terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Whats the point?

Todos estamos preocupados com a quebra dos números de assistências no estádio de Alvalade. A mim isso não me preocupa absolutamente nada, por incrível que pareça acho que o público vai ao futebol como vai a qualquer outro entretenimento, se houver “promessa” de um bom divertimento, ele virá, por oposição se não houver sequer vislumbre de futebol, de golos e vitórias, “ele” ficará em casa, comodamente a ver na TV.

O fenómeno do futebol, assim como qualquer desporto de massas é muito particular, o sentido de colectivo é psicologicamente forte, e todos os adeptos se projectam no seu clube. Se o clube estiver vencedor, a necessidade de o acompanhar é forte, se estiver fraco é mais provável criar-se um distanciamento. Nesta relação há muitas nuances, próprias dos calendários competitivos, do panorama financeiro, até do clima, mas em regra geral é assim que funciona.

Ora o que temos no Sporting é uma verdadeira pescadinha de “rabo na boca”, a equipa perde, o público adere menos, há menos receitas, menos verbas para comprar jogadores, mais probabilidade de ter maus resultados. Isto dura no nosso clube há uns bom 7 ou 8 anos, desde que se esvaziou o estado de graça da última equipa campeã. Porque somos de um clube que quer ganhar, a cada ano que passa sem o fazer é mais difícil inverter a tendência.

O pior é que os Sportinguistas se habituaram a esperar pelo D. Sebastião em forma de jogadores e treinadores que rendam muito mais do que o esperado, o suficiente para que num ano mau para Benfica e Porto, aconteça o inesperado, ou seja o Sporting campeão.
Esta é a verdade nua e crua. Mas como especialmente o Porto tem poucos anos de desacerto, passamos hiatos de 7, 8 ou 17 anos à espera do mesmo fenómeno. Isto não é receita para o sucesso, é pura resignação.

Quando foi estabelecido o projecto Roquette, o seu desígnio máximo foi tornar no Sporting um clube que vencesse o campeonato regularmente, mas todos sabemos o que aconteceu ao plano. Foi sendo sucessivamente adulterado em função dos curto-prazos, das conveniências de quem governava e sobretudo foi tornado obsoleto pelos fracassos do qual dependia para se tornar num movimento contínuo. Finda a validade do projecto, do rumo que se empreendeu, o que se seguiu? Ninguém sabe.

O Sporting vive sem um novo paradigma, atolado em objectivos caducos, em dívidas que contraiu para respeitar uma grandeza que não é real. Tardamos em entender que é preciso por no papel um guião que os vários personagens respeitem, que os ajude a actuar como um todo, numa direcção única, sabendo exactamente o que se quer, quando e como o conseguir.

Assim, tal como estamos, ficaremos sempre à espera do próximo Brasileiro que marque 40 golos, do próximo treinador que ofusque o Mourinho ou do Presidente que injecte 100 milhões de euros para aquisições. Pura fantasia. É com os 30 mil espectadores que podemos contar e não com 55 mil, é com jogadores competentes e não com craques e treinadores inspiradores e não com gurus do banco. Contemos com o que nos é acessível e talvez se comece uma caminhada segura com vista ao equilíbrio do clube.

Continuo a pensar que o caminho se começa a fazer pelo topo, numa estrutura dirigente eficaz e instruída. De alguma forma Bettencourt está a tentar arrumar a casa nesse sentido. Um presidente, um manager, um director. Falta encontrar uma verdadeira equipa técnica, com um treinador tenha dose igual de ambição, atrevimento, convicção e sobretudo provas dadas em como consegue vencer, não ficar em 4º ou 5º lugar, vencer. Tendo este treinador, é possível tentar encontrar uma base sólida de jogadores, que com algum equilíbrio entre os recursos da academia e aquisições construa uma equipa com alguma margem de progresso e não comprar jogadores que farão mais 2 ou 3 épocas.

Criada esta estrutura será possível esperar algum sucesso, não imediato, mas seguro. Tornando cada época num desafio mais ambicioso e tentando sempre investir mais um pouco, para que o retorno desportivo suba também. A isto chama-se planear, projectar, construir. Faz pela base tentando chegar ao topo. Infelizmente vejo sempre o contrário, começamos sempre pelo fim, pelo mais rápido, pelo mais fácil de “vender” aos adeptos. Dificilmente alguém se sentirá inspirado por um discurso, ou por uma conferência de imprensa. Mostrem-nos trabalho, decisões, medidas não populares, cortes radicais neste marasmo em que navegamos, neste caminho que só nos traz derrota e desmoralização.

Os Sportinguistas são inteligentes e saberão distinguir a diferença entre o que é feito para dar resultados e a “maquilhagem criativa” que todos os dias nos é servida com uma pitada de marketing e psicologia de cassete futebolística. Estou farto do “obviamente lutamos por todos os troféus” ou do “não vamos atirar a toalha ao chão” ou a clássica “enquanto for matematicamente possível”. Já não tenho paciência para os “estamos a construir uma boa equipa”, “a melhorar todos os dias”…é um infindável discurso cheio de nada, porque nada há a dizer, vive-se até ao próximo dia, alegres depois da vitória, decepcionados depois da derrota e verdadeiramente derrotados por uma falta de liderança, rumo e inspiração.

Espero que mude.
Até breve.

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

Análise de fim de ano

Com o novo ano aí à porta e com um novo General Manager no clube, os cenários que rondam a equipa do Sporting são de grande agitação. Não se prevêem grandes entradas, mas a porta de saída está bem escancarada para alguns atletas. São tantas as referências que convêm ir olhando passo a passo para o que pode acontecer no mercado de inverno.

Rui Patrício – Pela primeira vez, o jovem guardião parece ter afastado os “pedidos” para contratações no seu lugar. Tem feito bons jogos, ganho pontos à equipa e apesar de algumas trapalhices parece evoluir. Fala-se num upgrade do seu contrato.

Tiago – Tudo como sempre. Vai fazendo uns jogos o que parece deixar toda a gente satisfeita. Deve terminar a carreira muito em breve, talvez até no final desta época.

Hildebrand – Veio disposto a conquistar o lugar, mas as duas fracas exibições que fez deram a entender que está ainda longe da titularidade. Talvez por isso se fale na sua venda de volta a clubes alemães. É possível que saía já em Janeiro.

Cedric – Veio preencher uma vaga aberta sobretudo pela fraca exibição de Abel no final da última temporada, mas o ex-bracarense está em bom nível este ano e as oportunidades escassearam. Promete este jovem, que deverá ser emprestado para poder jogar.

Abel – Tem sido a sombra de Pereira, mas utilizado com regularidade, não deverá para garantir uma renovação por aí além, mas o suficiente para se manter num clube de topo, o que não aconteceria se decidisse sair.

Pereira – Fala-se do interesse de vários clubes europeus, inclusive o AC Milan, mas o que é certo é que deve continuar em Portugal, para nosso bem, já que tem sido dos melhores do plantel.

Evaldo – Fez todos os jogos até agora, e bem. Definitivamente não vai dar hipóteses à concorrência. Alguns clubes espanhóis sondaram o Sporting, mas o valor deste para o clube tornam-no num dos imprescindíveis.

Grimi – É um peso morto na equipa. Se já não tinha muito crédito no inicio da época, depois de prolongada lesão terá agora ainda menos. Todos apontaram  a venda ou o empréstimo deste argentino como útil e em Janeiro deveria ser uma prioridade, até porque Torsiglieri não parece muito pior que o seu compatriota no lugar.

Carriço – É dos poucos valores em ascensão na equipa. Regular, mais confiante, tem sido sempre opção e deixado apenas uma vaga ao seu lado. Há muito interesse na sua aquisição e deverão cair algumas propostas, uma vez que é visto como uma grande promessa do futebol europeu. Asneira era vendê-lo antes de garantir um lugar da Selecção e fazer um campeonato de selecções a titular.

Polga – Apesar de parecer querer fazer uma época diferente, começou no banco, tem vindo a segurar o lugar graças a exibições menos conseguidas dos outros centrais. Fala-se do interesse de vários clubes brasileiros e o dossier parece aberto para os lados de Alvalade.

N. Coelho – De grande promessa, para a certeza, da certeza para a grande dúvida, o ex-portista começou bem, mas perdeu expressão. Aguardará a saída de Polga para tentar um novo assalto à posição, mas não é uma conquista pessoal como a que deveria ter feito.

Torsiglieri – É uma das ovelhas negras de Paulo Sérgio, graças à sua participação em resultados menos conseguidos e à sua adaptação mais lenta ao futebol europeu. De qualquer forma a mim parece-me um valor a explorar, convém que não seja a lateral esquerdo.

Caneira – O “exilado” do plantel pode ter a saída mais próxima. E já virá com 6 meses de atraso. Falha enorme na gestão diplomática de Costinha que deveria ter fechado este dossier a tempo.

Pedro Mendes – De regresso após lesão (outra) tem vindo a ser titular, mas ainda algo distante da força e segurança que nos habituou.

Maniche – Renovou automaticamente depois accionada a cláusula de participação que constava no seu contrato. Tem justificado a sua aquisição embora seja essencial que compreenda a sua experiência como uma responsabilidade perante o clube e os jogadores mais jovens do plantel.

André Santos – A par com Carriço, tem feito uma boa época. Sempre opção, sempre certo e oscilando entre o certinho e o preponderante, o português tem mostrado que se pode contar com ele para o futuro fazendo esquecer as promessas sempre adiadas de Adrien e Pereirinha.

Zapater – É o flop do ano para o Sporting. Mas não é só por culpa própria. Paulo Sérgio ainda não entendeu que tipo de médio tem no espanhol e convém que o faça antes que milhões de euros caiam no caixote do lixo. Parece com enormes dificuldades de movimentar dentro de campo e isso é fruto de uma falta de confiança enorme, que no Sporting já é norma deixar avançar até níveis impensáveis. Lembro-me de Farnerud, Gimenez e outros que também foram deixados à sua sorte e ao banco.

Vukcevic – Parece culpado de todos os males e sempre com tendência para o trágico. Começou tão bem a época que foi sistematicamente o melhor dentro de campo. Mas quando se tem um treinador inábil, dá nisto. Agora está de volta o “contrariado” Vuk e que pena…Só me apetece dizer que há equipas que não sabem ter génios, que não os deixam “explodir”, explorar a sua incoerência e tantas vezes egoísmo profundo. Maradona, Cassano, Totti, Romário, Cristiano Ronaldo, Cantona, Drogba, Ibrahimovic, Ronaldinho, todos as grandes prima-donas tem o seu feitio desprezível, mas também são capazes de decidir tudo em segundos. O Montenegrino deverá ser vendido em Janeiro e a promessa de craque nunca realizada.

Valdes – Deu a entender que iria desaparecer numa normalidade que deixava muito a desejar, mas eis que se revelou e desatou a marcar golos e a assistir. Ganhou alegria e parece querer ajudar a equipa a fazer bons jogos no futuro.

Fernandez – Está de saída ao que consta, mas que pena tenho de deixar um jogador destes sair pela porta pequena, seria um jogador a valer muitos milhões de euros, mas a incompetência de Paulo Bento, Carvalhal e Paulo Sérgio é evidente na gestão e aproveitamento deste craque. Como são treinadores de “posição” e fracos a desenhar tácticas flexíveis (veja-se o que fez Mourinho com DiMaria, Vilas Boas com Hulk ou Jesus com Aimar) continuam a definir limites e mínimos ao chileno, e que mal se dá com essa instrução. Sempre achei que jogaria melhor solto numa posição de apoio ao ponta-de-lança, mas insistimos em colocá-lo como armador de jogo. Não dá. Talvez até seja melhor que saia, é triste ver um artista a perder anos no banco.

Salomão – O candidato a promessa tem aproveitado as migalhas para fazer uns brilharetes e permanecer como opção. No início da época achei que seria melhor o empréstimo e cada vez acho essa opção como mais natural. O banco não irá dar nada a esta grande promessa.

Izmailov – Dos melhores jogadores que temos e outro falhanço de Costinha. A somar a um historial de lesões algo incrível, o russo tem agora um director desportivo motivado a prescindir do seu passe. Tudo somado, deve sair por tuta e meia em Janeiro ou no Verão, dará no mesmo, dinheiro nem vê-lo, depois de termos propostas de 7 milhões. Mas não podemos ser incoerentes, se criticámos pela saída de Moutinho, não o podemos fazer neste caso em que a direcção teve efectivamente um braço forte, não vendendo o jogador nem cedendo a chantagens.

Tales – É melhor nem comentar. Que regresse rapidamente de onde veio.

Saleiro – Mais do mesmo. Parece que não está fadado para grandes voos. Só não sai porque não há ninguém para o render na equipa. Mesmo com a permanência de Purovic, continuará a fazer falta como suplente.

Djaló – Por cada jogo bom que faz, perde-se e faz 3 ou 4 onde não se vê nada. Psicologicamente parece predisposto ao “deixa andar” e à auto-desmotivação, assim sendo perder-se-á um valor incrível. Djaló é rapidíssimo, bom no remate e tem criatividade que baste para poder ser dos melhores jogadores da Liga, assim o quizesse.
Convém ser mais trabalhado mentalmente.

Liedson – O Brasil chama por ele, como tem chamado por outros veteranos em final de curso na Europa. Mas o levezinho tem a carreira feita no Sporting e de referência em Portugal não deverá querer ser apenas mais um no Brasil. E faz falta.

Purovic – Só um clube em muito mau estado como o nosso, precisaria de um jogador destes no seu plantel. Não serviu o Belenenses na 2ª divisão, mas pode ser opção no Sporting…patético. Se Paulo Sérgio conseguir que marque 5 golos até ao final da época, merece um troféu, pois consegui fazer de um tronco qualquer coisa de aproveitável.

Postiga – Deixei para o fim o melhor. Em época de renovação, Postiga ressuscitou do cemitério onde andava já há uns anos. Não se sabe o que lhe deu, mas podia dar a receita a outros na equipa. Tem desfeito os seus críticos, com golos e muito empenho, também eu via com maus olhos a sua renovação, mas olhando para o que (não) seremos capazes de investir no futuro, prefiro um internacional português a um Tiui qualquer desta vida.

Tudo somado, muitas dúvidas, poucas certezas, alguma esperança e pouco crédito num treinador que não faz evoluir o valor da sua equipa. O mercado levará um ou dois e mais do que certo não trará nenhum, alimentando o discurso de “miséria” no banco que enfermou Carvalhal no final da última época e o de Paulo Bento cada vez que se refere ao Sporting. Este ano precisará de muito mais Sportinguismo. Será que ainda temos mais para dar?

Até breve.

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Boas Festas!

A todos os que acompanham este blog desejo-vos um Feliz Natal. E porque a vida é muito mais do que futebol, espero que todos possam desfrutar do convívio com as vossas famílias, amigos, cães e gatos, tudo recheado de boa disposição e muitas prendas.

Até breve.

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

Fugas

Continua a saga de fugas de informação de dentro do Sporting. É uma coisa inacreditável, hoje soube-se mais três notícias:

1- Paulo Sérgio não irá ter reforços de inverno, alegadamente por falta de verbas para aquisições.
2- Vukcevic está outra vez em conflito com o departamento de futebol, depois de ter aparentemente fingido estar lesionado para não se deslocar à Bulgária.
3- Ao que se comenta, Paulo Sérgio só não foi já despedido por não existir uma cláusula de rescisão condicionada aos resultados, sendo necessário pagar na totalidade a verba de rescisão.

Nem vou comentar o conteúdo de tudo isto, parece-me impossível ter um balneário sólido e motivado quando tudo o que se passa dentro dele e fora se comenta por todo o lado. Não sei o que se passa com o plano de blindagem de Costinha e Bettencourt, mas não está a funcionar, o que devia preocupar alguém. Ou não, no actual momento do clube, o conflito e a desordem começa a ser a normalidade.

Até breve.

E agora...José Couçeiro.

Embora tivesse preferido Luis Freitas Lobo para o cargo de supervisor do departamento de futebol, entendo que o mesmo recusasse partilhar com Costinha a chefia do departamento técnico do futebol, assim como aparentemente o fez a quando da escolha de Sá Pinto. Assim sendo entendo a necessidade desta entrada como uma forma de libertar Costinha para a “defesa” da equipa principal e libertar também JEB para a gestão financeira do clube.

Não será assim tão prática esta convivência, especialmente com Costinha, veremos como evolui esta relação. Mas falando de Couceiro, penso ser uma boa escolha, é uma figura habitual do clube, é ambicioso e tem um comportamento profissional exemplar. Se a equipa estivesse a apresentar resultados era porventura dispensável a sua entrada, mas sou sempre a favor de tudo o que potencie a rentabilização dos valores da Academia, como penso que Couceiro naturalmente fará.

Existem neste momento mais de uma dezena de atletas da formação emprestados, o que somando ao lote de juniores em final de ciclo, torna-se num grupo considerável de jogadores que convêm acompanhar, definindo o melhor para as suas carreiras. Talvez esta entrada venha impedir que no futuro outros “Varelas” não acabem no Benfica ou no Porto a exibir os defeitos da nossa gestão de activos.

A Academia do Sporting de Alcochete assim como outras que em breve começarão a dar “frutos” são estruturas complexas e repletas de valores que requerem um acompanhamento pensado e reflectido. Realmente não havendo um elo de ligação entre estas e a equipa principal, torna-se um puro acaso um atleta das escolas ter uma boa oportunidade de sucesso interno. Carriço pegou de estaca, mas quantos não o poderiam ter feito também. Não será mais barato colocar Nuno Reis na equipa do que ir buscar NAC ao Porto por 1 milhão de euros? Muitos dirão que não é a mesma coisa e eu sei que não é, mas faria assim tanta diferença, atendendo aos minutos de jogo do ex-portista?

Por tudo isto e mais umas outras razões que oportunamente se verão reveladas, dou as minhas boas-vindas de adepto a José Couceiro. Que tenha sucesso nas suas funções. Muito sucesso.

Até breve.

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Talento e Exigência

Depois de ver o segundo jogo em Setúbal, fiquei completamente baralhado, onde estava aquele brio, disponibilidade e vontade de ganhar no jogo para a Taça? O problema do Sporting é talento ou atitude? A resposta pode estar algures na pressão que os jogadores sentiram depois de passar uma semana a ouvir que o treinador dependia de uma vitória no Bonfim. Depois de uma exibição vergonhosa na Bulgária, não restava alternativa a qualquer jogador que não fosse dar o máximo, e funcionou.

No último post refiro a mais que evidente falta de uma linha mais dura e exigente com a equipa, especialmente com os jogadores mais experientes e mais bem pagos do plantel. Esta pressão positiva, que não exige mais do que aparentemente a equipa é capaz, sempre existiu no Porto e no Benfica por diferentes motivos, mas parece ausente do Sporting, com mais incidência desde o pulo de capacidade financeira que não demos em relação aos nossos adversários.

Se olharmos para a nossa equipa, com frieza e sem o descrédito que trazem as derrotas e as más exibições, podemos observar que é mais do que essencial que produzam mais e melhor que o que têm feito.

Na baliza temos um internacional alemão e talvez o futuro da baliza da Selecção Portuguesa.

Nas laterais temos os melhores laterais das últimas épocas da nossa Liga, Pereira chegou mesmo à titularidade na Selecção aproveitando a lesão de Bosingwa.

No centro da defesa temos um campeão do Mundo, uma promessa argentina e um possível titular de Portugal.

No meio-campo defensivo temos 2 ex-internacionais de Portugal (Maniche e Pedro Mendes) uma futuro titular da mesma Selecção (André Santos) e uma promessa adiada da Selecção Espanhola.

No meio campo ofensivo há de tudo, internacionais chilenos, russos, montenegrinos.

No ataque temos três internacionais portugueses e um ex-esperança nacional.

Será assim tão fraca esta equipa? Ou deixou-se tornar fraca. Deixou-se que questionassem o seu valor, a sua capacidade e o seu futuro. Todos os dias leio notícias de abandonos, Liedson, Polga, Pereira, Fernandes, Carriço, Djaló, e pergunto-me se não existem demasiados agentes de jogadores a quererem evitar a desvalorização contínua dos seus representados.

Moutinho e Veloso não reuniam muita simpatia junto de muitos dos adeptos leoninos, mas lá estão eles, convocados para a Selecção a valorizarem-se noutros clubes. Os mal-amados do Sporting custam muito dinheiro ao clube e perdemos muitas oportunidades de venda. Há carências na equipa? Claro. Falta talvez um grande central e um grande avançado e um grande maestro no meio-campo, mas isso isentará Polga, Fernandes e Liedson de não fazerem bons jogos contra equipas mais pequenas de que o Sporting?

Onde está o Polga, sempre na equipa ideal da Liga? O Matigol para onde foi? Liedson tem 1 golo na Liga…Esqueceram-se de como jogar á bola, ou a má preparação e enquadramento técnico dos últimos 3 treinadores (Bento, Carvalhal e Sérgio) está a ser paga com a desmotivação dos próprios atletas que continuam a levar pancadinhas nas costas e um sorriso de circunstância? Pegando por exemplo em Zapater, como é possível deixar um activo desta importância navegar continuamente na insegurança, sem tentar descobrir a melhor forma de o por a jogar? O mesmo vale para Matias e outros que não têm lugar na equipa apesar de todos sentirmos que têm mais potencial que os restantes.

Acho que o erro “Varela” foi tudo muita precipitação e desdém pelo que se tem dentro de casa, o que é estranho num clube que é tão eficiente a encontrar novos talentos, como se a partir do momento em que entram se perdesse o encanto da promessa uma vez que não marcam 15 golos nos primeiros 3 jogos. Todos os Sportinguistas deviam reflectir quando no último jogo da Selecção, olhando para a equipa, em 18 jogadores, 10 já estiveram no Sporting sendo que 6 foram formados no clube, isto quando Varela Liedson e Pedro Mendes estavam lesionados. Quantos estão agora? 3. Dos 10 vendemos 7, alguns deles a preço de saldo.

É de pelo menos pensar um pouco e, no mínimo exigir mais aos responsáveis técnicos que hoje lideram a equipa. Para que num futuro próximo não sejamos apenas o fornecedor oficial da Selecção, uma espécie de viveiro sem fins lucrativos.

Até breve

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Desabafo técnico

Para se entender o que vai mal no Sporting, é só preciso ler as declarações de Paulo Sérgio e olhar para as estatísticas do plantel. O melhor marcador do Sporting chama-se Valdes e tem 4 golos. A equipa na Liga tem 17 golos marcados em 13 jogos e exactamente 13 sofridos. 6 vitórias, 4 empates e 3 derrotas. São números que demonstram sem qualquer dúvida uma época miserável.

Perante isto o que diz Paulo Sérgio? Que não anda feliz…que a equipa tem de mudar…e outras análises superficiais que sei que não são as mesmas que fará junto da equipa, mas não se vislumbra um controle do balneário capaz de superar as dificuldades. E quais são elas?

1/ A equipa não tem uma organização definida.

Evaldo não sabe se é extremo se defesa. Pereira tanto joga atrás como na frente da sua faixa. A dupla de centrais não estabiliza, ao lado de Carriço já passaram NAC, Polga, Torsiglieri. O meio campo esta entregue a médios defensivos que não são bons transportadores da bola (nem têm de ser, mas não existindo um “maestro” são obrigados a fazer essa função). Valdes e Vukcevic não são extremos de raiz. Postiga, Liedson, Djaló e Saleiro têm muitas dificuldades em marcar golos (não há jogo na cabeça da área, logo surgem poucas oportunidades para ser finalizador).

2/ Os esquemas tácticos estão adaptados às características dos jogadores.

O Sporting tem dois bons laterais, muito ofensivos. Tem muitos e bons médios defensivos. Não tem extremos e não tem um ponta de lança de presença na área.
O que seria mais lógico desenvolver com este plantel seria uma linha de 4 defesas, com 2 médios que lhe cubram as alas (André Santos e Zapater). No centro um médio mais fixo (Mendes) e outro mais avançado, um transportador (Matias ou Valdez). No ataque, para potenciar o jogo nas laterais, dois avançados descaídos para as faixas (Postiga e Liedson). Não sei se produziria mais resultados, mas de certeza que seria mais fácil de interpretar pelos jogadores.

3/ Faltam jogadores para funções chave no jogo.

O futebol é rapidez, passe, posicionamento, remate, recepção e desmarcação. São estes os eixos essenciais da performance de qualquer jogador, mas com a especialização numa função, cada jogador desenvolve algumas aptidões ao máximo em prejuízo de outras. Assim um central não tem de ter uma capacidade de excelente recepção da bola, mas deve ter um sentido posicional acima da média, ao invés, um ponta de lança não tem de ter uma capacidade de passe por aí além, mas deve rematar bem à baliza. No Sporting faltam os especialistas. Liedson não é o matador clássico e está cada vez mais longe da área, perdendo a equipa a referência atacante, Postiga desce muito no campo, Valdes, Vukcevic, Izmailov, Salomão e Fernandez (os criativos) por uma razão ou por outra estão longe de serem os organizadores de jogo da equipa, quando deveriam ser eles a ter essa função. Maniche, Santos, Zapater ou Mendes são bons tecnicamente mas não têm o condão de saber desenhar jogadas ou combinações. Não há um jogador, especialista em cantos e livres. Vukcevic será a melhor escolha, mas não jogando…Assim é óbvio que falta um bom médio ofensivo centrak (Fernandez parece que está de saída, pena que o tenhamos entendido como um Deco e não como um João Pinto). Valdes pode fazer a função, mas falta-lhe a capacidade de passe e visão de jogo periférica. Faltam extremos dignos desse nome, Izmailov, Vuk e Valdes não o são na verdadeira essência, mas safam, isentando esta época esse reforço (convém preparar as próximas…por exemplo lançando Bruma, pior não fica). E falta um verdadeiro ponta-de-lança, homem de área (não acho que tenha de ser alto, dos melhores concretizadores que já vi, nenhum era especialmente alto – Rush, Muller, Lineker, Falcao, Raul, Pauleta, Inzaghi, Drogba, Rooney, não faltam exemplos). Tem de ter um sentido de área muito bom, o resto é conversa.

4/ Inteligência

Não sei se alguma vez algum treinador pode ser acusado de a sua equipa ser pouco inteligente. Mas este Sporting é de uma burrice atroz. Os jogadores são expulsos com muita facilidade (disciplina), dão demasiadas oportunidades para os jogadores errados (marcação), deixam jogar o adversário nos momentos errados (concentração/ plano de jogo), fazem pressing de uma forma desordenada (falta de coordenação colectiva) e sobretudo oscilam muito com os acasos do jogo (motivação e confiança). Estes são detalhes essenciais que tornam esta equipa fraca, pouco resistente e muito pouco fiável. Isso trabalha-se com exigência, disciplina e muita cara feia, não dando espaço para o laxismo, para a descontracção e para o erro no final da linha. Este conjunto de jogadores precisa de um “capitão” a sério, Paulo Sérgio não é esta figura apesar de “dar todos os ares”de o ser.

Fica a minha análise. Não é mais do que o que vejo todos os jogos, existirão muitas outras observações, algumas muito mais rigorosas e melhores que esta, mas não quis deixar de postar, não que ajude a alguma coisa, o grau de técnico de Paulo Sérgio habilita-o a tirar o que escrevo aqui de letra. Fica um desabafo técnico não habilitado, oxalá não se confirme em Setúbal.

Até breve.

domingo, 19 de dezembro de 2010

Até ao Abismo e depois?

Paulo Sérgio está bem seguro. Di-lo Bettencourt que não vê vantagens em fazer mudanças. Costinha por sua vez tem um discurso mais exigente, os sócios esses, estão a perder a paciência que o Presidente quer manter. Já vimos este filme antes e sabemos no que irá dar. É todo um caminho que se percorre até chegar a um abismo onde já não existe a hipótese de recuar. Foi assim com Paulo Bento e irá acontecer de novo. Resta saber se já esta Segunda feira ou outra qualquer.

Existem dois cenários possíveis para o dossier "treinador" do Sporting: 1- PS chega ao final da época e continua. Para isso terá de ganhar a Taça da Liga, ficar num 2ª lugar da Liga e fazer boa figura na Europa (duvidoso não?) 2- Chega ao final da época e é substituído 3- Nos próximos maus resultados apresenta a demissão. Os 2 e 3 cenários são sem duvida mais lógicos. Então e depois? Depois temos uma equipa mais uma vez destroçada, sem confiança, sem prestigio. Tudo porque neste Sporting a lei do futebol mais básica não vinga, ou seja, quem perde sai, quem ganha fica.

Esta teimosia épica tão característica de Bettencourt, fez com que Carvalhal já não fosse a tempo de consertar a época anterior e o substituto de Paulo Sérgio não terá melhor alternativa do que CC, limitando-se a gerir calendário e alimentar a moral para a competição que ainda houver por disputar. É um síndroma de tempo e épocas desperdiçadas que adia as hipóteses de sucesso em primazia de uma estabilidade que nunca chega, de cliques que nunca aparecem.

Um clube como o Sporting pode estar até 10 anos sem vencer um campeonato, mas não pode, em igual período de deixar de lutar pelo mesmo. Estar fora da luta, da margem de esperança e motivação, mata a ligação que a equipa tem com os seus adeptos. Bettencourt aparentemente convive bem com o facto do "seu" Sporting não ter sido, não é, nem se vislumbra que seja tão cedo, um real candidato ao título. De boas intenções está o inferno cheio e apesar do orçamento ser obviamente muito menor que o de Porto e Benfica, não isenta o clube de continuar a lutar.

Eu não quero ser o Sevilha, ou o PSG, o Tottenham ou a Fiorentina de Portugal. Não quero se adepto de um clube que se rende à força financeira e desportiva de outros, ficando resignado a um estatuto de eterna promessa, de eterno clubezinho bem disposto e pacifico. Se não temos tanto dinheiro, façamos com menos, mas façamos melhor. Só há uma forma de isso acontecer. Apostar na qualidade dos reforços e das equipas técnicas. Ouço dizer isto a tanta gente e continuo a pensar que mais vale ter menos um ou dois reforços, mas um treinador de classe indesmentível.

Um grande treinador valoriza até atletas menos capazes, plantéis menos sólidos, direcções menos eficientes. É o ponto de partida e chegada de todo e qualquer hipótese de sucesso. Querem exemplos? Mourinho no Porto, Benitez no Valência, Maggath no Wolfsburgo. São só 3 exemplos. Sabem de que mais? Podemos não ter dinheiro para contratar os argentinos do Benfica, ou os brasileiros do Porto, mas de certeza que temos dinheiro para contratar um bom treinador.

E é este entendimento, esta criatividade, esta astúcia que não perdoou a Bettencourt não ter tido e continuar a não querer ter. Diz Mourinho "podes caçar com cão e com gato, se não tiver o cão faço-o com o gato, mas caço na mesma". Esta leitura de um velho ditado, mostra o que é Mourinho e é esta ambição, astúcia e auto-exigência que não vejo em Paulo Sérgio.

Até breve.

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

Ibrox. Again.

Glasgow Rangers. Pois é. Um adversário acessível ao Sporting, mas talvez um osso demasiado duro de roer para este Sporting tenrinho de Paulo Sérgio. Há dois anos fomos eliminados por estes escoceses, que sem grande criatividade conseguiram defender o nulo em Ibrox e depois de marcar, em Alvalade.
Não sendo uma grande equipa, são consistentes e muito competitivos. Vi um dos jogos que fizeram contra o Manchester United e realmente tem a sua força na defesa e nos seus pontas de lança. Há poucos jogadores a destacar na equipa, na baliza o nosso conhecido guarda-redes McGregor (chegou a ser falado para ingressar no Sporting), na defesa o quarentão David Weir, o Argelino Bouhera e o Bósnio Papac, no meio campo Edu e no ataque o veterano James Beattie, o pontente Laferty e o prolifico Kenny Miller.

Irá ser uma primeira-mão difícil, Ibrox é um estádio complicado, mas também uma oportunidade para começar bem a eliminatória. Esta equipa escocesa, não é de grandes atrevimentos e mesmo em casa irá jogar sempre num futebol defensivo, à espera de um erro, que no último encontro entre as duas equipas, foi um golo e foi decisivo, o 0-2 veio no fim do jogo.

Espero que quando chegar a data da eliminatória, já não esteja Paulo Sérgio e a equipa revele outra atitude competitiva. É que não havia muito mais fraco (só talvez o Bate Borisov) que este adversário no sorteio, mesmo vindos da Champions League, a verdade que é que os “Protestantes” da capital escocesa são um óptimo adversário para passar à fase seguinte. PSV ou Lille são uma conversa completamente diferente.

Até breve.

Quem tem a culpa?

Uma coisa é uma equipa não ganhar, outra coisa, é perder. Entre estes dois resultados que podem parecer iguais existe um mundo de diferença. Se o Barcelona de Guardiola chegar ao final de um jogo com um resultado adverso, é muito provável que tenha feito uma boa exibição e tenha mesmo merecido outro resultado. O Sporting de Paulo Sérgio perde. Em toda a extensão da palavra. Joga mal, sem convicção, e deixa os adversários exibirem-se como querem.

O Setúbal controlou a partida, o Levski também. O clube Búlgaro acabou o jogo debaixo de aplausos, isto para quem fica em último lugar do grupo e fora da Europa dá para ter uma ideia da qualidade que os Búlgaros pareceram ter dentro de campo. Digo pareceram, porque o Sporting não é aquilo que esteve em campo ontem. No meu último post referi a disparatada noção que Paulo Sérgio teve de que eram os menos utilizados que tinham de mostrar uma reacção à eliminação da Taça.

Erro grosseiro de análise. Não é Torsiglieri, Coelho, Abel, Salomão ou Zapater que têm culpa dos maus resultados da equipa, jogam pouco e quando são chamados não têm ritmo nem segurança, uma vez que a gestão de plantel de PS é uma treta. Nos jogos da Liga jogam os titulares, nos jogos da Liga Europa fora jogam os suplentes, na Taça muda-se meia equipa. Isto não é gerir o esforço do plantel é rodar por rodar sem ter em conta os equilíbrios da equipa.

Agora o treinador do Sporting, repito, agora, é que diz que descobriu o que vai fazer com “alguns” dos jogadores, o que lhes vai dizer. Aposto que Djaló, Zapater e Torsiglieri vão pagar uma factura que não esperariam nunca lhes fosse cobrada. Pergunto-me se os golos que Liedson não marca, os vermelhos de Maniche, os jogos que Fernandez e Valdez não fazem na sua posição, os avanços loucos de Pereira e Evaldo no ataque ou as bolas ao poste de Postiga não são mais responsáveis do que as diminutas presenças deste trio de “patinhos feios” fez nos onzes até agora.

É tarde Paulo Sérgio. Chegas tarde a conclusões e temo que a erradas. Não sei que equipa vamos ter em campo no Bonfim, mas se o resultado e a exibição não forem 200 vezes melhores que as duas últimas, penso que até a Madre Teresa de Calcutá despediria este treinador.

Deixo só aqui um dado para a reflexão de todos. Na época anterior, que foi desastrosa, o Sporting sofreu 12 derrotas em todas as provas. Este ano, só em metade da época, já vamos com 7! Para quem queria melhorar…é esclarecedor.

Até breve

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Passos para a frente e para o lado

Hoje, num campo gelado Búlgaro não se joga um apuramento, não o do grupo da Liga Europa, esse já foi conquistado com as melhores exibições e resultados da época até agora. O apuramento que falo é o do profissionalismo, da capacidade da equipa e do treinador em regressar ao mundo dos vivos, depois de uma derrota que pronunciou a “morte” antecipada desta época.

O facto de não actuarem alguns dos principais jogadores, não isenta a equipa de mostrar o que vale, aliás irá ser uma boa oportunidade para atestar se o discurso de que “não há titulares” é real e como vão os jogadores “menos utilizados” reagir a um mau resultado para o qual não contribuíram. É a hora de Paulo Sérgio tirar coelhos da cartola e tirar um nadinha de nada da pressão que o seu lugar está ter, dando um passo atrás no seu caminho de saída, isto quando já deu uns bons 200.

Entretanto este “caso” entre Costinha e Sousa Cintra só tem contextos de tontice, nada existe a ganhar por nenhuma das 3 partes: não ganha o director desportivo, não ganha o ex-presidente e não ganha o clube. Façam-nos um grande favor – calem-se. Aliás é mais um episódio de Costinha onde está a ficar muito mal visto, o seu ar de “italiano” compenetrado deve servir para nestas alturas agir com ponderação e descrição e não dar à imprensa exactamente o que ela quer, ou seja, discórdia.

Até breve.

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Big in Japan

Bettencourt lançou um novo paradigma de notoriedade Leonina, a partir de ontem o Sporting é uma sociedade Big in Servia. O que não se explica com réguas e balanças é dificilmente contestado. As grandezas, o mérito, a competência, são escalas de percepção muito mais subjectivas na Sérvia, do que no nosso país.

O Sporting é grande? Porquê? A resposta está na história? Não. Isso seria dizer que o Sporting foi grande. A grandeza actual de um clube está no que vale no momento e no que se espera que valha num futuro próximo. Há pelo menos 3 anos que o modelo de crescimento do Sporting é duvidoso. Não surgem resultados, as finanças definham e a base de adeptos desaparece a pouco e pouco numa base de dados cada vez mais envergonhada e especulativa.

Para ser grande, temos pelo menos que nos atrever a ser melhores do que os demais, mais inteligentes, rápidos nas decisões, certeiros nas escolhas, seguros no caminho. Bettencourt tem dado muitos sinais de ser um decidido capitão, mas um inseguro general. Falta-lhe a frieza de cortar a frio pelas emoções, de rasgar direito pelas relações humanas que partilha dentro do clube. As rupturas fazem parte do crescimento, mas este presidente enferma de uma necessidade grande de aceitação interna, que o impede de decidir até ao limite, e começando no limite.

O Sporting tem todas as bases para ser grande, aceitação popular, adeptos leais e preocupados, capacidade para gerar e gerir receitas, talento para explorar, mas o futebol não se faz de romantismos, de irmandades sagradas e batalhas com moinhos de vento.
Bettencourt devia deixar de se preocupar com a compreensão exterior da actual da dimensão do clube e lançar bases firmes para o futuro da instituição. Isso traduz-se em conquistas, vitórias, glória, festa, alegria e orgulho.

Os actos de gestão da actual direcção parecem mais um plano de sobrevivência do que as fundações para o sucesso dos amanhãs que inevitavelmente surgirão. Temos de garantir os Ronaldos e os Liedsons do futuro e para isso há que garantir boas estruturas, bons técnicos, financiamentos competitivos e uma imagem que inspire confiança, segurança e a lealdade dos seguidores.

Porque um general se constrói de batalhas ganhas, de escolher o menor dos males e não de carisma tecnocrático assente em curvas que se desviam das decisões difíceis e contestáveis. Porque um general que lidera à frente das tropas, é o primeiro a cair, mas tem a certeza de que a carga é feita como e quando deseja.

Bettencourt tem demasiado medo da queda, para cair nos braços da glória, só assim se entende a complacência com capitanias que falham repetidamente o assalto, que sofrem mais do que fazem sofrer.

O nosso general está a ficar sem tropas, sem carisma e sem reservas para colocar em campo. O nosso general já não está. As medalhas caem-lhe do peito e não há guarda de honra que o valha. Ninguém.

Até breve.