adeptos ganham um pequeno balão de inspiração e esperança. Cai o caso Moutinho, que derrotou mais do que 20 derrotas com o Celtic. Sem moeda de troca vende-se Veloso por dinheiro e um jogador que à 4ª jornada ainda não "nos disse nada".  Não vieram também atacantes, apesar de toda a gente, toda a gente, toda a gente, repito....toda a gente assinalar a carência de um bom avançado.
Não sei quanto tempo deverá demorar este 3º treinador de JEB, mas se perder em Lille e na Luz, por mim podemos começar a dizer que à "quarta é de vez". Não estou a falar da hipótese de JEB acertar na escolha, estou a falar de demitir quem quer que tenha escolhido Carvalhal e Paulo Sérgio, se foi Costinha...então que seja Costinha, alguém tem de explicar porque é que em 1 ano e meio podemos estar perante o 3º despedimento, o que dá menos de 6 meses para cada um...a culpa é do treinador? Elucidativo.

Até breve.

sábado, 11 de setembro de 2010

O pequeno Sporting

Existem poucos momentos numa época em que uma equipa pode ascender a um estatuto superior. É um pouco como nos videojogos em que ao completar com distinção um nível existe um último desafio que decide tudo. Pois frente ao Olhanense o Sporting tinha um último desafio em que podia ter conquistado muito. Mas ao não o fazer mostrou ainda não estar preparado para subir de nível.

Se vencesse o clube Algarvio, o Sporting mostrava estar a ganhar uma dinâmica de vitórias, colocava pressão sobre Porto e Braga e punha os Benfas a ter pesadelos com o derby. Nada disso. Mostramos ao país que não somos assim tão ameaçadores. Mal Paulo Sérgio, que teima em não entender alguns grandes detalhes que um treinador de um grande tem de tirar de letra. Quanto tempo demorou PS a entender que a equipa estava "presa" e não conseguia ultrapassar os muros que Daúto Faquirá levantou?

O Olhanense entrou em campo exactamente como o Marítimo e o tempo foi passando. Fui contando o tempo entre jogadas perigosas do Sporting e é regularmente de 15 em 15 minutos. Com 3 jogadas de perigo por cada metade é impossível encostar uma equipa. Não entendo a eternidade que levou PS a interiorizar que Djaló não dá para jogar na frente contra equipas que defendem 97% do tempo.

Patricio
Bem. Sem trabalho.
Pereira
Muito esforço, pouco esclarecimento. Desfoca-se do jogo por vezes.
Evaldo
Preso durante quase toda a partida e ignorado pelos médios centro.
Coelho
Pouco trabalho, concentrado
Carriço
Nos dois lances em que foi superado, um saio um amarelo e noutro contou com a aselhice do avançado para passar incólume. Muito precipitado a fazer faltas.
A.Santos
Dos melhores, mesmo assim tem de ser envolver mais em missões atacantes.
Maniche
Bom jogo, algo hesitante em aparecer em frente à área. Esforçou-se por dar bolas aos alas.
Fernandez
Não teve espaço e foi marcado pelos médios algarvios. Em queda exibicional outra vez.
Valdez
É bom jogador mas esteve longe de resolver bem as boas bolas que teve na linha. Egoísta, visou várias vezes à baliza quando tinha melhores opções no passe.
Liedson
Um jogo à Postiga. Bola na trave e mais nada. Em baixo de forma o levezinho.
Djaló
Já nem atribuo a culpa por mais um jogo desperdiçado. PS queimou um jogador e uma substituição.
Vukcevic
Entrou tarde, abanou o jogo e foi pena não ter tido mais tempo de jogo.
Saleiro
Continua a desperdiçar golos e pontos ao Sporting. Definitivamente não é avançado para clube grande.
Postiga
5 minutos e nada de especial a salientar.

Posto isto, e depois da vitória do Porto, resta ir a França ganhar e ir à Luz ganhar. Se estes dois resultados acontecerem talvez uma nova oportunidade surja para colocar este Sporting na secção dos "big boys" da Liga em vez da 2ª linha a que os clubes de Lisboa parecem relegados depois dos bons arranques de Porto e Braga. Mas para já voltamos a uma semana de esmorecimento que já nem a época miserável do Benfica vai disfarçar.

Até breve.