quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

Jardel um trauma benfiquista

Chateia-me bastante que um jogador com o potencial de Jardel vá parar no Benfica. Mas fico mais contente quando isso quiser dizer David Luiz irá sair. Quando se tem Luisão, David Luiz, Sidney, Fábio Faria e o jovem talentoso Roderick Miranda para centrais, ir buscar Jardel ao Olhanense só faz sentido se um destes sair e como não será exactamente um jogador barato…tirem as vossas conclusões.

Aos que como eu viam com bons olhos a entrada do brasileiro no nosso plantel (sempre numa ocasião de colmatar a saída de Polga ou Torsiglieri) não sendo uma boa notícia é pelo menos a certeza que o nosso rival ficará um pouco mais fraco. Sem David Luiz ou Luisão, a defesa do Benfica não é a mesma coisa e pensar que um praticamente desconhecido brasileiro está ao mesmo nível que os seus internacionais congéneres é chamar burros aos clubes interessados na suas aquisições.

Seja qual for o caso, parece-me que LFV e Rui Costa estão claramente a “chegar-se à frente” de um possível negócio de Porto e Sporting (os azuis têm Maicon e Sereno com performances fracas e os leões podiam ver em Jardel uma boa alternativa à saída de Polga ou ao empréstimo de Torsiglieri). Com bons centrais já no plantel…não se compreende. Se há coisa que me orgulho no Sporting é a de que se Roderick estivesse no nosso plantel, nunca iríamos contratar um jogador como Jardel.

Mas já se sabe que no Benfas, é preciso falar brasileiro ou espanhol para se entender com Jesus. É que falar português...com o Jorge….
Patético.

Até breve.

O menor dos males

Numa altura em que 2 dos 4 avançados estão lesionados, numa altura em que é por demais evidente que falta um avançado, depois de um defeso a clamar por pinheiros...vamos buscar médios? Para quê? Qual é o médio centro que em poucos dias vai "roubar" o lugar a André Santos, Maniche, Zapater e Pedro Mendes? Qual é o extremo que vai encostar Vukcevic, Salomão, Valdés e no futuro talvez Izmailov, no banco?

A não ser que estejamos a falar de um nível de jogadores muito acima dos falados Chico e Bruno Gama (aquisições low cost) não valerá muito a pena ir comprar só por ir, sem qualquer impacto desportivo. Valerá sim a pena contratar, ou garantir o empréstimo de um avançado minimamente decente. É que estando a época já comprometida, o Sporting deve pelo menos garantir resultados mínimos (ganhar taça da liga, ir o mais longe possível na liga europa, disputar o 2º lugar com o Benfica) e para que isso aconteça convém não desinvestir na equipa.

Muito do que será a próxima época é jogado nesta. Mesmo com incompetência gritante deve ser exigido o melhor possível, nunca baixando os braços e aceitando por exemplo "o que o jogo dá".

Até breve

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

Margem mínima para o sucesso

Numa época em que se inverteu a politica de gestão do plantel do futebol profissional, abandonando o modelo “Ajax” e preferindo uma estrutura mais do género de Juventus ou Manchester United, ou seja, deixámos um modelo em que 80% do plantel era composto por jogadores da Academia para reduzir essa margem para uns bons 40% corremos o risco de deixar como grande legado de 2010/11 a confirmação de valores como Salomão, Carriço, Patrício, André Santos e até Djaló.

É curioso, e ao mesmo tempo trágico que o esforço por dotar o plantel de jogadores mais experientes, acabasse por relevar que o produto da Academia era, sem dúvida, desportivamente mais bem sucedido. Hildebrand perde Patrício, Torsiglieri perdem claramente para Patrício, Zapater e até Maniche perdem para André Santos. Ok, Valdes não perde nem para Djaló, nem para Salomão. O chileno é talvez a aquisição mais conseguida, dando algo ao clube que não temos desde o “desaparecimento” de Izma.

Mas esta excepção confirma a regra. Confirma o insucesso da política de contratações, o insucesso repetido de comprar fora de Portugal (Pereira, Evaldo e Maniche são ou foram cá da casa) e o falhanço rotundo de mais 60% dos jogadores que entraram no plantel. Não sei como se fazem estes negócios, quem os recomenda, ou que salvaguardas tem o clube nos seus contratos. Mas é ridículo que assistamos a jogadores que querem sair pouco tempo depois de entrar (Stojkovic, Fernandez, Izmailov, Derlei, Pongolle, etc). Quanto dinheiro já perdemos?

Pede-se, é evidente, maior acerto na prospecção, mais certidão no gasto de verbas de contratações. Tenho como absolutamente certo, que a distância que criámos para Porto e Benfica advém de compras erradas de muitos jogadores e a venda demasiado barata de outros tantos. O sucesso no futebol deste século é um jogo de acertos, um puzzle que se completa com bons jogadores a entrar por menos e vendidos por mais. Vemos hoje que até Real Madrid e Barcelona terão de medir bem os seus investimentos, o dinheiro é menos e os jogadores ganham cada vez mais.

As fontes de receitas são principalmente: receitas de TV, merchandising e prémios desportivos, sobretudo na Champions. Um clube como o Sporting que tem as receitas de TV hipotecadas a cada 4 anos, uma massa adepta distante e não entra na Champions está de facto, em recessão. Como é lógico a recessão implica a diminuição de custos e isso é algo que não pode estar nos planos de alguém que se queira aproximar dos seus rivais, quando estes têm orçamentos superiores mais do que o dobro.

É uma operação delicada que implica absoluta precisão no gasto de cada milhão de euros. Disso dependerá a nossa aproximação de títulos, de chamar os adeptos, de entrar na Champions com bons resultados. De sobreviver como candidato ao título. Por tudo isto e o muito mais que se joga em cada principio de época se pede a JEB e restantes responsáveis que escolham bem, mas mesmo muito bem, os próximos investimentos do clube. Poderá não haver mais oportunidades para fazer regressar o Sporting ao estatuto que sempre teve.

Como sempre penso que na figura do treinador se apresenta uma boa parte das hipóteses de sucesso de cada contratação e Paulo Sérgio, neste caso, é mais problema que solução. Nem me vou alongar nesta explicação. Basta ler post anteriores neste blog. Está tudo lá.

Até breve.

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Negócio de Ocasião

Existem poucas oportunidades como esta:

"Pablo Mouche, jovem avançado do Boca Juniors, está através do seu empresário à procura de um clube fora da Argentina para se transferir. A direcção do clube argentino já aceitou o pedido da sua jovem vedeta em ser vendido, depois de várias expulsões nos últimos jogos e depois de um incidente pessoal com a estrela Riquelme. O Boca estará pronto para negociar uma verba a rondar os 3 milhões de euros."

O Birminhgam estava na linha da frente para a aquisição, mas depois de conseguir o empréstimo de Bent do Tottenham deverá ter desistido. É uma questão de 1 ou dois dias até que alguém fique com esta promissora estrela argentina. De lembrar que Funes Mori está a ser negociado em 8 milhões e não tem metade do crédito e fãs de Mouche.

Com tantos olhos postos na argentina, não haverá um olho de Couceiro ou de Costinha para ir buscar este jogador?

Até breve

Se não entra ninguém...

Noticias dão como provável o empréstimo de Zapater a um clube espanhol até ao final da temporada. Em teoria concordo com a medida, desde que salvaguardada uma condição, que seja para jogar. Qualquer empréstimo de um jogador do Sporting deverá ser cauteloso e olhar bem às hipóteses de conquista de um lugar, para que o atleta se valorize. Para passar uma época no banco, mais vale que o faça em Alvalade.

Pongolle foi emprestado ao Zaragoça. Não joga frequentemente o que diminui os seus graus de confiança e valor de mercado. Para um jogador com o seu valor de transacção é ruinoso. Para o Sporting é uma perda significativa de oportunidades para fazer regressar um atleta moralizado e em forma ou de o vender por um valor próximo da sua compra. O Zaragoça segue em último lugar e Pongolle marcou 3 golos, numa mão cheia de participações no onze. Curioso.

No caso do espanhol Zapater, seria quase lógico cede-lo ao clube de origem em Espanha, o mesmo Zaragoça, o risco está na incapacidade deste clube suportar o ordenado da sua ex-vedeta e na probabilidade de ter dois jogadores com o cartel de Zapater e Pongolle cedidos a um clube que irá passar 5 meses afundado em derrotas desmoralizantes. Espero que não seja esta a decisão de Costinha e Couceiro e que escolham outra paragem, mais segura para o empréstimo.

Outros valores que porventura deveríamos emprestar seriam ou Grimi, Saleiro ou Torsiglieri. As suas poucas chamadas ao onze justificariam um regresso por empréstimo à Argentina (no casos dos defesas) e a um clube português ou belga (no caso do avançado), quiçá para provar os seus valores e razoabilidade de uma continuidade no plantel. A diferença entre a presença destes ou a chamada (em caso de necessidade) de um júnior seria, neste momento irrisória.

Até breve

Matar a "fome"

Nesta época, como nas anteriores, refugio-me dos maus jogos do Sporting vendo sempre que possível outros futebóis. É uma reconciliação com o prazer de ver o jogo, bem interpretado e fluido, algo que os treinadores Paulo Bento e Paulo Sérgio deixam para último lugar e Carvalhal conseguiu só a pequenos espaços. No topo das prioridades estão os jogos da liga Inglesa, a Premier League é de facto um produto Premium, desiludindo muito poucas vezes.

Tenho especial preferência pelos jogos de Manchester United e Tottenham, os melhores interpretes de um futebol ofensivo, menos geométrico e “italiano” que Chelsea e sem dúvida menos esquemático e de “puxões” do Arsenal de Wenger. As tardes de Sábado podem começar sempre muito bem, com uma hora e meia em White Hart Lane ou em Old Trafford, com os momentos gloriosos de Nani (como cresce este míudo!) Barbatov e Rooney, Giggs é uma lenda viva em campo.

O Tottenham tem uma equipa de sonho, com um meio campo de luxo, Kranjkar, Modric e Huddlestone (tem o pontapé mais forte em toda a Europa) e o que dizer deste Bale, o melhor jogador inglês sem dúvida, o atómico Lennon, Van der Vaart…enfim…com um treinador menos conservador iria de facto lutar pelo título. Newcastle e Everton também estão a “dar” bons jogos.

A seguir nas minhas preferências estão os jogos de Real Madrid e Barcelona, por esta ordem. Perdoem-me os fãs do tiki-taka catalão, sei que é um futebol colectivo de primeira categoria e Messi um prodígio, mas Ronaldo é Ronaldo e com Mourinho, Pepe, R.Carvalho, Kaka e Marcelo a balança cai sempre os jogos dos “blancos”. A expectativa de ver como Mou se sai deste desafio Madrileno é enorme e é um “affair” não apenas português mas internacional. Em caso de sucesso, José Mourinho ascenderá ao estatuto de uma divindade menor, mas mesmo assim um deus do jogo e do banco.

Não tenho dúvidas que este setubalense marcará o futebol para sempre, não pelas inovações tácticas, mas pela postura, um verdadeiro Patton dos relvados, um destemido e arrogante líder de homens. A pergunta que faço é – e depois de Madrid? O que haverá a ganhar, o que faltará provar? Depois de Portugal, Inglaterra, Itália e Espanha? Tenho para mim que pegará numa selecção de um grande país que não vença nada há muito tempo…Inglaterra?

Depois de todos estes “interesses” e só depois, volto ao “calccio”, este ano com um Inter menos poderoso, a liga italiana está mais interessante e os normalmente entediantes Milan e Juventus estão mais virados para resultados diferentes de 1-0. A ver com algum destaque os jogos de Nápoles e Palermo, Lavezzi e Pastore são muito bons jogadores. França e Alemanha têm bons jogos, mas falta o perfume, as estrelas, o sangue mais latino, a emoção e cor do tudo ou nada.

E será assim até que o futebol do meu clube me encha a barriga e me deixe ansioso até ao próximo jogo. Por agora vou matando a “sede” por outras paragens.

Até breve.

domingo, 9 de janeiro de 2011

A subida ao pódio

Para quem tivesse dúvidas, ontem em Alvalade o Sporting provou que, de facto, é a 3ª melhor equipa da Liga. Não me deixa feliz, bem pelo contrário, gosto que sejamos a melhor e não a 3ª melhor. Mas os meus desejos não valem nada, a realidade é que Porto e Benfica têm mais jogadores de qualidade que nós, e muito melhores treinadores.
A substituição de Salomão por NAC, teria sido catastrófica se o Braga nos minutos finais chegasse ao empate. Safou-se de boa PS, que continua, ele que devia mostrar o contrário, a duvidar da capacidade defensiva da equipa que orienta.

O Sporting marcou primeiro, 2 vezes e parecia lançado para uma grande vitória, esqueceu-se que o Braga não é o Vitória de Setúbal e Paulo César fez questão de lembrar à equipa verde e branca que também o Braga podia marcar. Até final, as duas equipas poderiam ter marcado, mas o Sporting “fechou” o jogo e a equipa de Domingos não teve argumentos para abrir uma defesa que abanou que se fartou mas não caiu.
Domingos tem muito trabalho pela frente, e muitos jogadores medianos que não acompanham Moisés, Lima, Alan e Paulo César.

Mesmo assim achei a equipa de Braga muito pouco inferior ao Sporting e capaz de muito mais do que a tabela da Liga indica. Hugo Viana, Mossóro e Paulão não fazem esquecer Rodiguez, Mateus e Luis Aguiar. Com mais um bom avançado e um lateral esquerdo (Sílvio é excelente na direita) o Braga podia ter sido outra equipa até agora.

Mas olhando para a produção do Sporting, há um destaque a fazer: Salomão. Para 1ª época de futebol sénior a sério, o jovem parece corresponder sempre que chamado e ontem provou mais uma vez que não é apenas mais um no plantel. Sempre achei que devia ser emprestado, não porque tinha pouco talento, mas precisamente pelo contrário. Está a querer explodir e o banco pode acabar por banalizar a capacidade que tem em jogar muito bom futebol.

Zapater também esteve bem, o que vem provar que Paulo Sérgio pode e deve dar mais jogo ao espanhol. Ontem, muito do jogo que o Braga não conseguiu fazer pelo centro se deveu à sua incansável cobertura de espaços. Convém também salientar que o ex-Génova teve ao seu lado o melhor jogador dentro de campo – André Santos foi enorme.
Valdes marcou mais um golo e controlou sempre muito bem a posse de bola, Patrício esteve atento. O resto da equipa esteve bem, nada de muito especial a referir.

No final ficou a sensação que o Sporting temeu um Braga que já não existe, o da época passada. Ganhou, mas não mandou a equipa de Domingos às cordas, o que podia ter feito com um pouco mais de atrevimento e talento para entender a linha muito fina com que se coze o equilíbrio do seu adversário. Só Paulo Sérgio saberá porque, à semelhança do jogo com o Guimarães, depois de estar a ganhar 2-0, a equipa leonina desmonta a alegria e foco do seu jogo em vez de partir para o 3-0, fica à espera de mais “borlas” do adversário.

Veremos o que faz este Sporting no próximo jogo. É que depois de 3 vitórias, normalmente vem um empate ou uma derrota, esperemos por uma melhor gestão de Paulo Sérgio, quanto à motivação e gestão de foco competitivo. Uma equipa só é boa quando em todos os jogos o prova. Quando em todas as ocasiões mostra aos seus adversários que o que temiam, acontece de facto.

Até breve.

sábado, 8 de janeiro de 2011

De Braga a Lisboa

Para Domingos, o jogo de Alvalade é talvez a última tentativa de provar que esta época não será uma caricatura da anterior. Para Paulo Sérgio é também a derradeira hipótese de manter o Sporting na perseguição ao 2ª lugar. Quem perder, ficará arredado à luta pelo 3º e 4º lugar. Espero sinceramente que o nosso treinador não leve outro daqueles banhos de táctica que nos tem habituado, isto quando têm sido tão questionados os seus "pensamentos" nas conferências de imprensa.

Existe uma grande diferença entre o que se planeia fazer e o que se anuncia, mas no caso de PS tem sido constantemente provado que a equipa não faz nada do que o seu treinador quer. Resta saber se o Sporting de hoje é o do Setubal para a Liga ou o da Taça. Seja como for penso que este jogo se decidirá em pequenos detalhes, com margens mínimas e muita luta no meio campo. Não será um jogo bonito, o Braga fora de casa tem sido muito deficitário e o Sporting em Alvalade é a desgraça que se conhece. Espero que sejamos nós a sorrir no final do jogo. Sorrir, porque esta época não dará para festejos, nem grandes felicidades.

Até breve.

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

Quem procura longe...




















Djalma, Jardel, Toscano, Zeca, Tomasevic, Teles. 3 avançados, 2 centrais e 1 médio, todos jogadores de grande futuro, todos à espera de uma oportunidade para evoluir ainda mais. Para quem normalmente procura jogadores tão longe, estes 6 estão mesmo aqui à mão de semear. É óbvio que nunca farão capas de jornais e apresentações com 5.000 sócios, mas seguramente serão apostas (tendo em conta custo-beneficio) rentáveis.

Infelizmente vamos ter de os ver parar no Porto, ou em qualquer clube de fim de tabela Inglês, Grego ou Ucraniano. Mas em época de transferências não quis deixar de dar o meu voto, para o que penso seriam contratações para ficar e rentabilizar. Nenhum deles seria caro (os mais valorizados, não pertencem totalmente aos clubes que estão a representar) e pelo menos Toscano e Teles, resolveriam muitos problemas na defesa e ataque da equipa de Paulo Sérgio.

Fica a dica. Daqui a 1 ano voltarei a comentar sobre o paradeiro destes atletas. Porventura já valerão muito mais do que o dobro, e tristemente não no Sporting.

Já agora não posso deixar de salientar a razão confirmada dos que eram contra a contratação de Alan (pelo menos pelos valores que o Braga pedia), o médio não está a fazer a estrondosa época que fez no ano passado e como era esperado, os 31 anos já vão pesando um bocadinho mais, em muito diminuindo o poder do clube que no ano passado disputou o título com o Porto.

Os adeptos não são olheiros profissionais, mas também sabem ver futebol.

Até breve.


Até breve

O ponta de lança

É o lugar mais importante da equipa. Sei que muitos acham que é o organizador, o 10, o jogador mais influente de uma equipa. Mas para mim os jogos ganham-se com golos e não com passes. A função de ponta de lança (não de avançado, esse pode nem ter a função de marcar golos) é ingrata e muitas vezes incompreendida.

Em Portugal começamos agora a despertar para uma visão correcta do que é um goleador. Durante décadas quisemos marcadores de golos que fintassem, que tivessem um primor técnico acima da média, mas tal não é essencial para que se tenha um “punta” fora de série.

Um ponta de lança são números, eficácia em frente à baliza, em 10 oportunidades factura 5, se for muito muito bom, facturará 6 ou 7. O resto não interessa, se o fez com nota artística ou depois de um ressalto é igual. Qualquer equipa depende do resultado e logo depende do seu homem golo, às vezes apenas para chamar os centrais a abrir espaços para outros colegas alvejarem a baliza.

Um onze com o seu goleador em crise de golos, é uma equipa que tem de trabalhar muito mais, criar mais oportunidades, mais volume de jogo, mais tempo gasto em pressão à procura da bola e mais esforços por criar dinâmicas em velocidade. Ora isto é precisamente um dos problemas do Sporting neste momento. Liedson está a acabar o seu reinado e Postiga, apesar de todo o mérito, não tem (com algum azar à mistura) sido capaz de uma produtividade por ai além.

A sucessão de Liedson é a meu ver uma prioridade, mesmo que o luso-brasileiro queira jogar mais anos, não é do interesse de um clube como o Sporting “reservar” lugares no onze, por melhor que seja o historial de um jogador. A verdade é que os números do levezinho vêm a cair sucessivamente e as “crises” de golo são cada vez maiores. É certo que um bom ponta de lança custa muito dinheiro, mas também não deixa de ser evidente que se gastámos 6,5 milhões em Pongolle, reavendo metade dessa verba, seria mais que suficiente para encontrar um jogador que valha 15/20 golos por época.

Se não for nesta abertura de mercado, sinceramente ninguém o espera, os responsáveis do Sporting deveriam, pelo menos no fecho da época, contratar um jogador que, depois de um aprofundado estudo de mercado reúna as condições para ingressar no clube e ter sucesso. Há quantos anos um jogador do Sporting não passa a barreira dos 20 golos? Quantos anos vamos ter de esperar mais?

Até breve.

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

Promoções

As saídas de jogadores do Sporting já parecem Promoções do Dia, campanhas diárias de supermercado, para atrair clientes, mesmos nos dias mais desinteressantes para ir às compras. Se num dia a Promoção é Djaló fresquinho, noutro é Polga à Lagareiro, à Sexta-Feira é Liedson perfumado e às Quartas é Vukcevic azul e branco. Janeiro promete ser uma verdadeira época de saldos, sendo que apesar dos preços muito atractivos, não parece existir muita procura.

A meu ver tenho pena que Costinha não faça um pacote do tipo pague um e leve seis, onde incluiria Grimi, Caneira, Tales, Pongolle, Purovic e Stojkovic. Este super-pack familiar de falta de talento seria a melhor noticia para os nossos cofres, nem tanto pela verba que entraria, mas mais pelas avultadas verbas que cessariam de evaporar mensalmente da nossa depenada tesouraria.

Mas não me parece que tenhamos tanta sorte e só posso esperar que saia algum bom jogador, para que permaneçam os “coxos” e eventualmente entrem mais um “coxo” ou um “reformado”. Samaras levas o vento e é pura ilusão que estejamos capazes de contratar jogadores internacionais e com 25 anos! Para quem critica a valia deste jogador, lembro-os que o grego marcou em 8 épocas 73 golos, isto quando teve duas lesões graves e passou duas épocas no Manchester City a suplente. Se falha muitos golos, também os marca, e os números são indesmentíveis.

Parece que alguns sportinguistas andam de barriga tão cheia, talvez de bolas ao poste, que menosprezam jogadores com evidente talento, porventura lhes agradem mais os números de grande eficiência de Purovic e Saleiro. Sejamos mais humildes e mais realistas. Algo que também aconselho aos jornalistas portugueses que vendem e compram todos os dias, como se o dinheiro se inventasse todos os dias. Mesmo um clube com dinheiro hesitaria na compra de Djaló. Duvidam?

Até breve.

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

Vitória virtual num chip velho

O ano de 2011 começou precisamente da mesma forma como acabou o ano anterior. Vendo o jogo com a Naval, não vi resets no chip, novidades na RAM, ou sequer inputs novos no disco. Vi mais do mesmo. Um jogo pouco fluído, assente na capacidade física de transportar a bola entre sectores, na capacidade individual de desmarcar e ser desmarcado, no talento de cada um para superar cada opositor. Jogo colectivo e envolvente foi pouco e o que existiu foi fruto de um recuo da Naval, que se remeteu fechada sem sequer pressionar muito o portador da bola.

Não foi fácil de desmontar a Naval, só porque a bola não entrou mais cedo. Assim que isso aconteceu foi visível que o clube da Figueira é um adversário descrente e amedrontado, um oponente demasiado simples de manietar e dominar. Mesmo assim, fica um registo atabalhoado da equipa de Paulo Sérgio que continua a exibir uma boa capacidade de empenhar na luta, mas com pouca inspiração, pouco génio colectivo. Aos que interessa o resultado, o Sporting sai feliz da primeira semana do ano. Para os que olham para uma equipa e a sua exibição como algo mais do que um conjunto de 11 jogadores, a sensação é mais tristonha e promete agravar-se com futuros embates com equipas mais talentosas e eficazes.

Não gostaria, mas tenho de concluir que Paulo Sérgio permanece como um entrave á evolução da equipa, que semana após semana, mês após mês, devolve aos adeptos as mesmas dúvidas e desconfianças. Até ao final da época não haverá mais “licenças sabáticas” para introduzir dados novos na estratégia de jogo e a tão falada táctica que permanecerá até ao fim, é apenas uma variação do mesmo que já vimos e que na primeira derrota será completamente posta em causa.

Saliente-se que foi Vukcevic, alvo de tantas acusações e criticas mais ou menos públicas que abriu o caminho para a vitória. Liedson fechou-a com um puro momento de inspiração individual. Não chegou para apagar uma imagem apagada e confusa de um Sporting cada vez mais parecido com o público nas suas bancadas, espectante e mortiço.
Ganhámos, mas onde estavam os sorrisos, onde estava a festa? Não há, tal como não há esperança nem promessa de alegria ou sucesso.

Quando é que isto acaba?

Até breve.