terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Que tal construir uma equipa primeiro?

“É evidente que os nossos adeptos têm todo o direito à indignação, mas que o façam só quando o árbitro terminar o jogo. Vamos tornar os jogos difíceis para os nossos adversários em Alvalade. Tornar o nosso estádio naquilo que sempre foi".

Brilhante. Parece que Couceiro, o autor desta preciosa afirmação, já está contaminado com Bettencourite aguda. Porque não pedir aos sócios, que aplaudam a equipa quando esta sofrer um golo? Há coisas que o futebol nunca produziu e o apoio ao mau espectáculo ou à derrota merecida e vergonhosa sempre foi uma delas. Apoia-se o talento e aplaude-se o esforço, não a mediocridade e desmotivação.

Se os dirigentes do Sporting estão tão preocupados em tornar a vida das equipas que vêm a Alvalade mais difícil, talvez não deviam ter feito:

- Vender o melhor jogador da equipa e melhor concretizador da década;
- Contratar um treinador sem cv e garantia nenhuma de espectáculo;
- Contratar um director desportivo sem experiência e “jogo de cintura”;
- Ter uma politica de preços de bilhetes e lugares cativos absolutamente sem critério;
- Ter um estádio desajustado à filosofia de apoio e cores do clube;
- Ter uma comunicação com os sócios de afastamento e imposição;
- Lidar com os adeptos como consumidores e não como a “alma” do clube;
- Fazer dezenas de promessas nunca cumpridas em 2 anos de mandato;

E por último, mais importante do que tudo o resto:

- Esperar que os sócios apoiem um grupo de jogadores que não ganha, joga mal, ofende os adeptos, que estão sempre com vontade de ser vendidos, que dificilmente pode ser apelidada de equipa.

Que tal unirem-se, concentrarem-se, darem tudo, em prol do clube e usarem 20% do talento que têm? Se a equipa for o espelho do lema do clube “Esforço, Dedicação, Devoção” a “Glória” virá com naturalidade. E com esta o apoio incondicional dos adeptos.

Fui claro caro Couceiro?

Até breve

Taberna Vs Democracia

Um clube como o Sporting, que precisa medicamente de assistência directiva, precisa de um acto eleitoral participado, com discussão de novas ideias, novos caminhos. A ideia vigente está caduca e deveria ser substituída pois não traz resultados, não traz saúde financeira, não traz evolução, só retrocesso e diminuição.

Para que este debate tenha lugar, é essencial a concorrência de todo o tipo de candidatos, de todos os quadrantes, desde o candidato aventureiro ao candidato da continuidade. O leque variado de opiniões enriquece a campanha, oferece aos sócios todo o tipo de visões do clube, cabendo aos mesmos a frieza e a inteligência de escolher a melhor.

Acho que seguindo esta linha de raciocínio, todas as candidaturas serão bem-vindas, saudadas pelo seu contributo e escutadas com atenção e sentido crítico. Isto chama-se democracia e os clubes são instituições de cariz democrático. O Sporting Clube de Portugal que me habituei a conhecer, sempre foi, no melhor e no pior, antes de mais nada um espaço de democracia.

Muitos se queixam da “linhagem”, dos “barões”, da “continuidade”, mas verdade seja dita, ela foi eleita por nós sócios nas urnas. Apenas nos casos das cooptações não foram eleitos os presidentes e mesmos estes foram sufragados entrando nas listas vencedoras como vice-presidentes. Só nos podemos queixar de nós próprios.

Mas como disse, deve-se saudar toda e qualquer candidatura e não insultar à partida candidatos, rejeitando o seu sportinguismo, negando o seu direito natural a poderem ser presidentes. Isto é primário, descabido e idiota. Vejo que o avanço de recentes figuras como candidatos está a abalar a consciência de muita gente, que munida de uma arrogância e hipocrisia fora do normal, declaram ainda sem sequer se conhecerem os projectos, o seu desagrado pela figura e discursos conhecidos. Isto não é uma opinião, é um acto de imaturidade.

Não gosto de listas únicas, não gosto de não poder escolher. Acho sempre um sintoma de unanimidade por falta de melhor alternativa. É por isso que todo e qualquer candidato terá o meu aplauso, a minha atenção. No final, o melhor, terá o meu voto.
As opiniões guardo para mim próprio, como não faço parte de nenhuma lista, nunca serei veículo de campanha ou anti-campanha. Isso era diminuir este blog a conversa de taberna, que todos gostamos, mas…na taberna.

Até breve.

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Obrigado pela paciência!

Depois do azar, depois das bolas na trave, depois das más arbitragens, depois de estarmos a 23 pontos do Porto e a 12 pontos do Benfica o que fará uma equipa não baixar os braços? O orgulho? A honra? Serão estas palavras parte do léxico do futebol moderno? Ao olhar para a equipa do Sporting vê-se muita coisa, mas pouca concentração. De quem é a responsabilidade de não deixar os níveis motivacionais cair por terra? A resposta é simples. É de todos. Este universo também engloba os adeptos.

Como adepto porém, não me sinto minimamente culpado pelo momento do clube. Estive sempre a apoiar a equipa no estádio, até entender que a surdez de Bettencourt e “sus muchachos” se estendia ao entendimento do que é o Sporting e o que é o futebol.
Vezes sem conta os adeptos clamaram por mudanças, por mostras de insatisfação directiva, não surgindo criou-se um fosso entre o que é o Sporting dos sócios e o que é o Sporting de JEB. Um é ambicioso e exigente, o outro é precavido e desculpabiliza-se com tudo o que vem à mão.

Agora, com uma equipa destroçada, é fácil de entender os erros de casting, os erros de Costinha e Paulo Sérgio. Mas já se torna mais difícil assumir que em Setembro, repito em Setembro, se podia ter invertido a situação, pelo menos tentado. Várias vezes aqui neste blog fui acusado de não promover a estabilidade, de estar “sempre a dizer mal” e a não dar uma oportunidade ao treinador. Pois bem, a verdade é que “estavelmente“ fomos caminhando para a desgraça e o Sporting afundou-se no ridículo.

Outro argumento que vi sempre nas opiniões dos defensores de PS era de que a culpa não era só do treinador. É verdade, mas isso isenta alguém de tomar medidas? A falta de dinheiro justifica os resultados frente a adversários como o Olhanense, Paços de Ferreira, Estoril e Naval? A equipa quer frente a adversários de maior ou menor valia, fez sempre más exibições, isso é culpa de Bettencourt e Costinha? Não. É culpa de treinador. Com os jogadores actuais era possível ter feito outras exibições e ter outros resultados e em Setembro tudo isto já era evidente.

Ah…mas o Ferguson precisou de 8 anos para começar a ganhar competições no Manchester. Este argumento de dar tempo a um treinador é o mais estúpido que já vi entre conversas de sportinguistas. Se o treinador escocês aguentou tanto tempo foi por alguma razão e decerto que apresentar bom futebol e ter atitude competitiva foram essenciais na sua avaliação. Se o Sir Ferguson é ambicioso e exigente hoje, depois de tantas conquistas, imaginem o que seria antes das mesmas.

Por mais desculpas que tenhamos ou quisermos ter, PS foi, é e enquanto estiver no banco do Sporting será sempre um erro. Todos perderam. Perdeu ele, perdeu o Sporting, perderam os jogadores. Perdemos nós adeptos, com mais um ano jogado ao lixo. Tudo por teimosia. Tudo por se excluir a satisfação dos adeptos das contas. Na verdade não entram em nenhum relatório de actividade, mas não será este o elemento mais importante na saúde e estabilidade do clube?

Agora é tarde. Agora é momento de agradecer à “velha guarda” do Sporting, aqueles que não achavam que mudar de treinador mudaria alguma coisa. A estes adeptos, que respeito a antiguidade mas muitas vezes compreendo alguma dificuldade em entender como é o futebol hoje, agradeço o facto de terem tido paciência. Prometo que agora serei paciente, agora que é tarde para fazer o que quer que seja sem ser…ter paciência.

Até breve.

domingo, 13 de fevereiro de 2011

É...pena

Quando foi contratado foi uma grande desilusão, JEB prometera um nome que iria causar surpresa e cumpriu, mas pela negativa. Paulo Sérgio não era um nome que andasse nas bocas dos elogios, não eram um técnico a que se reconhecesse mais do que seriedade e trabalho. Génio e talento ficavam na gaveta à espera de um princípio de época motivante e galvanizador.

A pré-época oscilou entre o razoável e o insuficiente, mas pequenas centelhas de jogo colectivo e pressão alta deixavam na incerteza os mais cépticos. Assim que a época começou foi óbvio que a equipa não estava bem entrosada e as dúvidas de sistema táctico atropelavam-se entre a defesa que não estava sólida e o ataque que não produzia golos. Paulo Sérgio começava a mostrar alguns sinais de impreparação, continuando a prometer melhorias que nunca surgiriam.

Depois do jogo com o Benfica, onde Jesus tirou de letra a desmontagem das capacidades do Sporting, foi notória a dificuldade que PS tinha em colocar a equipa a fazer mais do que o standard e era pouco. Começou a pedir-se algo mais, na maioria dos blogs pedia-se já a cabeça do técnico. Nesta altura sentia alguma decepção, que mais tarde foi convertida em impaciência. Depois do jogo de Olhão só consigo sentir pena. É um espectáculo lamentável ver PS no banco. O desespero, a aflição. Não há segurança absolutamente nenhuma e a cara do treinador é a mesma da exibição da equipa – de agonia.

O homem diz que não vira a cara à luta, mas já não luta nenhuma, só uma lenta ferida que vai dilacerando e sangrando. O moribundo já não dá sinais de vida. A ganhar 2-0, a equipa parou de jogar, como se um sinal tivesse sido dado em como se podia desligar o motor de concentração e agressividade. Resultado, dois ataques, dois golos. Só não foi pior porque o Olhanense ficou saciado e esperou pelo Sporting lá atrás. O Sporting esperneou, mas a arbitragem juntamente com a cabeça perdida impediram que o jogo desse mais do que costuma dar aos leões – um resultado decepcionante.

Como disse, já não tenho raiva deste Sporting, tenho pena, como se tem pena de um cachorro que não tem dono. Neste momento só consigo imaginar a “loucura” de deixar PS viajar para a Escócia no comando desta equipa, no regresso trará mais uma humilhação na mala que será a preparação ideal e trágica para defrontar o Benfica na Luz. Numa semana, a pena que tenho por PS e pelos esforços desesperados dos jogadores serão convertidos em puro ódio por JEB e restante direcção. Por uma razão apenas: como foi possível terem deixado tanto tempo um erro por emendar.

Ao vender Liedson sem substituto ficou claro que o Conselho Directivo já tinha desistido desta época, a manutenção do treinador confirma-o semana após semana. Nunca vi em 30 anos de futebol uma equipa técnica dar tantas razões para ser demitida, nunca vi uma desistência tão assumida de um clube pelos seus objectivos. Hoje começamos a lutar pelo 3º lugar. Como se fosse um patamar mínimo. Mas não é. É um patamar ridículo! Assim como foi toda a época. Só Costinha e JEB é que não viram onde é que isto iria dar, mas vão ver, esta semana.

Só os mais fanáticos optimistas, é que acreditam que uma equipa que perde com o Estoril, empata em casa com Naval e empata fora com o Olhanense depois de estar a ganhar 2-0, irá à Escócia fazer um bom resultado. Pode acontecer, mas será precisa toda a sorte e coincidências felizes que não têm surgido. Quando dependemos destes parâmetros, está tudo dito.

Até breve.

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

Sucessão de erros

Paulo Sérgio, Carlos Carvalhal, Paulo Bento, José Peseiro, Fernando Santos.

5 treinadores portugueses, os treinadores mais recentes do Sporting. O mesmo sucesso: nenhum. Pior só mesmo a sucessiva queda de qualidade quanto ao currículo – Peseiro tinha bem menos que Santos, Paulo Bento bem menos que Peseiro, Carvalhal menos que Paulo Bento e Paulo Sérgio menos que Carvalhal. É evidente que as apostas em “treinadores para crescer” tem falhado rotundamente.

Se mais argumentos tivessem de existir para “exigir” um treinador com calibre para outras ambições, poderíamos observar que seguindo a estratégia que tomámos há 10 anos a atrás, o próximo treinador seria realmente um Dauto Faquirá ou então um adjunto do género de Faria. Nada poderia ser mais claro que não é possível ter dois problemas ao mesmo tempo, ou seja, uma equipa menos competitiva e um treinador sem currículo.

Indo muito para além do que poderemos imaginar ser a carreira de Villas Boas no Sporting em comparação à que está a fazer no Porto, chegamos a uma verdade indesmentível: o Sporting não é neste momento um desafio acessível a um treinador que não tenha extrema confiança nas suas capacidades. Estes treinadores acima citados, tem uma coisa em comum, todos entraram pensando que seriam eles a retomar a via de sucesso do clube e passado pouco tempo todos comentavam as dificuldades de rivalizar com Porto e Benfica. Porquê?

A razão mais óbvia seria a realidade dos orçamentos, a mais interessante será o factor confiança (que nenhum mostrou) inabalável na capacidade de superar a falta de poder de investimento. Muito poucos referiram a vantagem de ter a Academia, e ainda menos conseguiram aproveitá-la como viveiro máximo de talento. Mais uma vez, o factor confiança. Porque para lançar um jovem numa equipa que luta por títulos envolve coragem, coragem para tirar jogadores mais experientes da equipa, coragem para suportar os erros de inexperiência dos mesmos.

No tempo destes técnicos o Sporting teve grandes jogadores (alguns que hoje formam a base da selecção) que despontaram na Academia, mas nunca existiu nenhum técnico que tenha dito “posso não ter o dinheiro dos nossos rivais, mas tenho algo que eles não têm…uma das melhores escolas de formação do Mundo!”. Nunca valorizámos devidamente este trunfo, em primeiro lugar porque nenhum treinador insistiu nele. Duvido que Mourinho no banco de um Sporting sem capital, não jogasse mão de vários jogadores da Academia todos os anos…duvido mesmo muito.

Além do mais a glória de ter sucesso com jovens portugueses na equipa é mais plena. Algo que, repetindo o exemplo, nunca escaparia a Mourinho. Mas o Sporting, não precisa (porque não pode) de um Mourinho, precisa de um Wenger. Um treinador com experiência, perspicácia e um sexto sentido para descobrir talentos. Penso que este é o caminho mais seguro.

Até breve.

Quem manda no Sporting?

Poderá o clube estar tão endividado, que tenha perdido a independência? O boato de que são os bancos credores que administram o Sporting, será assim tão descabido? Face aos últimos capítulos da novela “Eleições” surgem-me uma série de interrogações sobre a autonomia real da SAD e logo do clube face a instituições que se sabe desde há anos financiam a sustentabilidade do clube verde-e-branco.

Quanto mais penso, mais lógico ficam alguns actos “ruinosos” que se desportivamente eram tontos, financeiramente eram pouco mais de que aceitáveis. Convenhamos que as vendas de jogadores, de património, a opção por recursos humanos medianos, é muita coisa…onde o clube ficou sempre a perder em termos de competitividade.

É óbvio que existe um poder instalado, quiçá se mantenham super vigilantes por acharem que o clube não pode sofrer "desvios" de um caminho de obediência aos financiadores, mas os resultados práticos desse comportamento é a perda de controle e paradoxalmente a instalação de uma "quadrilha moral", que pode tocar ao de leve os desenhos de acção da mafia napolitana.

Será pois uma luta muito "suja" tentar limpar o Sporting deste "clube de notáveis", nunca desistirão do que conquistaram em tantos anos, aqueles "corredores" são seus desde a saída de Sousa Cintra e quem conhece o terreno leva sempre vantagem. Alguém que tenha alguns "telhados de vidro", não pode achar que as regras de etiqueta da "nobreza" leonina os impedirá de fazer aquele telefonema ao jornalista de conveniência, alertando para investigações que nunca foram feitas, noutros meandros extra-futebol.

O Sporting é um clube muito grande, de muita visibilidade, apetecível a egos carenciados, quem quiser comandá-lo terá de enfrentar oposição, que nem sempre está nas urnas. Convém ter: capacidade para responder ao "jogo sujo" ou um cadastro limpo. Os sócios estão atentos ao programa, a imprensa atenta ao "sangue"...mas quem é que não sabe isto?

Até breve.

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

E agora?

Depois das palavras de Moniz Pereira "as pessoas que estão à frente do clube percebem de contas, de contratos, mas não sabem nada do Sporting, percebem de números mas de desporto...isso já é diferente." quero ver se também ele é despedido, tal como Costinha. Convém lembrar que é vice-presidente do Conselho Directivo para as modalidades amadoras. E agora Bettencourt?

Até breve.

Falando de futebol e futuro

Rui Patricio, Pereira, Abel, Evaldo, Torsiglieri, Coelho, Carriço, Pedro Mendes, Zapater, André Santos, Fernandez, Valdes, Salomão, Vukcevic, Izmailov, Djalo, Cristiano, Postiga. 17 jogadores que salvo alguma venda deverão ser a base do plantel da próxima época. Como é óbvio existem lugares que precisarão de reforços.

Na baliza penso ser pacifico que Hildebrand para o que joga é muito caro, a sua dispensa mais o fim de carreira de Tiago abre 2 vagas. Penso ser da mais correcta apreciação que Patrício começa a oferecer alguma segurança e com o lugar de titular na Selecção à vista, permite ao Sporting a chamada de 2 jovens (Golas e Ricardo Baptista) permitindo o investimento noutras funções.

Na defesa, Grimi está a mais há dois anos e com a sua venda/ empréstimo cria-se uma vaga na lateral esquerda. Na direita João Pereira e Abel oferecem soluções e penso que a renovação (por valores simpáticos para o clube) com o segundo é racional e vantajosa. No caso de não acontecer, incluir João Gonçalves do Olhanense será a melhor solução. No centro e face ao interesse no mercado por Polga, ao contrário de Liedson que era um valor preponderante, vender seria excelente, podendo o valor recebido ser parte do investimento num bom central.

No meio campo, a maior dúvida chama-se Maniche. Concordaremos todos que face à revelação André Santos, à ascensão de Zapater e à segurança de Pedro Mendes, ter Maniche pelos valores que se falam é demasiado capital para apenas 2 lugares no onze. Facilitaria bastante a negociação de uma rescisão com Maniche. Abre-se então uma vaga no centro que pode ser colmatada com um dos muitos médios centro emprestados pelo clube. No lugar de pivot ofensivo, se Fernandez não recuperar a forma será fundamental vender o chileno (Valdes assegura bem a função), Renato Neto está em destaque na Bélgica e seria uma opção a considerar.

Nas alas, Izmailov e Cristiano na direita e Salomão e Vukcevic na esquerda, bem treinados podem ser soluções suficientes, mas para o caso de alguma venda (Vukcevic ou Izmailov) era um dos lugares em que precisamos de forte investimento.

No ataque, dividindo os lugares por duas funções – ponta de lança e 2º avançado – precisamos de muito “sangue novo”. Se para o lugar de ponta de lança já teremos Postiga (será que renova?) e para 2º avançado Djaló, será essencial que entrem pelo menos mais duas opções (uma de grande investimento e outra de menor) para a primeira e mais uma para a segunda, sendo que aqui entra Wilson Eduardo como uma opção muito válida (se não existir verba para grandes aventuras).

O quadro:

Guarda-Redes
Patrício, Golas, Baptista
Defesa Direito
João Pereira, Abel/ João Gonçalves (empréstimo de Cedric)
Defesa Esquerdo
Evaldo, VAGA
Defesa Central
Torsiglieri, Coelho, Carriço, VAGA
Médio Centro
André Santos, Zapater, P.Mendes, André Martins/ Adrien
Médio Esquerdo
Vukcevic, Salomão
Médio Direito
Izmailov, Cristiano
Médio Avançado
Valdes, Fernandes / Renato Neto
2º Avançado
Djaló, VAGA / W. Eduardo
Ponta de Lança
Postiga, VAGA, VAGA

Ficaria um plantel com 26 jogadores, em que contratariam apenas 5 jogadores. Dentro deste número 3 deles seriam de forte investimento – 1 ponta de lança + 1 falso ponta de lança + 1 central – e dois de médio investimento (1 ponta de lança + 1 defesa esquerdo).

Regressariam 3 elementos (Golas, Baptista, André Martins ou Adrien) podendo este número subir para 6 (João Gonçalves, Renato Neto e W.Eduardo) consoante a saída de algum atleta ou venda.

Abandonariam 8 atletas (Tiago, Hildebrand, Grimi, Cedric, Polga, Maniche, Tales, Saleiro) não considerando os processos de renovação de Abel e Postiga.

Não sei que verba existirá para contratações, mas se existir a venda (era fantástico) de Pongolle somando a rescisão dos salários de Liedson, Stojkovic, Maniche, Hildebrand, Polga, Grimi e uma catrefada de jogadores emprestados que não nos interessam, o Sporting terá muito mais capacidade negocial para a atacar o próximo defeso. É evidente para toda a gente que o Sporting precisa de uma nova frente de ataque, poderosa, à falta de melhor, que se contratem apenas 2 jogadores, uma dupla atacante de respeito. Nuno Reis no centro da defesa e Jorge Gonçalves adaptado a lateral esquerdo podem ser um bom back up plan.

Esta é a minha visão. Poderão haver centenas melhores, mas uma coisa é certa, todas falharão se no banco estiver Paulo Sérgio.

Até breve.

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Culpas sem Costinhas

Apesar de entender a razão, não posso deixar de ter pena que exista tanta decisão em despedir Costinha quando de facto, seria bem mais producente despedir Paulo Sérgio. Não sei se a direcção também analisou a frase de Paulo Sérgio “não posso despedir-me quando não me sinto totalmente responsável pelos maus resultados…”, mas aposto que perante o valor da rescisão teve bem menos coragem.

Existe ainda assim uma esperança, neste momento apenas Costinha se mantinha ao lado da equipa técnica, saindo, Paulo Sérgio transformou-se numa ilha, um pouco à imagem de Carlos Carvalhal na época anterior. Terá efectivamente menos apoio e talvez mais perto a porta de saída.

No resumo de tudo isto, fico com algum receio do que virá depois deste despedimento. O que acontecerá se amanhã Izmailov, Vukcevic ou qualquer outro jogador vier dar uma entrevista onde critique a actual direcção? Terá JEB margem de manobra?

Tudo isto poderia ter sido evitado se há muitos meses atrás se tivesse proposto a rescisão a Costinha e PS, tantas e tantas vezes disse aqui que estes dois responsáveis não tinham conseguido construir uma equipa. Nessa altura JEB optou por dar mais tempo, está à vista o que o tempo trouxe. Era bem mais leal despedir por maus resultados do que por falta de solidariedade.

A verdade é que JEB foi sempre o menos solidário de todos.

Até breve.

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Dança de Cromos

Assim que foi conhecida a data das próximas eleições, assumi que neste blog, apenas de iriam discutir programas, medidas ou os projectos de cada candidato. Pareceu-me claro que o Sporting peca por um rumo indefinido, por não saber quais são as suas prioridades. Assim que se abandonou a via poupadinha dos mandatos de Dias da Cunha e FSFranco, o Sporting perdeu-se numa montanha russa de tesouraria. Não se soube investir, não se soube harmonizar o investimento dentro da equipa.

A falta de um plano, de uma matriz de conduta permitiu as todas as oscilações de JEB, entre a confiança exagerada do início e a depressão do final, ambas poderiam ter sido evitadas. No momento em que vivemos agora, é vital a definição de um caminho, que passe por um sufrágio, uma aprovação dos sócios. Qualquer futuro que se desenhe sem os adeptos no centro terá o fracasso como destino, qualquer futuro que devolva a decisão do clube aos sócios só poderá ter sucesso, porque, os adeptos do Sporting nunca deixaram de ser grandes!

Mas para que isso aconteça é fundamental cada adepto, cada sócio, estimular a discussão das ideias rejeitando a todo o custo comentar nomes ou perfis, passados ou currículos. A "troca de cromos" como gosto de chamar a este perfilar de nomes que avançam e recuam, só afugentará sócios que não têm máquinas de marketing ao seu dispor, entendendo que não têm a capacidade de expor a suas ideias e serem ouvidos. Terá ainda a desvantagem de "obrigar" a possíveis candidatos a um esforço de propaganda que interessa aos jornais e aos não sportinguistas, mas dificulta o explanar de argumentos válidos e construtivos, aquilo que se costuma chamar soluções.

Neste período de pré-campanha quase toda a discussão se centra num tal fundo de 50 milhões de euros. O que para mim deveria ser apenas um ponto em centenas de outros, esmagou a discussão e promete sugar todo o debate para uma troca de viabilidades e razoabilidades de um fundo de jogadores. Porquê? Porque nós como adeptos permitimos que tal acontecesse. A fasquia está então colocada muito baixa, acessível a quem no futuro diga que têm por exemplo um fundo de 70 milhões. Lembro-me de um presidente benfiquista que venceu umas eleições a troco de promessas de empréstimos obrigacionistas e uns milhões para gastar na equipa de futebol.

Falo de Vale e Azevedo. Se continuarmos a avivar a nossa memória, podemos até lembrar que ele cumpriu aquilo que prometeu e o dinheiro entrou (menos é certo) nos cofres. Mas e depois? Onde foi gasto? Como foi gasto? De que beneficiou o benfica? Nada. Apenas agudizou uma crise, não a resolveu. Podemos tirar desta memória uma lição muito eficaz - despejar dinheiro em cima de um problema não resolve, aumenta-o. Porquê? Simples, porque não obedeceu a um plano, a um racional projecto de crescimento e remoção progressiva de obstáculos.

Qualquer "Souness" que aterre em Alvalade vai esfregar as mãos de contente em ter 50 milhões para comprar jogadores, mas que garantias temos de que irá gastar bem a verba? Nenhuma. Mas se o mesmo tiver directrizes bem vincadas em que tipo de jogador faz falta em Alvalade, em que posições, com que massa salarial, com que origem, provavelmente agradecerá a ajuda e compartilhará o insucesso no caso de falhar. Porventura será até mais racional investir 50 milhões na construção e manutenção de um projecto de equipa B e na melhoria dos contratos das grandes promessas, do que esbanjar a verba em estrelas por provar.

Quando se constrói uma edifício, antes de começar a gastar dinheiro é necessário o projecto de um arquitecto e um parecer de engenharia. Começar a comprar terreno e materiais de construção antes destes passos é puro desperdício. Além do mais, no processo, não se contrata um arquitecto pelo nome, contrata-se um projecto de arquitectura pela viabilidade e criatividade do mesmo.

São estas precipitações, que nada tocam a imprensa, que me preocupam, que me fazem comichão cada vez que vejo um post num blog qualquer a apoiar ou desapoiar esta ou aquela figura pelo seu passado, pelo seu ar, pelo seu cargo actual. Seja Dias Ferreira, o Mickey ou o autocarro 50 da carris, ouvirei o que cada um tem para dizer, as suas ideias, o seu posicionamento, o seu projecto. Só então será válido dizer que não serve.

Não nos podemos esquecer, que o que está em causa é o futuro do Sporting Clube de Portugal e não as nossas afinidades pessoais com o candidato. O que está em causa é escolher o melhor projecto para o clube e não a figura mais mediática ou mais apresentável. Saibamos nós destingir o que é mais importante e estaremos a prestar um serviço precioso ao clube que tanto estimamos. Venham de lá os candidatos, sejam quem forem, de onde forem, com o passado ou história que for, devemos considerar cada voz com uma riqueza e não como um risco.

Até breve.

A toalha, a queda e a coragem

Para quem ainda não entendeu o que se passa no Sporting, deixo aqui algumas dicas. Se a equipa de futebol já não tinha uma capacidade por aí além, muito por culpa da gestão desportiva de fracos recursos financeiros e da má preparação táctica de Paulo Sérgio, com a venda de Liedson e a marginalização de alguns atletas, o plantel ficou ainda mais fraco, ainda com menos liderança e capacidade de concentração.

Numa altura em que os responsáveis nitidamente mandaram a toalha ao chão, os atletas não deixarão de sentir a mesma tentação e nos próximos desafios, apesar do estimulo de serem mais difíceis, a insegurança poderá por tudo a jeito para umas humilhações ainda piores do que a que assistimos na última partida. Esse risco está a levar por exemplo Costinha e Paulo Sérgio a reposicionarem os seus discursos, apontando baterias ao que o clube não lhes deu, não lhes permitiu chegar, não cumpriu.

Esta mudança em tudo começa a deixar adivinhar uma desconfiança muito forte face à resposta da equipa. Se no Funchal a coisa correu bem, na Amoreira e em Alvalade a prestação foi tenebrosa, salvou-se o facto de na Taça da Liga já estarmos apurados e em Alvalade ter havido um Liedson que em jeito de despedida se esforçou para contrariar a histeria colectiva que afecta já a equipa.

Se olharmos para as exibições recentes dos jogadores ditos regulares, é impossível não deixar de notar uma quebra brutal de rendimento, a que se deve na minha humilde opinião, a uma motivação que vai sendo cada vez menor, que se desfaz a cada contrariedade dentro de campo. Paulo Sérgio bem que se esforça para disfarçar esta apatia e depressão geral, mas é impossível a Naval dominar o Sporting se este não estiver a jogar numa rotação bem inferior ao que é capaz.

Estamos pois num momento de queda vertiginosa, que vai continuar a afundar a equipa, a desmoralizar o clube, pelo menos até à introdução de novas variáveis. Até pelo menos à tomada de possa de novos dirigentes ou à entrada de um novo treinador. Se a primeira acontecerá em meados de Abril, a segunda pode demorar ainda mais a surgir. O mesmo é dizer que só quase no final da época teremos a hipótese de inverter esta tendência.

Duvido muito que Costinha e ou Paulo Sérgio resistam ao rolo compressor da contestação, que vai ganhar novos contornos cada vez que existir um mau resultado. Depois da meia-final da Taça da Liga na Luz e da eliminatória com o Rangers, o quadro será mais nítido e será após estes confrontos que muito se irá decidir. É óbvio para todos que a margem é inexistente, além do mais afigura-se difícil que uma equipa que não consegue ganhar à Naval e ao Estoril, consiga derrotar o Benfica na Luz, não é impossível, mas convenhamos vai ser preciso um alinhamento planetário.

Será todavia um longa e lenta agonia, que qualquer Sportinguista deverá começar a preparar, por exemplo não dando muita relevância aos resultados, entendendo sempre que o que está hoje a dirigir é para “queimar”. Nasceu torto e já ultrapassou há muito a possibilidade de se emendar.

P.S. – Quero ver a coragem tomar conta de Bettencourt para despedir Costinha quando nunca lhe aconteceu o mesmo com Paulo Sérgio. Já só falta mesmo isso.

Até breve.

Costinhas Largas

Ao ver a entrevista de Costinha na SporTV fico com a certeza de que é um bom homem, cheio de boas intenções e conceitos razoáveis sobre o que é hoje o negócio futebol. Usou de honestidade e alguma moralidade perante a ingratidão dos adeptos e imprensa, mas o que destaco mais é a profunda desilusão que foi notória com JEB. De facto, Costinha parece revoltado com a "Direcção" por dois motivos que nos devem merecer toda a atenção e reflexão:

- O clube respira de uma capacidade nula de investimento e de endividmento;
- A direcção não fez o que podia para defender o clube.

Este conflito aberto entre direcção de um lado, Costinha e Paulo Sérgio do outro, mostra-nos claramente aquilo que está a acontecer às apostas de JEB e ao porquê da escolha de Couceiro. De facto, Couceiro foi o homem chamado a fazer as "novas" escolhas, uma admissão de "mea culpa" de JEB, a clara visão que o presidente teve de que treinador e director eram erros de casting de um realizador inexperiente e pouco talentoso. Ao demitir-se, JEB deixa "expostos" à insatisfação adeptos dois elementos que não têm culpa de terem elevados a um estatuto para o qual não estavam preparados.

Provavelmente é injusto mandar PS e Costinha para certas partes sem antes fazer o mesmo às pessoas que os recomendaram. Não se culpam os actores secundários pelo insucesso de um filme.

Para os que acham que Costinha não deveria ter "aberto" o jogo como o fez na noite de ontem, era porventura recomendável que se pusessem no lugar do mesmo. Eu acho que o homem podia ter "partido" ainda mais loiça, só iria ser justo e revelador do talento que muita gente no SCP tem para o equilibrismo politico. Além disso parece que se tem (eu por exemplo) imputado muita coisa (má) a Costinha em que nem foi chamado a dar opinião.

No final do programa, e vendo bem as coisas, pode-se acusar Costinha de não ter tido sucesso, de não ter tido um melhor treinador e um pouco mais de fortuna em algumas aquisições. Mas não se pode acusar de ser oportunista, nem sequer por em causa a dedicação que ofereceu às suas funções. Bom Sportinguista, talvez não tão bom director desportivo. Continuo a achar que será um bom quadro intermédio, um bom elo de ligação com o manager, um conhecedor e defensor de balneário. Chegará para o Costinha?

Até breve.



Até breve.