segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

Salvar a pele

Uma derrota em Olhão e o Sporting teria ficado em zona de despromoção, com o pior ataque da prova. Face ao que já vi dos clubes de metade da tabela para baixo, tal seria uma ofensa trágica ao valor dos atletas do nosso plantel.

Mas ganhámos. E bem. Não foi uma exibição de uma equipa segura, confiante e moralizada, mas a espaços foi uma equipa que estava concentrada em fazer bem as coisas. Atendendo ao momento da equipa até foi uma pequena surpresa, facilitada pelo golo aos 3 minutos (não se pode ter sempre o azar do jogo), mais evidente no que o Sporting não deixou o Olhanense jogar.

Dá-me a sensação, que com o tempo e especialmente mais vitórias muitos dos Patinhos Feios do plantel vão tornar-se mais esclarecidos (Labyad, Adrien, Rojo, Insua) e mostrar que o passado pode ser presente e futuro. E já que falamos em futuro, é de salientar a entrada de Zezinho e a segurança de Miguel Lopes. Ambos podem fazer esquecer os "azulados" vultos de Izmailov e Moutinho.

Com tanto que se denegriu as vantagens portistas do negócio de troca, pode ser que num dos acasos do futebol, ML seja bem mais útil a Jesualdo que MI para Vitor Pereira. Só é pena (e aqui reside o pecado da negociação do Sporting) que a valorização do lateral beneficie o Porto. No futebol nem sempre 1+1=2 e de tão mal amado que foi o Professor na Luz e nas Antas, talvez tenha descoberto um grande que o valorize por aquilo que sabe fazer, sem fantasmas de Mourinhos por perto.

Hoje o Sporting soube salvar a pele, quem sabe na próxima semana saiba mais qualquer coisa. Pelo sim pelo não, vale a pena apoiar a equipa em Alvalade sem dramas e com a certeza de que nada fica direito em 2 jogos. A manutenção ou saída de GL não tem de ser gritada aos "ouvidos" da equipa. Irá existir uma AG para esse fim.

O que desejo até ao fim da época, mais do que recuperações relâmpago e balofos pedestais para salvadores de ultima hora, é que o Sporting defina uma nova direção com gente competente e motivada a endireitar o clube. Desejo que se identifique o treinador certo, as vendas e aquisições certas, para que Jesualdo volte para o cargo para que foi contratado. Cada coisa no seu lugar, com a sua função.

Os próximos anos são de cinto apertado, bem apertado e de olhos postos na organização do clube e nos valores da formação. Não me choca passar uns anos a "partir pedra" para que o Sporting recupere o seu lugar na galeria dos candidatos por mérito no campo e não por importância social. Um aviso aos "sonhadores turbo" - esta e talvez as próximas duas épocas vão ser tão difíceis como as últimas. Não vale a pena ficar sugestionado por uma série de vitórias, elas serão tão normais como os ocasionais desaires inesperados.

Devagar se vai ao longe. Cada vez respeito mais este ditado.

Até breve.

quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

O abuso

Já não há adjectivos para classificar a gestão desta direcção do Sporting. Não é fácil, nem simples como alguns opinadores sugerem, mas há falhas gravíssimas na forma e conteúdo de governação.


De todos os erros o que mais me choca é a não assunção pública de um novo paradigma na gestão desportiva. GL de todas as oportunidades que teve apenas salientou uma mudança no orçamento e necessidade de diminuição do investimento na equipa. Como se fosse apenas uma nuance que nada significa na vida do clube.
É um erro de gestão primário comunicar uma rasura ao modelo operativo desconsiderando o que isso implica para os sócios.

Tal como em muitas instituições em Portugal, o Sporting não tem uma liderança de facto. Falha na orientação, falha na definição de objectivos, falha no seu cumprimento. E isso é tudo o que significa liderar. Presidencialista ou não, esta presidência está ferida de morte por uma promessa impossível de cumprir.
GL foi mandatado para gerir uma aproximação a Porto e Benfica, aproximando os sócios da vida do clube.
O que temos agora é um GL a descapitalizar a equipa, a desinvestir na formação, a gerir um departamento de futebol profissional em ruínas. Tudo sem a mais pequena participação ou dialogo com os sócios.

Não me choca absolutamente nada o facto de Izmailov estar a caminho do Porto ou o capitão de todos os escalões Carriço ter sido vendido ao Reading. Esses são negócios que qualquer outra direcção poderia ter de os fazer. O que me indigna mais é a falta de legitimidade de alguém que ignora (ou finge ignorar) que já não estará no clube para ver o reflexo destas operações.

A democracia tem apenas uma regra de ouro: a legitimidade. GL perdeu-a ao descer tantos patamares de ideia competitiva para o clube.

Até breve.

sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

Ano novo, equipa nova

Em relação ao post anterior, as notícias parecem confirmar alguns movimentos entre clubes, ainda mais óbvios agora.

Se Onyewu e André Santos são olhados como “pesos mortos” no Coruña, em Alvalade serão sem dúvida bem-vindos. Apesar de a equipa precisar urgentemente de um médio mais criativo, do qual ficou órfão desde a saída de Matias e o não rendimento de Izmailov, trocar Elias por André Santos e Onyewu por Xandão não é o que parece à partida.

Teoricamente a equipa ficaria muito mais fraca. Mas na verdade é difícil imaginar que os agora jogadores emprestados à BBVA jogariam pior que os dois brasileiros. Xandão, apesar do golo do empate na última partida, não consegue projetar a imagem de um jogador seguro, um líder de rectaguarda. Também não o é Onyewu, mas o americano consegue dar outras coisa à equipa, mais agressividade, mais domínio no jogo aéreo e não é de desprezar a ligação que conquistou com os adeptos.

Elias é um caso paradoxal. Já vi algumas comparações com o que sucedeu a Luís Fabiano ou Diego no Porto. Não podiam ir mais ao encontro do que eu acho. O internacional brasileiro é sem dúvida um óptimo jogador, mas peca num grave pormenor – não está minimamente motivado no Sporting. É pena, pois com outro tipo de entrega já estaria a caminho de um Manchester ou de um Real Madrid, o Sporting dar-lhe-ia a projecção e o espaço que nunca teve no Atlético.

Vê-lo-emos daqui por um ano a brilhar noutra equipa, mas com a certeza de que não vale a pena insistir mais na aposta. Olhar para as movimentações de Elias durante uma partida é ver claramente um activo em campo e não um jogador de uma equipa. Neste sentido e até pela escassas oportunidades que teve em Espanha, André Santos pode ser uma aposta feliz. Seria bom para o jogador, bom para a equipa (é um conhecedor do clube e das exigências) e excelente para as finanças do clube. Já provou ter potencial para ser um bom jogador, basta-lhe mostrar, depressa esse estatuto.

Uma coisa é certa, é um luxo para o Sporting, com as suas capacidades financeiras actuais, poder fazer remodelações na equipa. Só possível graças a um filão de jogadores feitos dentro de casa e tantas vezes menosprezados.

Não resolverão todos os problemas, acrescentarão outros, mas uma coisa eu tenho quase a certeza...não farão a equipa perder 0-3 com Videotons.

Até breve.

segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

Remodelação Low Cost

Se alguém me dissesse no dia 4 de Janeiro que o Sporting teria alienado os passes de Bojinov, Salomão, Elias, Jeffren, Boulahrouz, Pranjic, Izmailov e desistido do direito de opção de Xandão, provavelmente não ficaria feliz, mas pelo menos teria a garantia de que a remodelação do plantel do Sporting não tinha colocado (ainda mais) problemas ao clube para atingir uma classificação digna até ao final da época.


É para mim óbvio que Patrício, Rojo, Ínsua, Rinaudo, Schaars, Wolfswinkel, Carrilho e Capel são as jóias da coroa e que numa segunda linha necessária estarão sempre Boeck, Cedric, Adrien, Gelson e Viola. Já não tenho tão claro que Carriço, André Martins, Labyad ou Rubio sejam importantes, mas em todos eles existe margem de progressão suficiente para não entrar em precipitações.

Este exercício de lógica desportiva exclui como será mais ou menos óbvio os atletas da Equipa B e Juniores, sendo que Eric Dier serve de ilustração perfeita para nos provar que antes de vender promessas por pouco mais de 1 milhão de euros é vital testar o seu talento na equipa A, pois podem, como no caso do inglês, descobrir-se muitas soluções para os muitos problemas da equipa.

No caso da venda dos 6 atletas acima citados, o Sporting poderia receber qualquer coisa entre 10 e 13 milhões de euros (sem trocas de jogadores), mas admitindo as penalizações do mercado e as percentagens dos fundos, este valor pode descer para 1/3, ou seja, entre 3 e 5.5 milhões, que é talvez a verba necessária para acabar a época com todos os compromissos (relativos à equipa) saldados.

Em termos de substituição, e porque ao saírem 7 atletas, outros 7 terão de entrar, a relação pode ser semelhante a esta:

Bojinov – Ghilas (Moreirense), Baba (Sevilha) ou Robin Ramirez (Tolima)
Elias – André Santos (Dep. Coruna)
Jeffren – Ricardo Esgaio (Sporting B) ou Pereirinha (lesionado)
Boulahrouz – Onyewu (Málaga) ou Nuno Reis (Olhanense)
Xandão – Eric Dier (Sporting B)
Pranjic – Turan (Ordurspor) , Evaldo (Dep. Coruna) ou Michael Pinto (Sporting B)
Izmailov – Renato Neto (Videoton) ou Kikas (Sporting B)

A grande pergunta é, mesmo assim, será que a equipa iria ficar mais frágil? Olhando o aproveitamento recente, a resposta parece fácil. Uma coisa é certa, seria um plantel remodelado quase a custo zero, com a vantagem de recuperar activos em vias de serem perdidos e poder hiper valorizá-los em 4 ou 5 meses.

Até breve.

quinta-feira, 29 de novembro de 2012

Reabrir dossiers


Apesar de tudo o que se tem escrito, não acho que em Janeiro venham mais do que 1 ou 2 jogadores, acertos pontuais possíveis, que a meu ver deveriam recair na função de médio centro criativo e ponta de lança.

Ao sair Fernandez, o plantel ficou órfão de um “fantasista”, um maestro. Nem Martins, nem Adrien e muito menos Labyad ou Pranjic provaram ser boas escolhas e a equipa desespera por alguma criatividade na construção de jogo. América latina ou Republicas ex-jugoslavas será o espaço ideal para encontrar este tipo de jogador a preços comportáveis.

A questão de dar rivalidade e sobretudo descanso a Wolfs já deverá estar mais adiantada, e penso mesmo que o nome já está fechado há mais de um mês.

Haveriam ainda outras posições a reforçar (lateral direiro e defesa central) mas o cobertor não deverá tapar assim tanto e melhor ou pior existem soluções no plantel A e B.

Ao contrario de outros anos, com a reabertura das transferências não chega nenhuma esperança de grandes soluções e a aposta em reforços deverá reflectir o momento financeiro e momento desportivo, ou seja, comedida, sem grandes aventuras, sem grande esperança. Mas terá de existir. O clube não pára, nem deve deixar de tentar melhorar, mesmo que seja de péssimo para mau.

Até breve.

A base caiu

Já por várias vezes referi neste blog a excessiva importância "politica" da Juve Leo nas decisões de poder do clube. Eu como muitos outros sócios estranhamos o alinhamento da claque em altura de eleições (está por explicar o comportamento de alguns "conhecidos" da Juve na madrugada da contagem de votos) e o porquê de tantas reuniões bi-laterais entre direcção e ultras.

A "retirada" da mais antiga claque portuguesa, especialmente numa altura em que paira no ar um abandono dos orgãos sociais à presidência de GL, não é o que pode parecer à primeira vista e só em parte se deve à crise de resultados. É claramente um sinal de que o regime caiu. Não tenho ideia da medida anunciada ter sido usada no passado, mas o que é certo é que mostra até que ponto chegou o desnorte do clube.

Apesar da manobra, que ainda não consigo relacionar o desfecho, ou a quem se destina o apoio que agora se retira a GL, a verdade é que é neste momento muito difícil a alguém que ame o clube sequer ver os jogos, quanto mais apoiar a equipa. Há um lado de mim que me diz que esta é a altura de mostrar ainda mais apoio, ainda mais convicção e ajudar um plantel a que todos já viraram as costas (inclusive alguns dos jogadores já dão mostras de falta de empenhamento e agressividade - apostados numa saída sem dúvida).

Mas o outro lado, mais "justiceiro" e não tão idealista leva-me a pensar que quem trouxe o clube até este estado de calamidade talvez já não tenha mais para dar e que deva dar lugar a um novo e definitivo projecto. Sim, GL não tem projecto, como não tem sequer soluções a vulso para jogar. Está nas mãos da equipa e do que esta consegue jogo a jogo e...isto não é um sintoma de poder, é um sintoma de fraqueza.

Quem é o responsável pelo departamento de futebol? Quem decide renovações, vendas, aquisições, rescisões? Um advogado numa direcção em part-time? Quem defende a equipa? Godinho Lopes? Quem é o superior de Vercauteren? Quem o apoia? O que está a acontecer à equipa B? (a perder gás a cada semana que passa)? O que se passa com os restantes escalões de formação? (alguns resultados surpreendentes/péssimos).

Há demasiados sintomas de que o clube está prestes a mergulhar num cenário de ruptura financeira completa, o que não deve estar dissociado da previsão de quebra de receitas nos próximos tempos (não ida à Champions em 13-14, eliminação prematura da LE depois de um fraco encaixe - o Sporting tem 2 pontos, quebra de receita de bilheteira brutal nas próximas semanas, venda de merchandising quase inexistente e especialmente a desvalorização dos passes de muitos jogadores, com os investidores a pedir "cabeças".
Tudo isto vai estar na mesa de voto nas próximas eleições, porque já não tenho dúvidas, a presidência de GL durará até ao fim do derby.

Até breve.


segunda-feira, 26 de novembro de 2012

Uma sombra

Este Sporting é uma sombra. Não é nada.

30 minutos depois de empatar um jogo frente ao último classificado (uma equipa claramente de 2ª divisão) da Liga, depois de estar perder 2-0 infantilmente, depois de ver o adversário perder os melhores jogadores por lesão, depois de ver os jogadores adversários "nas cordas" a defender o empate, depois de ver o guarda-redes jogar lesionado (um braço imobilizado). Depois de tudo isso...o Sporting foi uma equipa quebrada, a ver o jogo passar, com medo de sofrer o terceiro golo, com poucos jogadores a justificar o empenho que era preciso.

Capel, Eric, Rinaudo, Viola, foi só.

4 jogadores em 11 fizeram pela vida. Assim não dá.

Cada vez acredito menos nesta equipa. Eu queria, mas a verdade é que não acredito.
Aos responsáveis cabe ver aquilo que eu vi hoje. Ou seja, tudo e nada.
Quem quiser vê uma equipa que recuperou e podia até ter ganho o jogo, eu vi um clube glorioso e histórico amedrontar-se frente ao Moreirense, a lutar por pouco mais que um empate....isto não pode ser uma equipa a sério, que ganha ordenados a sério.

Capel ganha mais do que todo o plantel adversário.

Até breve

sexta-feira, 23 de novembro de 2012

“O Sporting nunca esteve tão mal”

É esta frase que me impulsiona a fazer este post e a colocar todas as perguntas que faço a mim próprio aos leitores que seguem este blog. Seja este o momento ou não de introduzir mudanças (“piorar” é um verbo de grande relatividade na vida desportiva do nosso clube) penso que urge a cada um dos sportinguistas fazer uma preparação estruturada que construa uma leitura do Sporting racional. Esta leitura, acreditem em mim, vai ter de ser expressa muito mais cedo do que desejávamos.


27 perguntas, vários temas, várias considerações para que cada um escolha em consiciência o que é pior e melhor para o Sporting. Talvez no final da sondagem, tiremos algumas conclusões sobre em que é que acreditamos e quanto acreditamos.

Por favor votem.

Até breve.

quinta-feira, 22 de novembro de 2012

Eu Adepto EXIJO!

Muitos temiam que oásis de Braga não fosse mais que uma miragem. Pois tiveram razão. Quase duas semanas de "pré-época", de calma, de condições de trabalho, de novas ideias e novos paradigmas técnicos e o resultado foi muito pior que os desaires recentes. O Sporting hoje nem sequer esteve no jogo. Houve apatia, desnorte e um baixar de braços chocante. Pode-se perder 3-0, 4-0 ou 8-0 mas não ser humilhado. Depende da atitude e hoje o Sporting foi esmigalhado por uma equipa banal do campeonato suiço, que só não marcou mais, por manifesta fanfarronice e falta de jeito.

Os jogadores valem 500 vezes mais do que isto. Mas cada vez dão menos. Cada vez são mais "resistentes" a melhorar...e sinceramente, de semana para semana, tenho visto mais erros que soluções. Não penso que Vercauteren seja o responsável, será até o menos culpado de toda esta trapalhada...mas a verdade é que os jogos vão passando e o Sporting não mostra sinais de "cura". Dentro de algum tempo chegaremos ao "mês, mês e meio" prometido pelo belga a GL. E depois? Como justificar tudo isto? Como ganhar um jogo que seja? Como ficar satisfeito com a não despromoção (este Sporting nunca chegará ao 5º lugar)?

Calculo que muitos achem que devemos vender esta equipa e comprar outra. Não é possível. O valor investido é enorme, e depois de uma época miserável a cotação de todos os investimentos deverá quebrar enormemente. Além disso o Sporting não é detentor de muitas percentagens dos atletas e nenhum fundo alienará um investimento por metade do valor, ou menos. Ainda bem. Algumas das nossas "vedetas" não merecem sair deste problema com tanta facilidade. Que nos tirem primeiro deste buraco. Porque são capazes. Porque ganham para isso. Porque hoje à 1h00 no Figo Maduro existirá muita gente que lhes lembrará que tipo de contrato assinaram com o clube. E não foi de certeza para humilhações deste género.

Que algum tenha a dignidade de aceitar baixar o seu salário face ao que tem produzido espantar-me-ia, o que já nunca me espanta mesmo é a dificuldade dos responsáveis do clube manifestar aos jogadores o desprazer que dão aos adeptos e à ruína de prestigio que estão semanalmente a provocar. E não me venham dizer que têm dado tudo, porque não é verdade. Tenham vergonha, calem-se e trabalhem a sério, quero lá saber dos treinos! Quero é que "morram" em campo, todas as semanas! Aliás não quero, EXIJO!

Até breve.

quinta-feira, 15 de novembro de 2012

Retoques

Parece que será em Dezembro que o Sporting fará o “trabalho de casa” que ficou por fazer na pré-época deste ano ao falhar claramente na missão de encontrar um jogador alternativa a Wolfswinkel e um central que seja efectivamente forte na marcação individual (Carriço, Rojo, Boulahrouz e Xandão são defesas que preferem marcação zonal).

Confesso que há um dado que não encaixa no enquadramento destas notícias. Um grande dado – as finanças do clube. É que por mais que seja bom o esquema de utilização dos fundos, o clube terá sempre de investir em mais dois atletas. Se é entendível o esforço no ataque, não entendo que tipo de central poderá chegar que seja assim tão melhor que o que temos na equipa B.

Quanto à entrada no onze, o investimento pode ser rentabilizado de formas bem diferentes. Se um novo central poderia ocupar a “vaga” que nem Boulahrouz ou Xandão reclamaram definitivamente, já no ataque o cenário é bem diferente. Vercautaren tem preferido actuar com apenas um ponta-de-lança e recorrido a Viola para alargar a frente. Das duas uma, ou o Belga não aprecia particularmente o argentino ou entende-o como ala, o que lhe retira espaço, quando Carrilho, Capel e Jeffren serão sempre apostas mais consensuais.

A meu ver, e visto os objectivos da época desportiva terem sido desbaratados bem cedo, urge rentabilizar todas as contratações realizadas para que uma de duas coisas aconteça: confirmar a utilidade dos jogadores ou “prepará-los” (dando-lhes alguma visibilidade) para serem transferidos. Mas esta é apenas a visão de alguém que supõe que a capacidade de investir da SAD é pouco mais que zero. Pode não ser o caso e então o panorama será sempre muito diferente destas considerações. Resta esperar.

Até breve.

sexta-feira, 9 de novembro de 2012

A grandeza

Um grande clube é um emblema que apesar de não vencer há uma dezena de jogos, estar afastado da hipótese de qualquer conquista e de saber que irá viver com grandes problemas económicos consegue ter adeptos que vão ao estádio e ao mínimo vislumbre de qualidade na equipa, aplaudem e puxam pelos jogadores.

Podemos descer os degraus que tivermos de descer, mas nunca seremos menos que "enormes". Porque a grandeza de um clube mede-se no orgulho, apoio e dedicação dos seus adeptos. Nesse capítulo damos lições como ontem à noite.

Mais do que os resultados ou os troféus, o que me orgulha é pertencer a um clube de gente "grande", gente "valente", gente de "luta". A minha palavra de grande agradecimento a todos os que comigo tentaram que o Sporting vencesse a partida, apoiando onde sempre estivemos, na bancada. O golo tardio dos Belgas matou um apuramento, mas não matou a sensação que se viveu durante 30 minutos, e foi boa. Equipa e público a lutar, jogadores e adeptos a ajudarem-se entre si. Um verdadeiro oásis numa época de monótonos erros crassos e desmotivação.

Oxalá seja um prenúncio de qualquer coisa melhor.

Até breve.

quinta-feira, 8 de novembro de 2012

Ah...Sportinguista!

Ter meia casa (previsão dos media) frente aos belgas hoje em Alvalade só vem mais uma vez provar que o Sporting é mesmo um clube muito grande. Pelo meio de uma crise de organização que dura há pelo menos 4 épocas e resultados desportivos humilhantes, o que se mantém sempre a um nível muito alto é o sportinguismo. Esse que é o maior bem activo do clube e nunca deixou de estar em alta.


Pena que permanentes más decisões não permitam o desenvolvimento desportivo evidente, mas não é um argumento honesto culpar os adeptos pelas derrotas ou pela falta de capacidade financeira do clube. Um aproveitamento razoável e mais equilibrado das receitas do clube poderá não ser suficiente para fazer frente aos orçamentos (por agora) bastante superiores dos rivais Porto e Benfica, mas tem de dar para muito mais do que está a ser conseguido.

Hoje o argumento, que vingou na era de Paulo Bento, de que o problema do clube era a juventude e inexperiência dos atletas da formação não colhe mais. Olhar para o rendimento competitivo de Veloso, Moutinho ou André Santos e olhar para o nosso meio campo hoje, de repente, passou a ser uma aspiração, por mais que se advogue que os resultados são semelhantes (sem títulos) a viabilidade económica é bem diferente.

Se o produto “made in” Alcochete tem procura, o que se pode dizer das aquisições internacionais do clube, que por exemplo, vende dois internacionais chilenos por menos de 4 milhões de euros. A prova é que não é o Sporting que valoriza o atletas, é a Selecção. O Sporting, neste momento, desvaloriza os seus atletas, única e exclusivamente porque perde e/ou joga um futebol sem brilho.

Paulo Sérgio, Couceiro, Domingos, Sá Pinto e Oceano têm uma coisa em comum, nunca foram capazes de substituir o “resultadismo” de Paulo Bento por um atributo de igual valia. E se culpo os treinadores por não terem definido o que queriam em campo, culpo as direcções por contratarem treinadores sem qualquer noção do que esses técnicos podem trazer (ou tirar) à equipa.

No final das contas é mais ou menos óbvio que o clube tem sido governado numa lógica de mercearia, acorrendo aos problemas de forma pontual, com amadorismo profundo nas grandes decisões estratégicas. Tantas e tantas vezes seguindo supostos “projectos” que não passam de ideias a vulso, prontas a cair ao primeiro desaire.
A paixão exacerbada (quero pensar que é por isso) com que são tomadas decisões com graves implicações financeiras e desportivas não pode continuar.

O sucesso do clube começa pelo respeito que tem pelo “Sportinguismo”. O respeito pelos sócios, praticantes, ex-praticantes, ex-sócios, ex-dirigentes tem sido, desde há muito enormemente deficitário. Porquê? Todos nós sabemos a resposta. Há falta de ser firme e lutador com os “inimigos externos”, o Sporting instituição tem assumido várias posições de força com as suas próprias massas, tantas vezes votando elementos dissonantes ou apenas pessoas que não tiveram sucesso no clube a um exílio profundamente infantil.

Não vou dar exemplos, mas as relações entre as pessoas do Sporting que gravitam ou já gravitaram em volta do clube são absurdamente tensas e conflituosas, numa guerra suja e surda e invisível, que está a contaminar o Sportinguismo.
A afluência ao jogo na Liga Europa é apenas mais um capítulo em que se nota claramente que o Sportinguismo é a força mais viva do clube, quem dera que as Direcções, Jogadores e Treinadores aprendessem com ele.

Até breve.