segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

Liquidação total

Depois de confirmada a saída de Liedson e a entrada de Cristiano a única coisa que se me oferece dizer é que o  Sporting entrou em liquidação total. Já não há critério nenhum e vende-se o melhor avançado porque se faz 2 milhões com um jogador de 32 anos. Em que parte do mundo isso é um bom negócio? Se era a última oportunidade para vender...mas que raio, porque haveremos de vender um símbolo do clube? (quer se queira quer não, Liedson já era um símbolo).

Por acaso o Inter vende Zanetti? O Milan vendeu Baresi? Não. As referências não se vendem, a não ser por propostas irrecusáveis. Não foi este o caso. A verba que o clube vai receber não dá sequer para 50% da contratação de um bom avançado. Costinha e Couceiro são directores desportivos ou liquidatários? Porque o único cenário onde será coerente esta transacção é a existência de um descalabro financeiro. Será isso? Espero com alguma curiosidade por declarações dos responsáveis que avalizaram estas "coisas" chamados negócios.

Enquanto isso não acontece e como já prevejo o conteúdo das declarações, pergunto aos mesmos se posso ter o dinheiro da gamebox de volta? É que não foi isto que me prometeram no início da época. "Sem ti não há campeões"...pois...comigo e sem equipa.

Até breve.

Necessidades

Num dia é Djalma, noutro é Kleber, não se percebe se são os jornais ou os directores do Sporting que andam um pouco incertos no que será uma boa aquisição para o lugar de Liedson, esse sim todos concordam que irá sair. Numa outra oportunidade falarei sobre o levezinho, que me parece merecer uma despedida mais airosa, pelo menos neste blog.  Nunca será fácil substituir um jogador que foi uns dos melhores avançados do clube e durante quase uma década espalhou o pânico pelos nossos adversários.

Mas se a dificuldade já é grande, no Sporting, existem pessoas que ainda complicam mais. Não é obviamente Kleber que irá calçar os sapatos de avançado mor do clube. Ainda lhe falta muito caminho para ser um grande avançado. Tem potencial, bastante, mas precisa de crescer muito. É bastante competente em todas as áreas que um ponta de lança o deve ser, mas está longe de ser extraordinário. O interesse do FC Porto foi real, apesar dos desmentidos, o que não chega, pelo menos para mim, para garantir que o jogador emprestado ao Marítimo terá sucesso em Alvalade.

O jovem avançado brasileiro, que por vezes me faz lembrar outro avançado brasileiro que esteve no Sporting, Leandro, é rápido, trata a bola com alguma técnica, é bom de cabeça e tem bom sentido de desmarcação. Mas a meu ver, ainda não “optou” por definir o seu estilo. Não é um “killer” (avançado que explora a área à espera da estocada final) e também não é um “wanderer” (jogador que prefere surgir na área vindo de trás com ou sem bola). Nesta dúvida, muitas vezes Kleber ausenta-se do jogo, não estando nas tabelas à entrada da área, não estando na área para matar um centro, não estando onde a equipa precisa, não sendo pois a referência atacante que um avançado deve ser.

Em muitos jogos que vi do Marítimo, por vezes era difícil ver o desenho da equipa em campo, parecendo que jogava com 5 médios, sem posição dianteira definida. Depois lá se descobria Kleber muito próximo da linha média, perdido nas batalhas de meio campo, à procura de espaços e bola para jogar. Porque isso é o que este jogador gosta de fazer, jogar. Em muitas áreas é um avançado muito próximo do que Postiga faz no Sporting, sem a técnica do português. Logo jogar com Postiga e Kleber na frente, das duas uma, ou vai ser uma dupla explosiva ou implosiva, ou de grande dinâmica ou de dinâmica nenhuma.

Tenho para mim, que o avançado que o Sporting precisa, não é Kleber, e embora o potencial do jogador seja grande, não será talvez a melhor solução. Esta equipa precisa de jogador de área, que nem precisa de ser muito dinâmico ou rápido, mas uma referência fixa na frente, com óptimas qualidades de finalizador. Mas estas características já deverão estar desenvolvidas e não em vias disso. O Sporting não tem tempo para ensaios e um ponta de lança como Kleber precisará de tempo para ultrapassar as dificuldades de uma equipa que não joga bem e que tem no pontapé para a frente o seu melhor argumento atacante.

Resumindo esta gestão do clube quer mesmo fazer sobremesas sem açúcar, para competir com as bombas calóricas que são Cardoso, Saviola, Falcão e Walter, não entendendo (ou não querendo entender) que dificilmente existe em Portugal um avançado como o que a equipa precisa. Estou a excluir talvez Lima e Toscano, mas esses já escapam à nossa capacidade negocial o que duplamente triste (o Sporting não tem capacidade de comprar um jogador a um clube mais pequeno, nem a sagacidade para o encontrar lá fora).
Seja o que for que chegar hoje, não será nunca o herdeiro de Liedson, o que indica muito claramente que a venda do baiano foi pura e simplesmente mais um acto de gestão do género de Moutinho, Veloso ou pelos vistos Izmailov. Num ano apenas perderemos os nossos melhores jogadores. Em troca do quê? O que ganhou a equipa com as vendas?

Até breve.

domingo, 30 de janeiro de 2011

Isto está a desmoronar-se

Em poucas horas fui surpreendido por estas noticias:

Stojkovic anuncia que já assinou contrato com o Partizan.
Cristiano assina na Segunda com o Sporting.
Liedson sai para o Corinthians por 2 milhões de euros.
Djalma está a ser negociado.

O que posso dizer que seja diferente do que vocês estão a pensar? Nada. Isto está a ir de mal a pior. Sai Liedson e entra Djalma? Mas estão a brincar comigo? Por que valor foi transferido o sérvio?
O ponto a que o clube está a chegar mostra que a desorientação começa na manutenção de PS e continua muito para além, estendendo-se a quem acha que contratando um Cristiano adoça a boca dos sócios. Se o brasileiro ex-Paços servir para tirar Saleiro da equipa, concordo (muito pior não pode fazer) mas vender Liedson por 2 milhões de euros, é vender ao desbarato o único avançado que põe as defesas contrárias em sentido.

Apesar dos 33 anos, a realidade é que o clube se desfaz (por uns trocos) do seu melhor avançado. Só suportaria este negócio se com a venda o Sporting fosse buscar um substituto pelo menos tão promissor. Não parece ser o caso. É a completa ausência de respeito pela paciência dos sócios, numa verdadeira táctica de "Tiririca" (pior do que está não fica). 


Não entendo, como já li em vários blogs, que Cristiano seja uma má aquisição. Vem a custo zero e pode ser mais uma opção para o ataque, mas falta muito mais do que um jogador desta qualidade para "tapar" o rombo que a saída do levezinho vai provocar. Djalma é outro bom jogador, mas sinceramente não vejo nele o talento para ser o avançado titular do Sporting. Ficamos com Postiga, Djaló, Cristiano e Saleiro...se isto não é uma frente pobre, não sei o que será...

Espero que rapidamente se entenda o critério por detrás destas mexidas no plantel, porventura uma conferência de imprensa conjunta entre Costinha e Couceiro...ou isso também é pedir demais? Já se sabe que os dois não se gramam, mas explicar aos sócios o que o clube sai a ganhar disto tudo é o mínimo para quem se tem tomado decisões tão importantes.

Até breve.

sábado, 29 de janeiro de 2011

Humilhação - Parte XXVII

Não há nada a fazer com este Sporting de Paulo Sérgio. Cada vez que espreita para fora da mediocridade volta afundar-se nela, chafurdando intensamente até ficar com um cheiro nauseabundo a derrota e fracasso. A cara de PS no final da partida diz tudo e a fúria que mostrou junto do árbitro, não serve para nada. Dizer que o Estoril ganhou a partida com erros de apito é a mais pura das verdades, mas dizer que o Sporting não ganhou pela mesma razão já não me parece tão justo. Os onze jogadores que vestiram de verde e branco tinham a obrigação de ganhar tranquilamente.

O Estoril é de uma divisão inferior, não tem jogadores com rodagem de I divisão, tem todas as fragilidades que qualquer equipa com alguma qualidade aproveita para construir um bom resultado. Houve três tipos de jogadores do Sporting: os fracos, os péssimos e os ausentes. Saltou à vista a incapacidade de Saleiro e Grimi, não há ninguém em Alvalade que veja que é precisamente este tipo de jogadores que tem de sair do plantel? A defesa com os "altos" Torsiglieri e Coelho não comprometeu, mas também não foi um bloco seguro. O meio campo não existiu e o Sporting foi severamente humilhado.

Para os críticos de PS (como eu) esta é a prova cabal, se é que era preciso da impossibilidade deste treinador permanecer no clube. E se antes concebia a ideia de poder manter-se em funções até ao final da época...a partir de hoje, penso que seja melhor sair já. Paulo Sérgio não serviu, não serve, não servirá como treinador e é da máxima urgência que ceda o seu lugar a uma gestão interina, até que o próximo treinador seja contratado. O carácter sucessivo de humilhações está a chegar a um ridículo e se é normal perder com um clube da 2ª Liga para quem manda actualmente no clube, então fico muitíssimo contente de estarem de saída.

Quero ver o que dizem nesta semana os "jornalistas" que tanto elogiaram as qualidades de Paulo Sérgio.

Até breve.

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

Ilusões de Encomenda

É muito interessante ver o que certas forças do futebol, fazem para impedir que o Sporting acerte caminho. Quando se vislumbram mudanças, que obviamente só poderão ser projecções para mudar o clube para melhor, quando se começam a formar consensos sobre temas fundamentais, quando as ideias começam a ganhar corpo…eis que surge uma verdadeira campanha de “solidariedade” para Paulo Sérgio, um treinador que aos olhos de muitos “desinteressados” é uma verdadeira vitima, um autêntico mártir da má gestão do Sporting.

É claro que em todas as noticias, que começaram no “O Jogo” e certamente vão continuar por outros espaços de opinião, nunca poderão dizer que o técnico está a ter bons resultados, mas essa lacuna (que é a que verdadeiramente interessa) é habilmente contornada com elogios ao profissionalismo e carácter do homem treinador. Que PS é uma boa pessoa, com motivação e empenho assinaláveis todos podemos concordar, mas desde quando é que um treinador é pago por essas qualidades?

Não será que um profissional de futebol é pago pelo desempenho? Pelos resultados da sua prestação? Se um avançado que vale 20 milhões de euros não marcar nenhum golo durante os 3 anos de um contrato, valerá no fim deste a mesma verba? Será sequer que ao final de 10 jogos sem marcar, continuará a ser titular? A resposta é não. E a resposta de qualquer sportinguista face a esta tentativa de lavagem cerebral deverá ser a máxima concentração nos resultados.

Pergunto-me se os mesmos “jornalistas” que agora descobriram em PS um virtuoso D.Quixote tiveram a mesma opinião sobre outros técnicos que passaram pelo FC Porto, cito apenas os nomes de Quinito, Octávio Machado, Del Neri e Fernandez ou se pelo contrário viram nestes a incapacidade que os seus despedimentos prematuros comprovaram. Esta total ausência de rigor em favor de sabe-se lá o quê, além de tentar perpetuar o equívoco chamado PS como uma boa opção no Sporting tem outro traço que a mim me parece estranho: porquê agora?

Durante 7 meses, a imprensa bateu forte e feio na equipa, nas opções do treinador, na “crise”, no diabo a sete descredibilizando o mérito da acção do treinador, agora, quando o clube se prepara para o substituir, de repente é um óptimo técnico, cheio de qualidades humanas, um verdadeiro santo futebolístico. Pois bem se é assim tão bom, que o contratem logo que saia Villas Boas ou Jesus. Aliás, porquê ficar-se por Portugal, porque não no Manchester, no Inter ou Barcelona? É que o critério de avaliação das capacidades é tão desproporcionado da realidade que cabe dentro dele tudo o que quisermos.

Não nos deixemos enganar meus caros. Olhemos sempre os números, a qualidade de jogo, a coerência das opções e façamos constantemente a pergunta: a equipa do Sporting está mais forte? Mais regular? Mais eficiente? Enquanto a resposta for não, o trabalho do treinador será sempre avaliado como: insuficiente. Mais nada.

Até breve.

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

O Erro de Bettencourt

Depois do Congresso de Santarém, que urge repetir, eu e muitos sócios ficaram com a noção de que embora o clube não estivesse a respirar de uma saúde assinalável, o “cérebro” permanecia intocável, porventura mais lúcido que nunca. Daí para cá elegemos um Presidente de forma unânime e este fracassou também de forma unânime. O cérebro errou ou adormeceu? Por outra, o que é falhou na gestão de Bettencourt?

Recomendo vivamente a qualquer sócio, que esteja a pensar em candidatar-se, a colocar-se a si próprio esta pergunta. Uma boa resposta pode inclusive dar-lhe a vitória nas urnas. Não sendo candidato, posso partilhar com quem lê este blog a minha opinião, vale o que vale, mas é um exercício fundamental pelo menos para mim que não darei o meu voto a qualquer fato e gravata empurrado por consensos que desconheço a motivação.

São seis pontos, haveria mais, que concentram aquilo que chamo “O Erro de Bettencourt”.

Treinadores
Quando meia parte de sportinguistas já se preparava para a chegada de um novo técnico, Bettencourt, influenciado pelos factores positivos da gestão de Paulo Bento, insiste na permanência do treinador, mesmo quando este já considerava nada poder acrescentar à equipa. Paulo Bento deve ter sentido que o Benfica se preparava para mudar de paradigma e dificultar o meio sabor a vitória das idas directas à Champions. Apesar de tudo JEB apostou todas as fichas numa ligação gémea entre presidente e treinador. Perdeu as suficientes para não mais erguer a cabeça, quando o assunto era treinadores. Depois de “ceder” tarde demais à evidência, contratou um “temporário” Carvalhal. A escolha pode até ter sido feliz (em relação aos objectivos) mas a forma como se desassociou do sucessor do “forever” foi infeliz e muito pouco útil à gestão da equipa. Naturalmente esperava-se uma aposta forte no sucessor, promessas foram feitas sobre um tal “nome” que iria surpreender a nação leonina. Surpresa houve, mas pela negativa, Paulo Sérgio não tinha nenhum traço de vencedor num currículo breve e numa pura precipitação investe muitas centenas de milhares de euros no “resgate” de toda uma equipa técnica que provavelmente sairia do Guimarães a custo zero. Pelo caminho ficaria um pré-contrato com uma jovem promessa que lidera hoje o FC Porto e lidera também o campeonato. Quatro opções, quatro rotundos falhanços. Apostando em treinadores “sem garantia” assumiu o risco e pagou-o.

Directores Desportivos
Paulo Bento dava-se bem com o estilo de Barbosa, um falava sobre tudo o outro sobre nada. É um mistério a acção de Pedro Barbosa, um ar calmíssimo e reflectido (o que também era o seu modo como jogador) não se activava como voz do clube, ao invés, fazia parecer que PB estava sozinho. Seguiu-se Sá Pinto, uma escolha que agradava aos adeptos mas que se veio a provar frágil, o Ricardo ferve em pouca água e uma “traquinice“ de Liedson fez o director esquecer que comandava uma equipa de futebol e "armar-se" num  porta-voz dos adeptos. A transição com outras figuras pelo meio dá-se com a chegada de Costinha. Muitos elogios depois, JEB começava a tentar “fechar” com o novo director uma estratégia mais espartana de comportamento e comunicação dos jogadores e técnicos com a imprensa. O processo foi tão mal conduzido que Costinha seria exposto ao ridículo de justificar regras que sendo internas nenhum interesse teriam para quem não fazia parte do balneário. Tinha começado a queda de Costinha, que seria avolumada com sucessivos silêncios após derrotas.
Antes mesmo de sair nomeia Couceiro numa “espécie de director desportivo”, que ninguém entende como articular com Costinha. Entende-se que será um cargo superior, mas não se entende no quê.
Penso que terá faltado mais engenho na escolha de um director desportivo. Se queríamos um “manager” para contratações e planeamento porque não Luis Freitas Lobo? O que terá Costinha mais para oferecer, experiência como ex-jogador? O que é que isso tem servido ao clube?

Comunicação
Saber quando, como e o que dizer é uma arte. Considero JEB um óptimo comunicador de ideias e de projectos. Mas um péssimo gestor mediático de conflitos, e ainda pior a “disciplinar” as hostes em tempos de desmotivação ou maus resultados. Faltou sempre uma intervenção, uma “murro na mesa”, um atempado aviso, uma pressão adicional ao comportamento da equipa, dos sócios, das claques. Um presidente eleito pelos sócios também é o primeiro dos mesmos e como tal com poderes e autoridade para interagir com eles. Ao contrário das promessas eleitorais, JEB foi muito mais um presidente do clube, do que dos sócios. Quando era tão mais necessário o contrário. Mas não reagir, não é uma opção, por muito “britânico” que seja o estilo, numa sociedade patriarcal espera-se a orientação de uma figura poderosa. Foi quase sempre ausente. JEB não soube de facto dar segurança a ninguém que não pertencesse ao seu núcleo de trabalho, isso não é ser presidente, é ser director.

Alianças
Nunca se entendeu o alinhamento com FC Porto, ao ponto de provavelmente nem Pinto da Costa saber se teve JEB como aliado. Mas foi evidente o espaço significativo dado às manobras do FC Porto, a não oposição também é uma forma de concordância e o Sporting foi uma espécie de Suíça mal amanhada.
Aliás todo o mandato de JEB se pauta por uma amedrontada gestão das relações com o Benfica, talvez receando a subida de poder que LFV está a conseguir amealhar muito à custa, diga-se, da nossa passividade. As recentes direcções têm permitido uma divisão de protagonismo entre os nossos dois rivais, quando antes sempre fora uma divisão a 3. Hoje, politicamente o Sporting alia-se a quem está mais frágil tentando que um dos pesos da balança não caia demasiado, além de idiota, é uma atitude passiva que não deixa de ser bem explorada pelos nossos adversários.

Objectivos
Apesar dos discursos, a verdade é que JEB nunca pareceu revelar uma ambição (necessária) que levasse o clube a querer mais do que o que tinha conseguido nas épocas de Franco ou Dias da Cunha. Esse foi o grande pecado, pois tal como uma equipa que aponta para o empate acaba por perder, quem aponta para o 2º lugar, fica em 3º ou em 4º. Esta gestão de empenho e foco em qualquer coisa que não seja a conquista absoluta, aceita o “prémios de consolação” como se vitórias fossem. O dinheiro não é o suficiente, o poder de influência também não e JEB ficou-se pelas desculpas em vez de incutir uma motivação no clube para realizar o “tal” extra, o tal esforço para derrotar as probabilidades. Não foi esse o entendimento e as subidas graduais projectadas nunca aconteceram, os objectivos desapareceram e dois meses depois das épocas começarem já estávamos fora da luta pelos lugares cimeiros.

Academia
É no mandato de Bettencourt que o projecto das camadas jovens começa a apresentar brechas significativas na sua gestão, nomeadamente na escolha de responsáveis para liderar o projecto. Conflitos à parte, fica a ideia de uma certa espionagem por dentro do clube permitida por muito desmazelo e a fanfarronice de pensar que ninguém consegue reproduzir o nosso modelo. Pois bem. Está à vista no que deu.
Mas nem tudo foi mau. As academias tiveram impulso de expansão à escala mundial e aplaudo a ambição e visão que os dirigentes tiveram nesta matéria. Mais cuidado se recomenda na blindagem de jovens valores como Bruma e Dier, que não deverão nunca ser “roubados” sem que exista grandes contrapartidas financeiras. Aliás penso que devia ser uma regra de ouro no clube nunca vender um jogador da Academia sem que este passe pela equipa sénior. É um procedimento um pouco “estalinista”, mas também serviria para acalmar a avidez dos empresários além dos negócios precipitados. Um Bruma que vale hoje 2 milhões pode num ano ou dois, valer 10 vezes esse valor. Não valerá a pena esperar?

Deixei de parte algumas áreas da gestão do clube, porque acho que nem tudo foram erros, a gestão financeira, a reorganização de recursos humanos no clube, a gestão institucional foram aceitáveis ou boas, dependendo da perspectiva ou da expectativa.

Até breve.

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

O presente esquecido

Paulo Sérgio e pelos vistos Costinha partilham da ideia que no Sporting as pessoas esqueceram-se do presente e já só pensam no futuro. Esta percepção é superficialmente verdadeira, mas completamente errada na base do pensamento. Quando um grupo de pessoas expressa grande preocupação com acontecimentos que se irão desenrolar num futuro próximo não quer necessariamente dizer que estão a ignorar o presente, é muito mais a análise profunda do mesmo presente que os coloca atentamente debruçados no que aí vem.

Num sentido mais concreto, é a prestação da equipa no presente e a sua limitação óbvia que preocupa os sócios. Se o Sporting estivesse envolvido na luta pelo título e a conseguir bons resultados e boas exibições, ninguém se tinha demitido, treinador e jogadores estariam bem mais seguros e director desportivo estaria a colher os frutos de um planeamento correcto. Nada mais distante da verdade. Não estou a falar de uma verdade subjectiva, falo de números, que exibem uma prestação competitiva em tudo semelhante à época anterior, o que é mau, o que é impossível de entender com normalidade.

Para o ex-treinador de Paços de Ferreira e Guimarães, a equipa merece mais apoio e estímulo, mais atenção para o momento actual. Diz o próprio que “ainda há muito por ganhar” e nós os adeptos esquecemo-nos disso. Será mesmo Paulo Sérgio? Não será antes que após a “promessa” de que se estaria a construir uma equipa mais forte e mais talentosa, caiu tudo por terra sucessivamente com maus resultados inexplicáveis? No passado hiato em que o clube não ganhava, havia pelo menos a qualidade de jogo, um futebol atractivo. Hoje os sócios não têm nem bons espectáculos, nem resultados e é um traço do nosso ADN como sportinguistas gostar de ver a nossa equipa jogar bom futebol.

Se PS tivesse aprendido a conhecer o clube que treina, saberia olhar para o exemplo de Peseiro, que inexplicavelmente deixou saudades apesar de ter sido provavelmente o técnico mais inglório na história do clube. Porquê? Porque a equipa jogava bom futebol. Outros existem com esse “triunfo” como Robson, Allison, Manuel José, claramente mais “amados” até que Boloni e Inácio que até foram campeões, mas que a equipa era por uma razão ou por outra, mais “realista” ou “resultadista”.

É esta impossibilidade de voltar às tardes de dribles e combinações colectivas, às noites de ir ao estádio com a fé de que a equipa não desiludiria que escapa no presente a qualquer adepto leonino. Uma vez que o presente promete tudo menos isso e uma vez que o próprio PS nega a hipótese de passar o testemunho nos próximos tempos, não existe outro remédio, o foco dirige-se para um outro tempo. Um tempo onde ele e Costinha já não estão no clube. É que PS ainda não se mentalizou, mas neste momento ele já faz parte do passado e só ainda se senta no banco por condicionalismos eleitorais.

Acredito que qualquer que seja o presidente eleito terá como primeira decisão escolher um novo treinador (até posso conceber a ideia de Costinha permanecer, desde que com poderes muito reduzidos) e mesmo que PS permaneça até ao fim da época, será impossível que faça sequer um treino depois do último jogo da Liga. Existem poucos assuntos da vida do Sporting em que todos estejam de acordo, mas um deles é que PS não tem a capacidade que o clube precisa para construir uma equipa que lute por títulos.
Esta unanimidade foi crescendo, englobando neste momento até a figuras mais conservadoras. Fim da linha. Prematuro, mas real. Dirá PS que não tem as mesmas armas que Porto e Benfica, mas dirão todos os outros que não foram os nossos eternos rivais que nos colocaram a 16 pontos do líder, a jogar mal e a sobreviver do talento individual de cada jogador. Dirá PS que precisará de tempo e mais dinheiro para melhorar, dirão todos os outros que se não fez melhor com o que tem, dificilmente nos surpreenderá no futuro.

Por tudo isto penso que PS e Costinha estão teimosamente a resistir ao tempo, a teimar numa posição que já não têm, podiam ao menos fazê-lo silenciosamente, mas ao expor os seus contraditórios argumentos publicamente não deixam outra margem que seja responder-lhes, apontando a insensatez do que pedem aos adeptos. É o presente que nos preocupa PS! E muito!

Até breve.

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Sorte?

A diferença entre ganhar, empatar ou perder é para o Sporting de Paulo Sérgio uma questão de marcar primeiro. Frente ao Marítimo ninguém pode dizer que a equipa não esteve bem, mas também não pode deixar de reflectir na fantástica exibição de Patrício e se num candidato ao título é suposto o guarda-redes ter tanto trabalho.

Dirão uns que a equipa esteve concentrada e fez o que lhe competia, dirão outros que tivemos mais sorte que arte para sair dos Barreiros com um resultado de 3-0. O que eu penso que todos dirão é que o Sporting nas primeiras três reais oportunidades, concretizou todas e o Marítimo durante todo o jogo falhou tantas ocasiões como os leões.

De qualquer forma foi uma vitória merecida, sobretudo pela acção de vários jogadores que individualmente estiveram muito bem. Patrício, Carriço, Polga, André Santos, Zapater e Liedson, cada um por si e muito pouco em conjunto levaram a que o Sporting voltasse da Madeira mais feliz do que quando aterrou. A defesa não esteve especialmente bem coordenada, deixando os madeirenses muito soltos para levar a bola à área, o meio campo não especialmente pressionante ou criativo e o ataque não desenhou assim tantos envolvimentos à defesa insular.

Mas se equipa como conjunto não foi particularmente brilhante, o que é o traço mais preocupante da gestão de Paulo Sérgio, Zapater, Liedson e Patrício foram os ases de trunfo que marcaram o jogo. Patrício defendeu tudo e bem, Zapater foi sublime na concretização e Liedson incansável em todo o tempo de jogo.

Há muitas épocas que um jogador leonino não dava um safanão tão grande nas suas perspectivas de permanecer no banco durante toda uma época. Só por isso não podemos deixar de pensar (disse-o aqui tantas e tantas vezes) se Zapater não estará há meses para fazer o que fez agora. Os próximos jogos ditarão o maior paradoxo que se pode colocar a um treinador: jogando bem Zapater ridiculariza a capacidade de avaliação de Paulo Sérgio.

É que o espanhol nestes últimos dois jogos foi uma espécie de Gerard do Liverpool e é impossível não reparar num jogador destes, ainda por cima num plantel como o do Sporting. Maniche e Pedro Mendes são bons jogadores, mas também não têm feito jogos com tanto destaque. Querendo adaptar o modelo de jogo à forma dos jogadores (o que é uma gestão hesitante e pouco corajosa de Paulo Sérgio) voltamos pois à táctica dos 3 médios centro, o que nos jogos em teremos de atacar mais não é de todo eficaz.

Se PS ainda quiser provar qualquer coisa passará a deixar cair ou André Santos ou Pedro Mendes, o que não sendo muito justo (sabemos do talento emergente de Santos e da preponderância de Mendes na estabilidade defensiva) é uma prova de que existe no actual plantel do Sporting uma posição dupla que tem muito talento para ser ocupada. Tivéssemos a mesma riqueza de opções nas outras posições e estaríamos a falar de um Sporting muito diferente.

Para já recomendo a Zapater que faça um workshop com Saleiro, Djaló e Postiga, e diga a estes o que é que anda a tomar, para fazer 4 golos em 100 minutos. Numa época em que pouco é surpreendentemente bom, Valdes e Zapater são para já uma verdadeira pedrada no charco. Para já.

Até breve.

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

O Sonho (Sul) Americano

Porto e Benfica não param de ganhar. Com mais ou menos sorte, mais penalty menos penalty, a verdade é que, embora distante, só o Benfica parece capaz de poder ameaçar o título do Porto e da mesma forma impedir que o projecto multimilionário da Luz se quede já no primeiro ano por um total insucesso. O Porto investiu forte esta época, James, Moutinho, Walter, Souza, Otamendi, mas até se pode dizer que o fez, não porque o onze da última época era fraco, mas porque as segundas escolhas deixavam muito a desejar.

Resultado, apenas Moutinho é titular. Todos os outros andam à espreita por um lugar, não se vendo qualquer pressa de Villas Boas em permiti-lo apenas porque custaram caro aos cofres do Dragão. Já o Benfica, gastou este mundo e o outro (Roberto, Fábio Faria, Jara, Gaitan, Fernandez, Rodrigo e o empréstimo a pagar de Salvio) e apesar de um começo catastrófico (Jesus esteve provavelmente a uma derrota de ser despedido) a equipa começou a erguer-se o que mantendo alguns equívocos (Roberto) em campo foi conseguido através da subida de forma de alguns atletas (Saviola, Aimar e Salvio).

Mas este post não serve para fazer o retrato da concorrência. Serve para falar da competitividade dos jogadores portugueses. Nomeadamente face a Argentinos, Uruguaios e Brasileiros. Reparem nas nacionalidades maioritárias de cada um dos 3 grandes:

Benfica – 32% Brasil / 28,5% Portugal / 21,5% Argentina
Porto – 29,2% Portugal / 25% Brasil / 12,5% Argentina / 12,5% Uruguai
Sporting – 59,5% Portugal / 7,5% Brasil / 7,5% Chile

Agora reparemos no onze habitual (mais recente) de cada um:

Roberto, Maxi, Coentrão, Luiz, Luisão, Garcia, Gaitan, Saviola, Cardoso, Salvio, Aimar
(1 português, 2 espanhóis, 1 Paraguaio, 1 Uruguaio, 2 Brasileiros, 4 Argentinos)

Helton, Pereyra, Fucile, Rolando, Maicon, Fernando, Moutinho, Belluschi, Falcão, Varela, Hulk
(3 portugueses, 4 Brasileiros, 2 Uruguaios, 1 Colombiano, 1 Argentino)

Patrício, Pereira, Evaldo, Polga, Carriço, Mendes, Santos, Valdes, Vukcevic, Liedson, Salomão
(6 Portugueses, 3 Brasileiros, 1 Chileno, 1 Montenegrino)

Ninguém pode deixar de pensar que existe aqui um sinal claro para análise dos Sportinguistas. Num futuro próximo (5 ou 6 anos talvez) o retrato de um candidato ao título será muito mais aquilo que o Sporting apresenta. Mas isso será daqui a muitas épocas. Entretanto qual será a estratégia a escolher? Comprar Argentinos e Brasileiros como os nossos rivais? Optar pela valorização do atleta português? Que custos terá cada uma das opções?

O Fair Play financeiro da UEFA, passa pelo fim do endividamento louco dos clubes e uma ou outra regra de inscrição nas competições europeias, com a subida dos números obrigatórios de inscrição de atletas formados no país e no clube. Isto pode realmente mudar os pesos das balanças de transferências, passando o atleta do país de origem do clube a valer muito mais, passando os atletas formados nos clubes a valer ouro puro. Para clubes como o Sporting isso pode significar o início de uma nova era. Pode, mas não é certo que o venha ser. Para que tudo isto aconteça, tem de acontecer algo extraordinário: A UEFA ir contra os interesses de clubes como o Chelsea, Inter, Bayern, Marselha, que não têm histórico de formação. A UEFA ir contra todos os clubes sul-americanos (que vendem camiões de jogadores todos os anos). A UEFA ir contra todos os empresários e empresas de gestão de carreira desportiva (que veriam os números de transferências baixar drasticamente). É muito. E a UEFA não propriamente conhecida por desafiar todo este “establishment”.

Existe uma esperança. Que clubes como o Sporting, FC Porto, Barcelona, Real Madrid, Man Utd, Arsenal, Liverpool, Ajax, Feyenoord, Milan, Juventus, que realmente formam atletas, promovam esta mudança. Será difícil, mas não é impossível. Para que isso aconteça, o Sporting não deve mudar a sua estratégia de aposta na Academia, ao invés deve investir ainda mais nela. O clube com a única escola de formação certificada, não deve destruir essa referência, pois é um dos maiores símbolos da formação mundial. Mas o que fazer para ser mais competitivo face a Porto e Benfica?

Na minha opinião, o Sporting deve:
1.Ser mais cuidadoso na gestão do produto da Academia. Empréstimos, renovações de contrato, técnicos da formação, formação de Equipa B ou clube satélite em Lisboa.
2.Criar internamente uma regra de cotas de jogadores no plantel sénior. O plantel sénior teria de ter sempre um número mínimo de jogadores formados no clube.
3.Passar a contratar jogadores no estrangeiro, apenas quando se assegurar que são realmente grandes apostas. Jogadores como Pongolle, não podem vir para o Sporting. Caros, sem motivação, com a carreira estagnada.
4.Ser mais atento ao mercado interno. O mercado nacional está muito mal explorado, com péssimas relações institucionais com a maioria dos clubes da primeira liga. Fábio Coentrão e Fábio Faria do Rio Ave, Fernando e Assunção do Nacional, são só alguns exemplos de jogadores que estiveram “quase”, mas faltou agilidade diplomática
5.Ter uma relação mais transparente com empresários. Criou-se o mito que Mendes tem um peso na gestão do clube desproporcionado. Alguém tem de definir regras institucionais com os representantes dos jogadores. Assente no mérito, na melhor oferta, no melhor timing e não no historial e influência de cada agente.
6.Fazer de Eric Dier um símbolo. Garantindo uma via aberta para que outros jogadores vindos de todo o mundo queiram vir, por vontade individual, para Academia.
7.Prosseguir na diáspora das Academias. Os benefícios podem demorar muitos anos a chegar à equipa principal, mas ninguém duvida da rentabilidade de ter uma marca de formação internacional e a probabilidade muito grande dos próximos Ronaldos se encontrarem na China, ou na África do Sul.
8.Elevar os jogadores da formação a símbolos do clube. Como já faz Barcelona e Man Utd. A manutenção de atletas de grande potencial no Sporting também se faz pela primazia nos contratos publicitários, no espaço nos media, na escolha de capitães e sub-capitães. Moutinho foi muito mais um conflito mal resolvido do que uma aposta errada na pessoa/ jogador símbolo da formação.
9.Formar e aproximar ex-jogadores como referências internas. É essencial que um jogador com uma carreira no Sporting exemplar se mantenha no clube como transmissor da identidade do mesmo. Oceano, Carlos Xavier, Manuel Fernandes, Jordão, Venâncio, Yordanov, Ivkovic, quem sabe no futuro Liedson ou Tiago poderão fazer um caminho e um trabalho no clube de que este muito precisa. Os escritórios frios e minimalistas da SAD não respiram a clube e muito menos a futebol.
10.Implementar um modelo de jogo base único. Não é possível ter todos os escalões de formação a jogar em 4-3-3 e a equipa principal em 4-2-3-1. Apenas os guarda-redes, os médios centro e os centrais se conseguem adaptar, para os outros é toda uma aprendizagem que têm de fazer num mês, quando passaram 10 anos a jogar num sistema de apoios e posições diferentes.

Se todas estas medidas fossem adoptadas, talvez, deixo margem de erro, não tivéssemos de ir atrás dos carregamentos de Sul Americanos, que invariavelmente custam mais aos cofres do clube que duas ou três épocas dos escalões de formação juntas. Não tenho nenhum problema com contratações nesses países (Valdes, Fernandez e Liedson são do melhor que o nosso plantel tem), mas também sei que para um clube com o ADN e a tesouraria do Sporting fazer uma “argentinização” ou “chilenização” da equipa pode não ser o caminho mais visionário e inteligente a fazer.

Até breve.

domingo, 23 de janeiro de 2011

Nestes Domingos...

Quando a nação leonina pede por um próximo treinador de créditos firmados, vencedor de qualquer coisa, habituado a construir equipas vencedoras...o que é nos aparece (off the record) como um possível treinador de um dos candidatos? Domingos Paciência. Todos sabemos que é um Portista de berço, portista de carreira e mais um do tubo de ensaio de Pinto da Costa...no Braga fez uma temporada histórica no ano passado. É suficiente para chegar a um clube como o Sporting? Claro que sim. Será o perfil que todos os sportinguistas desejam? Claro que não.

Depois de Paulo Bento, Carvalhal e Paulo Sérgio, eleger Domingos será continuar a optar pelo mesmo tipo de treinador. Jovem, ambicioso e sem currículo. Muitos poderão pensar que Villas Boas também não tem muita experiência. Pois não. Penso aliás que se VB estivesse no Sporting estaria a enfrentar muitos dos problemas que afectam PS. Talvez seja um pouco melhor tacticamente e mais articulado na gestão dos media, mas isso valeria no máximo mais uma ou duas vitórias. Não estaríamos de qualquer forma em igualdade com o Porto e Benfica. De qualquer forma o que resulta no Porto é muito diferente do que resulta nos dois candidatos de Lisboa e há muitos casos para provar esta teoria.

O que o Sporting precisa é de um treinador com épocas de bons desafios, clubes ou selecções onde tenha experimentado todo o tipo de obstáculos, todas as vicissitudes de um técnico de primeira e tenha vencido. Já agora que esteja rotulado com uma boa "escola" de jogo, que use do "bom futebol" para conquistar vitórias. As bancadas de Alvalade não precisam só de treinador que monte uma equipa sólida, mas também alguém que devolva os bons espectáculos aos sócios. Estes treinadores são caros, mas o clube precisa de ambição e de dar provas dela. Precisa de um líder que não ande 15 jogos a tactear um onze, precisa de um decisor que não ceda às colocações de "entulho" no nosso plantel, por parte de empresários cada vez mais poderosos e ávidos de lucro.

Este treinador dificilmente será Domingos. Teria sido uma melhor opção que Paulo Sérgio, no final da última  época, uma vez que acabou a mesma como um herói. Mas na temporada em curso o Braga já não é o mesmo e a dinâmica de vitórias consagrada a Domingos desvanece-se a cada jornada. Não será culpa sequer do treinador, que viu sair Eduardo, Kiecsek, Evaldo, João Pereira, Moisés, Luis Aguiar e Mateus, quase meia equipa. Mas também não lhe será alheio o fracasso de Keita, Elderson, Salino, Lucas, Felipe e Custódio, outra meia equipa (muito mais barata é certo). Hoje Domingos já não tem aura e António Salvador não deve estar para ser tão meigo com o treinador no final da temporada.

Só um acto louco por quem quer que seja no Sporting se comprometeria com a aquisição de Domingos ao Braga quando pode ser um cenário real a queda em desgraça do mesmo. Um erro muito idêntico do que Bettencourt cometeu ao pagar 600 mil euros por PS quando o Guimarães nem sequer contaria em manter o contrato. A repetição da mesma asneira seria catastrófica e é bom que qualquer candidato conheça pelo menos a história recente do clube.

Por todas estas razões penso que seja melhor opção procurar um pouco mais longe o futuro treinador do Sporting, mais longe e um pouco mais acima. Acima do treinador "pequena-proeza", acima da incógnita e mais perto da certeza. O próximo treinador convém estar no comando da equipa mais do que 6 meses, preferencialmente várias épocas. Convém que seja um nome que mereça respeito e admiração do público do futebol. Convém que a sua aquisição convença o mundo leonino que o próximo presidente quer de facto vencer e não apenas ficar em 2º ou 3º lugar.

Até breve.

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

Muito trabalho para fazer

Para os sucessores de Costinha e Paulo Sérgio, existe um trabalho ciclópico a fazer assim que assumam funções. Olhar para a equipa e decidir o que fazer com ela. Não há muitas certezas e uma época como esta está a abrir demasiadas fissuras na composição de um núcleo base de atletas. Se normalmente uma equipa deverá mudar 15 a 20 % o seu quadro, o Sporting tem tantos casos que talvez no final da época esta percentagem se aproxime mais do 35 ou 40%.  Vamos caso a caso.


Patrício
É um jogador em crescendo e a valorizar-se. Seria um erro vendê-lo neste momento. Para continuar.

Hildebrand
Para continuar se estiver disposto a lutar pelo lugar em vez de choramingar. Se nos entretantos cair uma boa proposta, que se venda. O fantasma de Ricardo como seu substituto só pode ser piada.

Tiago
Já teve as suas épocas, as suas oportunidades. Deveria dar lugar a um jovem da Academia, não Golas, esse deverá jogar para que “cresça”.

Cedric
Sendo um dos laterais direitos num plantel com 3, só deverá ficar se Abel sair. Precisa se jogar para se afirmar e um empréstimo deverá ser equacionado.

Abel
Não está a fazer uma má época, mas a renovação só pode ser entendida como boa, se “aligeirar” um pouco o seu salário. Será sempre uma alternativa a Pereira e os anos passam. Além disso existe um João Gonçaves, no Olhanense à espreita.

Pereira
É um bom lateral e a projecção que está a ter na Selecção deve ser bem entendida em Alvalade tentando fazer com que o jogador melhore no aspecto disciplinar. Para continuar.

Evaldo
Apesar de as suas prestações não serem unânimes, considero-o um valor seguro e com um treinador tacticamente menos caótico pode melhorar no seu posicionamento e gestão de esforço. Para continuar.

Grimi
A sair o quanto antes. Abre-se uma vaga para lateral esquerdo, não havendo nenhum lateral da Academia candidato e com um André Marques ainda a precisar de rodagem, era essencial adquirir um rival para Evaldo, nada de loucuras, um valor jovem.

Torsiglieri
Não está a “pegar” e como o investimento foi grande, talvez o empréstimo seja uma boa opção. Isto se o próximo treinador prescindir dele.

Polga
As noticias dão o brasileiro sempre com um pé fora, mas a verdade é que os anos passam e o central vai ficando. A idade já vai pesando, mas com uma nova dinâmica desportiva talvez seja um valor seguro a manter. Sub-Capitão.

Carriço
Valor a manter e a estimar. Capitão. Para continuar.

Coelho
Não cumpriu o que tanto prometia, mas não vamos “fechar” já a porta ao valor deste central. No caso de qualquer dos outros centrais saírem será sempre bom que fique. Se Polga e Torsiglieri ficarem deveria ser o “eleito” para ser negociado. Tem mercado e a sua venda abriria espaço para outro tipo de jogador, com mais capacidade para se afirmar ao lado de Carriço.

Pedro Mendes
Para mim só é pena as lesões repetidas deste grande jogador, tem tudo para ser um dos alicerces da equipa. Mas não jogando está a sair muito caro aos cofres do clube. Mediante apreciação clínica deverá ser entendido como um valor a negociar. Por muito que nos custe Pedro Mendes no “estaleiro” não nos serve muito de ajuda.

Maniche
Está a fazer mais do que muito imaginavam que faria e visto que renovou automaticamente, terá de ficar. Para mim será uma boa segunda opção. Tem evidenciado uma quebra física notória, será só o factor psicológico? Para continuar.

Zapater
Tal como Torsiglieri, não é jogador para mantermos no “escuro”, é caro, tem pelos vistos potencial e custou muito caro para ser suplente. Empréstimo ou venda recomendam-se, garantindo sempre que o clube sai ressarcido do investimento.

André Santos
É a revelação e deve ser dado mais espaço para se afirmar. Entendo que a compra de médios poderá “tapar” o crescimento deste bom jogador. Para continuar.

Fernandes
Com um treinador capaz será sempre mais provável que saia da “reclusão” em que se mantém. Valor indesmentível do plantel, o clube der tentar tudo para que consiga aproveitar o talento enorme deste atleta. A definir melhor a sua posição. Para continuar.

Vukcevic
De mal amado a herói, é a história cíclica do montenegrino. Precisa de ser “domado”, mas cada ano que passa parece mais próximo de uma maturidade que fará dele um astro, para já ainda não a tem. Mais uma vez um novo técnico pode saber tirar mais “nabos” deste talentoso púcaro de leste. Vende-lo por 7 ou 8 milhões só será bom se tivermos conseguirmos ir buscar um extremo de tanta ou maior qualidade.

Izmailov
Saiu Bettencourt, sairá Costinha e o trabalho de Couceiro de recuperar este jogador estará bem mais próximo de chegar a bom porto. Isto se o problema é realmente o entendimento com as “chefias” do clube, se o “mau comportamento” do Russo for causado por outras razões, teremos mais uns meses para aturar estas “birras” infernais.

Valdes
É a contratação mais acertada. As comparações com Pedro Barbosa são um elogio à sua capacidade técnica, mas o chileno tem mais. Bom a finalizar e mais capaz fisicamente que o português, este ex-Atalanta não será um organizador de jogo, mas à falta de puro “maestro” é a ele que deve ser dada a batuta. Para continuar.

Salomão
O miúdo tem um aproveitamento ao nível do que fez Simão na sua primeira época, mas tem uma humildade diferente. Pode ser um caso sério se lhe derem as oportunidades que tem vindo a merecer. Parece mais formatado para jogar na centro, do que nas faixas. Para continuar.

Saleiro
Nada mais existe a dizer. Deverá ser emprestado ou vendido.

Djaló
Tanto potencial…e tarda em pegar na equipa. As lesões são um verdadeiro stop na sua afirmação. Sempre achei que temos aqui um diamante, mas ainda ninguém descobriu como se lapida. Tendo mercado, porventura será bom vendê-lo, parece também ser essa a sua vontade.

Postiga
Fica ou não fica? Ninguém sabe. Já muitas vezes escrevi neste blog sobre a utilidade de ter um avançado da sua qualidade. Não será o substituto de Liedson no ataque aos golos, mas ainda assim é melhor do que as promessas todas que têm passado pelo clube. A jogar, e a marcar como nesta época só sairá mesmo por uma transferência recompensadora para o clube.

Liedson
Como se está a ver nestes últimos jogos o levezinho não se esqueceu como se marcam golos, mas já não será no futuro um avançado para marcar muitos golos por época. É um símbolo, mas não deve ter o lugar reservado por tal. Para continuar.

Dos 25 jogadores, apenas 10 são para mim valores seguros a manter no próximo plantel. Depois existem os negociáveis (Pedro Mendes, Postiga, Djaló, Izmailov, Vukcevic, Zapater, Coelho, Polga, Torsiglieri e Hildebrand) que se ficarem não serão nunca pesos mortos. Os emprestáveis (Saleiro e Cedric) e os dispensáveis (Grimi e Tiago). Sobra Abel que é um caso difícil. Não acredito que vendamos estes 10 jogadores negociáveis, mas será mais lógico que isso aconteça a 3 ou 4 jogadores, a minha opção seria sempre Djaló, Zapater, Torsiglieri e Hildebrand, precisamente os jogadores com menos aproveitamento e oportunidades nesta época.

Sendo assim abririam vagas para um avançado, um central, um médio centro e um guarda-redes. Nos 2 primeiros casos as apostas deveriam ser muito fortes, nos 2 últimos a entrada de valores da Academia ou algum dos atletas emprestados seria uma boa opção.

Sobram ainda desta análise os jogadores: Renato Neto, Nuno Reis, Wilson Eduardo, João Gonçalves, Pongolle e Stojkovic que por razões diferentes interessa considerar na construção do plantel 2011/12.

Como se vê, muito trabalho, muito mercado a explorar será preciso muita inteligência para rentabilizar vendas de jogadores de modo a fortalecer e melhorar a qualidade da equipa. Muito do futuro do próximo treinador dependerá disso.

Até breve.

Uma bolha no pântano

O futebol é um desporto fabuloso, onde tudo o que permanece igual durante meses pode mudar em minutos. Quem estava a ver o jogo de ontem frente ao Penafiel não pode ter deixado de ficar surpreendido com os dois golos de Zapater. E que golos. Foi um flash de heroísmo que só não assume maiores proporções porque foi frente a um adversário frágil, num momento do jogo em que já praticamente nada havia para discutir, Mesmo assim foi um final de jogo de “fúria” para o Espanhol.

Zapater já admitiu que não entrou com o pé direito e à semelhança de Valdes, deu o seu grito de revolta. É fácil de compreender que para este jogador, fazer uma boa partida frente ao Braga e depois ir para o banco para dar o lugar a Maniche e Pedro Mendes pode ter sido a ultima gota a transbordar um copo cheio de raiva e poucos minutos de jogo. Mas desta vez “ouviu-se” bem o recado de Zapater a Paulo Sérgio. Espero que tal como aconteceu com o chileno, Paulo Sérgio “acorde” e dê mais oportunidades a este médio que tal como Salomão e Vukcevic provou ter garra para mais do que 3 minutos de jogo.

Convém também que alguém diga a Paulo Sérgio (que até foi jogador de futebol) que para um jogador entrar aos 88 minutos de jogo, é o mesmo que chegar a um jantar de amigos na altura da sobremesa. Não entendo esta mania de PS de esperar até aos últimos dez minutos de jogo para fazer substituições. A equipa não beneficia da frescura de quem entra, e o impacto da substituição é mínimo. Demasiado tempo a treinar equipas pequenas, onde as substituições são guardadas religiosamente para fazer perder tempo no final do jogo?

Falando do jogo, foi uma vitória e para mim apenas isso. O adversário prometeu, mas durou só até aos golos do Sporting. Como sempre dependemos dos golos, e se neste momento Liedson se lesionar não temos avançados, o que revela um quadro mal preparado de avançados (Djaló não é um ponta de lança de área e Saleiro não está à altura de um candidato ao título – sobram Postiga que está lesionado e Liedson em fim de carreira, cada um tira as suas conclusões). Frente a um Penafiel atrevido mas frágil, o Sporting pode jogar, mas foram evidentes as facilidades, não colocando à prova nada do que têm sido as dificuldades da equipa.

Outro assunto que me continua a provocar uma raiva descomunal, são as declarações de Paulo Sérgio nos flash interviews. Todas as equipas que jogam contra o Sporting são óptimas equipas, muito difíceis, até um dos últimos classificados de uma divisão inferior. Mas que raio…parece que até o Penafiel é suposto vir a Alvalade discutir o resultado? Não senhor PS, não é. É suposto o Sporting golear. É suposto mostrar em campo o quão superior é a clubes de expressão inferior sejam eles Paços de Ferreira, Guimarães ou Penafiel.

Eu sei que é uma questão de discurso, mas é esta inabilidade para fazer análises na imprensa que me levanta grandes dúvidas quanto ao valor deste treinador. A equipa já não tem grandes resultados, joga mal e ainda por cima, o seu treinador desaproveita constantemente os seus tempos de antena com banalidades e frases feitas. Está 20 anos atrasado no discurso, a milhares de anos de luz dos “mind games” de Mourinho. Pergunto-me se PS saberá sequer que o que diz na imprensa tem reflexo na equipa, nos adeptos e nos rivais? Saberá que é uma ferramenta essencial de motivação e gestão de balneário? Defender sempre a equipa, tal como o inverso deixa de ter resultado ao fim de algum tempo. Chama-se a isso “repetição de mensagem” e os receptores vão ficando “imunes” ao conteúdo do discurso..

Enfim…é o que temos. E não melhora.

Até breve.