quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Andorinhas e Primaveras

Diz o ditado, que por morrer uma andorinha não acaba a primavera. Eu diria que por uma vitória não se ganha uma época, ou mais especificamente, que por um jogador ter marcado um golo num jogo não quer dizer que vá marcar muitos no futuro.

Esta época o Sporting tem vivido destes supostos crescimentos, supostos problemas resolvidos, supostas conquistas. Tudo para ser completamente desmentido logo na partida seguinte. Será difícil encontrar no calendário desta época, 3 vitórias seguidas, 2 boas exibições consecutivas, jogadores que tenham acumulado na transição de uma semana duas boas prestações.

Esta inconstância não é estranha, é fruto de erros e sobretudo de uma motivação que não existe. Dizer que se quer o título e depois fazer 3 empates seguidos com clubes de menor dimensão não é coerente, é falta de realismo. É sobretudo notório que quando uma equipa “desarma” em face dos seus objectivos, procura metas mais curtas, análises mais pontuais, soluções de urgência e de pouco alcance.

Para mim discutir se Liedson sorri ou não, porque é que não marca, é além de estéril, um perfeito esquecimento do que são os problemas de facto. O levezinho não marca porque não tem tantas bolas de golo como no passado, porque tem de vir buscar jogo mais atrás, porque não tem parceiros de ataque que o ajudem a fugir à marcação, porque está com uma falta de motivação fora do normal Estas são as razões de facto e não adianta encontrar azias, ou outros níveis de mau estar do jogador com o clube.

É para mim óbvio que qualquer grande jogador gosta de 3 coisas:

1-    Jogar num clube que se disponha a conquistar títulos;
2-    Jogar numa equipa que pratique bom futebol;
3-    Jogar num clube que lhe pague o ordenado (de preferência alto).

Se formos honestos, sabemos que o Sporting não cumpre totalmente estes requisitos, especialmente por culpa própria. Uma má gestão desportivo a longo prazo dá nisto e com apenas 7 jogos do campeonato, estamos praticamente arredados do título o que é uma mostra do potencial que temos para as outras provas.

Este desgaste de anos a fio sem conquistas, sem prazer de jogar e constantemente envoltos numa neblina de problemas, incide particularmente em atletas ambiciosos, que com toda a razão se tornam impacientes com o clube. Polga, Liedson, Moutinho, Djaló, Veloso eram dos mais “antigos” no clube e todos eles têm atravessado um deserto de conquistas atroz. Quem terá o direito de os acusar de falta de amor à camisola, quando desejaram e talvez ainda desejem conquistar troféus de prestígio?

A carreira de um jogador profissional tem no máximo 15 bons anos, 15 épocas de alto rendimento. Quantas já deu Liedson ao Sporting? Será assim tão estranho que queira experimentar uma outra camisola?

Talvez devêssemos perder mais tempo com a forma de conseguir que outros Liedson´s venham para Alvalade e as condições que futuras equipas terão para lutar por títulos. Essas sim são preocupações que nos levarão a tomar decisões correctas e colocar em cima da mesa, para discussão, problemas que uma vez resolvidos nos darão de volta o clube que andamos a perder todos os dias. Ao contrário do que muita gente anda a escrever por aí, para mim o Sporting é um clube que ganha jogos, ganha títulos, conquista, derrota os adversários, domina-os. Para mim o Sporting é um Leão. Não um gatinho. Esse não é o meu clube. Perdoem-me a comparação, mas prefiro um Leão pobre e esfomeado, zangado e conflituoso do que um gatinho saudável e mansinho que se deita o colo de qualquer estranho que lhe prometa uma festas no pelo.

Até breve.  

terça-feira, 19 de outubro de 2010

Memória Curta

Quando se procedeu à revalidação dos vínculos de Romagnolli e Grimi, o Sporting cometeu um erro de julgamento: apreciou a performance dos atletas não pelo todo das suas prestações mas apenas pela melhor parte, curiosamente a última. Resultado, na época seguinte à extensão de contrato, os dois atletas mostrariam exactamente o mesmo que no início, ou seja, muito pouco. Romagnolli sairia a custo zero e Grimi provavelmente só sairá da mesma forma.

Seria de todo conveniente analisar a prestação de Postiga de forma diferente para que não suceda exactamente o mesmo. É lógico que estamos a falar de um atleta português, o que na posição de avançado é raro, cheio de talento, mas bastante instável. O problema de Postiga sempre foi o factor motivação, que tanto dá para grandes exibições como para épocas inteiras a marcar passo e a não marcar golos. Como é que se aposta num capital de tanto risco? Com as finanças debilitadas e com um historial no clube longe de ser brilhante, Postiga nunca deveria ser uma aposta forte, mas sim uma escolha bastante comedida.

Convém não ter o plantel repleto de “hipóteses” de bons futebolistas, mas sim de valores seguros e confiáveis. Quatro ou cinco más exibições individuais numa época são bem diferentes do contrário e Postiga tem sido muito mais um atleta de quatro ou cinco boas exibições em épocas inteiras de apatia. Ficar no plantel já penso ser questionável, investir mais na sua permanência acho uma loucura. O Sporting não pode gerir o seu futebol como se estivesse a apostar no Euromilhões, à espera do prémio, à espera de um rendimento do que parece não ser provável.

Carriço, Pereira, Evaldo, P.Mendes esses sim são sinónimos de regularidade, em que os padrões exibicionais se medem por alto. Os restantes 26 jogadores, de onde excluo os reforços por agora, tem muitos elementos que oscilam de prestação, sendo que esta época apenas Vukcevic, Patrício e ocasionalmente Postiga têm justificado a sua permanência.

É essencial compreender as curvas de carreira futebolística e o que significa em termos de gestão do plantel. Como digo, eu pensaria não 2 mas 10 vezes antes de colocar um contrato debaixo das mãos de Postiga. É que depois andamos a assobiar os atletas como se tivessem culpa de alguém os ter escolhido e colocado no relvado.

Até breve.

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Leões na Bruma

Enquanto não se vislumbram pinheiros, oliveiras ou eucaliptos para a frente de ataque, o Sporting vai investindo no futuro dos escalões jovens. Noticias dão como imediato a assinatura de um contrato de profissional a Bruma um jogador de 15 anos que já joga nos juniores de Alvalade. Se a passagem prematura do guineense a este escalão por prova do seu valor, então pode ser que estejamos na presença de mais um grande extremo, alguém que siga as pisadas de Figo, Simão, Quaresma e Ronaldo.

Curiosamente o último grande extremo formado na Academia, chamava-se Varela e apesar de no Sporting nunca ter jogado a extremo, foi muito má a decisão de libertar o jogador. Talvez tenhamos aprendido a lição. Salomão é jogador e nos próximos anos talvez assegure uma das faixas, mas qualidade nunca é demais e será sem dúvida mais barato fixar um jovem à equipa do que largar 3 milhões de euros por sul-americanos de média qualidade.

Como digo, continua e continuará sempre a faltar o avançado. Já agora uma dica, no Inverness do Campeonato Escocês mora um avançado de 21 anos de nome Adam Rooney, marca que se farta e já tem muitos clubes na Premier League interessados na sua contratação. Não é um pinheiro, mas isso não tem impedido o outro Rooney, do United, de ser o melhor avançado inglês da actualidade.

Até breve.

domingo, 17 de outubro de 2010

A equipa em exame intercalar

Patrício
Subiu uns pontos, mais confiante, pena os ocasionais erros que muitas vezes valem pontos.
Hildebrand
Só um jogo e nada de especifico a salientar.
Tiago
Parecia fadado a não jogar, mas quando participou esteve razoavelmente bem. Deve deixar a baliza entregue aos outros dois competidores.
Pereira
Bom começo de época que valeu a chamada à Selecção, parece menos esclarecido nos últimos jogos.
Abel
Ao contrário da última época, o jogador parece querer dar luta a Pereira com boas exibições e acerto na função. Na lateral direita o Sporting está bem servido.
Cedric
Foi resgatado à equipa júnior mas ainda sem justificar a decisão.
Evaldo
Talvez o melhor reforço da época. Resolveu o problema de lateral-esquerdo. Pareceu mais confuso e ansioso nos últimos jogos. Muita força e concentração tem sido o seu cartão de visita. Não tem rival para o seu lugar.
Grimi
Nada ou quase nada. Quando foi chamado à equipa esteve mal. Foi dinheiro investido que continuará a ser desvalorizado. Devia ser tomado a mesma opção que levou ao empréstimo de Pongolle.
Caneira
Noticias dão como avançado o seu processo de rescisão. Já virá muito tarde.
Polga
O velho Polga parece querer dar sinais de si esta época. Já merecia melhor sorte no onze, talvez nos próximos jogos seja opção.
Torsiglieri
Um mistério este argentino. Nos particulares cometeu erros primários que lhe custaram a inserção no onze. Mas no único jogo que fez esteve muito bem. A rever.
Carriço
O melhor jogador da equipa. Não é surpresa, se houvesse mais fibra no plantel à sua semelhança nunca o Sporting estaria no 10º lugar. O futuro capitão…de caras.
Coelho
Começou muito bem, foi-lhe posto o epíteto de central da moda e desapareceu. Um problema de confiança?
Maniche
O “velhinho” Maniche ainda está para as curvas. É o motor da equipa quando está focado, mas desconcentra-se com as más prestações dos colegas. Quer carregar a equipa, mas com o seu estilo de jogo torna-se um “canhão solto” à procura de problemas. Justifica plenamente a sua aquisição.
André Santos
O miúdo tem talento e toda a gente lhe vaticina um bom futuro, mas ainda não “explodiu” para outros patamares, o suficiente por exemplo, para ganhar o lugar quando Pedro Mendes regressar. É bom jogador e está a aproveitar as oportunidades.
Zapater
Não tem nada do valor de Veloso, mas nota-se que é bom jogador. A adaptação não está a ser fácil e percebe-se agora porque é que o Génova o trocou de forma tão rápida. É um poço de força, mas não tem sabido “sentir” a equipa e ajustar-se ao futebol mais técnico do Sporting. Mal PS, que não rentabiliza este jogador.
Pedro Mendes
Ainda não regressou de lesão. Que falta faz.
Fernandez
Tanto talento e no entanto está difícil de aparecer um treinador que o ponha a jogar onde merece. Muitos equívocos com o chileno, não é um Aimar, não é um Simão, é Matias Fernandes e custa até entender que não é pivot ofensivo nem interior esquerdo. É um falso ponta-de-lança mais à semelhança de João Pinto e Sá Pinto.
Izamilov
Problemas é o seu cartão de visita. Não deve jogar mais com a camisola do Sporting. Quando regressar de lesão será vendido.
Salomão
A falta de jogadores nas alas, abriu-lhe portas inesperadas e o garoto apesar de muito imaturo tem sabido dar nas vistas. Pelo dinheiro que custou foi um achado, com mais jogos pode vir a ser um caso sério.
Vukcevic
Parecia arrancar para uma super-época, mas o resto da equipa não acompanha o seu ritmo. È mais natural que “quebre” o ritmo e a pouca paciência de PS que o retirou ao intervalo no último jogo vai acabar por matar a sua confiança. 
Valdes
O chileno tem bons pés, mas não tem encontrado a melhor forma para conquistar um lugar no onze. Está um pouco ansioso por justificar a sua contratação e isso tem sido muito prejudicial ao seu rendimento. Espera-se mais arte e mais calma desta escolha forte de Costinha.
Tales
Nada a salientar.
Djaló
Outro jogador que prometeu fazer uma época bem diferente. Mas não está render o que sabe. As confusões do treinador também não ajudam. Nunca será ala, nem interior, nem extremo. No contra-ataque é uma opção de valor, mas em 90% dos jogos o Sporting não joga nesse registo o que dificulta a sua escolha para o onze.
Liedson
Começa normalmente mal, mas com os golos vai subindo. Esta época está difícil de engrenar. Espera-se, ou melhor, anseia-se pela sua veia goleadora que tantas partidas resolve ao clube.
Saleiro
Ninguém tem dúvidas que é um bom avançado. Mas falha sistematicamente as poucas oportunidades que tem e será mais uma promessa adiada se não se “preparar” para não falhar as poucas que terá até vir um reforço para o seu lugar,
Postiga
É o jogador que mais tem surpreendido. Do homem dos “postes” tem surgido um avançado mais perigoso e confiante. Nota-se que trabalha mais, corre muito mais, e vai marcando golos o que de repente o tornou na opção mais válida para a frente de ataque.

Resumindo, a equipa está mais apetrechada que na época passada, mas as saídas de Moutinho e Veloso não foram colmatadas, não em termos de posição, mas em valor e diferença. Existem muitos jogadores que ainda não encontraram o seu espaço e o seu ritmo o que é uma área sobretudo técnica. Um treinador mais experiente já tinha colocado Zapater, Valdez, Fernandez e Liedson (os mais valiosos do plantel) a jogar de outra forma, mais soltos e sobretudo mais focados nas suas tarefas especificas. Mas todos parecem querer fazer tudo. Só como exemplo, é difícil às vezes saber quem é o extremo quando Valdes e Evaldo partilham a ala esquerda, ou Pereira e Vukcevic a direita e o pior é que não baralha o adversário metade do que confunde a nossa equipa.
Falta um ponta de lança à séria, um lateral esquerdo como alternativa a Evaldo e um dez que organize e paute o jogo, pelo menos para rivalizar com um pouco imaginativo Fernandez.
Grimi, Caneira, Cedric, Djaló e Izmailov estão a preparar-se seriamente para serem os próximos candidatos a sair do plantel. O mais grave é que Torsiglieiri, Tales e Zapater também e ainda há poucos meses chegaram. Pede-se a Paulo Sérgio que enquanto a teimosia de Costinha e JEB o deixarem permanecer no banco, aproveite melhor a variedade de talento que existe no plantel, nem que seja para que se prove que são erros de casting.

Até breve.

sábado, 16 de outubro de 2010

Que pobreza

A melhoria que Paulo Sérgio prometeu quando perspectivou as 2 semanas de paragem da Liga, provou-se inexistente. De facto quem viu o jogo entendeu que o Sporting fez exactamente o mesmo que noutras jornadas. Atacou confuso e defendeu nervoso. A diferença, que agradará a alguns, é que o adversário chamava-se Estoril, uma equipa mediana da Liga Orangina e o desta vez deu para ganhar.

Ainda seria admissível a desculpa da rotatividade do plantel. Mas ao colocar em campo Evaldo, Carriço, Paulo Santos, Vukcevic, Valdez, Liedson, Postiga e Fernandez dificilmente será usada a compreensão da pouca ligação de uma equipa de reservas. Quis e quero que o Sporting ganhe sempre. Mesmo vendo o Estoril a controlar completamente a equipa de Paulo Sérgio na 1ª parte, consigo por de parte a humilhação e o que acho deste treinador e torcer pela vitória.

Mas não posso deixar de evidenciar a pobreza, desesperante, de futebol que estes jogadores conseguem dar ao sócios. Não fomos, não vamos e não iremos a lado nenhum com este futebol, com estas soluções tácticas, com este treinador. Os próximos oponentes não se vão chamar Estoril, mas tenho a certeza que vamos continuar a ter absurdas dificuldades em marcar golos, em jogar bem, em ganhar jogos. No fundo o Sporting continua a dar sinais de não evoluir para lado nenhum com Paulo Sérgio.

O fraco entendimento de JEB e Costinha vão continuar a dar votos de confiança a um vazio enorme de capacidade e perspicácia que é o que se transformou Paulo Sérgio. A única motivação que a equipa demonstra é a de salvar-se a si mesma. Pode-se até dizer que o consegue, ganhando jogos de tempos a tempos e beneficiando de um discurso de "isto logo vai melhorar". Mas depois de um terço da época ainda estamos à espera do tal "clique" que devia ter chegado há meses atrás.

Hoje não vi nenhum clique, nenhum clake, apenas um enorme boink, o som de milhares de expectativas a bater num enorme balde de lixo. Só não vê quem não quer. Ou melhor só não ouve quem não quer ouvir. A música tem sido sempre a mesma.

Até breve. 

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

A e B

Quando a equipa de habituais suplentes não parece muito mais frágil que a "titular" isso pode dizer duas coisas completamente diferentes: a equipa é tão boa que tem 22 profissionais com o mesmo grau de qualidade; a equipa é tão má que não existem 11 jogadores melhores que os outros.

O que podemos considerar a equipa B do Sporting, com jogadores como Hildebrand, Djaló, Abel, Polga, Zapater, Salomão e Torsiglieiri é um "luxo" e já deu provas de que é capaz de se sair muito bem. Veremos contra uma equipa que vai defender, o que produz, sendo que com tanto tempo entre jogos, só mesmo uma gestão que encara "períodos de férias" possibilita o não alinhamento dos habituais titulares. O jogo seguinte é 5 dias depois, o que para uma equipa que encara 2 como viáveis, não é nada.

Se o Sporting golear o Estoril, é mais um mar de dúvidas que se cria na, já por si baralhada, mente de Paulo Sérgio. Resta saber se isso acontecerá pela qualidade do todo ou pela falta de excelência de uma parte.

Até breve.

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Siga para bingo

Sinceramente esperei mais da última AG do Sporting. Esperei mais do clube. Fora um incidente, provavelmente mais pessoal do que outra coisa entre associados, o encontro decorreu...morno. Não houve grande ânimo nas críticas à Direcção e apesar da votação ter deixado a ideia de que o mandato de Bettencourt sofreu um sério cartão amarelo, foi visível um comedimento de todos quando se tratou de abordar a gestão corrente e desportiva do clube.

Houve elevação nos argumentos, mas faltou alguma chama, que nem os intervenientes mais emotivos conseguiram provocar. Não sou um líder, nunca me passou pela cabeça tomar da palavra na AG, penso mesmo que ninguém conseguiria arrancar mais do que uma palmas de concordância aos quase 800 sócios que estiveram no pavilhão. Esta aparente apatia é sintomática de um vazio de inspiração. Ninguém tem argumentos, não há ideias, não há nada a dizer que não passe pelo "assim vamos mal".

O clube precisa rapidamente de ser unido em torno de algo, tive pena que a direcção tivesse deixado passar uma boa oportunidade de ser ela mesmo o pólo congregador, como um general que na batalha num último assombro de energia chama a si as tropas e cerra fileiras frente ao adversário. Não houve general nem cerrar fileiras. O que vi foi um capitão desautorizado pelo insucesso, a explicar paulatinamente e de uma forma muito institucional a razão de precisarmos de fileiras e de que é muito conveniente que se cerrem. Onde esteve a liderança? Saí da AG com a mesma sensação com a qual entrei, ou seja, preocupado.

Acabo este post com a primeira frase que me veio à cabeça quando saí:  "vai demorar algum tempo até voltar a ter o meu Sporting de volta". Espero que me passe depressa.

Até breve.

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

A Árvore e a Floresta

Ao olhar para as exibições de Pereira, Postiga, Moutinho na Selecção, a carreira hiper-elogiada de Veloso em Itália, pergunto-me se o problema do Sporting será realmente a qualidade dos jogadores. Acho que é pacifico que Tiago, Grimi, Saleiro e Tales poderão ser cartas difíceis de imaginar em qualquer outro clube de igual ou maior dimensão que o Sporting. Penso também que Valdes, Torsiglieri e Zapater ainda estão a adaptar-se ao futebol português e que P.Mendes e Izmailov lesionados a somar a um Liedson, um Djaló e um Postiga descrentes são peças que poderiam estar a dar muito mais à equipa.

Mas existe qualidade, muito mais qualidade do que os resultados e exibições deixam transparecer. Todos o dizem, todos o sabem, mas afinal porque é que não acontece?
Ultimamente vejo muitas das culpas imputadas à sorte. A sorte o azar, diz a matemática mais ensaísta, é uma questão de probabilidades, uma sujeição humana a um factor de frequência e sucessão de causas idênticas. Pondo as coisas de forma mais simples, se um jogador não rematar à baliza tem 0% de probabilidade de marcar golo, se rematar fora da área, terá 10%, se o remate for feito dentro da área subirá para 32%, se for um penalty 69%. Ora isto nada tem de sorte, é uma questão de jogo efectivo.

A trave, polémica recente em Alvalade, existe e faz parte do jogo. A missão das equipas não é mandar bolas aos postes, mas sim para dentro dos postes. O azar de acertar no poste é uma falsa questão, porque faz parte do jogo. Chamaria de azar, se um jogador com a baliza totalmente escancarada levasse com uma rajada de vento que o atrapalhasse de forma a falhar o golo. Isto seria azar, já que houve um factor estranho ao jogo, mas não ilegal, que interferiu no sucesso da jogada.
A sorte, diz o ditado, vem com o trabalho. Mas não quero dizer com isto que Paulo Sérgio não trabalha, ou que não “obriga” a equipa a trabalhar, penso que o trabalho não será é o mais correcto.

No primeiro dia de trabalho o treinador actual do Sporting anunciou que a equipa iria ter sempre 2 sistemas tácticos, um mais cauteloso e outro mais ofensivo. Até aqui tudo bem, existem treinadores que têm 3, mas é discutível até que ponto serão efectivamente  3 modelos distintos e não apenas um com 2 nuances adaptáveis. O problema é que os 2 modelos existentes na equipa rendem exactamente o mesmo, ou seja, muito pouco. A equipa parece adaptar-se melhor ao 4-3-3, mas com Izmailov, P.Mendes e Liedson fora da equipa, as alternativas não têm equilibrado quer as alas quer o meio-campo. A chave parece ser sempre a produtividade de Fernandez como pivot ofensivo e essa a meu ver tem sido mal explorada.

Existem muitas falhas no desenho defensivo e ofensivo do Sporting, a equipa quando quer atacar precisa de envolver muitos jogadores e quando precisa defender surge algo curta para o contra-ataque. Aqui Paulo Sérgio falhou rotundamente no treino de movimentação. Já nem falo nas bolas paradas onde a equipa não marca e sofre como gente grande. Todas estas brechas são facilmente aproveitadas pelos treinadores do nosso campeonato que tem dado banhos tácticos ao nosso. Quero ver alguém a contrapor isto…

Ora quando tantos Sportinguistas afirmam que os problemas do Sporting não se resumem ao treinador, escapa-lhes um detalhe: os problemas não se resolvem todos de uma vez. Quem gere o que quer que seja, sabe que quando temos, por exemplo, 4 problemas, o objectivo não é arranjar uma solução que os resolva todos de uma vez, mas sim isolar os problemas e encontrar uma solução para cada um.
Pegando na simbologia da árvore (também ela em voga pelos nosso lados) e da floresta, acho que os adeptos do Sporting têm olhado mais para a floresta, sendo pouco objectivos a olhar para a árvore principal que é a prestação da equipa de futebol. Um problema de cada vez recomendaria olhar mais para o que está a acontecer com o futebol e porque é que estamos no 10º lugar, a fazer jogos miseráveis, a ouvir desculpas que envolvem tudo menos a mais pura das verdades: o Sporting está mal orientado a nível técnico.

Culpar Bettencourt pelos resultados da equipa, é pouco razoável, a não ser que achemos que é o mesmo que treina, prepara e escolhe o onze da equipa todas as semanas. Que é o responsável máximo, isso é óbvio, mas até que ponto vai a sua capacidade para intervir na área técnica? Por mim culpo-o de apenas uma coisa, neste aspecto: não ter demitido Paulo Sérgio logo a seguir ao jogo da Luz. É que por exemplo o Pinto da Costa da última época é o mesmo desta e a equipa produz algo completamente diferente, o que mudou? Será que foi o treinador?

Na próxima AG do clube, muitos dos dedos acusadores só terão mais apoio popular pela má prestação da equipa e esse é um grande problema de miopia institucional. Os outros problemas são bem mais graves, com dificuldades financeiras e alinhamentos politico-desportivos misturados num cocktail explosivo. Mas não tenho nenhuma dúvida de que se estivéssemos no 1º lugar da tabela, seria mais uma AG morna e pacífica, ao género de tantas outras que tem acontecido nos últimos anos. È o que acontece quando deixamos que uma árvore arda pensando que a floresta é muito maior.

Até breve.

terça-feira, 12 de outubro de 2010

Carta aberta aos "senhores sportinguistas"

"Caros Luís Aguiar de Matos, Luis Duque, Pedro Souto, Bessone Basto e Vicente Moura,

Espero que esta carta vos encontre de boa saúde. Sei que não vão lê-la, mas mesmo assim resolvi escrever às vossas doutas sapiências. Pode ser que um "bom sportinguista" vos faça chegar este pequeno desafio. Ao ver-vos nas televisões, ouvir-vos na rádio e ler-vos nos jornais fiquei informado da vossa extrema preocupação com o estado do clube que penso serem tão apoiantes como eu. Por entender o vosso olhar indignado e a verdade das vossas consternações, imediatamente pensei que seriam as pessoas ideais para transmitir em Assembleia Geral toda a frustração e desilusão de nós vulgares adeptos. Pensei e espero não me enganar que tanta facilidade para "chegar" aos media quererá dizer também que existe disponibilidade para em plenário do clube levantarem a vossa voz e clamar contra esta direcção. Suponho que estarão presentes, suponho que vão fazer posse da palavra e suponho também que podemos contar com a vossa coragem para nos ajudar, a nós ralé, a entender o que se passa com o nosso clube. Entendo que vossas senhorias nunca seriam capazes de abandonar o clube nesta fase tão difícil, dando razão a outros sócios que vos acusam de "old farts" que mais não sabem do que servirem-se do clube como mais um veículo de fanfarronice para o vosso elevado estatuto social.

Como acredito em tudo isto, espero no final da próxima AG, vos dizer um "muito obrigado". Como agora se diz muito no futebol, "não me passa pela cabeça" outro cenário. Um bem aja.

Cumprimentos e Saudações Leoninas."

Lisboa, 12 de Outubro de 2010

Os inteligentes e os espertos

A permanente ameaça do Presidente do Benfica em boicotar a presença de adeptos encarnados nos jogos fora de casa, pode não ser tão parola como parece à primeira vista. Aos que prematuramente detectarem a falácia de tal decisão recomendo um raciocínio mais paciente. Num futebol organizado e gerido de forma isenta, tais declarações seriam imediatamente punidas pela FPF e Liga, atenta de facto ao bom nome das instituições, algumas delas sem representação nos organismos futebolísticos (como por exemplo a PSP, a GNR ou empresas de segurança privada) além de incentivar à não participação no espectáculo sem provas factuais do risco que tanto se fala.

Mas o futebol nacional é um lodo enorme de compadrios e cumplicidades e é neste tabuleiro que Vieira está a jogar. A esperteza muitas vezes é mais vantajosa que a inteligência, de facto sempre achei e senti na pele que a PSP do Porto fecha muitas vezes os olhos a autênticas barbaridades cometidas pelas claques do Porto. Não sei se em Lisboa estamos pior ou melhor nesse aspecto nos últimos anos, mas para Vieira isso não interessa para nada. O homem com esta polémica desvia a atenção da má prestação da equipa na Liga, abre uma nova frente de discussão contra Pinto da Costa e arrasta toda a massa adepta benfiquista numa pressão económica junto dos clubes, especificamente os clubes do norte do país.

Não resolve nada, pelo contrário cria mais um problema, mas é isso mesmo que Vieira quer, lançar a discórdia e colocar todo o peso do problema nas mãos de quem normalmente não decide nada. É previsível que esta medida resulte no oposto do que o seu proponente diz que quer. Se for cumprida a ameaça, pelos visto está já em marcha, prevejo muito mais problemas nas deslocações do Benfica a norte do país. A acontecer algo, e isso vai mesmo acontecer, o Benfica poderá reservar-se a uma autoridade moral que não possuí neste momento. Isso quer se queira quer não é uma vantagem. Como dizia Scolari, é uma situação "Ganha-Ganha".

Chamem-lhe parvo...

Até breve.

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Recursos Humanos

Eduardo, João Pereira, Coentrão, Pepe, Carvalho, Meireles, Moutinho, Martins, Nani, Ronaldo e Hugo Almeida. No banco Liedson, Postiga, Alves, Rolando, Sílvio, Patrício, Danny, Varela e Tiago.

Algo ressalta à vista de todos, João Pereira, Liedson, Postiga e Patrício fazem parte dos quadros do Sporting, Pepe, Moutinho, Martins, Nani, Ronaldo, Danny e Varela já o fizeram e Coentrão e Sílvio estiveram a um pequeno passo de o ser. Deste lote que foi inscrito na ficha de jogo do Portugal-Dinamarca apenas Eduardo, Carvalho, Meireles, Hugo Almeida, Tiago e Rolando não estão e nunca estiveram de alguma forma ligados ao Sporting. Em 18, apenas 6 nunca vestiram ou estiveram perto de vestir a camisola verde às listas.

É certo que faltará contabilizar Bosingwa, mas também faltaram os lesionados Pedro Mendes, M.Veloso e Quaresma. Mas o que interessa é reflectir sobre o aproveitamento e aquisição de recursos humanos no futebol do Sporting. A necessidade de vender é comum a todos os clubes portugueses, mas convém lembrar que Martins, Pepe, Sílvio, Coentrão, M.Veloso, Varela e Moutinho foram cartas que saíram (ou não entraram) do nosso “baralho” sem muita coerência desportiva.

O jogador português está cada vez mais subvalorizado, dentro e fora de portas, nem sempre foi assim, houve toda uma década entre 1996 e 2006 em que o jogador nacional estava no top de preferências de todos os técnicos de grandes clubes europeus. Porquê? Porque tem qualidade. Muita. É muito evoluído tecnicamente, talvez só argentinos e brasileiros nos suplantem, é rigoroso se for mentalizado para tal, ok não é como um jogador alemão e holandês mas andará cada vez mais perto desses padrões e ultimamente é cada vez mais possante fisicamente. Olhar para Rui Patrício, Bosingwa, Hugo Almeida, Bruno Alves ou Ronaldo e olhar para o Bento, Futre, Rui Barros, João Pinto ou Domingos são estampas físicas completamente distintas.

É óbvio que hoje em dia o futebolista que evolui nas competições nacionais estará a anos de luz da preparação e conhecimento táctico de anos anteriores e com a aproximação cultural e globalização em marcha é cada vez menos um “pobrezinho” analfabeto face a outras nacionalidades mais centro-europeias. Muito da valia da nossa selecção tem relação com este nivelamento, o resto é feito com a progressão exponencial que os jogadores adquirem em campeonatos mais exigentes como o Inglês, o Espanhol ou o Italiano.

É neste panorama que o Sporting, o Benfica e o Porto estão ainda a percorrer caminhos diversos. O Sporting até esta época sempre preferiu um forte investimento na sua formação e pontualmente um reforço estrangeiro. No Porto e Benfica é exactamente o oposto. Isto gera 2 fenómenos: o Sporting passa a ser o maior fornecedor da Selecção e os seus rivais são-no também mas de outras nacionalidades, num futuro próximo o Uruguai ou a Argentina preferirão realizar jogos amigáveis em  Portugal, tal é o contingente de jogadores desses países no nosso campeonato.

O Sporting na época que passou e nesta, deu muitas chapas 3. Foram 3 por Pereira, 3 por Evaldo, 3 por Torsiglieiri e Valdez, mais 3 por Fernandez na anterior. Penso que pena que tantos 3 não tivessem chegado para Silvio do Rio Ave, Lima do Belenenses, Coentrão do Rio Ave, Ruben Micael do Nacional e tantos outros jogadores de grande valia que temos referenciado mas não adquirido. A meu ver já que não podemos competir no mercado sul-americano ao menos que não deixemos passar em claro a ascensão de alguns valores, pelo menos antes dos nossos rivais.

Mas nem tudo se resolve depois de contratar. É um problema que de recursos humanos e a forma como os gerimos. Fernandez, Torsiglieri, Patricio e Valdez, são novos clientes num tratamento que já demos a tantos bons jogadores que brilharam e brilham fora de Alvalade. Que a qualidade do plantel é mediana é sabido, mas existem uns mais medianos que outros e convém não por tudo no mesmo saco.


Até breve.

sábado, 9 de outubro de 2010

Assim sim

A estreia de Paulo Bento correu bem. A equipa quis e conseguiu. Esteve solta, mandona e criou muitas oportunidades para marcar. O resultado 3-1 é ilusório, não houve qualquer tipo de equilíbrio e até o golo dinamarquês é fruto de um acaso, um auto-golo puramente fortuito. É portanto uma mostra de confiança e força, talvez venha tarde e mesmo com tudo em aberto, a verdade é que a Noruega continua sem deslizes e a Dinamarca tem menos um jogo do que nós e só menos 1 ponto.

Até ao fim, o valor que temos merece que se lute. Grande exibição de Pepe, Nani e Coentrão. Ronaldo ainda continua trapalhão, mas marcou e criou espaços para que outros marcassem, o que bem vistas as coisas é um claro sintoma de melhoria. Aliás aproveito para dizer que considero Messi um génio, mas num Barcelona com Xavi, Iniesta Busquets e Pedro como médios "abastecedores" é obviamente mais fácil brilhar. Ronaldo e Messi para mim é, por enquanto, uma luta desigual.

Voltando à Selecção, penso que só falta uma escorregadela de um dos países nórdicos e podemos estar relançados na corrida, para já foi bom voltar a ver treinador, jogadores e público unidos e felizes, o futebol português e muito mais o país precisa disso.

Até breve.