segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

A velha guarda guarda o quê?

Vi algumas imagens da apresentação da candidatura de Godinho Lopes na tv e só posso dizer que aquelas filas de apoiantes "de cadeira" estavam cheias de do que se chama agora 3ª idade. É aquela a equipa que nos vai guiar a um novo futuro? Na opinião daqueles apoiantes, talvez sim. Já entendi muita coisa e uma delas é que a velha guarda do Sporting já tem candidato. Como é que tão depressa ela aderiu a esta candidatura é para mim um grande mistério.

Já entendi o fenómeno da "continuidade" e parece que temos uma candidatura que aposta forte no chamado "baralhar para ficar tudo na mesma". Só se engana quem quer, mas vou esperar pelo programa para confirmar as minhas suspeitas.

Ouvi na sequência da notícia anterior que o treinador do Beira Mar estaria na calha para o Sporting. Quase que me ia dando uma coisinha má. Então livrámo-nos de um "cowboy" para irmos buscar outro? E para que candidatura? Deixa-me adivinhar....continuidade....ah pronto já entendi. Será que a velha guarda também se revê no "Cowboy de Jardim"?

Até breve.

Futuro de Bronze?

São poucos os campeonatos europeus onde a relação dos títulos não passa por uma bipolarização aguda. Este fenómeno pode e deve obrigar o próximo presidente do Sporting a “encaixar” no seu ideal de clube uma dose elevada de responsabilidade. Em Espanha Barcelona e Real Madrid, em França Lyon e Marselha, na Itália Inter e Juventus, na Inglaterra Manchester e Chelsea, na Escócia Celtic e Rangers, na Holanda PSV e Ajax, na Grécia Panathinaikos e Olympiakos, na Turquia Fenerbache e Galatasaray. Os eternos “terceiros” são cada vez mais cartas fora do baralho com Atlético de Madrid, Bordéus, Milan, Arsenal, Feyenoord, AEK e Besiktas a brilhar ocasionalmente, após grandes hiatos de resultados.

É óbvio que em Itália e Inglaterra as realidades regionais e demográficas fazem com que existam mais clubes com capacidade financeira para quebrar a lei das probabilidades, mas o longo historial dos 3 ou 4 candidatos é cada vez mais um passado sem retorno. Talvez se explique pela psicologia de adesão clubística. Em Portugal é cada vez mais vulgar um algarvio ou um madeirense ser adepto do Porto, ao passo que será difícil que em Newcastle uma criança desenvolva favoritismo pelo Tottenham, ou mesmo que em Nápoles o filho de um pasteleiro seja sequer permitido conservar uma camisola da AS Roma. O que não torna os clubes necessariamente iguais, apesar da sua base de recrutamento de fãs ser semelhante.

O fenómeno financeiro trazido pelo novo formato da Liga dos Campões, veio criar um fosso cada vez maior nas competições nacionais, sendo que quem “apanhou o comboio” no início, está ainda hoje (talvez cada vez mais) com suplementos orçamentais extraordinários, ás vezes desproporcionados à realidade social do clube. Casos como o Lyon, Villareal ou Bremen merecem atenção redobrada.

Um clube conquista fãs de 3 formas: ganhando provas – conquistando espaço mediático onde é glorificado aos olhos e ouvidos das crianças; por hereditariedade – onde o Sporting perde claramente para o Benfica e com tendência a piorar; por poder de influência ou identificação regional – sendo um clube “nacional” o Sporting e o Benfica não têm nem vantagem nem desvantagem neste capítulo. Nos anos 80, foi feito um esforço por conquistar adeptos pela via das modalidades amadoras, mas sinceramente acho que muitos praticantes fizeram-se sócios, atletas do clube durante anos e permaneceram sempre fãs do Benfica.

Cabe à próxima direcção dar importância, estudar e compreender este fenómeno. Como sportinguista sinto-me muitas vezes como uma “espécie” em declínio, onde nem tenho a certeza se conseguirei passar o testemunho à próxima geração. Da forma como o clube está será difícil por o meu filho no futuro a olhar para o Sporting como eu olhei quando Jordão, António Oliveira, Damas, Manuel Fernandes e outros passeavam classe e empenho pelos relvados de Portugal.

Cabe à próxima direcção ajudar-me a tornar o meu puto um adepto do Sporting, pois desta tarefa repetida em milhares e milhões de casas pelo país dependerá a grandeza do Sporting. O clube “coitadinho” não terá qualquer tipo de futuro. A “pena” ou a “simpatia” não traz cotas nem gameboxes.

Até breve.

domingo, 27 de fevereiro de 2011

Descalabro

E vão sete jogos sem ganhar. Esta a tornar-se fácil, muito fácil derrotar o Sporting, basta marcar um golo. O Nacional, que não sendo uma equipa com muito talento é inteligente a jogar e sentou-se confortavelmente à espera do que os Leões iriam fazer. Não fez nada. Mesmo com mais um jogador, que abriu espaço e tirou posse de bola aos madeirenses, a equipa nunca soube o que fazer para marcar golos, no poste, ao lado, nas mãos de Bracalli, tudo ficou fora da baliza.

Ninguém pode estar satisfeito com a carreira da equipa, nem Cabral que teve a insensatez de dizer que saia satisfeito. Sair é o verbo certo. O Sporting tem demasiados equívocos. Demasiados jogadores completamente inúteis e não existe treinador que veja o quão improducente é colocar Saleiro (só atrapalha) e Maniche (só mesmo para rematar porque de resto...) em campo. A falta de sorte é só uma desculpa para não olhar à falta de eficácia da equipa...uma grande equipa é eficaz.

Falta tudo a este conjunto de jogadores, nem vou enumerar, porque tudo o que é suposto uma equipa fazer (circulação, transições, passe, desmarcação, posicionamento) o Sporting não faz ou faz mal. Já venho a dizer há muitos meses que não há equipa e pronto mais um jogo. Oportunidades houve, penalty, bolas ao poste, mas isso no marcador final vale...zero.

Tinha escrito que este Sporting órfão podia ter um assombro de união e superar-se, mas para já confirmou-se o pior, ou seja, o descalabro. Com o que vi na Choupana, penso que é tarde para o "enfermeiro" Couceiro, este grupo está a "afogar-se" vertiginosamente, é preciso um "cirurgião" e com alguma urgência. Esperar por 26 de Março pode até ser perigoso. O União de Leiria que estará provavelmente em 7º no final desta jornada está a apenas...5 pontos! Tenho muita pena de dizer isto, mas este Sporting não será mais forte e mais equipa que o clube de Leiria.

Espero que no próximo jogo, Couceiro tenha juízo e monte uma equipa para ser certifica e bem fechada lá atrás. Jogar mais aberto com o Benfica, neste momento pode resultar numa hecatombe. Os valores negativos em que a confiança anda já não têm margem para sofrer mais uma humilhação...isso seria o fim, a três meses do fim da época.

Até breve.

Efeito dominó

Bettencourt demitiu-se. Liedson vendido. Costinha foi despedido. Paulo Sérgio rescindiu. E agora a quem é que os sócios vão "pedir contas"? Aos jogadores. É impressionante o desmoronar de um projecto, se é que havia algum, que foi sufragado com 90% dos votos nas urnas. Os atletas da equipa profissional devem estar a pensar "então e eu, não tenho direito a ir embora?"

Mas o destino tem destas coisas, tanto se disse da qualidade da equipa e de cada jogador e agora...tudo depende mesmo só deles. Mas existe aqui uma oportunidade a aproveitar, cada ponto conquistado será mérito dos mesmos que "não têm qualidade", "que não merecem vestir a camisola", dos "medianos". Embora rebuscada, é uma hipótese para provar valor e se...resultar, não é mérito de absolutamente mais ninguém.

Couçeiro tem conhecimentos técnicos, mas sejamos realistas, não tem qualquer "controle" ou "relação" com a equipa o que faz com que cada jogador esteja por sua conta ou se existir o tal "balneário" por conta da equipa. Se isto não é razão para unir e estreitar os jogadores, então nada mais existirá a fazer do que esperar passivamente que chegue ao dia 26 de Março. Teremos de engolir a seco qualquer que seja o resultado desfavorável, qualquer que seja a prestação da equipa, sabendo que nada poderá ser feito paralelamente à mesma.

Para Carriço, um jovem capitão esta é uma prova bastante maior do que a capacidade que terá para realmente comandar a equipa, exibindo a nu as decisões "criativas" de quem não conseguiu encontrar ou "guardar" um experiente e líder capitão de equipa. Aliás as últimas capitanias deixaram muito a desejar. Longe vão mesmo os tempos de Manuel Fernandes, Venâncio, Oceano, Sá Pinto, uma era onde ainda havia alguém que gostava de ser um símbolo do Sporting.

Na Madeira, não espero muito. Gostaria mesmo assim que existisse alguém que mostrasse dentro de campo que existe uma equipa. Valdes, Izmailov, Liedson, os ases de trunfo que nos restavam não estarão em campo. Valha-nos Carriço, André Santos, Patrício, Djaló, curiosamente ou não, todos da Academia. Ainda dizem que não gera talentos todos os anos. Se não o fizesse estaríamos realmente...perdidos.

Até breve.

sábado, 26 de fevereiro de 2011

Trindades e Rupturas

Infelizmente as grandes alegrias que tenho com o Sporting são nos dias em que sai alguém do clube. Só isso diz muito do que têm sido estes 2 anos da vida do Sporting.
Mas na hora de confirmar o que toda a gente via, não é o momento para grandes celebrações. O problema não nunca foram as entradas e saídas, mas sim as escolhas.

Bettencourt revelou-se um presidente pouco líder, Costinha pouco organizador e Paulo Sérgio pouco inspirado para “pegar” num Sporting que precisa como nunca antes destas qualidades no comando da equipa. O futebol não é tudo, mas é quase tudo para um clube e um país pouco disponível para investir interesse e apoio noutras modalidades.

Se uma equipa é quase tudo o que o clube é, então talvez o Presidente, o Director do Futebol e o Treinador sejam também quase tudo o que o clube precisa para dar a volta a uma situação de clara falência de gestão desportiva e financeira. Parece-me que esta “trindade” será o tema foco das eleições, sendo óbvio que a lista vencedora terá de ter fortes argumentos nestes pontos (pessoas) extra-programa.

Para já conhecem-se 4 candidaturas. Todas parecem querer chegar às urnas com a “trindade” resolvida, mas nenhum está a ter grande criatividade nas escolhas. Uns pela distância que têm do mercado, outros pela ambição (parece desmedida, a ver vamos…) e outros por velhos “ases” do passado, todos comungam de uma “pressa” para chegar aos nomes. Só existe 1 programa conhecido que apesar desse mérito, não parece inovador, nem coerente, nem sequer de “ruptura” como o candidato se esforça por sublinhar.

As principais rupturas quanto a mim até já estão feitas, com a renegociação do financiamento, o aval para a construção do pavilhão e a saída de Costinha, Paulo Sérgio e alguns jogadores (uns já foram, outros se seguirão). Portanto o discurso de ruptura nada resolve, é um chavão eleitoral que não encerra qualquer conteúdo. Se quiserem realmente divergir do caminho recente escolham um óptimo director para o futebol, um óptimo treinador, um óptimo preparador físico e dois ou três jogadores com classe. Isso sim seria de “ruptura”.

Mais trabalho e menos conversa é o meu conselho. O meu e o de todos os sócios que vemos as próximas eleições como uma verdadeira tábua de salvação para o clube. Desta vez não há como ignorar os apelos das bancadas, é delas que depende o futuro do clube. Os sócios querem ideias, boas escolhas e imaginação. Não querem mais do mesmo, regressos ao passado e discursos vazios.

Até breve.

O Princípio do Fim ou o Fim do princípio ?

A saída de PS pecou por muito tardia e, como esperado, feita em cima do joelho. Do mal o menos, ficámos com "menos" um problema.  A solução interina também era a mais razoável, se bem que sem técnico principal, abre-se uma nova hipótese de entrar um novo logo a seguir às eleições.

Tenho uma grande curiosidade para saber os tais "treinadores" que os candidatos disseram só não revelar para não destabilizar mais a equipa, pois bem...agora já n\ao existe esse risco.

Até breve.

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

Continuando a bater no "Invisual"

Desculpem-me ter de bater um pouco mais no “ceguinho”, mas existem assuntos que não consigo virar costas. Paulo Sérgio tem contrato por mais uma época além de mais uma por opção. Dos 3 candidatos já formalizados, todos já deixaram transparecer um dado unânime (quiçá o único) – este treinador é para despedir.

Já dou de barato que esta direcção não irá cessar contrato com PS até ao final de Março, mas de qualquer forma nunca passará do final desta época. Isso é claro como a água. Então mas que raio anima a permanência de Paulo Sérgio no Sporting? A resposta é simples e indesmentível: quer a indemnização.

Portanto o cenário actual é: o Sporting e os sócios querem que PS vá embora; PS quer o valor da rescisão, ou seja 500 mil euros. Imaginando que ambos tinham aquilo que querem, o Sporting pagaria mais de 1,5 milhões de euros (rescisão com Guimarães + prémio de assinatura + 14 ordenados + rescisão com Sporting). Para um ano de trabalho não estaria nada mal.

Não sei quanto pediria Benitez por ingressar no Sporting, mas talvez não ande muito longe disto. Mas ao contrário de ter tido um dos melhores treinadores do mundo do clube, tivemos um dos piores. Aliás aproveito para dizer aos adeptos leoninos que dizer que Benitez não é um vencedor é desconhecer completamente o futebol. Benitez ganhou duas ligas Espanholas e Taça Uefa pelo Valência, uma Liga dos Campeões pelo Liverpool e outros troféus “menores” como Supertaças Europeias. Se isto não é um vencedor, talvez encontrem um daqui a 200 anos.

Mas para nossa humildade, teremos que admitir que é um mais um grande sonho do que uma real possibilidade. Este nível de treinadores não está reservado para países como Portugal, mas sim para outras ligas mais competitivas como a Inglesa e a Espanhola onde Benitez tem muitos clubes interessados. Mais uma vez, o que não serve ao Sporting (ou a alguns tontos adeptos) é desejado pelo Valência, Atl. Madrid, Coruña, Aston Villa e West Ham, Juventus, Génova e Palermo. Coisa pouca.

Mas voltando ao que temos, que é 498.980 vezes pior e olhando para o tal espanhol “mal sucedido” em Liverpool e Inter entendo o ditado que já não se ouve muito mas é o retrato do que é Sporting actual: o barato sai caro!
Aliás não sei como iremos sair desta situação, quando a direcção actual prefere afundar o clube na classificação e destruir o pouco que ainda existe de época a ter de imputar mais 500 mil euros no seu saldo (que será sempre miserável). Isto quando era ela que deveria assumir a responsabilidade de despedir alguém que contratou, não salvaguardando os interesses superiores do clube.

Mais uma vez….nunca mais é 26 de Março!

Até breve.

Do 8 ao 80

Passar de Paulo Sérgio para Benitez seria como passar da bicicleta para o Porsche. Mas será que temos dinheiro para a gasolina e revisões? Será que o Porsche quererá vir para um clube que nem sequer tem "garagem"?

Até breve.

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Game Over

Aos que pensarem que despedir PS já vai tarde demais (devem ser os mesmos que há 5 meses achavam que devíamos primar pela estabilidade) relembro só um facto:

Dos 9 jogos que faltam para acabar a Liga, temos estas deslocações:

Nacional - Sporting
Guimarães - Sporting
Porto-Sporting
Braga - Sporting

Não que os outros 5 jogos sejam mais fáceis, mas especialmente estas partidas são derrotas de caras para este Sporting de Paulo Sérgio. A verdade é para ser assumida e depois da eliminação para a Liga Europa, já não há nada a esconder, o Sporting é uma equipa frágil, insegura e pronta para a desgraça sempre que o adversário "quiser" ir abertamente a jogo.

Despedir PS pode impedir que acabemos a época a chorar bem mais do que agora. Guimarães, Braga, U.Leiria e Paços de Ferreira. Com apenas um ou duas derrotas, podemos passar para 6º ou 7º. Parece exagero? Será mesmo? Recordo mais um facto:

Nos últimos 6 jogos temos 4 empates e 2 derrotas.

Convidar PS a "arrumar as malas" não é um acto de desespero, é uma medida preventiva, que visa acautelar o futuro. Vencer o Rangers também parecia acessível, mas a surpresa sempre espreita por detrás da incompetência. Perdemos "esta" Europa, mas não nos podemos dar ao luxo de perder completamente a próxima e a própria dignidade.

Os jogadores estão no mais profundo lodo exibicional. Virar um jogo em casa frente à equipa miserável do Rangers (que vinha de uma profunda derrota com o Celtic) não foi nada de relevante e sofrer um golo onde 4 jogadores do Rangers estavam em posição isolada frente à baliza é um verdadeiro Game Over.

Penso que os 500 mil euros de indemnização a pagar a PS é um valor insignificante perante tudo o que se esta a passar e o que ainda se pode ainda passar. Os sócios estão em vias de nem sequer ir ao estádio, o prestigio do clube arrasta-se na lama e podemos hipotecar o crescimento de muitos jogadores até ao final da época.

Por tudo isto...espero que amanhã também exista um comunicado à CMVM.

Nunca mais é 26 de Março!

Até breve.

Pílula vermelha ou azul?

Já não tenho paciência para comentar as conferências de imprensa de PS. É sempre mais do mesmo, num discurso que muito ao género do ministro da defesa de Sadam Hussein que com as tropas americanas a cercar Bagdad dizia à imprensa estrangeira que eram os iraquianos que estavam a ganhar a guerra. Dá-me a sensação que PS e a sua equipa técnica andam a tomar muitas pílulas azuis, aquelas que no filme Matrix dava direito a continuar a viver a ilusão de estar tudo bem.

O fenómeno de um treinador que já não tem condições de trabalho, mas “actua” como se as tivesse é antigo e o resultado também. Uma coisa é a equipa de jogadores gostar do seu treinador, ter alguma empatia com ele, outra coisa é o mesmo treinador ter habilidade e mão na equipa para alterar os processos que criou e que falharam. Já se entendeu que PS é dos que prefere quebrar a torcer. E já quebrou.

Mas não quebrou sozinho. Teve a ajuda de uma direcção que lhe foi estilhaçando o caminho, deixando pequenas pontes perversas, vias únicas que limitaram as escolhas técnicas e o discurso. Não foram as causas principais da queda da equipa, mas foram rombos fortes, que PS nunca conseguiu ter a criatividade para usar em seu benefício.

Não tenho como garantido que este treinador com um plantel melhor, fosse capaz de melhorar substancialmente a prestação da equipa. Vejo, e tenho escrito desde o início da época, que PS é mediano nas 3 grandes áreas em que um técnico de um grande deve ser excelente: a flexibilidade táctica; a capacidade de impor ideias; a gestão da imprensa.

Em todas estas matérias PS falhou “dramaticamente”. Um grande treinador, que é o que o Sporting deveria ter sempre (não se constroem boas equipas com técnicos medianos…especialmente com o orçamento do Sporting), tem um 6º sentido para o jogo, uma visão 360º do seu universo de opções.

Ao colocar Grimi em campo, ao dar corda solta aos laterais Pereira e Evaldo, ao implementar 3 trincos no meio-campo, ao colocar Cristiano em detrimento de Salomão, ao insistir na entrada de Saleiro, ao não conseguir que a equipa marque um golo de canto ou livre directo (já alguém reparou que o Sporting não ganha livres à entrada da área?), ao ver estas e outras asneiras, é fácil perceber que existe muita limitação técnica na forma como PS vê o Sporting, vê o jogo que produz e confia, sem alterar nada de fundamental, que a equipa comece a dar os cliques que foram prometidos.

Apesar dos votos de confiança, dos comunicados e das estabilidades utópicas, PS já está de saída há bastante tempo. É um yogurte fora de prazo, que azeda os ânimos e estraga as perspectivas de mudança. Demorou muito tempo ao próprio entender isto e a única coisa que realmente o faz continuar é uma sensação de injustiça que tem para com os que lhe prometeram dois anos de trabalho calmo ao serviço de um grande clube. O Sporting de JEB foi tudo menos calmo e a grandeza ficou perdida algures entre as férias do presidente no Brasil e os silêncios de Costinha.

PS trouxe trabalho, seriedade e até alguma inspiração operária a um Sporting mecânico de Bento e a desorganização criativa de Carvalhal. Não chegou, como é óbvio. Era preciso mais do que apenas correr muito, ter muita bola e fazer muitos ataques. Esse é o princípio, depois há que saber o resto, que é quase tudo. Ao Sporting de PS faltou o último passe, o remate certeiro, a defesa sólida, as jogadas de combinação fabulosas, os cantos ameaçadores, os livres assassinos, os golos contra-corrente do jogo, os ressaltos a isolar avançados, os penaltys fortuitos. Faltou o que leva pessoas aos estádios, a inspiração, a surpresa.

Tal como os seus antecessores, PS não trouxe o “mas” que falta quando não existem rios de dinheiro, estabilidade directiva ou estádios cheios. Assim, falhou, como falharão todos os que vierem a seguir que não sejam treinadores com experiência, imaginação e perseverança. Que não sejam, sem “mas”, grandes treinadores.

Aos candidatos que se puserem com cautelas financeiras na contratação do próximo treinador deixo uma ideia: quanto valem 55.000 gameboxes?

Até breve.

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

Como comunicar idiotice à CMVM

A SAD veio há momentos desmentir, em comunicado à CMVM que a permanência de Paulo Sérgio está dependente do resultado do jogo frente ao Rangers. Diz o comunicado que as notícias tem como objectivo “criar a ideia de que existe um vazio de poder” e que a “SAD está a ser gerida de fora para dentro”. Pois eu digo a quem redigiu este comunicado que se as noticias fossem verdadeiras, mostravam precisamente o contrário. Que quem dirige estaria preocupado e não teria hesitação em tomar medidas face a uma época humilhante.

Mas esta ilusão criada de que nos poderíamos ver livres do único rosto, que ainda permanece no clube, ligado a esta mais recente sucessão de desastres, é mesmo só isso. Uma ilusão. Pensar que o conselho directivo podia por uma vez ter algum acto acertado em termos de gestão futebolística é fruto da mais ingénua criatividade jornalística. Acrescento que a imprensa, tantas vezes danosa para os interesses do clube, estava de facto a ser demasiado bondosa ao imaginar que JEB e seus pares conseguiriam a proeza de despedir um dos piores treinadores da história do Sporting.

O comunicado vai ao cúmulo de afirmar que “o treinador e a sua equipa técnica têm total confiança do actual Conselho de Administração” o que é o mesmo que dizer à CMVM, aos sócios e ao país que o Sporting dá total apoio a uma equipa técnica que só tem envergonhado a sua massa adepta. Parece que a avaliação dos resultados de PS para esta direcção é boa e satisfatória. Temo só de pensar no que será considerado mau ou insatisfatório. Descer de divisão?

Cada vez me convenço mais que até 26 de Março o clube estará a ser dirigido por liquidatários e gente sem qualquer ligação aos adeptos, gente sem alma ou paixão, gente capaz de esfregar na cara dos sócios qualquer coisa para não vejamos a sua própria incompetência.

Não é só Cabral que não entende em que clube é que está. Este Conselho Directivo não faz a mínima ideia do clube que governa!

Até breve.

Falta de imaginação

Com tanto mercado por explorar, com tantos técnicos no mundo, parece que os candidatos à presidência estão com uma brutal falta de imaginação. Apesar de não confirmados os contactos, só a ideia de ter Scolari, Paulo Sousa ou Quique Flores no banco do Sporting me faz arrefecer o ânimo para temperaturas negativas. Explico porquê:

Scolari é um treinador muito limitado, bastante conflituoso (por vezes até com as direcções) que passa a vida a “bater” nos adeptos, na imprensa, nos árbitros, nos jogadores adversários…enfim para o valor que custaria ao clube seria uma aposta no mínimo arriscada.

Quique Flores tem uma boa imprensa, tem um discurso calmo e reflectido, mas fica por aí. A leitura de jogo do espanhol é das piores que já vi, não gere bem os posicionamentos e não sabe trabalhar defensivamente as suas equipas. Ter ganho a Liga Europa no ano passado foi fruto de muita sorte e uma extraordinária campanha de Aguero, Forlan, DeGea e Paulo Assunção.

Paulo Sousa é um treinador que até pode ter algum futuro, mas o seu currículo tem falta de muita coisa. Tem andado de equipa em equipa na 2ª divisão inglesa, o que bem pode agradecer a alguns empresários, pois não tem um registo nada interessante em termos de rácio vitórias / derrotas.

Nenhum destes treinadores será “acolhido” com agrado e entusiasmo pelos sócios e apesar desse não ser o único parâmetro de avaliação, é muito importante. Sugiro aos candidatos que voltem a pensar mais um pouco, ou bastante, se querem ter um trunfo para jogar. Estes seriam precisamente o inverso, razões para não votar nos seus projectos.

Até breve.