Godinho Lopes está na beira do abismo e com as últimas declarações acabou de colocar-se de costas e caminha na sua direcção afirmando ao mesmo tempo que pretende afastar-se para não cair.
Não entender que foi a própria direcção que se colocou entre a espada dos adeptos e a parede dos maus resultados é simplesmente catastrófico para o futuro imediato do clube.
GL falou como se houvesse alternativa à necessidade urgente de contratar um bom treinador. É como um doente que em negação recusa tomar a medicação e finge estar de perfeita saúde.
São os próprios jogadores que admitem não ter armas para eliminar os erros e que não entendem o que podem fazer melhor para ter bons resultados.
"O próximo treinador já está escolhido há muito tempo..." e no entanto não parece a GL prioritário que esteja a comandar a equipa o quanto antes, mas sim num tempo futuro onde diz ele "existam todas as condições para que se sinta bem"...o que é que isto quer dizer?! Quem existem neste momento pessoas que não tenham essa como premissa principal do seu trabalho é para mim um descoberta esquizofrénica do Presidente do Sporting. Quanto tempo leva a despedir estas pessoas? Meia-época? 8 meses? Um mandato?
Sinceramente, sei quando me estão a faltar à verdade. E GL não está a ser honesto. Se existisse o tal treinador e se o clube tivesse o dinheiro para que este já estivesse ao comando da equipa, não haveria nenhuma necessidade de reorganização ou reestruturação interna.
Porque a verdade é só uma: se era esse o grande problema porque foi despedido Sá Pinto? Não deveriamos ter reorganizado o departamento em vez de acumular mais um salário ao que Domingos já aufere? Spin doctors...cheiro-os à distância. Buy time when you cant get any.
Que tristeza chegar a um ponto onde já criamos novos problemas para não resolver os antigos.
Bem-vindos ao abismo.
Até breve
domingo, 14 de outubro de 2012
sábado, 13 de outubro de 2012
A inconclusão
Só há uma ilação possível retirada da não nomeação até agora de um treinador para a equipa de futebol do Sporting e ela é:
Entre o que o Sporting quer e necessita e o que isso custa no mercado há uma diferença intransponível.
A suportar os salários de duas equipas técnicas desactivadas, deve ser extenuante procurar um candidato com provas dadas de competência com meia dúzia de tostões. Não há treinadores a custo zero, nem homens dispostos a "pesadelos desportivos" quando podem prosseguir carreiras tranquilas em clubes com estabilidade competitiva e financeira.
O que já foi vendido como ponderação, reflexão, estudo, pesquisa ou concertação não passa, para mim, de conjuntos de ideias e palavras que escondem a realidade do que não se fala. O Sporting não tem dinheiro para treinadores de top. Porque não há investidores nem fundos para "apoiar" o empenho financeiro. Porque não há agentes sequiosos de colocar treinadores na "montra" leonina. Porque nenhum treinador ganha ao golo ou à vitória.
O número de técnicos que poderá ajudar o Sporting neste momento reduz-se provavelmente a umas 30 ou 40 pessoas (cálculo optimista). Destes, 90% estão a trabalhar em pleno nos clubes com quem mantêm contrato. Os outros 10% estão já a preparar terreno para destinos mais atraentes que a Liga Portuguesa, com uma expectativa salarial que supera 5 vezes o que Domingos recebe no Sporting.
É definitivamente para esquecer a primeira escolha. Este iato de mais de uma semana, na minha opinião, marca definitivamente uma mudança de perspectiva. Entrámos provavelmente há dias, no percorrer de uma segunda divisão de técnicos. Uns pela inexperiência, outros por insucesso recente, é nestes perfis que Carlos Freitas encontrará o próximo treinador.
Perante isto, fica difícil de entender o que ganhará a equipa com a mudança. De entender como é que justificará o despedimento de Sá Pinto.Da desilusão de perder um técnico muito promissor (Domingos), de perder um "herói" da casa (Sá Pinto) irá nascer uma nova imagem, um perfil divergente. Mas será melhor? Será mais competente?
Para já não parece que estejamos a ir de encontro a uma resolução eficaz. Isso pagar-se-á a seu tempo.
Até breve.
Entre o que o Sporting quer e necessita e o que isso custa no mercado há uma diferença intransponível.
A suportar os salários de duas equipas técnicas desactivadas, deve ser extenuante procurar um candidato com provas dadas de competência com meia dúzia de tostões. Não há treinadores a custo zero, nem homens dispostos a "pesadelos desportivos" quando podem prosseguir carreiras tranquilas em clubes com estabilidade competitiva e financeira.
O que já foi vendido como ponderação, reflexão, estudo, pesquisa ou concertação não passa, para mim, de conjuntos de ideias e palavras que escondem a realidade do que não se fala. O Sporting não tem dinheiro para treinadores de top. Porque não há investidores nem fundos para "apoiar" o empenho financeiro. Porque não há agentes sequiosos de colocar treinadores na "montra" leonina. Porque nenhum treinador ganha ao golo ou à vitória.
O número de técnicos que poderá ajudar o Sporting neste momento reduz-se provavelmente a umas 30 ou 40 pessoas (cálculo optimista). Destes, 90% estão a trabalhar em pleno nos clubes com quem mantêm contrato. Os outros 10% estão já a preparar terreno para destinos mais atraentes que a Liga Portuguesa, com uma expectativa salarial que supera 5 vezes o que Domingos recebe no Sporting.
É definitivamente para esquecer a primeira escolha. Este iato de mais de uma semana, na minha opinião, marca definitivamente uma mudança de perspectiva. Entrámos provavelmente há dias, no percorrer de uma segunda divisão de técnicos. Uns pela inexperiência, outros por insucesso recente, é nestes perfis que Carlos Freitas encontrará o próximo treinador.
Perante isto, fica difícil de entender o que ganhará a equipa com a mudança. De entender como é que justificará o despedimento de Sá Pinto.Da desilusão de perder um técnico muito promissor (Domingos), de perder um "herói" da casa (Sá Pinto) irá nascer uma nova imagem, um perfil divergente. Mas será melhor? Será mais competente?
Para já não parece que estejamos a ir de encontro a uma resolução eficaz. Isso pagar-se-á a seu tempo.
Até breve.
quarta-feira, 10 de outubro de 2012
E Depois do Olá
Assim que termine a novela do treinador, todos
começarão a olhar para a equipa com dois exercícios principais: 1- Quais as
mudanças que podem ser introduzidas pelo novo técnico; 2- Que tipo de estrutura
vai acolher e potenciar o seu trabalho.
Quanto ao Ponto1:
Sá Pinto não teve propriamente um onze
definido, nem uma táctica enraizada. Para quem quer que chegue ao clube esse
será o primeiro trabalho. Com o plantel que o Sporting tem actualmente é
difícil montar um onze com um médio organizador à frente do(s) trinco(s). Nem
Adrien, nem André Martins estiveram até agora à altura de um Matias Fernandez.
Principalmente porque Sá Pinto definiu esta posição um pouco mais recuada, bem
dentro do raio de acção dos restantes médio e não posicionado entre a linha
média e linha avançada. Uma ideia seguramente inspirada nos pivots do Calccio,
mas que valha a verdade não funcionou.
Assim, parece óbvio que a ter dois extremos na
equipa e uma referencia posicional no ataque, sobra uma posição. Viola e Labyad
foram testados nesta lógica, sendo que o Argentino mais avançado e colado às
linhas e o Marroquino mais recuado, vagueando atrás do ponta de lança no centro
do terreno, podendo descair nas alas em apoio ao extremo.
Não sei se quem vier insistirá nestas
soluções, mas será mais provável que um treinador mais experiente termine a
fase de experimentação e defina claramente um posicionamento com dois avançados
ou em alternativa o regresso ao losango clássico.
Em termos de utilização de jogadores,
parece-me que seguro que Patrício permaneça na baliza, Cedric permaneça como
aposta principal na defesa direita (apesar dos erros, precisa de continuar a
crescer, jogando). Ínsua e Pranjic continuarão a lutar pela lateral esquerda.
Mais dúvidas quanto à apreciação dos centrais. Boulahrouz continuará a gozar de
uma aposta tão efectiva? Ou Xandão terá mais vezes lugar ao lado de Rojo?
Carriço permanecerá relegado a 4º central?
No meio campo, Gelson e Rinaudo parecem
finalmente a postos para lutar por uma posição (talvez desta vez não tão sacrificados
em missões suicidas) e dependendo da escola do novo técnico, Schaars, Elias e
Adrien dividirão os papeis de organizadores e criadores de jogo pelo meio-campo
(espero que finalmente Elias encontre a sua posição). Izmailov com Sá Pinto
experimentou o eixo central, mas para se situar nesta zona do terreno terá de
ter mais apoio para jogar (o russo não está especialmente, se é que alguma vez
foi, um portento de força). As alternativas André Martins e Labyad serão para
ir testando passo a passo.
Nas alas é evidente que Capel está uns furos
abaixo da época passada e que Carrilho, apesar de melhor, continua bastante
irregular durante os 90 minutos. Será um erro não continuar a dar tempo de jogo
a Jeffren (parece querer recuperar o tempo perdido) e já ia sendo hora de
testar Esgaio em algumas partidas.
No ataque, os maiores problemas. Wolfswinkel é
o homem golo, mas mal servido não poderá marcar mais do que 1 golo de 3 em 3
jogos. A dinâmica da equipa em ataque tem de ser desenhada à volta das
movimentações do holandês e não apenas dando posse de bola aos alas, rezando
que a fazem chegar ao ponta-de-lança. Não há alternativas ao holandês (Viola é
claramente um extremo que pode descair para o centro) e a dupla Rubio / Betinho
demasiado verde para as exigências.
Olhando este cenário, e se fosse eu o
escolhido para orientar a equipa, pediria de imediato para Janeiro, mais um
jogador para a lateral direita e um ponta de lança para lutar com Wolfswinkel.
De resto será sobretudo uma questão de movimentação, apoios e desenhos tácticos
que potenciem as características dos atletas, coisa que com Sá Pinto nunca foi
muito visível (e estou a ser simpático).
Quanto ao Ponto 2:
Um treinador estranho à nossa Liga tem logo à
partida dois problemas – desconhece os meandros políticos da nossa imprensa e
entidades desportivas e desconhece a esmagadora maioria dos nossos clubes. Se
um bom adjunto já é importante, nestas circunstâncias é mesmo decisivo. Alem
disso, e especialmente no início terá de ter o máximo apoio de Freitas para
rapidamente conhecer o historial competitivo dos jogadores do plantel, sendo
que Duque deve, limpar o espaço de intervenção do técnico principal de
quaisquer questão sobre normas internas, castigos ou pressão de investidores.
Só assim existirá um verdadeiro começo, em que
o treinador não herda problemáticas a que é estranho, que o obrigariam a
desfocar da missão principal que é, colocar a equipa a jogar um futebol mais
agressivo e coerente.
Resta dizer que esta direcção irá estar
completamente dependente dos resultados obtidos pelo próximo treinador. Depois
de 2 técnicos (que ainda auferem o seu ordenado) despedidos por maus resultados
e mau futebol, pode-se dizer que à terceira vai ter de ser de vez. A repetição de
um cenário idêntico ao que sucedeu com Domingos e Sá Pinto seria a assumpção de
uma incapacidade para liderar o clube, já que o desempenho de uma direcção mede-se
em pontos, apuramentos para provas de topo e troféus. Sem golos não há vitórias,
sem vitórias não há destaque, sem destaque não há vendas nem patrocínios, sem
estes não há dinheiro e sem dinheiro o Sporting será um clube ingovernável nos
próximos anos.
Uma boa razão para dar todas as condições ao
próximo treinador, muitas mais do que as que deram aos anteriores,
especialmente depois de maus resultados. Não chega contratar jogadores e uma
equipa técnica, há muitas batalhas que se sucedem a este primeiro trabalho,
mesmo muitas, onde somo normalmente menosprezados e ridicularizados, muito mais
que nas 4 linhas.
Até breve.
terça-feira, 9 de outubro de 2012
A lotaria anda à roda
Por esta altura e se não me falha nenhum nome, a nossa roda da sorte já tem as seguintes casas:
Scolari, Luis Henrique, Valverde, Bielsa, Co Adrieense, Van Marwijk, Rijkaard, Tigana, Cajuda, Leonardo Jardim, Van der Gaag, Blanc, Reja, Manzano, Redknapp, Eriksson, Balakov...
Sinceramente apenas Bielsa e Co Adrieense seriam interessantes. Do resto da lista vários "enganos". Para se saber o que se pretende há que explicar porque prescindimos de Sá Pinto.
Eu penso que a razão principal se prendeu com a dificuldade em construir uma equipa. Um equipa tem uma ideia de jogo, um plano de jogo, modelos tácticos (normalmente 2) e variantes de jogo. Tem uma ideia de 11 titular e de possíveis substituições conforme as mudanças pretendidas. Uma equipa tem uma preparação técnica de bolas paradas em ataque e defesa, de marcações e desdobramentos ofensivos. Mas a de Sá Pinto não tinha. Ou então não foi capaz de o exibir, o que vai dar quase no mesmo resultado.
Sendo assim, o próximo treinador do Sporting não pode ser um leigo no campo técnico e táctico de construção de uma equipa. Figuras de proa, capitães de imprensa, divas de banco é tudo o que não precisamos. Scolari, Manzano, Eriksson, Blanc e Marwijk são isso mesmo.
Outra dificuldade de Sá Pinto, recuperar animicamente a equipa, dando-lhe a confiança necessária para ultrapassar sucessivos desaires. Algo que também não vejo em Luis Henrique, Gaag, Rijkaard, Tigana, Jardim ou Balakov. Depois na lista há detalhes de malvadez, como Redknapp (seria trucidado pela manha de pequenos clubes) ou Reja e Valverde (ultrapassados em pelo menos 10 anos nos conceitos tácticos que aplicam).
Ou seja, de uma lista de quase 20 nomes, 90% seriam erros de casting, e dentro dos 10% aproveitáveis, 50% não está disponível. Sobra os trais 5%, Co Adrieense. Mas isto é apenas uma opinião. Haverá quem veja em Scolari a solução para a indisciplina (alguém me pode elucidar os gritantes casos exibidos pela equipa?) ou a promessa de ouro na ambição de Luis Henrique (com uma carreira tão semelhante à de Sá Pinto que me baralha). O que ninguém sabe ao certo é para que lado cairá a escolha.
Da minha parte aponto para o pior, tudo o que for acima é lucro. Esta direcção tem sido rica nas desilusões e eu estou um pouco farto de "defender" pontos de vista e racionalidades, quando na cabeça de quem dirige, muitas das vezes, não parece haver nenhumas.
Até breve
Scolari, Luis Henrique, Valverde, Bielsa, Co Adrieense, Van Marwijk, Rijkaard, Tigana, Cajuda, Leonardo Jardim, Van der Gaag, Blanc, Reja, Manzano, Redknapp, Eriksson, Balakov...
Sinceramente apenas Bielsa e Co Adrieense seriam interessantes. Do resto da lista vários "enganos". Para se saber o que se pretende há que explicar porque prescindimos de Sá Pinto.
Eu penso que a razão principal se prendeu com a dificuldade em construir uma equipa. Um equipa tem uma ideia de jogo, um plano de jogo, modelos tácticos (normalmente 2) e variantes de jogo. Tem uma ideia de 11 titular e de possíveis substituições conforme as mudanças pretendidas. Uma equipa tem uma preparação técnica de bolas paradas em ataque e defesa, de marcações e desdobramentos ofensivos. Mas a de Sá Pinto não tinha. Ou então não foi capaz de o exibir, o que vai dar quase no mesmo resultado.
Sendo assim, o próximo treinador do Sporting não pode ser um leigo no campo técnico e táctico de construção de uma equipa. Figuras de proa, capitães de imprensa, divas de banco é tudo o que não precisamos. Scolari, Manzano, Eriksson, Blanc e Marwijk são isso mesmo.
Outra dificuldade de Sá Pinto, recuperar animicamente a equipa, dando-lhe a confiança necessária para ultrapassar sucessivos desaires. Algo que também não vejo em Luis Henrique, Gaag, Rijkaard, Tigana, Jardim ou Balakov. Depois na lista há detalhes de malvadez, como Redknapp (seria trucidado pela manha de pequenos clubes) ou Reja e Valverde (ultrapassados em pelo menos 10 anos nos conceitos tácticos que aplicam).
Ou seja, de uma lista de quase 20 nomes, 90% seriam erros de casting, e dentro dos 10% aproveitáveis, 50% não está disponível. Sobra os trais 5%, Co Adrieense. Mas isto é apenas uma opinião. Haverá quem veja em Scolari a solução para a indisciplina (alguém me pode elucidar os gritantes casos exibidos pela equipa?) ou a promessa de ouro na ambição de Luis Henrique (com uma carreira tão semelhante à de Sá Pinto que me baralha). O que ninguém sabe ao certo é para que lado cairá a escolha.
Da minha parte aponto para o pior, tudo o que for acima é lucro. Esta direcção tem sido rica nas desilusões e eu estou um pouco farto de "defender" pontos de vista e racionalidades, quando na cabeça de quem dirige, muitas das vezes, não parece haver nenhumas.
Até breve
segunda-feira, 8 de outubro de 2012
Urgência
É um facto que a gestão desportiva do Sporting é um pavor. Apesar de boas contratações, muito do trabalho de limpeza, agressividade, relações de força e alianças tem sido jogado conforme a dança dos pontos, conforme mais ou menos queixas da arbitragem, conforme a forma mais ou menos simpática que os media abordam o clube.
Lição nº1 - a inconstância e falta de estratégia paga-se caro.
A escolha de Sá Pinto parecia, especialmente depois da eliminatória com o City, ter sido bastante feliz. Mas depois de uma Taça de Portugal perdida sem grande explicação (o Bilbao não provocou tantas interrogações pela valia do seu plantel) houve muitos que questionaram se aquele resultado seria uma ilha num oceano de bons resultados ou uma península que anunciava um continente de problemas.
Em Guimarães foi demasiado notório que no início da Liga, o Sporting ainda não tinha equipa. O que foi grave. Com o Rio Ave, explicar com azar a continua inoperância colectiva é ser desonesto. Aqui esteve o ponto em que seria ideal ter intervido. É certo que a imprensa teria feito gato sapato da precipitação do clube, da máquina trituradora de treinadores, mil e um argumentos que defenderiam a continuidade de Sá Pinto. E foi no que deu. Hoje ao perder com o Porto, nenhum opinador é capaz de dizer que este Sporting é alguma coisa parecida com o que devia ser.
Lição nº2 - Agir por convicção e não segundo os timings dos media.
O Sporting já tentou dois wonder boys em ascenção (Domingos e Paulo Sérgio) e já tentou dois santos da casa (Paulo Bento e Sá Pinto). Nenhum foi bom. Dois foram bastante decepcionantes, dois foram catastróficos. Resta experimentar um Homem, deixando os rapazes crescer na B ou nos Júniores, e de preferência de fora, e com um obrigatório palmarés de construção de equipas de raiz.
Lição nº3 - O que é bom para o Porto, pode ser muito mau para nós.
O Sporting só voltará a afirmar-se como potência no nosso futebol, quando deixar de mimetizar lógicas que imperam noutros clubes. E se tivermos de por os olhos em algum clube, que sejam maiores e melhores que o nosso de preferência. De facto temos de apostar num treinador como o Man Utd, temos de gerir as nossas finanças como um Bayern, temos de apostar nas nossas escolas como um Barça, temos de nos rebelar contra o status como o Inter, temos de nos respeitar apesar dos insucessos como um Arsenal.
Lição nº4 - Seremos pequenos ao imitar gente pequena
Depois de 6 jogos, temos 6 pontos. Não é uma desgraça...é uma grande desgraça. Mas o mal está feito, os erros visíveis e o pânico de andar a telefonar a meio mundo à procura de um "salvador" é o pior erro que se podia cometer. O nome do treinador resolve zero. Uma boa escolha resolverá 20%. Uma escolha inteligente resolverá 40%. Os restantes 60% distribuem-se pela relação com a arbitragem (10%), a relação com os media (10%) e conseguir convencer o actual plantel a empenhar-se verdadeiramente (40%). Um grande treinador não deixará de comunicar a esta direcção que existem muitos jogadores importantes na equipa a dar pouco e a acreditar quase nada na escolha de carreira que fizeram.
Lição nº5 - Escolher é fácil, acertar é muito mais difícil
O que resta da época? Bastante. O título só será possível com uma inversão miraculosa de resultados e eu nunca vi nenhum milagre, muito menos em Alvalade. Resta o apuramento para a champions, a Taça de Portugal e ultrapassar a fase de grupos na Europa. Dois destes objectivos jogam-se nas próximas semanas. O que é que isto quer dizer? Que todos os dias sem novo treinador são dias que damos aos nossos adversários. Isso pode precipitar uma escolha? Pode, mas com um departamento de futebol inteiro a trabalhar sobre o assunto, só por puro amadorismo não se desenha uma shortlist de 4 ou 5 técnicos que encaixem nos nossos parametros: a) disponibilidade; b) curriculo; c) adaptação ao nosso sistema de futebol e estrutura; d) adaptação às aptidões do nosso plantel; e) enquadramento salarial. Depois é uma questão de saber negociar.
Lição nº6 - Despedir um treinador sem saber exactamente o que o deve substituir é o sinal mais grave de desespero.
Depois de tantos técnicos nas últimas épocas e depois de tantas vergonhas e insucessos, de mau futebol, de estatuto perdido. Escolher o próximo treinador tem de ser uma prova da direcção aos adeptos que se quer inverter esta situação. Muito poucos gostaram da surpresa Paulo Sérgio e tiveram razão. Repetir a brincadeira provocará eleições muito mais cedo que o previsto, tal como a continuidade de Oceano por mais jogos. A urgência é total. Urge a definição e a qualidade da escolha.
A minha palavra para Godinho Lopes é um desafio: surpreende-me, mas rápido, a minha paciência é curta, mais curta que o orçamento que geres.
Até breve.
Lição nº1 - a inconstância e falta de estratégia paga-se caro.
A escolha de Sá Pinto parecia, especialmente depois da eliminatória com o City, ter sido bastante feliz. Mas depois de uma Taça de Portugal perdida sem grande explicação (o Bilbao não provocou tantas interrogações pela valia do seu plantel) houve muitos que questionaram se aquele resultado seria uma ilha num oceano de bons resultados ou uma península que anunciava um continente de problemas.
Em Guimarães foi demasiado notório que no início da Liga, o Sporting ainda não tinha equipa. O que foi grave. Com o Rio Ave, explicar com azar a continua inoperância colectiva é ser desonesto. Aqui esteve o ponto em que seria ideal ter intervido. É certo que a imprensa teria feito gato sapato da precipitação do clube, da máquina trituradora de treinadores, mil e um argumentos que defenderiam a continuidade de Sá Pinto. E foi no que deu. Hoje ao perder com o Porto, nenhum opinador é capaz de dizer que este Sporting é alguma coisa parecida com o que devia ser.
Lição nº2 - Agir por convicção e não segundo os timings dos media.
O Sporting já tentou dois wonder boys em ascenção (Domingos e Paulo Sérgio) e já tentou dois santos da casa (Paulo Bento e Sá Pinto). Nenhum foi bom. Dois foram bastante decepcionantes, dois foram catastróficos. Resta experimentar um Homem, deixando os rapazes crescer na B ou nos Júniores, e de preferência de fora, e com um obrigatório palmarés de construção de equipas de raiz.
Lição nº3 - O que é bom para o Porto, pode ser muito mau para nós.
O Sporting só voltará a afirmar-se como potência no nosso futebol, quando deixar de mimetizar lógicas que imperam noutros clubes. E se tivermos de por os olhos em algum clube, que sejam maiores e melhores que o nosso de preferência. De facto temos de apostar num treinador como o Man Utd, temos de gerir as nossas finanças como um Bayern, temos de apostar nas nossas escolas como um Barça, temos de nos rebelar contra o status como o Inter, temos de nos respeitar apesar dos insucessos como um Arsenal.
Lição nº4 - Seremos pequenos ao imitar gente pequena
Depois de 6 jogos, temos 6 pontos. Não é uma desgraça...é uma grande desgraça. Mas o mal está feito, os erros visíveis e o pânico de andar a telefonar a meio mundo à procura de um "salvador" é o pior erro que se podia cometer. O nome do treinador resolve zero. Uma boa escolha resolverá 20%. Uma escolha inteligente resolverá 40%. Os restantes 60% distribuem-se pela relação com a arbitragem (10%), a relação com os media (10%) e conseguir convencer o actual plantel a empenhar-se verdadeiramente (40%). Um grande treinador não deixará de comunicar a esta direcção que existem muitos jogadores importantes na equipa a dar pouco e a acreditar quase nada na escolha de carreira que fizeram.
Lição nº5 - Escolher é fácil, acertar é muito mais difícil
O que resta da época? Bastante. O título só será possível com uma inversão miraculosa de resultados e eu nunca vi nenhum milagre, muito menos em Alvalade. Resta o apuramento para a champions, a Taça de Portugal e ultrapassar a fase de grupos na Europa. Dois destes objectivos jogam-se nas próximas semanas. O que é que isto quer dizer? Que todos os dias sem novo treinador são dias que damos aos nossos adversários. Isso pode precipitar uma escolha? Pode, mas com um departamento de futebol inteiro a trabalhar sobre o assunto, só por puro amadorismo não se desenha uma shortlist de 4 ou 5 técnicos que encaixem nos nossos parametros: a) disponibilidade; b) curriculo; c) adaptação ao nosso sistema de futebol e estrutura; d) adaptação às aptidões do nosso plantel; e) enquadramento salarial. Depois é uma questão de saber negociar.
Lição nº6 - Despedir um treinador sem saber exactamente o que o deve substituir é o sinal mais grave de desespero.
Depois de tantos técnicos nas últimas épocas e depois de tantas vergonhas e insucessos, de mau futebol, de estatuto perdido. Escolher o próximo treinador tem de ser uma prova da direcção aos adeptos que se quer inverter esta situação. Muito poucos gostaram da surpresa Paulo Sérgio e tiveram razão. Repetir a brincadeira provocará eleições muito mais cedo que o previsto, tal como a continuidade de Oceano por mais jogos. A urgência é total. Urge a definição e a qualidade da escolha.
A minha palavra para Godinho Lopes é um desafio: surpreende-me, mas rápido, a minha paciência é curta, mais curta que o orçamento que geres.
Até breve.
quinta-feira, 4 de outubro de 2012
Fim
Hoje marca o fim de duas coisas aqui neste blog.
O apoio a Sá Pinto e o meu silêncio sobre a gestão profissional do futebol do Sporting.
As explicações são inúteis. Basta ver ou rever o jogo frente ao Videoton.
Os mais incautos tentarão ver o nosso azar, os erros dos árbitros, o mau estado do relvado. Os mais "avisados" não cairão nessas contas fúteis.
As contas a fazer nesta altura são
Ponto nº1 - Qualidade do Plantel
Na baliza o titular da Selecção Portuguesa. Nas laterais, 1 internacional Argentino, 1 internacional Croata, internacional jovem português e um internacional jovem Colombiano. No centro da defesa, internacionais Argentino, Brasileiro, Holandês. No meio campo, internacionais Russo, Português, Argentino, Suíço Holandês, Peruano, Espanhol, Marroquino. No ataque, apesar de ser pouco, há um Argentino cotado pela Europa fora, um internacional Holandês e uma grande promessa Portuguesa e Chilena. Verdade seja dita, ninguém será capaz de olhar para esta equipa e afirmar que não tem soluções.
Ponto nº2 - Currículo
Uma excelente época nos juniores e uma meia-época bastante agradável nos seniores do Sporting. É um currículo muito curto, sem grandes provas de recuperações, sem grande estofo adquirido. Idealmente Sá Pinto teria agora a hipótese de encetar uma verdadeira recuperação e aprender com isso, mas as "curas" que tem tentado, têm feito mais dano que a doença.
Ponto nº3 - Qualidade de Jogo
Zero. Não há automatismos, a equipa joga sempre como se estivesse a iniciar a pré-temporada, sem qualquer ligação entre sectores, sem qualquer estilo ou ideal de jogo. Este Sporting de Sá Pinto é uma manta de retalhos tácticos, uma sucessão de jogadas previsíveis e tudo a uma velocidade exasperante.
Ponto nº4 - Pontos
O pior início de época de sempre. 9 jogos, 2 vitórias, 2 derrotas e 5 empates. Diga-se que todos os jogos de grau bastante acessível. O Sporting ainda não defrontou uma equipa de igual ou superior valia.
Meio da tabela na liga e último lugar na Liga Europa.
Na Liga, após defrontar Maritimo, Rio Ave, Estoril, Gil Vicente e Guimarães, equipas fraquíssimas a que exceptuo a equipa insular, o Sporting tem 6 pontos em 15 possíveis. Ainda por cima com mais jogos em casa do que fora. É uma prestação absurda.
Na Liga Europa apesar de ter encontrado o grupo mais fácil de sempre na competição, o Sporting parece bastante adiantado para deixar Belgas e Húngaros nas primeiras posições, acabando bem cedo a desperdiçar o estatuto de semi-finalista.
Face a tudo isto, pode-se perguntar, alguém faria pior? Não. Apesar do amor ao clube e da história de ligação entre clube e treinador, Sá Pinto é o homem errado no local errado. É um treinador sem capacidade para entender o que deve fazer, não tem culpa. Não é nem nunca será um predestinado como treinador, tal como não é Paulo Bento, Domingos ou a grande maioria do técnicos que treinaram o clube nos últimos 20 anos.
A única coisa que resta a GL e equipa directiva é encontrar a solução para este problema. Ela chama-se bom treinador. Não há muitos, mas também não vale a pena mais "remendos". De que vale montar uma boa equipa se não há alguém para a aproveitar? Querem uma solução de transição? Tem o Manuel Fernandes não têm? Mas desta vez, percam um pouco mais de tempo e sobretudo não cheguem aos adeptos com "Paulos Sergios" servidos de génios. Desta vez não!
Varram o planeta, mas encontrem alguém que tenha provas dadas em ganhar coisas e sobretudo em montar boas equipas. Se não tiverem dinheiro, peçam aos sportinguistas. Tenho a certeza que depois de tantos anos a sofrer com "amadores" até somos capazes de "comprar" bom futebol em Alvalade (e o pior é que não estou a brincar).
Até breve.
O apoio a Sá Pinto e o meu silêncio sobre a gestão profissional do futebol do Sporting.
As explicações são inúteis. Basta ver ou rever o jogo frente ao Videoton.
Os mais incautos tentarão ver o nosso azar, os erros dos árbitros, o mau estado do relvado. Os mais "avisados" não cairão nessas contas fúteis.
As contas a fazer nesta altura são
Ponto nº1 - Qualidade do Plantel
Na baliza o titular da Selecção Portuguesa. Nas laterais, 1 internacional Argentino, 1 internacional Croata, internacional jovem português e um internacional jovem Colombiano. No centro da defesa, internacionais Argentino, Brasileiro, Holandês. No meio campo, internacionais Russo, Português, Argentino, Suíço Holandês, Peruano, Espanhol, Marroquino. No ataque, apesar de ser pouco, há um Argentino cotado pela Europa fora, um internacional Holandês e uma grande promessa Portuguesa e Chilena. Verdade seja dita, ninguém será capaz de olhar para esta equipa e afirmar que não tem soluções.
Ponto nº2 - Currículo
Uma excelente época nos juniores e uma meia-época bastante agradável nos seniores do Sporting. É um currículo muito curto, sem grandes provas de recuperações, sem grande estofo adquirido. Idealmente Sá Pinto teria agora a hipótese de encetar uma verdadeira recuperação e aprender com isso, mas as "curas" que tem tentado, têm feito mais dano que a doença.
Ponto nº3 - Qualidade de Jogo
Zero. Não há automatismos, a equipa joga sempre como se estivesse a iniciar a pré-temporada, sem qualquer ligação entre sectores, sem qualquer estilo ou ideal de jogo. Este Sporting de Sá Pinto é uma manta de retalhos tácticos, uma sucessão de jogadas previsíveis e tudo a uma velocidade exasperante.
Ponto nº4 - Pontos
O pior início de época de sempre. 9 jogos, 2 vitórias, 2 derrotas e 5 empates. Diga-se que todos os jogos de grau bastante acessível. O Sporting ainda não defrontou uma equipa de igual ou superior valia.
Meio da tabela na liga e último lugar na Liga Europa.
Na Liga, após defrontar Maritimo, Rio Ave, Estoril, Gil Vicente e Guimarães, equipas fraquíssimas a que exceptuo a equipa insular, o Sporting tem 6 pontos em 15 possíveis. Ainda por cima com mais jogos em casa do que fora. É uma prestação absurda.
Na Liga Europa apesar de ter encontrado o grupo mais fácil de sempre na competição, o Sporting parece bastante adiantado para deixar Belgas e Húngaros nas primeiras posições, acabando bem cedo a desperdiçar o estatuto de semi-finalista.
Face a tudo isto, pode-se perguntar, alguém faria pior? Não. Apesar do amor ao clube e da história de ligação entre clube e treinador, Sá Pinto é o homem errado no local errado. É um treinador sem capacidade para entender o que deve fazer, não tem culpa. Não é nem nunca será um predestinado como treinador, tal como não é Paulo Bento, Domingos ou a grande maioria do técnicos que treinaram o clube nos últimos 20 anos.
A única coisa que resta a GL e equipa directiva é encontrar a solução para este problema. Ela chama-se bom treinador. Não há muitos, mas também não vale a pena mais "remendos". De que vale montar uma boa equipa se não há alguém para a aproveitar? Querem uma solução de transição? Tem o Manuel Fernandes não têm? Mas desta vez, percam um pouco mais de tempo e sobretudo não cheguem aos adeptos com "Paulos Sergios" servidos de génios. Desta vez não!
Varram o planeta, mas encontrem alguém que tenha provas dadas em ganhar coisas e sobretudo em montar boas equipas. Se não tiverem dinheiro, peçam aos sportinguistas. Tenho a certeza que depois de tantos anos a sofrer com "amadores" até somos capazes de "comprar" bom futebol em Alvalade (e o pior é que não estou a brincar).
Até breve.
domingo, 16 de setembro de 2012
Sem justificação
3 jogos. 7 pontos perdidos. Nenhuma vitória. O Sporting não fez, mais uma vez um bom jogo, mas com mais facilidade que o que parecia possível chegou ao 0-1. Depois, bem, depois começou a sucessão de disparates. O nervosismo extremamente visível antes do golo marcado (que até deu alguma concentração extra) deu lugar ao desperdício. Desmazelo de jogadores que ainda não entenderam que facilitar qualquer jogo é sinónimo de desperdiçar pontos. E ficaram mais dois no funchal, num jogo que um candidato ao título tem de ganhar.
E esse é o verdadeiro golpe desta jornada. Ao partir para a 4ª jornada, o Sporting tem já 5 pontos de atraso. Continua a exibir uma dificuldade enorme em assentar um jogo de qualidade, continua a desiludir os adeptos. 3 jogos, 1 golo marcado, 2 sofridos. Pobre, muito pobre.
Não chega a Sá Pinto as queixas do clima, relvado e passar a mão pela cabeça dos jogadores. A verdade é que o trabalho de 18 dias...não se fez notar. O Marítimo é uma boa equipa, mas o Sporting tem de conseguir fazer melhor, muito melhor.
Não será esta época ainda que o Sporting fará um arranque decente, nem sequer mediano. Há muitas épocas que temos iniciado pateticamente as épocas, perdendo o estatuto de candidatos logo nas primeiras jornadas. Dantes não chegávamos à Páscoa, depois ao Natal, ultimamente chegamos ao regresso às aulas e com dificuldade. Isto não é um caminho decente. É uma desilusão.
Oiço dizer que ainda estamos no início. Pois, mas já lá vão 3 jogos, e se ninguém ainda reparou...estamos no fim da tabela. Alguém tem de acordar, acordar a sério!
Até breve.
E esse é o verdadeiro golpe desta jornada. Ao partir para a 4ª jornada, o Sporting tem já 5 pontos de atraso. Continua a exibir uma dificuldade enorme em assentar um jogo de qualidade, continua a desiludir os adeptos. 3 jogos, 1 golo marcado, 2 sofridos. Pobre, muito pobre.
Não chega a Sá Pinto as queixas do clima, relvado e passar a mão pela cabeça dos jogadores. A verdade é que o trabalho de 18 dias...não se fez notar. O Marítimo é uma boa equipa, mas o Sporting tem de conseguir fazer melhor, muito melhor.
Não será esta época ainda que o Sporting fará um arranque decente, nem sequer mediano. Há muitas épocas que temos iniciado pateticamente as épocas, perdendo o estatuto de candidatos logo nas primeiras jornadas. Dantes não chegávamos à Páscoa, depois ao Natal, ultimamente chegamos ao regresso às aulas e com dificuldade. Isto não é um caminho decente. É uma desilusão.
Oiço dizer que ainda estamos no início. Pois, mas já lá vão 3 jogos, e se ninguém ainda reparou...estamos no fim da tabela. Alguém tem de acordar, acordar a sério!
Até breve.
quinta-feira, 6 de setembro de 2012
O Caminho do Sporting
Parece-me existir um denominador comum nas
apostas de contratações e renovações do Sporting. Já no ano passado a
estratégia foi semelhante, mas muito menos conseguida, a tarefa de “limpar” um
plantel e construir outro era difícil e houve meios compromissos.
Mas nesta época é possível já distinguir nas
opções do clube e especificamente na estruturação do seu plantel de futebol
profissional A, uma estratégia. Coisa que vezes sem fim referi aqui que não
existia. De facto, ao olhar para as decisões tomadas neste Verão, salta à vista
um rumo. Muitos podem não concordar com o mesmo (nunca existe unanimidade) mas
ele existe.
Renovar apenas com os jogadores que dão notas
de crescimento e valorização. Preparar uma equipa jovem com algumas referencias
mais experientes. Dar primazia aos atletas formados em Alcochete. Comprar
(através de verbas consideráveis) apenas valores com dados seguros de procura
no mercado. Contratar soluções de 2ª linha apenas a custo zero. Estes são
alguns sinais de que existe uma ideia para o futebol do Sporting. Ela não passa
por um Ajax nem por um Arsenal, fica bastante distante do modelo de clube
formador e ainda longe das lógicas dos rivais Porto e Benfica.
Não será o caso de chamar à definição de
modelo competitivo leonino uma 3ª via. Não será nunca a 3ª, uma vez que a curto
prazo todos os clubes grandes dos campeonatos periféricos terão de a adoptar
como 1ª. O Sporting encontra-se assim a preparar o inevitável. Bem mais cedo
que os seus rivais que permanecem “iludidos” por transferências record de
jogadores que adquiriram por largos milhões de euros.
Num futuro que chegará cedo, será difícil que
um clube em Portugal consiga gastar mais de 4 ou 5 milhões num jogador. Não
existirá crédito bancário e muito menos equilíbrio no orçamento que o sustente.
O Fair Play financeiro da UEFA já não é uma miragem e as “loucuras” de Zentit,
Man City, Anzhi e PSG só vieram criar mais “momentum” nos grandes emblemas
europeus para acelerar a regra do equilíbrio orçamental.
As escolas dos nossos rivais produzem bons
jogadores, mas em rácios bem distintos dos nossos. Alem disso, a rede de scouts
de ambos é muito mais voltada para valores exteriores do que nacionais. O
Sporting tem a melhor rede de scouting jovem, mas isso não é uma realidade
imutável. O Benfica tem optado por uma “cópia” dos nossos processos e bem
recentemente tem procurado “no nosso quintal” valores mal protegidos,
tentando-os com contratos bem acima do que o Sporting implementa.
O Porto permanece com um sector de formação em
auto-gestão, que dá primazia ao lado técnico, mas que vive numa realidade
geográfica bastante reduzida. Ocasionalmente entra em campo na fase de
negociação de Sporting e Benfica com jovens atletas, subindo a parada...o que
não se pode chamar um verdadeiro scouting.
Longe vão os tempos de uma magnifica escola de
centrais e avançados.
Por agora este cenário parece pertencer a uma
narrativa distante das lógicas dos títulos e dos acessos à Champions. Mas em
breve irá deixar de o ser. A pacóvia e passiva atitude da FPF e Liga irão
esbarrar sobretudo nos insucessos da Selecção Nacional, que privada de grandes
jogadores formados nos grandes, não poderá acompanhar a evolução das grandes
nações desportivas (Alemanha, França, Inglaterra, Rússia, Itália ou Espanha)
que estão bem mais adiantadas nas regras de limitação de jogadores
estrangeiros.
Ninguém o deseja, mas é óbvio que enquanto os
3 grandes não patrocinarem uma revolução das competições portuguesas, nada fará
mudar o actual regime, que relega o atleta português constantemente para as
segundas ou terceiras opções.
O plantel do Benfica é um exemplo negativo do
caminho e sobretudo da mentalidade dos gestores desportivos, onde um valor
médio estrangeiro é sempre preferível a um titular da Seleção Portuguesa. A
imprensa parece ignorar a tacanha visão que isto reflecte.
Esperemos para ver o que o futuro reserva.
Aplaudo o caminho do Sporting, reforçando que o futebol das escolas terá de ser
mais blindado a “raids surpresa” de forma a obrigar os nossos rivais a despender
o mesmo esforço e o mesmo empenho que a nós nos obrigamos para formar bons
atletas. O Sporting terá de rever os contratos e as salvaguardas que inclui.
Afinal de contas, terá de fazer valer o seu estatuto de grande escola mundial
na balança da negociação.
Ser um grande formador e um mau vendedor não
combina.
Até breve.
sexta-feira, 31 de agosto de 2012
Pensar antes de avaliar
Apesar de ainda nem sequer passar de um boato,
já está a ser criticado na blogosfera leonina. Pois eu tenho uma opinião bem
clara: quem nos dera!
Dimitri Sychev já foi por 47 vezes
internacional pela Rússia onde marcou 15 golos. Tem quase 400 jogos disputados
e mais de 100 golos marcados. Este jogador apelidado de “Michel Owen” russo é,
como o nickname indica um avançado rápido, será muito mais um atleta à imagem
de Saviola do que um suplente que partilhe os atributos de Wolfswinkel.
Os únicos senãos nesta possível aquisição (o
jornal russo que circulou a notícia falava em cedência por empréstimo e com
opção de compra) é o momento e a necessidade.
O momento - Sychev deixou há 2 épocas de ser
titular e tem feito poucas partidas no Lokomotiv. Se as lições de Pongolle ou
Bojinov serviram para alguma coisa, é bom que se confirme o estado anímico e
estabilidade mental do russo antes de concluir o que quer que seja.
A necessidade – Um avançado rápido pode ser
fundamental em estratégias de contra-ataque, mas por época o Sporting adopta
esta via não mais que em 10 partidas. Nas restantes 50 é o sentido posicional e
capacidade para abrir espaços que fazem a diferença...e aqui não me parece que
seja o forte de Sychev, que assenta a sua valia na capacidade de desmarcação e
rapidez.
Mas de qualquer forma, para suplente, não é
nome que envergonhe ninguém...bem pelo contrario.
Até breve.
quinta-feira, 30 de agosto de 2012
Onde comprar golos
Com a saída de Pongolle, com o empréstimo de
Wilson Eduardo à Académica, Balde no Guimarães e com o provável ingresso de
Bojinov no Verona, o Sporting fica apenas com Viola e Wolfswinkel como
avançados puros no plantel. Rubio fará muitas vezes a viagem entre a equipa A e
a B e como tal não será uma opção a full time no plantel.
Com 2 avançados e por melhores que eles sejam,
não é possível encarar uma época de 4 competições de clubes e um apuramento
para o Campeonato do Mundo (o Sporting tem cada vez mais seleccionáveis no
plantel) com a certeza de que nunca faltarão homens para atacar a baliza. É
certo que o recém-chegado argentino e o holandês são ambos bastante jovens, mas
no futebol moderno, o desgaste de jogos acumulados faz-se sentir
independentemente da idade.
É pois quase certo que irá chegar mais uma
opção para o ataque leonino. Ao contrario de Titin Viola, este futuro jogador
deverá ser um avançado de área, como muitos já o afirmaram, um jogador mais
posicional, que dê a Sá Pinto uma presença física mais regular na zona de
finalização. As deslocações de Ricky (que procura muitas vezes receber a bola
no meio campo) aliado à tendência natural de Viola de procurar as alas abrem no
plantel do Sporting uma nova necessidade. E não vai ser fácil supri-la.
Hoje em dia, encontrar um sucessor moderno de
Ian Rush, Manuel Fernandes ou (mais recente) Pipo Inzaghi é uma tarefa árdua.
Estes “killers” são cada vez mais raros e quando encontrados cedo se tornam
tesouros difíceis de resgatar. O próprio Diego Rubio é um “projecto” incerto
que poderá vir um dia a cumprir o desígnio para o qual foi contratado, mas que
para já não confirmou aquilo que os mais optimistas pensariam ser um
rato-de-área pronto a revelar-se ao mundo do futebol de topo.
Os Diego Rubios mais experientes com
currículos já comprovados de elevada materialização de golos, são, infelizmente
areia de mais para o camião de contenção financeira do Sporting. A pergunta que
se coloca é então: onde encontrar e como pagar este novo reforço.
É muito mais fácil responder à primeira parte
da questão. No mercado nacional jogadores deste tipo são quase inexistentes,
nenhum com o calibre que nos faz falta.
Existem alguns valores emergentes na Liga
Argentina, mas com os olhos da Espanha, Itália e França sempre apontados aos
Torneios Apertura e Clausura é cada vez mais raro um bom ponta de lança a jogar
na Argentina passar despercebido.
O mercado brasileiro é abundante e vasto em
soluções. Mas com a recuperação económica fulgurante do país irmão, os clubes
outrora carenciados de vendas a qualquer preço, fazem hoje muita questão em
exportar caro, muito caro. Os exemplos de Damião ou Neymar são um retrato do
que esperam outras possíveis aquisições.
Ainda na América do Sul, Chile, Colômbia e
Uruguai são mercados economicamente interessantes, mas os seus melhores valores
não jogam lá, são rapidamente exportados para o México, Argentina e Itália,
lugar de onde só costumam sair a troco de verbas já incomportáveis.
Ultimamente o Sporting tem optado por explorar
o mercado Holandês, onde os atletas tem uma óptima formação competitiva e uma
tendência para querer abandonar a Eredivise bem no início. Ajax, PSV e
Feyenoord outrora grandes exportadores de jogadores para os “tubarões” da
Europa, perderam a ligação directa. Salvo poucas excepções, um avançado holandês para chegar ao um
clube do top 10 europeu, terá de provar numa liga mais defensiva que rende o
mesmo que na profícua liga holandesa. Mas mesmo assim, o recente poderio económico
dos clubes alemães, está a desviar o que melhor se forma nas excelente escola
de avançados holandesa.
O mercado africano é bem explorado pela
Ligue1, o de leste pelas ligas Russas, Ucranianas e Turca.
O que sobra?
Existe um mercado onde nascem habitualmente
bons avançados, que tem sido muito pouco valorizado pelos clubes portugueses. O
nórdico. Na Noruega, na Suécia, na Dinamarca e até na Finlândia e Islândia
formam-se bons pontas-de-lança, normalmente com poderosos remates e jogo de
cabeça, normalmente altos e atleticamente robustos. Não estão a um nível de
transferência incomportável e apesar da ponte com a Liga Inglesa ser
tradicionalmente forte, há muito que os clubes da Premier League apontaram o
foco a avançados mais “latinos” procurando a criatividade que não encontram nas
ligas nórdicas.
Mas ao Sporting não faz falta um avançado
criativo e no Norte da Europa pode muito bem estar o tal “homem” de área que
nós procuramos.
Talvez não exista nenhum Ibrahimovic por
resgatar, mas se o que buscamos é um suplente a Wolfswinkel não vejo porque razão
desperdiçar uma oportunidade de abrir horizontes no que diz respeito a formatos
de jogadores que não formamos.
A criatividade na procura gera normalmente
bons resultados.
Até breve.
segunda-feira, 27 de agosto de 2012
Sinal vermelho
Perder em casa. Perder frente ao Rio Ave. Perder contra uma equipa que vinha de uma derrota em casa. Perder contra uma equipa treinada por um estreante como Nuno Espirito Santo. Tudo parece improvável para qualquer equipa desta Liga, quanto mais para o Sporting. Na segunda jornada acumulamos 3 pontos de desvantagem para os rivais. E pior do que isso, revelamos uma incapacidade enorme em criar jogo ofensivo, uma incapacidade para desposicionar o adversário.
Este Sporting não tem armas ou não faz uso delas. Não há rapidez, não há força nem inspiração no remate, não há jogo de passe, não há sequer uma ideia do que fazer à bola quando se chega ao último terço do terreno. A juventude ou a adaptação não explica sequer metade das dificuldades exibidas. Há impreparação e muitas lacunas táctica na equipa. Quer queiramos quer não, isso é culpa de Sá Pinto. Não é possível ficar satisfeito ou esperançado com tanto desaproveitamento. 23 remates, duas mãos cheias de bolas paradas e muito poucas preocuparam o guarda-redes.
O quadro é evidentemente muito negro e preocupa-me muito o facto de em 2 jogos contra equipas fraquíssimas (Rio Ave e Guimarães são na minha opinião claros candidatos a descer) não conseguimos marcar um golo sequer. Só vitórias (muitas e seguidas) poderão devolver ânimo a esta equipa e aos adeptos, mas sendo cedo para o dizer, podemos estar apenas no prelúdio de um filme já muito visto no Sporting. Oxalá me engane. Estou um pouco cansado de gerir desaires sem descanso. Época após época começamos mal e andamos 8 meses a recuperar a fé na equipa e no clube. No mesmo mês que iniciamos a competição hipotecamos a ilusão, assim não é mesmo possível.
Até breve.
Este Sporting não tem armas ou não faz uso delas. Não há rapidez, não há força nem inspiração no remate, não há jogo de passe, não há sequer uma ideia do que fazer à bola quando se chega ao último terço do terreno. A juventude ou a adaptação não explica sequer metade das dificuldades exibidas. Há impreparação e muitas lacunas táctica na equipa. Quer queiramos quer não, isso é culpa de Sá Pinto. Não é possível ficar satisfeito ou esperançado com tanto desaproveitamento. 23 remates, duas mãos cheias de bolas paradas e muito poucas preocuparam o guarda-redes.
O quadro é evidentemente muito negro e preocupa-me muito o facto de em 2 jogos contra equipas fraquíssimas (Rio Ave e Guimarães são na minha opinião claros candidatos a descer) não conseguimos marcar um golo sequer. Só vitórias (muitas e seguidas) poderão devolver ânimo a esta equipa e aos adeptos, mas sendo cedo para o dizer, podemos estar apenas no prelúdio de um filme já muito visto no Sporting. Oxalá me engane. Estou um pouco cansado de gerir desaires sem descanso. Época após época começamos mal e andamos 8 meses a recuperar a fé na equipa e no clube. No mesmo mês que iniciamos a competição hipotecamos a ilusão, assim não é mesmo possível.
Até breve.
Uma jogada de 2 para 1
Parece mais ou menos óbvio que o novo ponta de
lança está dependente de duas saídas da folha de pagamento do Sporting.
Pongolle e Bojinov são dois avançados que partilham a distinção de flops de
mercado leoninos e estão a ser “oferecidos” em planos diferentes. Enquanto que
Sinama está para liquidação total e a preço de dumping, Valery é um negocio de
ocasião para quem o queira.
Ao todo são mais de 10 milhões de euros em que
dificilmente receberemos metade, duas apostas de direcções diferentes, mas com
o mesmo grau de sucesso, zero. O mais curioso de ambos os casos é que havia de
facto matéria que indicava serem dois atletas de difícil valorização. Riscos
que correram bastante mal, mesmo entendendo que são inerentes a qualquer
contratação.
Do Liverpool até ao Atlético, Pongolle chegou
ao Sporting tal como chegou a Huelva, a precisar de jogar e esquecer épocas de
suplente. Mas desta vez as coisas não correram bem e acrescido de um grave
problema familiar, desaproveitou-se muito e bom dinheiro que daria ainda hoje
para adquirir dois avançados de boa qualidade. Empréstimo atrás de empréstimo,
o Sporting tem tentado que o seu elevado ordenado não pese nas contas de cada
época, já que parece impossível algum clube adquira o seu passe.
Bojinov teve um começo muito promissor, mas
quase tão cedo como prometeu, desiludiu e até ao Sporting tem sido um percurso
descendente e rodeado de várias polémicas. Ninguém tem duvidas que é um
excelente jogador, mas a sombra do seu próprio insucesso impede o búlgaro de se
libertar em campo. Tal como o francês, ano após ano fica mais difícil uma
recuperação, até porque os clubes por onde passam não têm tempo nem espaço para
recuperar o muito que há para recuperar.
Se, por um feliz acaso, o Sporting conseguir
colocar ambos os jogadores, recomendo vivamente a Freitas que olhe para estas
duas realidades e que pense muito bem antes de abrir espaço e crédito a
jogadores “a precisar de recuperar carreiras”. Até os clubes turcos, gregos ou
russos estão a abandonar essa via.
Até breve.
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