quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

O presente esquecido

Paulo Sérgio e pelos vistos Costinha partilham da ideia que no Sporting as pessoas esqueceram-se do presente e já só pensam no futuro. Esta percepção é superficialmente verdadeira, mas completamente errada na base do pensamento. Quando um grupo de pessoas expressa grande preocupação com acontecimentos que se irão desenrolar num futuro próximo não quer necessariamente dizer que estão a ignorar o presente, é muito mais a análise profunda do mesmo presente que os coloca atentamente debruçados no que aí vem.

Num sentido mais concreto, é a prestação da equipa no presente e a sua limitação óbvia que preocupa os sócios. Se o Sporting estivesse envolvido na luta pelo título e a conseguir bons resultados e boas exibições, ninguém se tinha demitido, treinador e jogadores estariam bem mais seguros e director desportivo estaria a colher os frutos de um planeamento correcto. Nada mais distante da verdade. Não estou a falar de uma verdade subjectiva, falo de números, que exibem uma prestação competitiva em tudo semelhante à época anterior, o que é mau, o que é impossível de entender com normalidade.

Para o ex-treinador de Paços de Ferreira e Guimarães, a equipa merece mais apoio e estímulo, mais atenção para o momento actual. Diz o próprio que “ainda há muito por ganhar” e nós os adeptos esquecemo-nos disso. Será mesmo Paulo Sérgio? Não será antes que após a “promessa” de que se estaria a construir uma equipa mais forte e mais talentosa, caiu tudo por terra sucessivamente com maus resultados inexplicáveis? No passado hiato em que o clube não ganhava, havia pelo menos a qualidade de jogo, um futebol atractivo. Hoje os sócios não têm nem bons espectáculos, nem resultados e é um traço do nosso ADN como sportinguistas gostar de ver a nossa equipa jogar bom futebol.

Se PS tivesse aprendido a conhecer o clube que treina, saberia olhar para o exemplo de Peseiro, que inexplicavelmente deixou saudades apesar de ter sido provavelmente o técnico mais inglório na história do clube. Porquê? Porque a equipa jogava bom futebol. Outros existem com esse “triunfo” como Robson, Allison, Manuel José, claramente mais “amados” até que Boloni e Inácio que até foram campeões, mas que a equipa era por uma razão ou por outra, mais “realista” ou “resultadista”.

É esta impossibilidade de voltar às tardes de dribles e combinações colectivas, às noites de ir ao estádio com a fé de que a equipa não desiludiria que escapa no presente a qualquer adepto leonino. Uma vez que o presente promete tudo menos isso e uma vez que o próprio PS nega a hipótese de passar o testemunho nos próximos tempos, não existe outro remédio, o foco dirige-se para um outro tempo. Um tempo onde ele e Costinha já não estão no clube. É que PS ainda não se mentalizou, mas neste momento ele já faz parte do passado e só ainda se senta no banco por condicionalismos eleitorais.

Acredito que qualquer que seja o presidente eleito terá como primeira decisão escolher um novo treinador (até posso conceber a ideia de Costinha permanecer, desde que com poderes muito reduzidos) e mesmo que PS permaneça até ao fim da época, será impossível que faça sequer um treino depois do último jogo da Liga. Existem poucos assuntos da vida do Sporting em que todos estejam de acordo, mas um deles é que PS não tem a capacidade que o clube precisa para construir uma equipa que lute por títulos.
Esta unanimidade foi crescendo, englobando neste momento até a figuras mais conservadoras. Fim da linha. Prematuro, mas real. Dirá PS que não tem as mesmas armas que Porto e Benfica, mas dirão todos os outros que não foram os nossos eternos rivais que nos colocaram a 16 pontos do líder, a jogar mal e a sobreviver do talento individual de cada jogador. Dirá PS que precisará de tempo e mais dinheiro para melhorar, dirão todos os outros que se não fez melhor com o que tem, dificilmente nos surpreenderá no futuro.

Por tudo isto penso que PS e Costinha estão teimosamente a resistir ao tempo, a teimar numa posição que já não têm, podiam ao menos fazê-lo silenciosamente, mas ao expor os seus contraditórios argumentos publicamente não deixam outra margem que seja responder-lhes, apontando a insensatez do que pedem aos adeptos. É o presente que nos preocupa PS! E muito!

Até breve.

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Sorte?

A diferença entre ganhar, empatar ou perder é para o Sporting de Paulo Sérgio uma questão de marcar primeiro. Frente ao Marítimo ninguém pode dizer que a equipa não esteve bem, mas também não pode deixar de reflectir na fantástica exibição de Patrício e se num candidato ao título é suposto o guarda-redes ter tanto trabalho.

Dirão uns que a equipa esteve concentrada e fez o que lhe competia, dirão outros que tivemos mais sorte que arte para sair dos Barreiros com um resultado de 3-0. O que eu penso que todos dirão é que o Sporting nas primeiras três reais oportunidades, concretizou todas e o Marítimo durante todo o jogo falhou tantas ocasiões como os leões.

De qualquer forma foi uma vitória merecida, sobretudo pela acção de vários jogadores que individualmente estiveram muito bem. Patrício, Carriço, Polga, André Santos, Zapater e Liedson, cada um por si e muito pouco em conjunto levaram a que o Sporting voltasse da Madeira mais feliz do que quando aterrou. A defesa não esteve especialmente bem coordenada, deixando os madeirenses muito soltos para levar a bola à área, o meio campo não especialmente pressionante ou criativo e o ataque não desenhou assim tantos envolvimentos à defesa insular.

Mas se equipa como conjunto não foi particularmente brilhante, o que é o traço mais preocupante da gestão de Paulo Sérgio, Zapater, Liedson e Patrício foram os ases de trunfo que marcaram o jogo. Patrício defendeu tudo e bem, Zapater foi sublime na concretização e Liedson incansável em todo o tempo de jogo.

Há muitas épocas que um jogador leonino não dava um safanão tão grande nas suas perspectivas de permanecer no banco durante toda uma época. Só por isso não podemos deixar de pensar (disse-o aqui tantas e tantas vezes) se Zapater não estará há meses para fazer o que fez agora. Os próximos jogos ditarão o maior paradoxo que se pode colocar a um treinador: jogando bem Zapater ridiculariza a capacidade de avaliação de Paulo Sérgio.

É que o espanhol nestes últimos dois jogos foi uma espécie de Gerard do Liverpool e é impossível não reparar num jogador destes, ainda por cima num plantel como o do Sporting. Maniche e Pedro Mendes são bons jogadores, mas também não têm feito jogos com tanto destaque. Querendo adaptar o modelo de jogo à forma dos jogadores (o que é uma gestão hesitante e pouco corajosa de Paulo Sérgio) voltamos pois à táctica dos 3 médios centro, o que nos jogos em teremos de atacar mais não é de todo eficaz.

Se PS ainda quiser provar qualquer coisa passará a deixar cair ou André Santos ou Pedro Mendes, o que não sendo muito justo (sabemos do talento emergente de Santos e da preponderância de Mendes na estabilidade defensiva) é uma prova de que existe no actual plantel do Sporting uma posição dupla que tem muito talento para ser ocupada. Tivéssemos a mesma riqueza de opções nas outras posições e estaríamos a falar de um Sporting muito diferente.

Para já recomendo a Zapater que faça um workshop com Saleiro, Djaló e Postiga, e diga a estes o que é que anda a tomar, para fazer 4 golos em 100 minutos. Numa época em que pouco é surpreendentemente bom, Valdes e Zapater são para já uma verdadeira pedrada no charco. Para já.

Até breve.

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

O Sonho (Sul) Americano

Porto e Benfica não param de ganhar. Com mais ou menos sorte, mais penalty menos penalty, a verdade é que, embora distante, só o Benfica parece capaz de poder ameaçar o título do Porto e da mesma forma impedir que o projecto multimilionário da Luz se quede já no primeiro ano por um total insucesso. O Porto investiu forte esta época, James, Moutinho, Walter, Souza, Otamendi, mas até se pode dizer que o fez, não porque o onze da última época era fraco, mas porque as segundas escolhas deixavam muito a desejar.

Resultado, apenas Moutinho é titular. Todos os outros andam à espreita por um lugar, não se vendo qualquer pressa de Villas Boas em permiti-lo apenas porque custaram caro aos cofres do Dragão. Já o Benfica, gastou este mundo e o outro (Roberto, Fábio Faria, Jara, Gaitan, Fernandez, Rodrigo e o empréstimo a pagar de Salvio) e apesar de um começo catastrófico (Jesus esteve provavelmente a uma derrota de ser despedido) a equipa começou a erguer-se o que mantendo alguns equívocos (Roberto) em campo foi conseguido através da subida de forma de alguns atletas (Saviola, Aimar e Salvio).

Mas este post não serve para fazer o retrato da concorrência. Serve para falar da competitividade dos jogadores portugueses. Nomeadamente face a Argentinos, Uruguaios e Brasileiros. Reparem nas nacionalidades maioritárias de cada um dos 3 grandes:

Benfica – 32% Brasil / 28,5% Portugal / 21,5% Argentina
Porto – 29,2% Portugal / 25% Brasil / 12,5% Argentina / 12,5% Uruguai
Sporting – 59,5% Portugal / 7,5% Brasil / 7,5% Chile

Agora reparemos no onze habitual (mais recente) de cada um:

Roberto, Maxi, Coentrão, Luiz, Luisão, Garcia, Gaitan, Saviola, Cardoso, Salvio, Aimar
(1 português, 2 espanhóis, 1 Paraguaio, 1 Uruguaio, 2 Brasileiros, 4 Argentinos)

Helton, Pereyra, Fucile, Rolando, Maicon, Fernando, Moutinho, Belluschi, Falcão, Varela, Hulk
(3 portugueses, 4 Brasileiros, 2 Uruguaios, 1 Colombiano, 1 Argentino)

Patrício, Pereira, Evaldo, Polga, Carriço, Mendes, Santos, Valdes, Vukcevic, Liedson, Salomão
(6 Portugueses, 3 Brasileiros, 1 Chileno, 1 Montenegrino)

Ninguém pode deixar de pensar que existe aqui um sinal claro para análise dos Sportinguistas. Num futuro próximo (5 ou 6 anos talvez) o retrato de um candidato ao título será muito mais aquilo que o Sporting apresenta. Mas isso será daqui a muitas épocas. Entretanto qual será a estratégia a escolher? Comprar Argentinos e Brasileiros como os nossos rivais? Optar pela valorização do atleta português? Que custos terá cada uma das opções?

O Fair Play financeiro da UEFA, passa pelo fim do endividamento louco dos clubes e uma ou outra regra de inscrição nas competições europeias, com a subida dos números obrigatórios de inscrição de atletas formados no país e no clube. Isto pode realmente mudar os pesos das balanças de transferências, passando o atleta do país de origem do clube a valer muito mais, passando os atletas formados nos clubes a valer ouro puro. Para clubes como o Sporting isso pode significar o início de uma nova era. Pode, mas não é certo que o venha ser. Para que tudo isto aconteça, tem de acontecer algo extraordinário: A UEFA ir contra os interesses de clubes como o Chelsea, Inter, Bayern, Marselha, que não têm histórico de formação. A UEFA ir contra todos os clubes sul-americanos (que vendem camiões de jogadores todos os anos). A UEFA ir contra todos os empresários e empresas de gestão de carreira desportiva (que veriam os números de transferências baixar drasticamente). É muito. E a UEFA não propriamente conhecida por desafiar todo este “establishment”.

Existe uma esperança. Que clubes como o Sporting, FC Porto, Barcelona, Real Madrid, Man Utd, Arsenal, Liverpool, Ajax, Feyenoord, Milan, Juventus, que realmente formam atletas, promovam esta mudança. Será difícil, mas não é impossível. Para que isso aconteça, o Sporting não deve mudar a sua estratégia de aposta na Academia, ao invés deve investir ainda mais nela. O clube com a única escola de formação certificada, não deve destruir essa referência, pois é um dos maiores símbolos da formação mundial. Mas o que fazer para ser mais competitivo face a Porto e Benfica?

Na minha opinião, o Sporting deve:
1.Ser mais cuidadoso na gestão do produto da Academia. Empréstimos, renovações de contrato, técnicos da formação, formação de Equipa B ou clube satélite em Lisboa.
2.Criar internamente uma regra de cotas de jogadores no plantel sénior. O plantel sénior teria de ter sempre um número mínimo de jogadores formados no clube.
3.Passar a contratar jogadores no estrangeiro, apenas quando se assegurar que são realmente grandes apostas. Jogadores como Pongolle, não podem vir para o Sporting. Caros, sem motivação, com a carreira estagnada.
4.Ser mais atento ao mercado interno. O mercado nacional está muito mal explorado, com péssimas relações institucionais com a maioria dos clubes da primeira liga. Fábio Coentrão e Fábio Faria do Rio Ave, Fernando e Assunção do Nacional, são só alguns exemplos de jogadores que estiveram “quase”, mas faltou agilidade diplomática
5.Ter uma relação mais transparente com empresários. Criou-se o mito que Mendes tem um peso na gestão do clube desproporcionado. Alguém tem de definir regras institucionais com os representantes dos jogadores. Assente no mérito, na melhor oferta, no melhor timing e não no historial e influência de cada agente.
6.Fazer de Eric Dier um símbolo. Garantindo uma via aberta para que outros jogadores vindos de todo o mundo queiram vir, por vontade individual, para Academia.
7.Prosseguir na diáspora das Academias. Os benefícios podem demorar muitos anos a chegar à equipa principal, mas ninguém duvida da rentabilidade de ter uma marca de formação internacional e a probabilidade muito grande dos próximos Ronaldos se encontrarem na China, ou na África do Sul.
8.Elevar os jogadores da formação a símbolos do clube. Como já faz Barcelona e Man Utd. A manutenção de atletas de grande potencial no Sporting também se faz pela primazia nos contratos publicitários, no espaço nos media, na escolha de capitães e sub-capitães. Moutinho foi muito mais um conflito mal resolvido do que uma aposta errada na pessoa/ jogador símbolo da formação.
9.Formar e aproximar ex-jogadores como referências internas. É essencial que um jogador com uma carreira no Sporting exemplar se mantenha no clube como transmissor da identidade do mesmo. Oceano, Carlos Xavier, Manuel Fernandes, Jordão, Venâncio, Yordanov, Ivkovic, quem sabe no futuro Liedson ou Tiago poderão fazer um caminho e um trabalho no clube de que este muito precisa. Os escritórios frios e minimalistas da SAD não respiram a clube e muito menos a futebol.
10.Implementar um modelo de jogo base único. Não é possível ter todos os escalões de formação a jogar em 4-3-3 e a equipa principal em 4-2-3-1. Apenas os guarda-redes, os médios centro e os centrais se conseguem adaptar, para os outros é toda uma aprendizagem que têm de fazer num mês, quando passaram 10 anos a jogar num sistema de apoios e posições diferentes.

Se todas estas medidas fossem adoptadas, talvez, deixo margem de erro, não tivéssemos de ir atrás dos carregamentos de Sul Americanos, que invariavelmente custam mais aos cofres do clube que duas ou três épocas dos escalões de formação juntas. Não tenho nenhum problema com contratações nesses países (Valdes, Fernandez e Liedson são do melhor que o nosso plantel tem), mas também sei que para um clube com o ADN e a tesouraria do Sporting fazer uma “argentinização” ou “chilenização” da equipa pode não ser o caminho mais visionário e inteligente a fazer.

Até breve.

domingo, 23 de janeiro de 2011

Nestes Domingos...

Quando a nação leonina pede por um próximo treinador de créditos firmados, vencedor de qualquer coisa, habituado a construir equipas vencedoras...o que é nos aparece (off the record) como um possível treinador de um dos candidatos? Domingos Paciência. Todos sabemos que é um Portista de berço, portista de carreira e mais um do tubo de ensaio de Pinto da Costa...no Braga fez uma temporada histórica no ano passado. É suficiente para chegar a um clube como o Sporting? Claro que sim. Será o perfil que todos os sportinguistas desejam? Claro que não.

Depois de Paulo Bento, Carvalhal e Paulo Sérgio, eleger Domingos será continuar a optar pelo mesmo tipo de treinador. Jovem, ambicioso e sem currículo. Muitos poderão pensar que Villas Boas também não tem muita experiência. Pois não. Penso aliás que se VB estivesse no Sporting estaria a enfrentar muitos dos problemas que afectam PS. Talvez seja um pouco melhor tacticamente e mais articulado na gestão dos media, mas isso valeria no máximo mais uma ou duas vitórias. Não estaríamos de qualquer forma em igualdade com o Porto e Benfica. De qualquer forma o que resulta no Porto é muito diferente do que resulta nos dois candidatos de Lisboa e há muitos casos para provar esta teoria.

O que o Sporting precisa é de um treinador com épocas de bons desafios, clubes ou selecções onde tenha experimentado todo o tipo de obstáculos, todas as vicissitudes de um técnico de primeira e tenha vencido. Já agora que esteja rotulado com uma boa "escola" de jogo, que use do "bom futebol" para conquistar vitórias. As bancadas de Alvalade não precisam só de treinador que monte uma equipa sólida, mas também alguém que devolva os bons espectáculos aos sócios. Estes treinadores são caros, mas o clube precisa de ambição e de dar provas dela. Precisa de um líder que não ande 15 jogos a tactear um onze, precisa de um decisor que não ceda às colocações de "entulho" no nosso plantel, por parte de empresários cada vez mais poderosos e ávidos de lucro.

Este treinador dificilmente será Domingos. Teria sido uma melhor opção que Paulo Sérgio, no final da última  época, uma vez que acabou a mesma como um herói. Mas na temporada em curso o Braga já não é o mesmo e a dinâmica de vitórias consagrada a Domingos desvanece-se a cada jornada. Não será culpa sequer do treinador, que viu sair Eduardo, Kiecsek, Evaldo, João Pereira, Moisés, Luis Aguiar e Mateus, quase meia equipa. Mas também não lhe será alheio o fracasso de Keita, Elderson, Salino, Lucas, Felipe e Custódio, outra meia equipa (muito mais barata é certo). Hoje Domingos já não tem aura e António Salvador não deve estar para ser tão meigo com o treinador no final da temporada.

Só um acto louco por quem quer que seja no Sporting se comprometeria com a aquisição de Domingos ao Braga quando pode ser um cenário real a queda em desgraça do mesmo. Um erro muito idêntico do que Bettencourt cometeu ao pagar 600 mil euros por PS quando o Guimarães nem sequer contaria em manter o contrato. A repetição da mesma asneira seria catastrófica e é bom que qualquer candidato conheça pelo menos a história recente do clube.

Por todas estas razões penso que seja melhor opção procurar um pouco mais longe o futuro treinador do Sporting, mais longe e um pouco mais acima. Acima do treinador "pequena-proeza", acima da incógnita e mais perto da certeza. O próximo treinador convém estar no comando da equipa mais do que 6 meses, preferencialmente várias épocas. Convém que seja um nome que mereça respeito e admiração do público do futebol. Convém que a sua aquisição convença o mundo leonino que o próximo presidente quer de facto vencer e não apenas ficar em 2º ou 3º lugar.

Até breve.

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

Muito trabalho para fazer

Para os sucessores de Costinha e Paulo Sérgio, existe um trabalho ciclópico a fazer assim que assumam funções. Olhar para a equipa e decidir o que fazer com ela. Não há muitas certezas e uma época como esta está a abrir demasiadas fissuras na composição de um núcleo base de atletas. Se normalmente uma equipa deverá mudar 15 a 20 % o seu quadro, o Sporting tem tantos casos que talvez no final da época esta percentagem se aproxime mais do 35 ou 40%.  Vamos caso a caso.


Patrício
É um jogador em crescendo e a valorizar-se. Seria um erro vendê-lo neste momento. Para continuar.

Hildebrand
Para continuar se estiver disposto a lutar pelo lugar em vez de choramingar. Se nos entretantos cair uma boa proposta, que se venda. O fantasma de Ricardo como seu substituto só pode ser piada.

Tiago
Já teve as suas épocas, as suas oportunidades. Deveria dar lugar a um jovem da Academia, não Golas, esse deverá jogar para que “cresça”.

Cedric
Sendo um dos laterais direitos num plantel com 3, só deverá ficar se Abel sair. Precisa se jogar para se afirmar e um empréstimo deverá ser equacionado.

Abel
Não está a fazer uma má época, mas a renovação só pode ser entendida como boa, se “aligeirar” um pouco o seu salário. Será sempre uma alternativa a Pereira e os anos passam. Além disso existe um João Gonçaves, no Olhanense à espreita.

Pereira
É um bom lateral e a projecção que está a ter na Selecção deve ser bem entendida em Alvalade tentando fazer com que o jogador melhore no aspecto disciplinar. Para continuar.

Evaldo
Apesar de as suas prestações não serem unânimes, considero-o um valor seguro e com um treinador tacticamente menos caótico pode melhorar no seu posicionamento e gestão de esforço. Para continuar.

Grimi
A sair o quanto antes. Abre-se uma vaga para lateral esquerdo, não havendo nenhum lateral da Academia candidato e com um André Marques ainda a precisar de rodagem, era essencial adquirir um rival para Evaldo, nada de loucuras, um valor jovem.

Torsiglieri
Não está a “pegar” e como o investimento foi grande, talvez o empréstimo seja uma boa opção. Isto se o próximo treinador prescindir dele.

Polga
As noticias dão o brasileiro sempre com um pé fora, mas a verdade é que os anos passam e o central vai ficando. A idade já vai pesando, mas com uma nova dinâmica desportiva talvez seja um valor seguro a manter. Sub-Capitão.

Carriço
Valor a manter e a estimar. Capitão. Para continuar.

Coelho
Não cumpriu o que tanto prometia, mas não vamos “fechar” já a porta ao valor deste central. No caso de qualquer dos outros centrais saírem será sempre bom que fique. Se Polga e Torsiglieri ficarem deveria ser o “eleito” para ser negociado. Tem mercado e a sua venda abriria espaço para outro tipo de jogador, com mais capacidade para se afirmar ao lado de Carriço.

Pedro Mendes
Para mim só é pena as lesões repetidas deste grande jogador, tem tudo para ser um dos alicerces da equipa. Mas não jogando está a sair muito caro aos cofres do clube. Mediante apreciação clínica deverá ser entendido como um valor a negociar. Por muito que nos custe Pedro Mendes no “estaleiro” não nos serve muito de ajuda.

Maniche
Está a fazer mais do que muito imaginavam que faria e visto que renovou automaticamente, terá de ficar. Para mim será uma boa segunda opção. Tem evidenciado uma quebra física notória, será só o factor psicológico? Para continuar.

Zapater
Tal como Torsiglieri, não é jogador para mantermos no “escuro”, é caro, tem pelos vistos potencial e custou muito caro para ser suplente. Empréstimo ou venda recomendam-se, garantindo sempre que o clube sai ressarcido do investimento.

André Santos
É a revelação e deve ser dado mais espaço para se afirmar. Entendo que a compra de médios poderá “tapar” o crescimento deste bom jogador. Para continuar.

Fernandes
Com um treinador capaz será sempre mais provável que saia da “reclusão” em que se mantém. Valor indesmentível do plantel, o clube der tentar tudo para que consiga aproveitar o talento enorme deste atleta. A definir melhor a sua posição. Para continuar.

Vukcevic
De mal amado a herói, é a história cíclica do montenegrino. Precisa de ser “domado”, mas cada ano que passa parece mais próximo de uma maturidade que fará dele um astro, para já ainda não a tem. Mais uma vez um novo técnico pode saber tirar mais “nabos” deste talentoso púcaro de leste. Vende-lo por 7 ou 8 milhões só será bom se tivermos conseguirmos ir buscar um extremo de tanta ou maior qualidade.

Izmailov
Saiu Bettencourt, sairá Costinha e o trabalho de Couceiro de recuperar este jogador estará bem mais próximo de chegar a bom porto. Isto se o problema é realmente o entendimento com as “chefias” do clube, se o “mau comportamento” do Russo for causado por outras razões, teremos mais uns meses para aturar estas “birras” infernais.

Valdes
É a contratação mais acertada. As comparações com Pedro Barbosa são um elogio à sua capacidade técnica, mas o chileno tem mais. Bom a finalizar e mais capaz fisicamente que o português, este ex-Atalanta não será um organizador de jogo, mas à falta de puro “maestro” é a ele que deve ser dada a batuta. Para continuar.

Salomão
O miúdo tem um aproveitamento ao nível do que fez Simão na sua primeira época, mas tem uma humildade diferente. Pode ser um caso sério se lhe derem as oportunidades que tem vindo a merecer. Parece mais formatado para jogar na centro, do que nas faixas. Para continuar.

Saleiro
Nada mais existe a dizer. Deverá ser emprestado ou vendido.

Djaló
Tanto potencial…e tarda em pegar na equipa. As lesões são um verdadeiro stop na sua afirmação. Sempre achei que temos aqui um diamante, mas ainda ninguém descobriu como se lapida. Tendo mercado, porventura será bom vendê-lo, parece também ser essa a sua vontade.

Postiga
Fica ou não fica? Ninguém sabe. Já muitas vezes escrevi neste blog sobre a utilidade de ter um avançado da sua qualidade. Não será o substituto de Liedson no ataque aos golos, mas ainda assim é melhor do que as promessas todas que têm passado pelo clube. A jogar, e a marcar como nesta época só sairá mesmo por uma transferência recompensadora para o clube.

Liedson
Como se está a ver nestes últimos jogos o levezinho não se esqueceu como se marcam golos, mas já não será no futuro um avançado para marcar muitos golos por época. É um símbolo, mas não deve ter o lugar reservado por tal. Para continuar.

Dos 25 jogadores, apenas 10 são para mim valores seguros a manter no próximo plantel. Depois existem os negociáveis (Pedro Mendes, Postiga, Djaló, Izmailov, Vukcevic, Zapater, Coelho, Polga, Torsiglieri e Hildebrand) que se ficarem não serão nunca pesos mortos. Os emprestáveis (Saleiro e Cedric) e os dispensáveis (Grimi e Tiago). Sobra Abel que é um caso difícil. Não acredito que vendamos estes 10 jogadores negociáveis, mas será mais lógico que isso aconteça a 3 ou 4 jogadores, a minha opção seria sempre Djaló, Zapater, Torsiglieri e Hildebrand, precisamente os jogadores com menos aproveitamento e oportunidades nesta época.

Sendo assim abririam vagas para um avançado, um central, um médio centro e um guarda-redes. Nos 2 primeiros casos as apostas deveriam ser muito fortes, nos 2 últimos a entrada de valores da Academia ou algum dos atletas emprestados seria uma boa opção.

Sobram ainda desta análise os jogadores: Renato Neto, Nuno Reis, Wilson Eduardo, João Gonçalves, Pongolle e Stojkovic que por razões diferentes interessa considerar na construção do plantel 2011/12.

Como se vê, muito trabalho, muito mercado a explorar será preciso muita inteligência para rentabilizar vendas de jogadores de modo a fortalecer e melhorar a qualidade da equipa. Muito do futuro do próximo treinador dependerá disso.

Até breve.

Uma bolha no pântano

O futebol é um desporto fabuloso, onde tudo o que permanece igual durante meses pode mudar em minutos. Quem estava a ver o jogo de ontem frente ao Penafiel não pode ter deixado de ficar surpreendido com os dois golos de Zapater. E que golos. Foi um flash de heroísmo que só não assume maiores proporções porque foi frente a um adversário frágil, num momento do jogo em que já praticamente nada havia para discutir, Mesmo assim foi um final de jogo de “fúria” para o Espanhol.

Zapater já admitiu que não entrou com o pé direito e à semelhança de Valdes, deu o seu grito de revolta. É fácil de compreender que para este jogador, fazer uma boa partida frente ao Braga e depois ir para o banco para dar o lugar a Maniche e Pedro Mendes pode ter sido a ultima gota a transbordar um copo cheio de raiva e poucos minutos de jogo. Mas desta vez “ouviu-se” bem o recado de Zapater a Paulo Sérgio. Espero que tal como aconteceu com o chileno, Paulo Sérgio “acorde” e dê mais oportunidades a este médio que tal como Salomão e Vukcevic provou ter garra para mais do que 3 minutos de jogo.

Convém também que alguém diga a Paulo Sérgio (que até foi jogador de futebol) que para um jogador entrar aos 88 minutos de jogo, é o mesmo que chegar a um jantar de amigos na altura da sobremesa. Não entendo esta mania de PS de esperar até aos últimos dez minutos de jogo para fazer substituições. A equipa não beneficia da frescura de quem entra, e o impacto da substituição é mínimo. Demasiado tempo a treinar equipas pequenas, onde as substituições são guardadas religiosamente para fazer perder tempo no final do jogo?

Falando do jogo, foi uma vitória e para mim apenas isso. O adversário prometeu, mas durou só até aos golos do Sporting. Como sempre dependemos dos golos, e se neste momento Liedson se lesionar não temos avançados, o que revela um quadro mal preparado de avançados (Djaló não é um ponta de lança de área e Saleiro não está à altura de um candidato ao título – sobram Postiga que está lesionado e Liedson em fim de carreira, cada um tira as suas conclusões). Frente a um Penafiel atrevido mas frágil, o Sporting pode jogar, mas foram evidentes as facilidades, não colocando à prova nada do que têm sido as dificuldades da equipa.

Outro assunto que me continua a provocar uma raiva descomunal, são as declarações de Paulo Sérgio nos flash interviews. Todas as equipas que jogam contra o Sporting são óptimas equipas, muito difíceis, até um dos últimos classificados de uma divisão inferior. Mas que raio…parece que até o Penafiel é suposto vir a Alvalade discutir o resultado? Não senhor PS, não é. É suposto o Sporting golear. É suposto mostrar em campo o quão superior é a clubes de expressão inferior sejam eles Paços de Ferreira, Guimarães ou Penafiel.

Eu sei que é uma questão de discurso, mas é esta inabilidade para fazer análises na imprensa que me levanta grandes dúvidas quanto ao valor deste treinador. A equipa já não tem grandes resultados, joga mal e ainda por cima, o seu treinador desaproveita constantemente os seus tempos de antena com banalidades e frases feitas. Está 20 anos atrasado no discurso, a milhares de anos de luz dos “mind games” de Mourinho. Pergunto-me se PS saberá sequer que o que diz na imprensa tem reflexo na equipa, nos adeptos e nos rivais? Saberá que é uma ferramenta essencial de motivação e gestão de balneário? Defender sempre a equipa, tal como o inverso deixa de ter resultado ao fim de algum tempo. Chama-se a isso “repetição de mensagem” e os receptores vão ficando “imunes” ao conteúdo do discurso..

Enfim…é o que temos. E não melhora.

Até breve.

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

Se alguém souber as respostas...

O impasse que o clube vive é geral, o que agrava as dúvidas dos adeptos, eu tenho algumas que ainda não vi ninguém dar uma resposta, aqui vão elas. Se houver alguém que me possa ajudar a desvendar estes mistérios, ficarei eternamente agradecido.

- O fundo de jogadores rendeu o encaixe de dez milhões de euros. Diz-se que parte dessa verba será usada para reforçar a equipa. Mas quando, ou melhor, para quando? Em Janeiro? Para a próxima época? Com uma direcção, director desportivo e treinador a expirar de prazo…

- Bettencourt afirmou que era 95% seguro que na próxima época o Sporting iria instalar um relvado topo de gama artificial, mas vejo algumas notícias que assinalam para breve um novo sistema de tratamento do actual relvado. Em que é que ficamos?

- A revisão dos estatutos foi feita e a direcção de Bettencourt tem uma proposta finalizada à meses, o que estão desde essa altura à espera? Ouvi um comentador sportinguista dizer que JEB esperava uma melhor prestação da equipa de futebol para conseguir aprovar o documento? Mas o meu clube de repente chama-se Benfica, que eu saiba os sócios são pessoas inteligentes, capazes de distinguir uma bola de uma lei.

- Ao que parece temos quase 300 milhões de dívidas, mas também temos muito dinheiro a receber, muitas verbas perdidas em acordos de pagamento nunca respeitados, sei por fonte segura que muitas das vendas recentes de jogadores ainda estão por cobrar. Alguém sabe alguma coisa disto?

- Também consta de muito “nevoeiro” a verba e duração do contrato com a Olivedesportos dos direitos de transmissão televisiva. Alguém me consegue elucidar sobre o valor exacto deste acordo? Já vi desde 12M a 14.3 M, faz muita diferença…

- Eric Dier foi emprestado ao Everton, mas com cláusula de compra? Se sim porque valor? Houve algum comunicado à CMVM?

- Como é ficou o “romance” sobre o tal papel entre Sousa Cintra e Costinha? Ou foi um remake da rábula do Gato Fedorento “Qual Papel?”

- O Canal Sporting caiu por terra por não haver verba inicial para alavancar o projecto. Com a entrada de tantas verbas resultado da reestruturação financeira, isso significa que vai poder finalmente passar do estudo de viabilidade?

- Sou só eu, ou o estádio Alvalade XXI está a ficar deploravelmente sujo, mal cuidado, com muito equipamento danificado, quem é o responsável pela manutenção do interior e exterior do estádio?

Até breve.

Um problema chamado Paulo Ségio

Manda a inteligência que quando um treinador não ganha e vê ameaçado o seu lugar, use de humildade e alguma dose discursos calmos para amenizar a impaciência e a antipatia dos adeptos. Mas como em tantas outras coisas, Paulo Sérgio inova no que não tem de inovar, revelando alguma impreparação para o lugar.

É óbvio que a grande maioria dos adeptos leoninos gostariam que se demitisse, gostariam de não ver a equipa ser humilhada continuamente, gostariam de confiar num técnico que não se ficasse pelas promessas e análises irrealistas do aproveitamento da equipa. Olhar para a desilusão que se provoca é duro e não está ao alcance de todos, o mais fácil é mesmo acreditar que só porque se trabalha arduamente se merece um lugar num dos melhores clubes de Portugal.

Qualquer treinador sabe que só é bom quando ganha, quando se está no Sporting, só se é bom quando se ganha sucessivamente. O Sporting de Paulo Sérgio é demasiado inconstante e demasiadas vezes fica aquém do que é o comportamento competitivo dum candidato ao título. O facto da culpa não ser exclusiva do treinador, não o deve abster de reflectir sobre a realidade e o futuro da equipa que comanda. Se Paulo Sérgio não tem a estrutura politica, económica e desportiva que têm os rivais Benfica e Porto, não pode alegar que desconhecia essa realidade. Foi precisamente esse o desafio, fazer mais com menos. Falhou.

Não vale sequer a pena defender-se dizendo que veio para ser campeão e que não desiste. É um discurso emotivo, uma expressão óbvia de desagrado com a impaciência dos adeptos que não detectam na sua equipa a mais pequena centelha de força, brilhantismo ou regularidade. Ele deveria ser o primeiro a fazer essa análise e admitir por uma vez que fosse que aquilo que tem feito não chega. A equipa é uma sombra do que está obrigada a fazer. O terceiro lugar que o clube ocupa é uma miragem, este ano não tem havido um Guimarães, um Braga ou um Marítimo em óptimas condições e mesmo assim estamos muito mais perto de lutar com estes pela terceira posição que da segunda.

A equipa joga mal, é descoordenada, joga em pontapé para a frente, fisicamente apresenta-se deficitária, é dos plantéis mais atacados por lesões, as contratações não vingaram (algumas nem tiveram hipótese de se provar), existe esforço e muito empenho, mas em campo isso vale apenas se for aliado a um talento colectivo, a uma soma de valores, articulada – isso é função do treinador. Uma equipa pode perder jogando bem, o Sporting perde porque os adversários o superam e em 95% do tempo joga mal, depois há a inspiração individual de cada jogador e a equipa tem alguns bons jogadores que têm salvo a equipa. A equipa, não o técnico.

Por tudo isto penso que Paulo Sérgio deveria ter optado por um registo low profile até às próximas eleições e assim que exista um novo presidente, deve apresentar a sua demissão. Se o novo presidente considerar que é o seu treinador (nem que seja só até ao final da época) então sim fará sentido que permaneça como treinador do Sporting. Só isto fará sentido e Paulo Sérgio tem de mostrar a capacidade de o entender. De outra forma só estará a somar ingratidão à sua má prestação técnica, com os danos inerentes à sua carreira futura.

Até breve.

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

Aqui não!

Rogério de Brito, Menezes Rodrigues, Carlos Barbosa, João Rocha Jr, Paulo Cristóvão, Luis Palha Silva, Dias Ferreira, Abrantes Mendes, Nobre Guedes, Ribeiro Teles, Rogério Alves, José Ricciardi, Pedro Souto, Luis Duque, Pedro Faleiro da Silva, Sousa Cintra.

Num dia apenas, ou seja 24 horas, já vamos em 15 nomes. Isto é um insulto aos sócios do Sporting!

Peço a todos os bloggers leoninos que paremos de dar vazão às “circulares” dos media a testarem a nossa reacção a nomes e figuras possíveis candidatos para a presidência do Sporting. Cada comentário que fazemos sobre a validade desta ou aquela figura, se vai avançar, ou quais as nossas preferências é mais um contributo que fazemos para a não discussão de projectos e ideias para o clube. Penso que ao dar-mos esse “eco” a sondagens estamos a ser passivamente colaborantes com o fracasso do próximo acto eleitoral.

Nesse sentido, neste blog não se irá discutir a validade de nenhum pré-candidato até que os mesmos apresentem as suas ideias. Neste blog não se fazem “servicinhos” nem se promovem vagas de fundo. Nada. Apenas projectos, quando existirem.

Até breve.

O Bom Senso - Parte I

Não se podia esperar outra coisa. Os órgãos sociais demitiram-se seguindo a já mais que prevista queda de uma direcção que por rodear uma figura institucional presidencialista não tinha mais como se justificar. Imperou o bom senso, uma vez que, qualquer outro cenário seria o mais puro voltar de costas à vontade dos sócios e adeptos, aliás não havia nenhuma figura de recurso nesta direcção que fosse consensual no apoio dos adeptos e conselho leonino. Assim vamos mesmo ter eleições. O poder vai mesmo "à rua", espero eu que desta vez para ser disputado pela discussão de ideias e não pela discussão de nomes.

Os últimos actos eleitorais têm sido pobres em riqueza democrática, com unanimidades criadas à boa "pax romana" para que todos tenham o seu quinhão de "sol" e "ego acolchoado". Desta vez, começa-se do zero, ou assim a minha ingenuidade gostava de acreditar, com a surpresa de um presidente que bate emotivamente com a porta, não tendo deixado um nome pousado na sua cadeira, nem sequer as iniciais de um "herdeiro" bordadas a ouro num roupão de veludo púrpura. É o mais parecido que temos com uma mudança de regime, desde que Sousa Cintra foi eleito presidente. Não é que tenha saudades desse mandato, mas tenho saudades de ver gente nova a personificar a liderança do meu clube.

Esperam-se agora as candidaturas, os projectos, gostava mesmo muito que se parasse com a projecção de nomes na imprensa, a sério que me enoja este culto reverencial a nomes de pessoas, algumas nunca fizeram nada de importante na vida a não ser herdar um apelido. Era bom que nos deixássemos desta vez sugestionar pelas ideias e não pelos "ares" ou "figurões", pelo favorecimento de jornais que aprendemos a desconfiar. Recomendo aliás a todos os meus congéneres leões que não se deixem influenciar por nenhum artigo de opinião, sobre candidatos, que não sejam escritos por sportinguistas assumidos.

Receio uma intoxicação de análises e não um respirar de debate, com a imediata projecção dos candidatos "amigos" da imprensa (os sempre disponíveis para derramar nos jornais e tv´s a vida do clube) e não uma equidistante informação aos sportinguistas. Todo e qualquer pré-candidato nos merece a atenção e toda e qualquer ideia nos merece a mais pura das reflexões. Interessa escolher o melhor para o Sporting, uma solução com pés e cabeça, evitando quer a via mais "institucional", quer a via mais aventureira. É um facto, a próxima direcção terá de revolucionar o clube, arrancando do zero em termos desportivos e tendo de implementar um sem número de transformações financeiras. Será tudo menos fácil.

Nos anos 80 um também "falido" e desacreditado Milan iniciava uma nova época com a chegada de Berlusconni. A figura do presidente é discutível, mas o que é certo que com ele chegam Gullit, Rijkaard e Van Basten, que treinados por Arrigo Sacchi mudariam o futebol italiano, anos mais tarde o europeu. Não mais o Milan se apagaria, não mais teria problemas económicos e nem tudo se deveu à carteira recheada de Berlu. O Sporting não terá capacidade para recrutar 3 internacionais holandeses, mas pode e deve "varrer" o mercado em busca de três bons negócios (defesa central, extremo e ponta de lança), uma alavanca desportiva para dar a este plantel um pouco de brilhantismo e temeridade.

Faltará então o principal, o nosso Sacchi, o nosso Ferguson ou Mourinho, um treinador que independente da idade, língua ou estilo, tenha currículo de vencedor e abrace o desafio Sporting como uma prova à sua capacidade. Tendo uma nova direcção, uma equipa reforçada e um treinador com real talento para um grande, tudo poderá ser melhor, até pode ser que nem se vença nada, mas que se vença pelo menos o respeito, a admiração e a esperança dos sócios. Um pequeno passo foi dado ontem, mas teremos de dar muitos outros até chegar a algo diferente, a algo mais condizente com a dimensão e história do clube. Todos fazemos falta, nem que seja para dizer não a tendências para repetir fórmulas já há muito esgotadas.

Até breve.

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

O meu não e o meu sim

Não sei qual o plano de José Eduardo, que irá ser apresentado no dia 31 de Janeiro, mas para mim já é o melhor candidato à presidência do Sporting. Não fique assustado, este meu “voto” é apenas um exercício de retórica. Quando vejo tantos candidatos a “sentarem-se à mesa” não vejo um que seja que tenha ideia daquilo que vai comer, nem sequer do que gostaria de comer. Assim não dá. Para gerir um clube como o Sporting, uma organização complexa e em crise, é preciso um projecto. De preferência com ideias inovadoras, criativas, ambiciosas.

A última coisa que o clube precisa é de um “gestor de crise”. Para isso qualquer fiscalista serve. Não. Precisamos de valores e planos e não de caras e vozes. Acho uma certa piada (nenhuma!) a pessoas que se afirmam disponíveis para dirigir a instituição sem porventura terem escrito numa folha A4, sozinhos, aquilo que vão fazer de diferente em benefício do Sporting. De facto o Sporting é uma plataforma de muita projecção e mesmo queimando alguma imagem em caso de insucesso, para muitos já é um triunfo passar a ter “imagem”.

Atempadamente avisei para os riscos da via nobre e “herdeira” de Bettencourt, dos erros da promessa de revolução de Cristóvão e agora mais do que nunca me parece vital “impedir” a entrada de gente que quer ser presidente pelo cargo e não pela riqueza das soluções que trará. É tempo de esquecer o passado, os erros e as derrotas dos modelos que estão para trás, olhar continuamente para o passado isenta-nos de agarrar o futuro. O que o Sporting precisa é um novo começo e não me interessa fechar um ciclo negro deixando permanecer o que enfermou o passado.

Tal como outros bloggers, não apoiarei ninguém com vínculos ao passado do clube, ninguém que não tenha um programa sólido, ninguém que seja “marionete” de nenhuma esfera de influência, ninguém que prometa mais do que seriedade e atitude competitiva. Nunca acreditei em “salvadores” e apesar de haver aí muita gente a dizer o contrário, ninguém podia antever o insucesso recente do clube. Os erros foram-se somando e geraram mais erros, até o que eram boas medidas foram “infectadas” pelo mau momento do clube.

O nosso distanciamento e desconfiança de adeptos terá de acabar o mais rápido possível, o clube precisa da força, do estímulo e do “escudo” que nós somos capazes de ser. Para isso deverá surgir alguém que nos inspire e motive a esta união, alguém que com ideias concretas e carácter idóneo encarne uma figura de presidente agregador, lutador e sempre apoiado nos estatutos do clube, não sendo nenhum salvador, encontre os melhores “salvadores” para o clube.

Até breve.

Usar o cérebro é sempre recomendável

Numa altura em que se vai começar a discutir o clube, o futuro e quem o decidirá, era de todo recomendável que todas as decisões de entradas e saídas de quadros ficassem suspensas pelo menos até se vislumbrar o que se quer para um novo Sporting. Acresce o facto de ser completamente absurdo investir numa época que já pouco ou nada existe para vencer. Perante este cenário, julgo ser da mais correcta inteligência não contratar nenhum jogador que não faça parte de uma grande oportunidade de negócio, medida sempre através da combinação qualidade/ preço e a sua extrema utilidade para o futuro da equipa.

Os nomes de jogadores que circulam nos jornais, ficam a meu ver, muito aquém deste raciocínio. Convém lembrar que o que para Costinha e Paulo Sérgio serão bons reforços podem não o ser para o futuro treinador e futuro director desportivo, excluindo até o que uma nova direcção pode achar do negócio. Sei que a construção de uma equipa está sempre a sofrer actualizações e estando numa abertura de mercado, todos esperam entradas, todos anseiam por novidades. Mas que upgrades fenomenais faremos com a entrada de, por exemplo, Paulo Sérgio do Olhanense?

A não ser que estejamos a falar em poucos milhares de euros, não esquecer que Jardel foi para o Benfica por uma verba a roçar o ridículo, o Sporting deveria refrear o instinto de adquirir jogadores medianamente bons e começar, isso sim será mais urgente, a conseguir alienar em bons negócios os excedentes da equipa (Grimi, Caneira, Saleiro, Tales) e a resolver os problemas com outros jogadores (Hildebrand, Torsiglieri, Zapater, Izmailov, Djaló). Bettencourt está demissionário, Costinha e Paulo Sérgio seguem dentro de momentos e existe a oportunidade de sanar todos os diferendos e erros de gestão desportiva que o plantel exibe.

A entrada de novos decisores é urgente, até para começar a implementar o que será o novo modelo competitivo do Sporting. Até agora temos navegado ao sabor do dinheiro, humores e capas de jornal. O cérebro é uma ferramenta prodigiosa e à excepção de Valdes e Salomão, não vemos a inteligência que este por detrás dos negócios que fizemos. Evaldo, Torsigleiri, Coelho e Zapater foram muito caros pelo que estão a dar à equipa. Não partilho da opinião que Evaldo esteja a jogar mal, mas também sei que pela idade e o valor do atleta, talvez o Braga tenha feito um encaixe de um milhão acima do que era mais justo. Mesmo assim, não existem por aí laterais esquerdos em abundância e Costinha preferiu jogar pelo seguro.

Quem tem uma Academia como tem o Sporting deve fazer uso dela, programadamente e com uma politica de entrada nos seniores mais equilibrada, flexível, mas recorrente. É inadmissível contratar jogadores como Tales, tendo tantos bons valores a despontar para o futebol profissional. Paulo Sérgio, do Olhanense é só mais um exemplo de uma transição falhada pelo Sporting. 6 ou 7 anos mais tarde vamos comprá-lo, quando já foi nosso? Lembra-me as novelas do boliviano Sanchez que entrava e saía do Benfica sempre com o Boavista a encaixar.

A meu ver era simples e até visionário (a UEFA irá obrigar a que isso seja feito daqui a poucos anos) criar um rácio de aproveitamento da Academia, com evidentes ganhos para a economia, imagem e orgulho do clube. Algo que poderia passar por um mapa deste género:

Guarda-redes (3 lugares – 2 vagas para jogadores da Academia)
Defesas (8 lugares – 3 lugares para jogadores da Academia)
Médios (8 lugares – 3 lugares para jogadores da Academia)
Avançados (5 lugares - 2 lugares para jogadores da Academia)

È claro que isto seriam valores mínimos e não excludentes de mais jogadores que fosse oportuno contratar fora das escolas, mas pelo menos teríamos sempre 10 jogadores oriundos da formação, fosse quem fosse o técnico, fosse quem fosse o director desportivo. O Sporting precisa de racionar o seu produto e valer-se daquilo onde é melhor do que os outros.

Olhando o plantel actual (1 guarda redes, 2 defesas, 1 médio, 2 avançados) isso até está difícil de conseguir, e a politica deste ultimo defeso promete afastar o clube de uma das suas mais marcantes virtudes, tudo nasce de um grande equivoco – o drama da experiência, o drama da altura, o drama de treinadores que se desculpam de maus resultados com preconceitos. Um bom jogador é um bom jogador.

Esta é só mais uma ideia que não se percebe porque não é assimilada (mesmo que noutros moldes), que somando a muitas outras provam a “distracção” que o clube tem com o seu património, levando-o a mais decisões, em cima do joelho, à pressa e ouvindo muito maus conselhos. Regras, planos, normas e modelos nunca fizeram mal a ninguém e muitas vezes impedem o tão português “desenrasque”, processo a que o Sporting tem recorrido demasiadas vezes nos últimos anos.

Até breve.