quarta-feira, 27 de abril de 2011

Certezas e Dúvidas

Não posso deixar de achar surpreendente a renovação de Izmailov. Friamente analisando o contributo do jogador, as últimas épocas são inexistentes. Lesões, indisciplina, motivos de sobra para olhar para a presença do russo num futuro plantel com, pelo menos, algumas dúvidas. Se existisse um jogador perto da saída nos últimos tempos, Marat certamente era o alvo de todas as apostas.

É óbvio que uma renovação nesta altura subirá um pouco o valor do jogador depauperado por uma época inteira de lesões. Não sei se é este o cenário de fundo que envolve esta opção, mas se o for e se garantir uma venda por valores próximos ao que já foi oferecido ao Sporting, este prolongamento do contrato é em absoluto uma boa medida. Tivessem outras direcções estado atentas à relação do clube com o jogador noutros casos e muitas saídas recentes não tinham resultado nos péssimos negócios que todos recordamos.

Izmailov é um excelente jogador. Tem uma capacidade técnica superior, é fortíssimo tacticamente e possui capacidade de finalização (o que não abunda nos plantéis mais recentes). Além disso é um atleta polivalente, podendo jogar nas alas tão bem como o faz na posição 8, no centro do terreno. Quando está em forma é incansável, quando está confiante é um jogador frio na chegada à área e nas assistências para golo. Essa é que é a questão – quando está em forma.

Ter jogadores como Pedro Mendes, Izmailov ou qualquer outro desta valia como habitués do departamento médico do clube em vez de presenças assíduas no onze custa muito e não oferece benefício competitivo ao clube. São o que se pode dizer não soluções. Não conhecendo a fundo as questões clínicas é um risco “contar” com estes jogadores como peças base do plantel. Esta gestão é difícil, primeiro porque é difícil prever o futuro. Marat tanto pode fazer uma época excelente e atingir a importância que já teve no fio de jogo da equipa, como pode passar mais uma temporada a recuperar de lesões. Resta só a esperança o que não é argumento para preparar uma época.

Voltamos ao início. À frieza dos números e estatísticas. Nessa perspectiva, que é a única viável num clube que vive tempos complicados em matéria financeira e desportiva, o Sporting deve vender o melhor possível os atletas que colocam mais dúvidas do que certezas na estruturação de uma equipa. A renovação é um caminho com duas saídas: valorizar o jogador antes de uma venda ou valorizar o jogador dentro do futuro da equipa. Ambas multiplicam incertezas, mas é para isso que servem directores desportivos e treinadores, para ver certezas onde nós adeptos vemos dúvidas.

Até breve.

terça-feira, 26 de abril de 2011

Convicção, Motivação e Exigência

Após passar alguns dias a pensar nesta questão, devolvo agora a quem lê este blog uma reflexão sobre a santíssima trindade do sucesso do futebol: a convicção, a motivação e a exigência. Quando o Benfica saiu do Dragão com uma vitória de 2-0, parecia que o assunto estava resolvido. No Porto encerrou-se o assunto “taça” como se coloca um dossier na estante com a certeza de lá voltar em momento oportuno.

No lançamento da partida ouvi Vilas Boas dizer, melhor ouvi-o afirmar, que era possível virar o resultado na Luz e nada estava perdido. Para fora este foi o discurso oficial, para dentro conhecendo o Porto de Pinto da Costa, as palavras de ordem devem ter sido bem diferentes. É a exigência. De uma direcção que simboliza a vontade dos adeptos. Parecendo que entrava em campo em desvantagem o Porto cedo mostrou que tal era uma ilusão, o Porto entrou em campo em vantagem sobre o adversário.

Em vantagem motivacional, com a convicção de que existiam possibilidades de eliminar o Benfica e com a exigência de mostrar superioridade sobre o mesmo o Porto mostrou dentro das quatro linhas que é bem melhor que o Benfica. Muito se falou das tácticas de Jesus, das indisponibilidades do plantel dos encarnados, mas a verdadeira falha do Benfica foi a décalage psicológica que evidenciou frente ao adversário.

Isto tem milhares de explicações, mas prémio deverá ser dado a um treinador, que nunca imaginei capaz de preparar (tão cedo na sua carreira) este tipo de “vantagens”. Certamente retirou muitos ensinamentos dos argumentos de gestão de plantel que viu Mourinho “jogar” ano após ano. Vitória após vitória. Isso não lhe retira mérito, só acrescenta. Óbvio que não conseguiu derrotar o Benfica sozinho, com um Moutinho, Falcão, Hulk e Rolando de luxo é mais fácil vencer partidas.

Nas últimas épocas o discurso interno do Sporting tem sido o reflexo de uma assunção de menoridade, de uma desresponsabilização face ao valor dos adversários. Discussões eternas sobre orçamentos, dívidas, e a banca dá nisto – a consciencialização de que existe fragilidade muitas vezes confundindo o jogo com euros, misturando remates ao poste com folhas de pagamentos em Excel.

Uma grande equipa não é só uma equipa de jogadores caros, mas um equilíbrio de talento e (cá está) motivação, convicção e exigência. Exemplos disto são vistos constantemente por essa Europa fora, fazendo parte da própria essência do futebol. O que nos falta no Sporting é esta consciência. É esta compreensão de que não ter o orçamento mais poderoso não nos isenta de apresentar resultados condizentes com a dimensão do clube.

Este “atrevimento” não é uma quimera, nem sequer um problema de idealismo. É uma necessidade, uma carga genética que nos impulsiona para não pacificar desastres competitivos como os que temos visto nas últimas duas épocas. Mais do que a escolha do treinador, ou aquisições de jogadores, a verdadeira revolução no futebol do Sporting será operada pela consciência do que é exigível ao clube. Como já disse inúmeras vezes, não é a promessa de títulos que fazem falta, mas o dever de honrar o nome do clube, excedendo os níveis de exigência e não os orçamentos.

Para ser mais competitivo a equipa do Sporting terá de elevar a sua capacidade de se auto-motivar, de impor um discurso universal de exigência e sobretudo adquirir a convicção de que é possível, é vital ganhar jogos, ganhar os adeptos, ganhar o clube de volta. Esse é o único caminho e é difícil, se fosse fácil JEB ainda dirigia o clube.

Até breve. 

sexta-feira, 22 de abril de 2011

O segredo do negócio

Que bons jogadores, que momentaneamente atingem valores de mercado possíveis para o Sporting sejam inflacionados não é surpresa para ninguém. O que me surpreende é a afirmação de GL que confirma publicamente o interesse do clube pelo jogador. Isto pode ser um pau de dois bicos: 1 – O presidente toma uma aposição de força recusando entrar numa espiral especulativa na contratação do jogador saindo beneficiado neste e noutros negócios. 2 – A admissão pública da via negocial em decurso só irá prejudicar o bom sucesso da mesma.

O meu feeling futebolístico porém diz-me que foi bom GL ter vincado uma posição. Já é hora de ver alguém de dentro do Sporting a definir alguma coisa, nem que seja recusas. Nem que seja prescindir de um bom jogador para que o clube mantenha os pés bem assentes na terra. O que me sobressalta é a possibilidade do discurso virar moda e dos 8 ou 9 reforços “quase fechados” não vir nenhum. Isso mudaria tudo, tal como a não vinda de Domingos. Os trunfos eleitorais foram jogados para cima da mesa de voto e como não sou inocente sei como e com que fins foram criados e usados. Mais grave ainda, resultou.

É hora de começar a fechar dossiers e não entrar em “novelas” intermináveis. Se esta direcção o conseguir fazer fora das capas de jornais tanto melhor. Não me preocupa a estabilidade da actual equipa de futebol, essa já pouco tem a perder ou a ganhar, preocupa-me sim a estabilidade dos adeptos. É forçosa e urgente a aproximação e pacificação dos sportinguistas com este corpo dirigente e mais do que as estátuas, as cadeiras e o pavilhões desportivos, mais do que os “relatórios quinzenais” ou as entrevistas de conveniência, o que pode marcar a diferença são mais uma vez e sempre as escolhas. As escolhas de jogadores, técnicos e de postura.

Ninguém está à espera de Messis ou Ronaldos, não estamos à espera de Van Gaals ou Mourinhos, mas ansiamos todos por um bom planeamento de época, com inteligência e criatividade, com ambição e definição. A continuidade ainda paira sobre GL e até à prova final – nome do treinador e jogadores – será com um pé atrás que qualquer comunicação aos sócios será recebida.

Caro GL, demore o tempo que demorar, conserve os segredos que quiser, mas faça boas escolhas. Caros Duque e Freitas, o futebol do Sporting precisa de muito mais do que tem tido e não terão outra oportunidade como nesta próxima época de construir os alicerces de algo duradouro. A vossa margem é curta, como nunca foi para nenhuma direcção do Sporting. Por isso aproveitem bem o tempo e provem que tem o valor que se fartaram de apregoar na campanha. Queremos e necessitamos de neurónios a decidir. Se Alex Silva é caro, ora bolas, batam a porta e sigam noutra direcção. Os plantéis estão a ser decididos e não é hora de entrar em braços de ferro com empresários.

Até breve.

quarta-feira, 20 de abril de 2011

O resgate da verdade

Já cá faltava. Um dos passatempos preferidos da imprensa desportiva portuguesa é construir plantéis pelo Sporting. Não interessa quantos milhões custa, qualquer ligação por mais remota que seja, às vezes é um “conhecido de Freitas”, outras vezes é “um jogador do agrado de Duque”, quase sempre (digo eu) é palha para “burros” que olham para Leto e imaginam o Sporting a dar 10me ao Panathinaikos.

Já há muito tempo que insisto na ideia da pobreza de argumentos de muitas redacções que não havendo nenhum indicio real, especulam na sua base de dados e retiram fichas de jogadores como quem saca de provérbios para “educar” o povo. Acresce por esta altura a tentação de olhar para qualquer jogador que cesse o contrato nos próximos 2 meses como um alvo do scouting leonino.

Á custa de tantos nomes que se jogam na imprensa, um adepto do Sporting tornou-se um profundo conhecedor da maior parte dos jogadores de 23 anos a jogar na Argentina, um sábio analista de suplentes da Premier League ou um especialista em atletas brasileiros emprestados a clubes europeus. Eu sei quem é Angeleri, Munoz, Taarabt, vocês também sabem e isso podemos agradecer aos enciclopédicos jornais desportivos, que nos vendem sabedoria em fascículos diários sem que isso nos sirva alguma vez para alguma coisa.

Costuma-se dizer que o saber não ocupa lugar, mas neste caso o lugar costuma substituir a verdade e isso é algo muito próximo do que fazem tablóides cor-de-rosa que à falta de “guiões” interessantes recriam nos cadeirões da sua criatividade laços, enlaços e desenlaços, uma espécie de saga ou lenda em actualização que se distancia da realidade como uma novela brasileira da vida real. Nada disto seria levado a sério se o futebol não fosse um negócio de muitos milhões de euros e o Sporting não fosse um clube cotado na bolsa, com uma imagem de credibilidade em jogo.

Torna-se difícil entender um clube assertivo quando todos os dias são dados 4 ou 5 jogadores como “próximos” ou “garantidos”. Não vejo isto acontecer ao FC Porto ou ao Benfica, porque raio tem de sistematicamente acontecer connosco? É do interesse desta direcção do Sporting que se envolva a preparação que está a tentar fazer num místico manto de desinformação constante? Serei apenas eu que acho tudo isto contraproducente para o interesse do clube. Serei apenas eu que fico (avisadamente) desiludido quando não vejo os “certos” Cavenaghi, Geovanni dos Santos ou Pavliuchenko?

Penso que cabe a GL, Duque e Freitas terminar com estas confissões públicas de scouting. Sugiro aos mesmos que criem um espaço reservado no scp.pt dedicado ao desmentir sistemático destes rumores. O texto seria sempre o mesmo, seria apenas necessário actualizar os nomes dos jogadores. Algo que daria muito pouco trabalho e seria altamente compensado. É que é bem diferente contactar um empresário de um jogador para saber das condições salariais e de transferência e realmente estar apostado na sua contratação. Todos sabemos que a construção de um plantel em qualquer época se faz à custa de milhares de telefonemas, emails, sms. Será necessário que todos venham a ser relatados nas rádios e jornais?

A minha resposta é não! Uma direcção que tanto clamou que imporia um Sporting mais respeitado tem aqui uma óptima oportunidade para mostrar serviço. Se não for de uma forma cordial, que seja por uma via mais agressiva usando as ferramentas de informação de que dispõe. Ou a nova directora de comunicação é só mais uma cara bonita que ficará bem a introduzir uma conferência de imprensa? Para que serve um director de comunicação se não para pensar em formas de contrariar a “desinformação”?

Só tenho um pedido: usem os neurónios e trabalhem. O novo Sporting começa em coisas muito pequenas e simples e não em revoluções mágicas e épicas, a mudança não é uma operação de contraste imediato entre o antes e o depois, mas sim a introdução de pequenas e constantes diferenças de atitude e impassividade. Será que dá para começar um dia destes?

Até breve. 

terça-feira, 19 de abril de 2011

Uma lição "preciosa"

19 de Novembro de 2006, foi há quase 5 anos. Nessa noite um miúdo chamado Rui Patrício era chamado à titularidade e pareceu convencer muitos, logo na primeira partida que havia ali qualquer coisa de valor e talento. Nessa altura apenas mostrou alguns reflexos, altura e um jeito especial para defender penalties. Mas parecia um Ceh em potência.

Depois de 4 épocas a experimentar tudo o que pode acontecer de errado a um guarda-redes, Rui Patrício devolve hoje em pontos a confiança que ao longo de todo este tempo foi merecendo. Isto é formar um jogador. Dar tempo e acreditar no talento. Mesmo assobiado e “re-baptizado” por muitos adeptos, Patrício nunca pareceu realmente quebrar. Cometeu erros, muitos, mas não se pode afirmar honestamente que o Sporting alguma vez tenha perdido ou empatado um jogo por sua acção exclusiva.

Na época em que foi chamado à Selecção por um treinador que o conhece bem, Patrício desenvolveu uma atitude diferente, mais presente no jogo, mais interventivo. A confiança pode ter vindo de muitos sítios, mas deixar Hildebrand no banco uma época inteira e tornar-se internacional A por Portugal decerto ajudou.

Fica a prova de que existindo alguma paciência no crescimento de um atleta com potencial evidente, o acto trará algo que dificilmente um clube com as finanças do Sporting pode almejar, um guarda-redes internacional de uma Selecção de topo do futebol mundial.

Tenhamos nós a mesma paciência com jogadores como Golas, Nuno Reis, Cedric, Wilson Eduardo, Bruma, Renato Neto, Kikas, Eric Dyer e outros e pode ser que os títulos ou os milhões surjam mais vezes. O que não pode certamente acontecer é dispensar-se um jogador com imensa margem de progressão apenas porque não corresponde ao perfil mágico que se notou em Quaresma, Figo ou Ronaldo. Nem tudo o que brilha é ouro, e Rui Patrício em muitas ocasiões foi confundido com tudo menos com algum tipo de metal precioso.

Até breve. 

Caça ao árbitro, caça grossa

Existem muitas realidades que tornam o futebol português único no mundo. A maior parte delas são negativas. Uma das mais absurdas é a leviandade de tentar (e conseguir) condicionar árbitros. De tanto que se fez e se disse, dos insultos, das difamações das acusações prévias…hoje em dia só um louco quererá ser juiz de futebol. No panorama actual de árbitros existe pouca qualidade e muito nervosismo. Isso é culpa do ambiente hostil do jogo perante aquele que deveria ser o seu garante.

O árbitro é essencial ao jogo. Á verdade, ao cumprir das regras do mesmo. Cada vez mais em Portugal as regras se subordinam à hierarquia vigente, tal como num país que vive numa ditadura o poder judicial se transforma numa extensão do status quo do regime. Essa hierarquia é fácil de ser observada, Porto e Benfica consoante o seu estado de graça lideram na percentagem de erro a seu favor. Provavelmente se o Sporting vencesse 2 ligas seguidas, seríamos nós os beneficiários dos equívocos.

Esta é uma patologia mais psicológica do que provavelmente um caso de corrupção generalizada. Já o foi em tempos, mas o mundo da internet, dos blogs, das escutas torna mais difícil certos hábitos que estiveram instalados em 2 ou 3 associações e em 2 ou 3 clubes. Hoje um árbitro beneficia um clube porque tem medo, porque quer ascender na carreira, porque quer cair nas boas graças da sua associação regional. Se existe condicionamento activo ele está na actualidade na escolha dos observadores e nas notas com que os mesmos classificam os árbitros.

Tudo isto impede o actual painel de juízes de actuar com a imparcialidade que é necessária. Por saber isto, todos os clubes se divertem durante uma época a de uma forma hipócrita apelar à justiça, a denunciar pressões e condicionamentos dos árbitros, a apelidar este e aquele como “inimigos do clube”. A coisa resulta tanto ou tão pouco que às vezes parece que temos um campeonato de erros de árbitros em vez de um campeonato de futebol. E tem ficado cada vez pior por duas razões: os árbitros vão sendo piores e a pressão é cada vez mais bem sucedida.

Este padrão não será benéfico para ninguém. Não será para Porto, para Benfica, para o Sporting. A suspeição alimenta o sentido de injustiça, e todos sabemos o que acontece quando multidões se cansam da ausência de equilíbrio e de verdade. O apagão da luz, os apedrejamentos de sedes e núcleos, a vandalização de autocarros e agressões de dirigentes é apenas o início de um processo que tem origem nas “guerras santas” que os presidentes “paladinos” declaram precisamente suportados por um ambiente de injustiça.

Se perguntarmos a um adepto do Porto quem é beneficiado pelas arbitragens ele acusará o Benfica. Se fizermos o mesmo a um benfiquista ele responderá o Porto e se fizermos a um Sportiguista ele apontará o dedo a quem for à frente da classificação. Mas o interessante é perguntar aos restantes adeptos de outros emblemas. Tenho quase a certeza que os votos de dividiriam entre Porto e Benfica. Isto prova alguma coisa? Não. Mas aponta um caminho, quem mais se queixa e destrói o bom ambiente do jogo é provavelmente o que lucra mais com essa acção. Isto só é permitido acontecer porque em Portugal não existe FPF nem Liga de Clubes.

Existem uns senhores que durante uns poucos de anos ostentam nuns cartões, a inscrição de dirigentes máximos do futebol português, mas que não dirigem absolutamente nada. São meros observadores que vão dando umas sugestões e perante o descalabro do ambiente desportivo do país são completamente incapazes de ter mão firme e defender o futuro do espectáculo. Multas de poucos milhares de euros para gestos como o do apagão do Benfica são anedóticas. É como se a Liga estivesse a apoiar o gesto da direcção do SLB. Ninguém se preocupou no precedente, na possibilidade de no futuro não ser permitido a nenhum clube festejar um título fora de casa…com as luzes ligadas. É abismal e absurda a leitura de gravidade da Liga perante este acto.

Receio que algo só mudará quando acontecer uma tragédia no futebol português. Para se entender o que se está a promover com este clima de suspeição e hostilidade, basta ver o que acontecerá se Benfica e Porto se defrontarem na final de Dublin. Quem uma aposta? Nada. Porquê? Porque a UEFA tem mão pesada. Completamente o inverso do que passa no nosso país.

Este preâmbulo todo só serve para dizer que mais uma vez caberá ao Sporting marcar uma nova posição, uma posição mais exigente com os organismos titulares, uma posição que não acuse a prestação de árbitros apenas em causa própria, uma postura mais de construção e não de destruição. Juntar a nossa voz às trogloditas vozes de benfiquistas e portistas só nos diminui e alimenta o caos. Desengane-se esta direcção se pensa que por berrar aos ouvidos dos árbitros, será tão ouvida como os nossos rivais. Erro puro. Os mesmos que se acobardam no Dragão e na Luz serão desafiantes e arrogantes em Alvalade. Já o vimos antes e a nossa posição na distribuição de poder no futebol português só encorajará a mais penalidades e faltas não assinaladas.

Até breve.

segunda-feira, 18 de abril de 2011

Reavaliação

Faltam poucas jornadas para acabar a Liga e é mais do que certo que foi mais uma época a marcar passo. Sem glória, sem brilho, com muito pouca valorização do plantel. A nova direcção repete promessas de mudança, destaca o trabalho que está já a ser feito para reforçar o plantel e embora seja cedo, começam-se a vislumbrar os caminhos que podem ter os actuais jogadores da equipa.

Patrício – Será a peça base na baliza. Se não for vendido a um grande europeu, isentará o clube de investir nesta posição.

Hildebrand – Está mais do que decidida a sua saída. Cessa contrato com ambas as partes felizes com o abandono.

Tiago – Foi o último ano para o jogador mais experiente do plantel. Poderia continuar, mas “taparia” a oportunidade para um jovem começar a despontar em Alvalade.

João Pereira- Apesar de cobiçado por alguns clubes, o tipo de oferta não seduzirá o clube a vender um lateral direito, ainda por mais agora que assume o estatuto de internacional.

Abel – As boas prestações que fez, não foram suficientes para seduzir o Sporting a renovar o seu contrato. Sairá depois de muitas épocas de leão ao peito, alguma delas em bom plano.

Cedric – Saindo Abel, existirá mais espaço, mas ainda será cedo para este jovem poder disputar a titularidade. Deverá ser emprestado.

Grimi – É o caso mais óbvio de um jogador que precisa e será mesmo substituido. Haja interessados ou não, não fará parte do plantel da próxima época.

Evaldo – Não foi o lateral que prometeu ser no princípio da época e teve uma baixa de forma muito grande. Manter-se-á na equipa para disputar um lugar com uma aquisição para o mesmo lugar.

Caneira – Parece que é desta que acaba a saga deste jogador. Deve rescindir com acordo.

Polga – Está mais do que esgotado o seu tempo em Alvalade. Existe algum interesse de clubes brasileiros e a melhor proposta levará o central. Se não existir nenhuma rescindirá ficando livre para decidir o seu futuro.

Nuno André Coelho – A não ser que Domingos expresse diferente opinião deverá ser vendido ou emprestado. Deverá ser mais viável o seu empréstimo, especialmente a clubes estrangeiros.

Carriço – A lição de desvalorizar um jovem capitão foi apreendida e nota-se a confiança do clube no talento deste jogador. Também devem cair algumas propostas para a sua venda, mas nenhuma com o valor necessário para libertar uma grande esperança do futebol português.

Torsiglieri – De flop a titular foi só preciso um pequeno passo. As lesões e castigos de Carriço ajudaram, mas o jovem Argentino tem mostrado muito mais potencial do que o que se podia antever sob o comando de Paulo Sérgio. Irá manter-se na equipa.

Pedro Mendes – Apesar das muitas lesões, deve ficar no plantel.

André Santos – Já muitos esperavam que podia fazer uma boa época, mas o rapaz pegou de estaca. Cresceu muito e numa época horrível para o fazer.

Zapater – Tem desiludido, apesar de ser evidente o seu empenho para se integrar no futuro do clube. Tal como outros, dependerá do dinheiro para aquisições para o substituir. Penso que continuará, quem sabe outro modelo de jogo o benificie.

Maniche – Promete ser um caso bicudo de resolver. Uma precipitação contratual, que agora custará bastante ao clube para anular. Deverá sair.

Izmailov – Quando todos já pensávamos que não vestiria mais a camisola do Sporting, ei-lo de volta. Mesmo assim penso que uma proposta de 6 ou 7 milhões levará o jogador de volta para a Rússia, a questão é, será que alguém se vai chegar à frente?

Valdes – Ainda não parece de volta o Valdes que chegou a “segurar” a equipa sozinho. Deve ficar apesar da quebra de rendimento.

Fernandez – Finalmente o Matias que todos “líamos nas entrelinhas”. Será o pilar ofensivo do novo Sporting. Ele que esteve tão perto de ser vendido por 2 me.

Vukcevic – Vai depender de Domingos a permanência do Montenegrino. Se renovar…

Tales – Regressa à procedência.

Cristiano – Os 6 meses de contrato só provaram o que todos anteviram. Deve cessar contrato sem opção de renovação.

Salomão – Fez algumas boas exibições, mas a necessidade de “pesos” mais “pesados” obrigará a um empréstimo. Precisa de jogar.

Saleiro – As fracas prestações em dois anos no plantel vão atirá-lo de volta ao empréstimo, a não ser que alguém se proponha a adquirir o seu passe, o que é remoto.

Djaló – Mais uma época para tentar demonstrar que tem uma palavra a dizer sobre o comando de um novo treinador. O efeito do trauma “Varela” está a ser-lhe muito útil.

Postiga – De contrato renovado e a não ser que caia uma proposta suficientemente tentadora para dar 50% ao Porto e ainda ser rentável (qualquer coisa como 8 ou 9 me) o avançado continuará em Alvalade.

Portanto:

Saem definitivamente: Hildebrand, Tiago, Abel, Grimi, NAC, Polga, Maniche, Salomão, Tales, Cristiano e Saleiro (11 saídas)
Saem mediante retorno de investimento: Vukcevic, Izmailov, Djaló
Vagas a preencher: 2 Guarda-redes, Lateral direito, Lateral esquerdo, 2 centrais, 1 médio, 2 alas, 2 avançados (11 vagas).

Nas próximas semanas saberemos quantas destas vagas serão regressos de jogadores emprestados, Pongolle, Adrien, Nuno Reis, Renato Neto e Wilson Eduardo são boas hipóteses mas talvez apenas Pongolle pelo que representa de investimento financeiro e Wilson Eduardo pela carência de jogadores com o seu perfil sejam de facto candidatos. Golas e ou Baptista devem ocupar as vagas na baliza.

Até breve.

A falta de qualidades

Tal como na derrota para a Taça da Liga na Luz, o Sporting de ontem no Dragão não foi uma equipa com medo de jogar, não meteu nenhum “autocarro” em frente à baliza, não poupou nenhum esforço e empenho para conseguir um bom resultado. O problema do Sporting está na qualidade. Esta conclusão tem duas vertentes. A falta de qualidade temporária e a definitiva.

Passo a explicar. A grande diferença que se viu ontem no relvado do Dragão foi uma equipa muito mais rotinada em ultrapassar dificuldades que a outra – qualidade temporária que advém de uma má preparação física, táctica e muitas derrotas. Bem sei que não temos um Falcão, um Hulk ou um Moutinho. Por muito que nos custe não temos actualmente jogadores dessa dimensão – a falta de qualidade definitiva que nos impede de controlar as partidas, dominar, marcar mais golos. Temos um Fernandez que mais uma vez mostrou o que se andou a perder em dois anos. Temos um Patrício cada vez mais um gigante na baliza. Tivemos um Evaldo do melhor que se viu nesta época (já vi afirmarem o contrário, são opiniões) e um André Santos que lutou muitas vezes sozinho.

Pode-se afirmar que a defesa comprometeu, mas analisar uma partida só pelas falhas é simplista. É óbvio que o tridente ofensivo do Porto foi demais para o nosso quarteto defensivo, mas penso ter sido na dificuldade do meio campo em segurar a bola e cobrir espaços que esteve a decisão do jogo. Nem André Santos, nem Zapater são excelentes a defender junto aos centrais, não são esse tipo de médios…e com Pedro Mendes lesionado…foi simples para o Porto encontrar espaço para lançar as alas. Abel e Evaldo fizeram o que puderam, mas com dois jogadores sempre a descair no seu flanco, estiveram sempre em inferioridade numérica.

Couceiro ainda tentou com Zapater e o recuo de Valdes tapar esses espaços, mas nem um nem outro souberam impedir o “lançamento” de Hulk, Varela esteve uns furos abaixo. O penalty nítido no final do jogo podia até ter dado o empate, mas se formos honestos o Porto jogou o suficiente para ganhar a partida, valeu-nos Patrício para nos manter sempre na disputa do marcador. A derrota foi má, a exibição insuficiente, mas se formos realistas será difícil para qualquer equipa europeia, nos dias de hoje, chegar ao Dragão e trazer um bom resultado.

Se o Braga vencer hoje, a distância aumenta para 4 pontos, talvez o suficiente para acabar com a disputa do 3º lugar, os bracarenses recebem o Leiria e vão a Coimbra e sendo de esperar dificuldades para gerir o plantel, este Braga pode de facto já hoje conquistar o espaço necessário para seguramente encarar as próximas semanas de competição.

Já o disse antes, o 4º lugar não compromete absolutamente nada e por muitas razões acho que um estágio prematuro no Verão pode ajudar a cimentar um grupo para uma época que se quer totalmente diferente. Custa ficar pela 2ª vez em quarto lugar, mas essa é uma lição que tardamos em entender. Os erros de planeamento e escolhas são tão evidentes que é quase merecido este “castigo”.

Ao ver o Sporting jogar salta aos olhos que precisamos de um óptimo avançado, de um médio defensivo puro (Pedro Mendes falha quase toda a época) e de um central mais eficiente que Polga, pelo menos isso.

Até breve.

domingo, 17 de abril de 2011

Quem sabe?

Não se prevê que Vilas Boas faça grandes “poupanças” no clássico de hoje. Ainda assim é de esperar que alguns jogadores influentes não realizem os 90 minutos. Como tal não esperando reais facilidades, parece-me que o melhor Sporting não irá enfrentar o melhor Porto. Mas como a força de uma equipa não se baseia apenas no aspecto individual, os Dragões entrarão em campo sempre em vantagem. Estão moralizados por super-resultados, jogam em casa perante o seu público e os jogadores que forem menos utilizados, como é habitual no Porto, não deixarão de querer mostrar serviço.

Ao inverso, o Sporting, apesar de vir de uma vitória tranquila, nada é especialmente tranquilo. Muitos jogadores têm um futuro incerto no clube, muitos dificilmente se motivarão para a conquista de um 3º lugar e ainda outros tantos estão a realizar uma época muito abaixo do seu valor real. Valha-nos o facto de ser um clássico, que só por si motiva a um pouco mais de esforço e concentração. A táctica já toda a gente sabe qual será. O Porto irá entrar forte para resolver cedo e o Sporting vai tentar estar arrumado e a espreitar o contra-ataque. Não acreditando em grandes desequilíbrios, é fácil entender o que poderá acontecer se os azuis e brancos marcarem cedo.

Mais do que os 3 pontos, é a motivação para o que falta da época que está em jogo. Um empate deixa tudo igual, uma vitória será um passo muito acima na moral da equipa, uma derrota vale mais uma semana de cabeça baixa e mais um chorrilho de frases feitas sobre olhar em frente, vencer já a próxima partida, não atirar a toalha, honrar o emblema. Enfim, tudo o que temos ouvido em demasia nos últimos meses. Ainda bem que sem Paulo Sérgio já não temos de gramar com os elogios exagerados ao adversário, ou a valorização de prestações ridículas.

Com o Braga a ter de fazer uma deslocação difícil à Choupana, conquistar 3 pontos (os próximos 2 jogos são em casa e acessíveis) no Dragão será mesmo ouro sobre azul, isto para uma equipa que já não faz um grande resultado esta época, desde que foi ganhar 1-2 fora ao Lille…em Setembro! Não sendo de esperar grandes surpresas, a verdade é que ser sportinguista também é acreditar sempre na possibilidade de sucesso, mesmo que seja apenas vencer um clássico…por respeito. Quem sabe não estão uns olheiros nas bancadas e Djaló marca mais dois golos, quem sabe Patrício não faz uma daquelas exibições que deixa os avançados do Porto em branco, quem sabe Polga não marca um golo de canto, quem sabe?

Até breve. 

sexta-feira, 15 de abril de 2011

Nas entrelinhas, um plantel

As notícias vão-se sucedendo, os rumores vão passando e cada vez mais me convenço de que o plantel de Freitas / Duque e o treinador que se supõe ser Domingos já está fechado. Por várias razões acredito ser perceptível o avanço do clube pelos jogadores que quer. Os empresários fazem o seu papel, não dando nada por fechado (esperando a definição de outros emblemas interessados), mas a pressa do Sporting neste caso é benéfica.

Os lugares a reforçar são evidentes: lateral esquerda, central, extremos e avançado centro. 100% dos supostos reforços pertencem a estas posições.
Na baliza Patrício é aposta absoluta, tão convicta que não precisará de ninguém para substituir Hildebrand, a prata da casa (Golas e Baptista) resolverá as vagas por preencher. Na lateral direita, Pereira está bem firme. Abel cessando contrato dará lugar ao emprestado Gonçalves. Na esquerda é evidente que Grimi esgotou a paciência técnica e deverá sair, no seu lugar um Wendt internacional sueco dará mais luta a Evaldo.

No centro da defesa esperam-se mais mexidas. Polga tem mercado no Brasil e deverá ter como substituto Alex Silva. A dúvida prende-se com a disputa de Rodriguez com o FC Porto. Os dragões podem estar na eminência de perder Otamendi e ou Rolando e o central do Braga pode há muito ter já um compromisso com os azuis e brancos. Mas como nada é certo no futebol, é Maicon que pode decidir tudo. As últimas boas prestações do central podem fazer com que permaneça no plantel e se nenhuma venda se realizar…o peruano pode acabar em Alvalade, sendo nesse caso emprestado Nuno André Coelho. Mas isto só se decidirá bem dentro do mês de Junho. Torsiglieri tem margem de progressão e Carriço é capitão, aqui está tudo decidido.

No meio campo o cenário é mais estável. Duas nuances tácticas. O 4-3-3, preferido de Domingos e o 4-2-3-1 mais fácil para encaixar Fernandez e Valdes. No centro nada se deve alterar com André Santos, Pedro Mendes e Zapater. Existe a dúvida de Maniche que tem contrato renovado automaticamente. Se não ficar, deve ser rendido por Adrien.
Nas alas o caso está mais difícil, Izmailov deve sair e em sua substituição chegará um extremo direito puro, confesso que não faço a mínima ideia quem será. Não será decerto Zahavi, esse virá para uma segunda linha para o mesmo lugar. Na esquerda Vukcevic e Salomão permanecerão. No lugar de pivot ofensivo o cenário é simples: Fernandes e Valdes.

No ataque, sector muito débil no Sporting actual, a chegada de 2 avançados por muito que me custe deverá ter Pongolle com uma das soluções. Bobo será a outra. Postiga e Djaló ficarão e contarão com o regresso do polivalente Wilson Eduardo para fechar o ataque.

Devo frisar que este não é o modelo que defendo para o plantel, mas sim o que vejo estar a tomar forma. Noutros posts já explanei o que penso e apesar deste plantel da próxima época ser mais forte faltarão mais soluções nas alas e no ataque. Mas entendo que será difícil despender mais do que 10 me em aquisições (mesmo com a venda de Izma), algo que com prémios de assinatura ficará esgotado com a entrada de Wendt, Rodriguez, Zahavi, mais um extremo direito e Bobo, Alex Silva vem a troco de 3 milhões de euros, sensivelmente metade do passe que pertence ao Hamburgo.

Acho piada que alguém acredite que Jô e Garay venham para o Sporting a título definitivo ou sequer por empréstimo. Primeiro porque o avançado tem um valor de mercado a rodar 7me e o central 10me. Segundo porque depois de um ano de empréstimo, nunca o Sporting terá esses valores para bater uma cláusula de compra definitiva. Terceiro porque ambos os jogadores têm muito mercado, Jô no Brasil e Turquia e Garay em Espanha, Itália e Alemanha. Wagner Love é outro nível de ambição que só faz mal a quem incautamente a tiver.

Até breve.

Quintas-Feiras e Domingos

Parabéns aos 3 clubes portugueses! Na realidade financeira da Europa do futebol ocupamos realmente a 2ª divisão, por isso é sempre um feito histórico chegar a uma meia-final, com 3 clubes, é obra!

Sobre Porto e Benfica, nada a dizer, foram muitíssimo superiores aos adversários, algo que confirma o favoritismo pré-anunciado pelos experts. São neste momento dois emblemas que tiram lucros de um desenfreada “corrida” interna, que os agiganta a cada ano que passa, não sei onde acabará a disciplina física e económica desta “guerra civil”, mas o que é certo é que por agora emergem muito mais alto que o restante futebol português.

O Braga é um caso muito diferente. Quando todos estão de olhos postos na ascensão de Domingos (e já lá vamos) convém enaltecer o bom trabalho e sobretudo contínuo de uma estrutura bracarense onde tudo muda excepto a Direcção. Um presidente não joga, não treina, mas escolhe e Salvador tem sido feliz a escolher. O líder deste clube não parece apostado em aventuras efémeras como João Loureiro, seguindo uma via mais equilibrada. Mesmo vendendo quase tudo, a quase todos, o clube tem crescido imenso e os prémios financeiros da Liga Europa irão colocar o Braga numa realidade financeira próxima do Sporting, o que é verdadeiramente incrível.

Certamente a montra europeia de uma meia-final irá revolucionar os 3 planteis portugueses. Hulk, Falcão, Saviola e Coentrão até nem precisariam disso, pois há muito que estão referenciados pelos maiores clubes europeus, mas jogadores como Rolando, Fernando, Moutinho, Varela, Guarin do Porto, Garcia, Gaitan, Salvio e Cardoso do Benfica e Artur, Sílvio, Rodriguez, Alan e Lima do Braga serão mais cobiçados que o normal. Nem todos irão sair, mas é mais do que certo que será a normalidade os negócios de ocasião para a Europa dos grandes emblemas.

Será mais um episódio de um fosso que se agrava para o Sporting, que viverá mais um defeso com interesse apenas moderado por jogadores da sua formação (Patrício, Carriço e Djaló).

Sobre os treinadores, questões diferentes. Vilas Boas é o rapaz-prodígio do panorama do futebol mundial e uma final europeia só empurrará ainda mais o discípulo de Mourinho para fora do mercado português, algo que nem a previdência de Pinto da Costa esperaria. Jesus já não dará para tanto e apesar do trabalho competente que realiza, uma Taça de Portugal pode ser pouco para a dimensão da ambição do clube. Um mau início da próxima época e será de certo o “elo mais fraco” da equação de brasileiros e argentinos.

Chegamos a Domingos. Tal como Vilas Boas no Porto, o sucesso deste treinador está alicerçado, não só mas também, na forte convicção de um caminho traçado pela direcção. Não existe nenhum treinador que consiga contrariar a desorganização estrutural e desportiva de um clube. Olhe-se o caso de Mourinho no Real Madrid, se o melhor treinador do mundo no maior clube do mundo não o consegue, conseguirá Domingos no Sporting?

Os mais optimistas estão convictos que GL e colegas serão a base fundamental para o treinador ter mais sucesso que os anteriores. Reservo as minhas dúvidas, mas mantenho a esperança que isso aconteça. Acima de tudo espero que não repitam erros habituais de gestão desportiva e leitura competitiva. O Sporting não precisa de ter nomes sonantes, mas talento visível e equilibrado. No mínimo a equipa deverá jogar bem melhor do que o que faz actualmente e ser mais preparada para resistir psicologicamente à adversidade. As equipas de Domingos são disciplinadas, arrumadas e defensivamente sólidas. Isso não chegará no Sporting. Será uma evolução, mas é preciso bem mais. A minha esperança é que com outro tipo de soluções, Paciência mostre que também sabe montar uma equipa para atrair adeptos pela qualidade de jogo.

Isto partindo do princípio, ou do fim, que Domingos rumará para Alvalade. O tabu mantém-se e a carreira do Braga só tem adiado o fim do mistério.

Até breve.

quinta-feira, 14 de abril de 2011

Inclinações na formação

Todos os clubes formam jogadores à sua maneira, mas existe algo inexplicável na formação do Sporting. Se formamos dos melhores extremos do mundo e nos trincos também andamos lá perto, porque raio não somos capazes de "fabricar" jogadores para outras posições? Não me lembro de um único ponta-de-lança de jeito a seguir a Cadete, dum único lateral direito a seguir ao (adaptado) Carlos Xavier, dum único lateral esquerdo a seguir ao Paulo Torres.

Até breve.