terça-feira, 18 de janeiro de 2011

Usar o cérebro é sempre recomendável

Numa altura em que se vai começar a discutir o clube, o futuro e quem o decidirá, era de todo recomendável que todas as decisões de entradas e saídas de quadros ficassem suspensas pelo menos até se vislumbrar o que se quer para um novo Sporting. Acresce o facto de ser completamente absurdo investir numa época que já pouco ou nada existe para vencer. Perante este cenário, julgo ser da mais correcta inteligência não contratar nenhum jogador que não faça parte de uma grande oportunidade de negócio, medida sempre através da combinação qualidade/ preço e a sua extrema utilidade para o futuro da equipa.

Os nomes de jogadores que circulam nos jornais, ficam a meu ver, muito aquém deste raciocínio. Convém lembrar que o que para Costinha e Paulo Sérgio serão bons reforços podem não o ser para o futuro treinador e futuro director desportivo, excluindo até o que uma nova direcção pode achar do negócio. Sei que a construção de uma equipa está sempre a sofrer actualizações e estando numa abertura de mercado, todos esperam entradas, todos anseiam por novidades. Mas que upgrades fenomenais faremos com a entrada de, por exemplo, Paulo Sérgio do Olhanense?

A não ser que estejamos a falar em poucos milhares de euros, não esquecer que Jardel foi para o Benfica por uma verba a roçar o ridículo, o Sporting deveria refrear o instinto de adquirir jogadores medianamente bons e começar, isso sim será mais urgente, a conseguir alienar em bons negócios os excedentes da equipa (Grimi, Caneira, Saleiro, Tales) e a resolver os problemas com outros jogadores (Hildebrand, Torsiglieri, Zapater, Izmailov, Djaló). Bettencourt está demissionário, Costinha e Paulo Sérgio seguem dentro de momentos e existe a oportunidade de sanar todos os diferendos e erros de gestão desportiva que o plantel exibe.

A entrada de novos decisores é urgente, até para começar a implementar o que será o novo modelo competitivo do Sporting. Até agora temos navegado ao sabor do dinheiro, humores e capas de jornal. O cérebro é uma ferramenta prodigiosa e à excepção de Valdes e Salomão, não vemos a inteligência que este por detrás dos negócios que fizemos. Evaldo, Torsigleiri, Coelho e Zapater foram muito caros pelo que estão a dar à equipa. Não partilho da opinião que Evaldo esteja a jogar mal, mas também sei que pela idade e o valor do atleta, talvez o Braga tenha feito um encaixe de um milhão acima do que era mais justo. Mesmo assim, não existem por aí laterais esquerdos em abundância e Costinha preferiu jogar pelo seguro.

Quem tem uma Academia como tem o Sporting deve fazer uso dela, programadamente e com uma politica de entrada nos seniores mais equilibrada, flexível, mas recorrente. É inadmissível contratar jogadores como Tales, tendo tantos bons valores a despontar para o futebol profissional. Paulo Sérgio, do Olhanense é só mais um exemplo de uma transição falhada pelo Sporting. 6 ou 7 anos mais tarde vamos comprá-lo, quando já foi nosso? Lembra-me as novelas do boliviano Sanchez que entrava e saía do Benfica sempre com o Boavista a encaixar.

A meu ver era simples e até visionário (a UEFA irá obrigar a que isso seja feito daqui a poucos anos) criar um rácio de aproveitamento da Academia, com evidentes ganhos para a economia, imagem e orgulho do clube. Algo que poderia passar por um mapa deste género:

Guarda-redes (3 lugares – 2 vagas para jogadores da Academia)
Defesas (8 lugares – 3 lugares para jogadores da Academia)
Médios (8 lugares – 3 lugares para jogadores da Academia)
Avançados (5 lugares - 2 lugares para jogadores da Academia)

È claro que isto seriam valores mínimos e não excludentes de mais jogadores que fosse oportuno contratar fora das escolas, mas pelo menos teríamos sempre 10 jogadores oriundos da formação, fosse quem fosse o técnico, fosse quem fosse o director desportivo. O Sporting precisa de racionar o seu produto e valer-se daquilo onde é melhor do que os outros.

Olhando o plantel actual (1 guarda redes, 2 defesas, 1 médio, 2 avançados) isso até está difícil de conseguir, e a politica deste ultimo defeso promete afastar o clube de uma das suas mais marcantes virtudes, tudo nasce de um grande equivoco – o drama da experiência, o drama da altura, o drama de treinadores que se desculpam de maus resultados com preconceitos. Um bom jogador é um bom jogador.

Esta é só mais uma ideia que não se percebe porque não é assimilada (mesmo que noutros moldes), que somando a muitas outras provam a “distracção” que o clube tem com o seu património, levando-o a mais decisões, em cima do joelho, à pressa e ouvindo muito maus conselhos. Regras, planos, normas e modelos nunca fizeram mal a ninguém e muitas vezes impedem o tão português “desenrasque”, processo a que o Sporting tem recorrido demasiadas vezes nos últimos anos.

Até breve.

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

Ideias Vs Status

Nobre Guedes, Dias Ferreira, Rocha Jr, Rogério Alves, Agostinho Abade, José Maria Ricciardi, Paulo Cristóvão, Pedro Souto, José Eduardo, Campos Ferreira.

A todos eles, como Sportinguista e ser pensante digo: por favor fiquem quietos, calados e deixem um novo projecto, liderado por gente “nova” surgir.
Todos eles são elementos que fazem parte de uma orbita que embora pensem o clube e intervenham (umas vezes bem, outras muito mal) fazem parte da história recente e das múltiplas trapalhadas recentes do clube. Não é deles que o clube precisa. Não é de ideias e políticas de continuidade que o Sporting SAD e Clube precisam.

Amanhã será um dia decisivo para o inicio do fim de uma página (negra) do clube e pede-se ao Presidente da Assembleia Geral, Dias Ferreira que deixe as suas lealdades fora deste jogo e quebre de uma vez a autocracia da “estabilidade” decidindo pelas eleições em vez da cooptação. Dias Ferreira já deu muitas provas de grande sportinguismo e terá a oportunidade de inscrever o seu nome num percurso de mudança, bastando para tal que “sinta” o pulsar dos sócios na sua grande maioria e não da elite vigente.

Depois de dar esse passo, que admito que não seja o melhor em termos de operacionalidade a curto prazo (mas muito mais vantajoso no gerir a longo prazo) o clube estará aberto e disponível, pela primeira vez em quase 20 anos, para uma nova matriz, um novo ADN, que espero eu, seja impulsionado por uma equipa de Leões mais ambiciosos, mais disponíveis e sobretudo mais criativos e determinados. Confesso que não vejo este “lote” a perfilar-se, mas também sei que existem muitos sportinguistas com este perfil que podem surgir, mesmo que sem a tal “vaga de fundo” clássica e muito artificial.

Ideias, programas, projectos, são fáceis de desenhar. Basta a qualquer um ler os blogs de referência de adeptos sportinguistas e está tudo lá. Tudo o que deve ser feito, implementado, decidido, está lá. E nem sequer existem muitos caminhos contraditórios, a grande maioria acredita:

1. Prioridade Academia
2. Construção racional e programada de um Pavilhão para as AA´s
3. Saída de Costinha e Paulo Sérgio
4. Entrada de um grande treinador
5. Finalização do projecto de refinanciamento que JEB fomentou
6. Gestão coerente, justa e imparcial das relações com credores
7. Quebra da politica alinhada com FC Porto
8. Intervenção mais contestatária em assuntos como arbitragem, corrupção e FPF
9. Recuperação do relvado natural
10. Fim do Conselho Leonino (tal como é), não precisamos de Senados.
11. Independência em relação a empresários
12. Luta pela negociação colectiva dos direitos de transmissão televisiva
13. O fim do poder das Associações Federativas
14. O fim dos cargos remunerados principescamente (e sem retornos evidentes!!)
15. Aposta nos recursos humanos, principalmente técnicos e formadores de futebol
16. Uma nova atitude mais guerreira e menos conformista

Como é fácil de constatar, em apenas 1 minuto consegui lembrar-me de 16 tópicos que podem constar em qualquer programa racional de candidatura, imaginem o que se poderá fazer em alguns dias, reunindo gente com talento e apostada em mudar o clube?

O nome, o mediatismo, a “linhagem” e o status é o que menos interessa.

Até breve.

Cooptação não!

Este recurso previsto pelos regulamentos, permitiria a um actual membro do Conselho Directivo substituir JEB nas funções de Presidente sem haver recurso a eleições. A demissão de Bettencourt, quer se goste quer não, abre uma oportunidade de repensar o clube e o seu futuro. Optar pela cooptação é negar aos sócios este espaço, esta pacificação, é impedir que o ar se recicle.

Se Franco ocupou o lugar dessa forma, foi porque as circunstâncias eram bem diferentes na altura e os sócios viam nele um candidato diferente do seu antecessor, mais capaz e sobretudo com mais ideias para o clube. Agora não. Nobre Guedes é um bom “moço de secretária”, mas não é um presidente. Não é ele, nem nenhum. É preciso baralhar as cartas e voltar a dar, esta “mão” já está viciada.

Uma comissão de gestão, que governe o clube em 2 meses, até eleições seria sempre a melhor solução. O clube não pode esperar 90 dias, é urgente ter decisores nos lugares no máximo até Abril, para preparar convenientemente a próxima época. Em Maio e Junho já se decidem muitos negócios e se comprometem muitas oportunidades de chegar primeiro a boas aquisições, quer jogadores, quer treinadores.

A única cooptação que admito é a de Lima para substituir Paulo Sérgio, até que chegue um novo treinador, um dos bons e não as “promessas” compradas na “loja dos 300” em que se tornou o mercado português de técnicos, sem qualquer “garantia”, “apoio ao cliente” e “normas de segurança”. Não quero o treinador do Braga, do Guimarães, do Paços, da Académica, do Nacional, como nunca quis o treinador do Porto ou Benfica.

Até breve.

domingo, 16 de janeiro de 2011

Quanto custa rescindir com Paulo Sérgio?

No final do jogo com o Paços, retomei um velho pensamento, o que é que correu mal no jogo? Estes jogadores não são melhores do que os do Paços de Ferreira? Só o ordenado de Evaldo e Pereira, devem pagar todos os salários do Paços...então como ficamos na desculpa dos orçamentos? A resposta é sempre a mesma. Paulo Sérgio. É um bom homem, trabalha e gosta de fazer trabalhar, mas não chega. Falta a visão, a sagacidade para obter o extraordinário, mas misturar "ingredientes" e conseguir mais valias. Falta ser excelente.

Não tenho dúvidas que terá um valor aproximado de Bento e Carvalhal, mas esta medida de valor não serve para o Sporting. O presidente demite-se maioritariamente porque não consegui criar uma equipa de futebol que ganhe ou jogue bem. Isso quer dizer que os treinadores também não o conseguiram. Isso quer dizer que JEB também se demitiu da equipa de Paulo Sérgio. Os únicos troféus em disputa real, são a Taça da Liga, onde terá para vencer de derrotar Benfica e Porto (previsivelmente) e a Liga Europa, onde enfrenta o Glasgow e o Lille.

Para uma equipa que perde desta forma com o Paços de Ferreira, é quase o mesmo que dizer que a época 2010/11 fechou no último jogo. Espero que Paulo Sérgio tenha o bom sendo de entender que falhou tudo o que havia para falhar. Espero que se demita, facilitando a vida aos próximos responsáveis pelo clube. Ele não será o treinador de nenhum futuro presidente, então o que está à espera?

Já imaginaram a primeira pergunta que fará o sucessor de JEB? Isso mesmo: Quanto custa rescindir com Paulo Sérgio?


Até breve.

E agora?

Pronto. Foi-se JEB. Bateu com a porta. Sempre referi os muitos erros que cometeu, mas nunca me juntarei ao coro das "madres" que pediam a cabeça do presidente, achando que o treinador podia lá ficar. Pois bem o homem já vos fez o favor, agora apareçam para reclamar o poder...o que eu duvido. Penso que era desnecessária a demissão da cúpula, podendo ser corrigida a parte técnica e com mais certeza nos investimentos dar a volta por cima.

Depois de mais uma noite de insultos, que para mim deveriam ser colocados aos jogadores e treinador, Alvalade acorda hoje com um vazio no poder, que tenho quase a certeza será remendado com cuspo e não com cola. Bettencourt não foi um bom presidente? Na comunicação não, o estilo inglês não cola cá no burgo, insistiu na via "à Porto" o que também foi um erros e apostou mal na escolha dos 3 treinadores - isso foi realmente o seu fim. Nenhum presidente no futebol moderno resiste à saída de 3 técnicos em 1 ano e meio - porventura não é suposto, tal o sinal de fracasso desportivo.

Ontem pedi a demissão de Paulo Sérgio, que com todos estes desenvolvimentos, não soube entender que o seu lugar já não existe. Está de facto há 1 dia a mais no clube e deve cair-lhe a ficha nos próximos dias. Então ai talvez entenda que a única pessoa que existia para pedir que se demitisse, fê-lo antes dele próprio...não é preciso ser um génio, para entender qual o passo que já deveria ter dado.

Espero com curiosidade os tais "salvadores" que se prometem, espero-os sentado, porque sei que é mais fácil pedir cabeças do que colocar a nossa, é mais fácil invejar do que construir. Agora veremos que tipo de visionários, grandes líderes, homens do leme, aparecem nesta hora de dificuldade..."The King is Dead...Where´s the new King?"

Até breve.

sábado, 15 de janeiro de 2011

Uma derrota ou um ponto final?

O árbitro até foi amigo do Paços, mas qualquer Sportinguista com olhos na cara deve ter visto que o Sporting não foi em nada superior ao Paços, que jogou olhos nos olhos, sem medo. O resultado mais justo porventura seria o empate, mas até isso é lisonjeiro para a qualidade de Paulo Sérgio, que mais uma vez se fartou de inventar, que mais uma vez levou um "banho" táctico do seu camarada Rui Vitória. 2 jogos com o Paços, duas derrotas. Ponto final da Liga e acabou-se. A partir de agora é manter o 3º lugar. Há muitos jogos, mas esta equipa não dá para mais.

Valdes fez um jogão até PS o mandar de castigo recuar no terreno para entrar um Saleiro que não fez nada, absolutamente nada. Derrota estrondosa. Nada a dizer a não ser...adeus Paulo Sérgio, foram os três piores - o árbitro, o treinador do Sporting e Carriço (tantos erros...). Como é possível o Paços chegar a Alvalade e mandar em grande períodos no jogo, estar muito melhor fisicamente, animicamente, sei lá...Respondam-me sem as tangas da eficácia, do poste, do árbitro, do jogar o que o jogo dá. Penso que cheguei ao meu limite, a equipa também, mas eu tenho alternativa, a equipa terá de continuar a jogar sob o mando de um, evidente, treinador que está a mais...

Façam-me um favor, que se estende a todos os que gostam do clube: não contratem ninguém para esta época. Não vale a pena. Arrumemos a casa, reforçar este plantel com este treinador é o mesmo que investir na divida publica da Grécia...pena que não haja um FMI que ponha ordem na nossa casa.

PS - Paulo Sérgio por favor deixa o clube! Por favor!

Até breve.

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

Uma nova atitude

Ao ver o derby de Madrid de ontem, não pude deixar de reparar num grande detalhe que decerto chamou a atenção de mais espectadores. Era um derby, e a condição essencial para que seja assim denominado é que exista uma rivalidade histórica entre os 2 clubes e, aqui reside a razão deste post, que essa rivalidade revele equilíbrio entre as equipas. O jogo de ontem entre Real e Atlético de Madrid foi tudo menos equilibrado. Existem muitas razões para que o não tenha sido. O Real tem melhores jogadores, tem melhor treinador, tem muito mais dinheiro e teve muito mais ambição de ganhar que o seu adversário.

O Atlético de Madrid teve um comportamento de equipa pequena. A táctica de Quique, que no ano passado rendeu com doses fabulosas de sorte uma Liga Europa, este ano não consegue fazer descolar o clube da mediocridade, léguas de distância do futebol que este clube costuma apresentar e a léguas de distância dos lugares que costuma ocupar em La Liga. De facto, Forlan e Aguero já não conseguem sozinhos disfarçar os desequilíbrios defensivos de uma equipa que insiste num Perea muito frágil e num meio campo tão mediano (à escala do futebol espanhol) do qual só escapa a intrépida vontade de ganhar de Reyes.

Marcando bem Reyes, e vigiando de perto os avançados, o Atlético não tem mais armas. Quique também não as sabe criar. Tal como qualquer clube pequeno rumou ao Barnabéu para defender e esperar um golpe de sorte, esperar uma noite pouco inspirada do adversário. Não foi um derby. Por culpa de Quique, por culpa da assunção de menoridade frente ao adversário. Isto terá alguma coisa relacionada com o Sporting? A resposta é: tem tudo.

O nosso clube tem hoje ainda alguma capacidade de resistência a todas as manobras, maioritariamente jornalísticas, que adorando vender a “crise” leonina, vão minando palmo a palmo o prestígio e a grandeza do clube. Isto só é possível porque não havendo conquistas, os adeptos estão claramente susceptíveis a alarmes, “fundos de poço”, mensagens apocalípticas. Não penso que o clube esteja realmente bem de saúde, especialmente financeira, onde temos um fosso muito grande que nos distancia de maiores orçamentos dos nossos eternos rivais. Mas ainda não temos a diferença que separou os rivais de Madrid.

Digo ainda, porque não quero caminhemos nesse sentido. Podemos e está ao alcance de um bom corpo de dirigentes e técnicos, reformular a atitude do clube. Até agora temos sido os coitadinhos que não tendo dinheiro, fazem omeletas pequeninas com ovos de pintainho. A primeira pedra da mudança que precisamos é precisamente a mudança de mentalidade e discurso. Aqui há dias, li (penso que  no Cacifo do Paulinho) um texto sobre a sapateirização do Sporting. Aplaudo a clarividência da opinião e reforço que para começar a mudar qualquer coisa é preciso deixar de fazer como era feito e não apenas publicitar mais os processos antigos. Como que se falar mais alto fosse resolver os problemas de audição dos adeptos.

Os adeptos não ouvem, não seguem, não apoiam, não compram, porque sabem que estarão a aderir a um processo moribundo, que é estéril e inevitavelmente os deixará órfãos daquilo que lhes prometeram. “Venham ver os jogos!” Para quê? O espectáculo é mau. A equipa tem mais probabilidades de perder. O treinador é desmotivante. Os jogadores não têm talento. Os bilhetes são caros. O estádio é mau e feio. O “Só eu sei porque não fico em casa”…nunca foi tão verdadeiro…de facto é um mistério o porquê de cada cadeira de Alvalade estar ocupada durante os jogos.

Mudar significa dar aos adeptos o que eles merecem, aquilo que é o clube. Uma boa equipa (não significa cara) um bom treinador (gaste-se aqui muito mais do que tem vindo a ser politica do clube) menos marketing (parem de encarar os sportinguistas como apenas consumidores) e mais atenção ao adepto – uma boa politica de preços de bilhetes, as horas e os dias dos jogos, justiça entre sócios e aderentes às Gamebox, condições especiais para os núcleos…há tanto trabalho a fazer.

Mudar significa parar de dar desculpas perante os resultados, ou a embelezar exibições e resultados, parar de medir os orçamentos e olhar para como podemos maximizar o nosso património, a nossa equipa, o nosso prestígio e criar uma nova atitude: vários clubes lutam contra o establishment não tendo as verbas, a dimensão e o status dos seus rivais, mas isso foi sempre um motor para a luta, para o brio, para o orgulho. Nenhum clube é igual a outro e muitas das vezes o que os separa é a convicção e a predisposição para a luta.

No Sporting vejo muita predisposição para a desculpa perante os resultados menos bons, vejo muitas pancadinhas nas próprias costas, muitos bodes expiatórios que impedem que Bettencourt, Paulo Sérgio, Costinha e muitos jogadores assumam o fracasso, mas não para depois baixar os braços, mas sim para entenderem que o estado actual daquilo dizem e pensam está errado. O Sporting não tem tão bons jogadores, tanto dinheiro, não tem tão boa imprensa, mas tem de ganhar, a derrota não é uma opção, não é uma circunstância, é uma derrota. Quem perde, perde e não ganha, não há vitórias morais, não há bolas no poste, não há árbitros nem relvados, há perder e ganhar.

Quem na direcção não for capaz de entender que deve o mesmo aos adeptos do que os dirigentes de Benfica e Porto, não está a fazer nada no clube e deve voltar para os terceiros bancos do país, para as terceiras consultoras, para os terceiros hospitais e empresas privadas. Terceiro não é opção. Esta é a nova atitude.

Até breve.

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

Ninguém vai acreditar nesta...















Há qualquer coisa de surreal na chegada do tal paraguaio Morales ao Sporting. É tão surreal que tenho que escrever por partes:

1/

Morales de 17 anos, joga no Victoria 2001, um clube de Ypacaraí, clube filiado na Federação de Futebol do Undécimo do Departamento Central das Ligas Regionais Paraguaias e que disputa a Liga Itaugüeña de Futebol

2/

Foi descoberto por Jorge Gomes, supostamente um olheiro mandatado pelo Benfica.

3/

Este olheiro ter-se-ia deslocado a Ypacaraí à procura (agora vamos rir um pouco) de lateral de “classe A”…

4/

As noticias não dizem mas, apostamos que não terá encontrado…

5/

Mas o tal de Jorge Gomes não deu o tempo por perdido…e uma vez que a viagem era longa desde Assunção até às montanhas, observou Morales (portanto ia à procura de um lateral…mas descobriu um ponta de lança….bonito…)

6/

Arnaldo Ferreira, o treinador do VIctoria 2001, conta a vários jornais que, e passo a citar “…mas como já tinham (o Benfica) cheio o quadro de avançados….ele falou com o Sporting.” (curioso como este olheiro pago pelo Benfica acaba a fazer prospecção para o Sporting…)

7/

O surrealismo não pára, continua o treinador “…creio que ficará (em Lisboa) porque tem nível, boa altura e…golos…” (saliente-se que Morales tem a altura magnifica de 1,80m! Pode ser alto nas montanhas do Paraguai, mas na Europa…)

8/

Acabemos esta autentica maravilha de curiosidades, com um último facto hilariante: o Victoria 2001 treina, atenção…treina…não joga….com o equipamento do Benfica. Não é parecido, nem semelhante…é mesmo a camisola do Benfica, com águia e patrocínio da TMN…mas só para os treinos.

Este miúdo Morales ainda não chegou e já tem uma história mais rocambolesca que o Eusébio. Pena que não tenha o mesmo talento.

Para quem duvida, siga o link:

http://www.abc.com.py/nota/paraguayo-que-ira-al-sporting-causa-polemica-en-portugal/

PS: Morales é natural da Serra de Ybytypanema. Nunca tinha visto 3 “Y” numa só palavra…

Até breve.

Miras baixas

A julgar pelos rumores de possíveis contratações, o Sporting está a baixar cada vez mais a fasquia. Paulo Sérgio, um dos produtos das escolas de formação leoninas é um bom jogador, como o era Nuno Assis, Patacas, Nuno Valente, Diogo Luis, e tantos outros. Mas o problema é quando olhamos para jogadores medianamente bons e pensamos que só por vestir a camisola às listas se tornará extraordinariamente bom. Não será o caso, pelo menos enquanto tivermos um treinador com a capacidade moral e psicológica de Paulo Sérgio.

Se tivéssemos Mourinho no nosso banco, talvez ele fizesse do jogador Paulo Sérgio um ala de aproveitamento singular, colocando-o a jogar a 120% das suas capacidades. Mas no panorama actual do clube, nem é expectável que passe os 80%. Portanto o jogador é o que é, bom na perspectiva Olhanense, mas aquém do que necessitamos no Sporting. Não me entendam mal, acho que seria uma boa opção para suplente, mas nunca para titular, não penso que seja rival,  por exemplo de Vuk ou Izma, e entre ele e Salomão prefiro um talento que pode evoluir do que um talento que só poderá desvalorizar.

Existe a confirmação de que um Paraguaio Morales de 17 anos, vai estagiar com a equipa do Sporting. Pergunto-me se estaremos perante um talento singular, um futuro Dzeko ou mais um daqueles barretes de nome Ramirez ou Paez, jovens que nunca deveriam ter ocupado um lugar de outros jogadores de muito talento que temos na Academia. Não sou xenófobo, mas sou patriota e gostava de ver, nem que fosse apenas um ponta de lança português a sair das nossas escolas…vá lá…em cada 5 anos.

Que me lembre o último foi Saleiro e era de todo conveniente começar a formar jogadores para uma posição que é só a mais difícil de contratar. Sempre é preferível falhar na chamada de um jogador formado na Academia do que continuamente gastar milhões em avançados que não marcam. Para isso servem as “canteras”. Para evitar de contratar tudo o que mexe e apenas ir ao mercado para assegurar valores inquestionáveis e bastante acima da média. Ou estarei enganado?

Até breve.

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

Jardel um trauma benfiquista

Chateia-me bastante que um jogador com o potencial de Jardel vá parar no Benfica. Mas fico mais contente quando isso quiser dizer David Luiz irá sair. Quando se tem Luisão, David Luiz, Sidney, Fábio Faria e o jovem talentoso Roderick Miranda para centrais, ir buscar Jardel ao Olhanense só faz sentido se um destes sair e como não será exactamente um jogador barato…tirem as vossas conclusões.

Aos que como eu viam com bons olhos a entrada do brasileiro no nosso plantel (sempre numa ocasião de colmatar a saída de Polga ou Torsiglieri) não sendo uma boa notícia é pelo menos a certeza que o nosso rival ficará um pouco mais fraco. Sem David Luiz ou Luisão, a defesa do Benfica não é a mesma coisa e pensar que um praticamente desconhecido brasileiro está ao mesmo nível que os seus internacionais congéneres é chamar burros aos clubes interessados na suas aquisições.

Seja qual for o caso, parece-me que LFV e Rui Costa estão claramente a “chegar-se à frente” de um possível negócio de Porto e Sporting (os azuis têm Maicon e Sereno com performances fracas e os leões podiam ver em Jardel uma boa alternativa à saída de Polga ou ao empréstimo de Torsiglieri). Com bons centrais já no plantel…não se compreende. Se há coisa que me orgulho no Sporting é a de que se Roderick estivesse no nosso plantel, nunca iríamos contratar um jogador como Jardel.

Mas já se sabe que no Benfas, é preciso falar brasileiro ou espanhol para se entender com Jesus. É que falar português...com o Jorge….
Patético.

Até breve.

O menor dos males

Numa altura em que 2 dos 4 avançados estão lesionados, numa altura em que é por demais evidente que falta um avançado, depois de um defeso a clamar por pinheiros...vamos buscar médios? Para quê? Qual é o médio centro que em poucos dias vai "roubar" o lugar a André Santos, Maniche, Zapater e Pedro Mendes? Qual é o extremo que vai encostar Vukcevic, Salomão, Valdés e no futuro talvez Izmailov, no banco?

A não ser que estejamos a falar de um nível de jogadores muito acima dos falados Chico e Bruno Gama (aquisições low cost) não valerá muito a pena ir comprar só por ir, sem qualquer impacto desportivo. Valerá sim a pena contratar, ou garantir o empréstimo de um avançado minimamente decente. É que estando a época já comprometida, o Sporting deve pelo menos garantir resultados mínimos (ganhar taça da liga, ir o mais longe possível na liga europa, disputar o 2º lugar com o Benfica) e para que isso aconteça convém não desinvestir na equipa.

Muito do que será a próxima época é jogado nesta. Mesmo com incompetência gritante deve ser exigido o melhor possível, nunca baixando os braços e aceitando por exemplo "o que o jogo dá".

Até breve

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

Margem mínima para o sucesso

Numa época em que se inverteu a politica de gestão do plantel do futebol profissional, abandonando o modelo “Ajax” e preferindo uma estrutura mais do género de Juventus ou Manchester United, ou seja, deixámos um modelo em que 80% do plantel era composto por jogadores da Academia para reduzir essa margem para uns bons 40% corremos o risco de deixar como grande legado de 2010/11 a confirmação de valores como Salomão, Carriço, Patrício, André Santos e até Djaló.

É curioso, e ao mesmo tempo trágico que o esforço por dotar o plantel de jogadores mais experientes, acabasse por relevar que o produto da Academia era, sem dúvida, desportivamente mais bem sucedido. Hildebrand perde Patrício, Torsiglieri perdem claramente para Patrício, Zapater e até Maniche perdem para André Santos. Ok, Valdes não perde nem para Djaló, nem para Salomão. O chileno é talvez a aquisição mais conseguida, dando algo ao clube que não temos desde o “desaparecimento” de Izma.

Mas esta excepção confirma a regra. Confirma o insucesso da política de contratações, o insucesso repetido de comprar fora de Portugal (Pereira, Evaldo e Maniche são ou foram cá da casa) e o falhanço rotundo de mais 60% dos jogadores que entraram no plantel. Não sei como se fazem estes negócios, quem os recomenda, ou que salvaguardas tem o clube nos seus contratos. Mas é ridículo que assistamos a jogadores que querem sair pouco tempo depois de entrar (Stojkovic, Fernandez, Izmailov, Derlei, Pongolle, etc). Quanto dinheiro já perdemos?

Pede-se, é evidente, maior acerto na prospecção, mais certidão no gasto de verbas de contratações. Tenho como absolutamente certo, que a distância que criámos para Porto e Benfica advém de compras erradas de muitos jogadores e a venda demasiado barata de outros tantos. O sucesso no futebol deste século é um jogo de acertos, um puzzle que se completa com bons jogadores a entrar por menos e vendidos por mais. Vemos hoje que até Real Madrid e Barcelona terão de medir bem os seus investimentos, o dinheiro é menos e os jogadores ganham cada vez mais.

As fontes de receitas são principalmente: receitas de TV, merchandising e prémios desportivos, sobretudo na Champions. Um clube como o Sporting que tem as receitas de TV hipotecadas a cada 4 anos, uma massa adepta distante e não entra na Champions está de facto, em recessão. Como é lógico a recessão implica a diminuição de custos e isso é algo que não pode estar nos planos de alguém que se queira aproximar dos seus rivais, quando estes têm orçamentos superiores mais do que o dobro.

É uma operação delicada que implica absoluta precisão no gasto de cada milhão de euros. Disso dependerá a nossa aproximação de títulos, de chamar os adeptos, de entrar na Champions com bons resultados. De sobreviver como candidato ao título. Por tudo isto e o muito mais que se joga em cada principio de época se pede a JEB e restantes responsáveis que escolham bem, mas mesmo muito bem, os próximos investimentos do clube. Poderá não haver mais oportunidades para fazer regressar o Sporting ao estatuto que sempre teve.

Como sempre penso que na figura do treinador se apresenta uma boa parte das hipóteses de sucesso de cada contratação e Paulo Sérgio, neste caso, é mais problema que solução. Nem me vou alongar nesta explicação. Basta ler post anteriores neste blog. Está tudo lá.

Até breve.